11.3.13

Ovos de codorniz com dukkah e flor de sal

Dukkah

We travel, some of us forever, to seek other states, other lives, other souls.
Anaïs Nin, O diário de Anaïs Nin, Vol. 7, 1966-1974

Vou ali. Quero conhecer o mundo. Viajar por entre os pingos da chuva e chegar a um lugar novo. Quero ir. Com o sol no rosto e a vontade de conhecer às costas. São as pessoas, os espaços, os cheiros e os sabores que melhor guardam a memória de dias felizes. Nos sempre viajantes procura-se a alma de quem calcorreou caminhos de pedra e se sentou a muitas mesas. É numa garfada ou num gole que se reencontra o nunca conhecido.

Ponho de parte os ingredientes. Cominhos e coentros em semente. O almofariz ali ao lado e uma frigideira a aquecer no fogão. Quando as especiarias caem no fundo quente é uma lufada de emoções, cortesia de um nariz habituado a aromas longínquos. Estou no Cairo ou num bazar do Médio Oriente. Viajo para longe da bancada da minha cozinha onde o mundo chegou. Depois junto as avelãs e as sementes de sésamo, até estas últimas começarem a crepitar. A seguir é só bater até obter uma espécie de serradura dos sonhos. Cartão de viagem para terras além mar, sem sair da cozinha.

ovos de codorniz Ovos de codorniz com dukkah // Dukkah Quail Eggs

Dukkah é o condimento de origem egípcia, usado em todo o Médio Oriente. É tradicionalmente servido com pão e azeite. Eu gosto de polvilhar ovos de codorniz cozidos e chamá-los party food.

A utilização de flor de sal é essencial porque ajusta os diferentes sabores, das especiarias e dos frutos secos, e dá ao condimento uma textura muito própria. Em Portugal temos excelente flor de sal mas é um produto ainda desconhecido em muitas cozinhas. Deve ser utilizada para finalizar pratos, como tempero e para molhos ou condimentos como este. Sou fã confessa da flor de sal da Casa do Sal da Figueira da Foz que é a que uso no dukkah.



Dukkah
Adaptado ligeiramente de uma receita de Claudia Roden, Tamarind & Saffron

rende 1 frasco pequeno

4 colheres (sopa) sementes de sésamo
15 avelãs
2 colheres (sopa) sementes de cominhos
1 colher (chá) sementes de coentros
1/2 colher (chá) mistura de pimentas
1/2 colher (chá) flor de sal (uso Casa do Sal)

Aqueça uma frigideira antiaderente para torrar todos os ingredientes, à excepção da flor de sal. Como as sementes e as especiarias aquecem mais depressa que os frutos secos, toste as avelãs primeiro(cerca de 2 minutos). Reserve no almofariz. Deite agora as sementes e as pimentas e deixe aquecer até começar a crepitar. Cuidado para não deixar queimar. Verta tudo para o almofariz e delicadamente vá esmagando e batendo até obter um pó grosso e ligeiramente heterogéneo. Junte a flor de sal e prove. Rectifique o tempero se achar necessário. Deixe arrefecer completamente antes de guardar.

Também pode usar uma picadora para moer todos ingredientes se preferir.

Para servir o dukkah com ovos de codorniz cozidos, simplesmente role os ovos descascados num prato que polvilhou com este condimento. Ou sirva com pão e azeite virgem extra de boa qualidade.

16 comentários:

  1. Eu adoro ovinhos de codorniz mas faço sempre de forma igual... azeite, alho e coentros.
    Vou guardar esta receita :)

    oneplustwoblog.blogspot.pt

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    1. A minha mãe também faz com azeite, alho e coentros. São sabores alentejanos de que gosto muito, muito. :)

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  2. Ando há uns bons anos à espera que tu publiques esta receita, pá. Finalmente! Tenho feito n. vezes desde que provei a tua - mas uso outra receita de Dukkah - e é sucesso garantido entre os comensais.

    bjs

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    1. Mais vale tarde que nunca, não é o que se diz? ;)

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  3. Adoro ovinhos de codorniz! E faço sempre com n de especiarias! Vou levar a receita para experimentar!

    Beijinhos;

    Aurea Sá

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  4. Por vezes sabe bem viajar sem sair do lugar. Cá em casa temos sempre flor de sal, foi um gosto que veio de casa da minha mãe, onde havia sempre um frasquinho de flor de sal para os temperos finais. E fiquei bastante curiosa relativmente ao dukkah (uma excelente prenda para oferecer em qualquer altura do ano!)

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    1. É um presente muