26.2.08

Brioche!



Esta cozinha tem andado a meio gás no que respeita a receitas. Ainda antes de ir de viagem e já embuída no espírito fiz o meu pão francês de eleição: o brioche. Aqui fica, na ressaca das estórias por Paris e recordando as palavras de Maria Antonieta "Por que não comem brioche?"quando lhe explicaram que o povo não tinha pão. O resultado é sabido... cabeça que não é usada perde o lugar no cimo do corpo.

Brioche

12 individuais

5 ovos médios
150 grs manteiga sem sal
2 colheres sopa açucar
500 grs farinha tipo 65
2 colheres chá fermento seco
gema ovo para pincelar

Os ingredientes devem estar à temperatura ambiente na altura de serem trabalhados. Numa tigela grande, junta-se a farinha, o fermento, o açucar e o sal e abre-se uma cova ao centro. Adicionam-se os ovos batidos ligeiramente e mistura-se com a farinha até formar uma massa capaz de ser amassada (se necessário acrescenta-se uma colher de sopa de água morna). Deixa-se descansar por 5 minutos e aos poucos, junta-se a manteiga amolecida, incorporando-a na massa. Deita-se sobre uma superfície enfarinhada e massa-se durante cerca de 10 minutos, até a massa estar elástica e homogénea. Coloca-se numa tigela untada com manteiga, cobre-se com um pano e deixa-se levedar num local quente e seco por 1 hora ou até ter duplicado de volume.

Preparam-se as formas (as minhas são de silicone) e divide-se a massa em 12 partes iguais. A cada porção retira-se 1/4 e reserva-se. Forma-se uma bola com a porção maior, coloca-se na forma e com a ponta do dedo cria-se uma pequena concavidade onde se dispõe a bolinha mais pequena. Cobre-se com um pano. Faz-se o segundo levedar por 30 minutos ou até ter novamente quase dupicado de tamanho.

Pré-aquece-se o forno a 180º. Pincela-se cada brioche com a gema de ovo diluída numa colher de café de água. Leva-se a cozer durante 15-20 minutos. Retiram-se das formas e deixam-se arrefecer sobre uma grelha. Aguentam em recipiente hermético por 3-5 dias.

Nota: esta receita pode ser feita na máquina do pão. Nesse caso, colocar primeiro os ingredientes líquidos à temperatura ambiente - ovos batidos, manteiga derretida - depois o açucar, o sal e a farinha, por último o fermento, que não deve entrar em contacto com os líquidos antes do início do programa. Deve utilizar-se o programa "massa" e depois do primeiro levedar continuar com a receita da mesma forma.

22.2.08

Je ne veux pas travailler



Je ne veux pas travailler
Je ne veux pas déjeuner
Je veux seulement oublier
Et puis je fume

Edith Piaf

E lá vou cantarolando a música, que descobri na voz dos Pink Martini, vinda do imaginário de Piaf. Je ne veux pas travailler, Je ne veux pas déjeuner, Je veux seulement oublier, Et puis je fume. Tudo acaba. Até as coisas boas. Ou sobretudo essas! E depois há aquilo que queremos recordar: de tanta comida fotografada e falada parece que não fizemos mais nada por Paris se não comer... Como não quero que esta viagem fique registada apenas como um pecado da gula, deixo-vos um local e um olhar da Paris que encontrámos nesta nossa passagem: o novo museu Quai Branly e o trabalho do fotógrafo americano Saul Leiter, patente na Fondation Henri Cartier-Bresson. As fotografias de arrasar são de Monsieur Le Provador e a luz deliciosa obra do S. Pedro que nos brindou com um tempo primaveril de fazer inveja aos países (antes do mediterrâneo e agora) da West Coast da Europa!

O Quai Branly fica muito perto da Torre Eiffel e foi recentemente inaugurado. As temáticas tratadas não conseguiram competir com o delicioso sol da manhã e apenas passeámos pelo espaço envolvente ao edíficio que alberga as colecções. O projecto de arquitectura é de Jean Nouvel, autor do Institut du Monde Arabe ou Fondation Cartier. À semelhança da pirâmide do Louvre, alguns amam outros abominam. Eu, que aprecio a capacidade de diálogo entre os novos edifícios e os edifícios seculares que tantas vezes se consegue em Paris, não me consegui decidir.

O olhar de Saul Leiter foi do que mais me surpreendeu (profissionalmente falando) nesta viagem. A MAGAZINE da Airfrance trazia um belo artigo sobre a exposição, mas como pouco foi programado nesta viagem, deixámos acontecer. Acabámos num domingo à tarde à procura da Fondation Henri Cartier-Bresson (que não aparece nos mapas) e demos dinheiro e tempo por muito bem gastos. Mais que recomendável para quem goste de fotografia e passe por Paris até 13 de Abril.

21.2.08

Café noir?



English Version

A viciada em café que existe em mim sente-se em casa quando o cheiro familiar chega à mesa, o amargo não pode ser mais doce e a cafeína se espalha pelo sistema. Não preciso de açucar ou chocolate ou dois pratos e um guardanapo. Eu preciso mesmo é de café, mas qualquer petit noir em Paris é uma pequena mega produção em si mesmo. A bonita chávena na foto em cima chegou depois de um delicioso almoço num restaurante a que fomos pela primeira vez. Mas antes de falar do adorável Bergamote tenho de dizer que o café em Paris tem um preço sobredimensionado. E de que maneira! Também o famoso café au lait atinge valores inimagináveis, que o friozinho da rua trata de relativizar.



O Bergamote foi mais do que uma agradável surpresa. Localizado no Boulevard Saint Germain a apenas dois passos da estação de metro de Mabillon, este pequeno restaurante é uma pérola escondida, sobretudo para os amantes das ervas frescas na cozinha. Cada prato vem acompanhado de uma sinfonia de sabores, proporcionada pelo uso habilidoso de tomilho, coentros ou manjericão e de uma nota subtil de especiarias. Almoçámos e jantámos (o nosso jantar de despedida de Paris) no Bergamote. O restaurante oferece diferentes menus (também em inglês) e ainda um plat du jour cada almoço e jantar. Recomendo vivamente o Bergamote: a comida é deliciosa, o serviço simpático e a sala adorável. E pensar que antes de ir ao Bergamote eu não ligava nenhuma a Créme Brulée!



Bergamote
8, Rue Montfaucon, Paris

19.2.08

Constant(emente)



English Version

Tenho uma paixão assolapada pelo Christian Constant. Uma paixão culinária, naturalmente! O Chef Constant é a brilhante mente por detrás do restaurante haute cuisine Le Violon d'Ingres, do novo conceito de Les Cocottes e do meu adorado Café Constant. Embora saiba exactamente o que comi na primeira visita (saumon froid e uma mais que memorável tarte de figos), já não me lembro como fomos parar ao Café Constant. A ideia de Christian Constant servir a clássica cuisine française num bistro de bairro a preços acessíveis levou-me primeiro à comida que à personalidade. Não fazia ideia de quem era o Christian Constant e à medida que fui descobrindo a sua carreira, fiquei presa à sofisticação descomprometida da sua cozinha. Na nossa viagem a Paris, levei "Ma cuisine au quotidien" na esperança de que o Chef Constant o pudesse assinar... Não arranjei coragem para lhe pedir. O que me dá uma desculpa mais que perfeita para voltar!

Porque é o Café Constant tão especial? Frequentemente cheio, o Café Constant é um bistro de ambiente eclético - clientes regulares de idade avançada, locais habitués de passagem para um copo de vinho, casais jovens, famílias ou (sortudos) turistas como nós - o Café Constant serve boa comida mas nada produzida. Jantámos por duas vezes no Constant: sempre perfeito. O menu escrito em grandes ardósias foi-nos simpaticamente "descodificado" por um rapaz português que lá trabalha. Reconhecemo-lo de há dois anos atrás - ele ficou mais que desconfiado quando lhe perguntámos se falava português!! Merci R. e a todo o staff!

a minha refeição perfeita




Café Constant
139, rue Saint-Dominique, 7th

16.2.08

Paris, je t'aime!

Paris

English Version

E cá estou eu de volta de uns fantásticos dias na solarenga Paris!

Paris foi uma das últimas capitais europeias que conheci. Levou-me 30 anos de vida e quando finalmente fui (há pouco mais de dois anos), as minhas expectativas não eram nada de especial. E depois cheguei e apaixonei-me. Irremediavelmente. Foi um amor maduro, de gente crescida, como se estivesse para ser desde sempre. Voltei apenas uns meses depois para continuar a descobrir mais coisas para gostar sobre Paris. A comida foi uma delas: mercados, lojas, pâtisseries, boulangeries, restaurantes... Paris é o céu na Terra para os amantes da boa mesa! Esta viagem foi memorável nesse departmento. Comemos maravilhosamente em velhos e novos lugares. Como eu adoro Paris!

Mais a seguir sobre o meu bistrot parisien favorito e uma deliciosa descoberta. À toute à l'heure!

4.2.08

À Bientôt!

Paris (Setembro 2005)

A dona desta cozinha parte por uns dias para verificar in loco se os gauleses continuam doidos, para matar saudades da pirosa Torre Eiffel, jantar no Café Constant, babar na montras das boulangeries e pâtisseries, empaturrar-se de exposições e namorar. As imagens são de há dois anos na última passagem pela cidade luz e trazem queridas memórias.

Antes de ir, devo à Paulucha do All Sogno e à Anette do Freak Veggie, um obrigada por este não ser um mau blog. Não é por mal, mas sou uma desorganizada com os prémios e desafios. Beijos às duas!

A Filipa, no seu Receitas, desafiou-me a contar 5 coisas esquisitas sobre a minha persona... Aqui vos deixo 5 coisas (mediamente) estranhas sobre mim, food-related, of course:
1. O meu amor pelos gatos não me deixa comer coelho. Não dá.
2. Adoro pescada cozida e não gosto muito de bacalhau.
3. Se nunca mais pudesse comer chocolate na vida não me ralava um nadinha e se me tirassem o queijo tornava-me um ser abominável.
4. Nunca comprei um limão na vida.
5. Raramente provo os bolos e doces que faço.

Eu disse mediamente esquisitas. As outras não são publicáveis, pelo menos de livre vontade! E nada de pensarem em sequestrar a minha gata! :p

Volto a esta cozinha na próxima semana. Até lá!

2.2.08

A Cor Púrpura



Ao folhear uma revista fiquei parada a olhar para uma misteriosa linda mulher (daquelas que só as revistas de moda têm) que envergava um vestido púrpura. De parar o trânsito. O vestido, não a mulher. O artigo era sobre a paleta de cor de inverno, repleta de tons a lembrar as cores brilhantes das pedras preciosas. O Púrpura era a cor a usar. Assim uma espécie de novo Black. Era a exacta cor que eu queria para a minha sopa. Um creme de um brilhante e misterioso púrpura. O novo Verde no mundo das sopas! O Provador sabe bem o que esperar do almoço ou do jantar (i.e. TUDO) e não se surpreende por dá cá aquela sopa. Mas o pobre não conseguiu suster um Eh lá! perante o prato de sopa. As fotos não fazem justiça à poderosa cor! Escusado será dizer que ando pois à procura do tal vestido, o que tem cor de sopa...

Sopa Púrpura

6-8 Porções

3 colheres sopa azeite extra virgem
2 cebolas médias, picadas grosseiramente
sal
2 colheres sopa cominhos (ou a gosto)
2 maças Granny Smith médias, descascadas e picadas
1 couve roxa média (cerca de 750grs), picada
4-6 chávenas caldo legumes

Numa panela de fundo grosso, aquecer o azeite. Quando este estiver quente, adicionar os cominhos e as cebolas. Alourar durante uns minutos e juntar as maçãs. Deixar cozinhar até estas estarem macias. Juntar a couve (sem a parte rija do pé) e temperar com sal. Acrescentar o caldo e deixar cozer, sensivelmente 20 minutos. Reduzir a puré com a varinha mágica.

Para servir, misturar um pouco de vinagre de cidra. Decorar com queijo de cabra, maçã fatiada e uma pitada de cominhos. Pode igualmente ser servida simples. É deliciosa das duas formas!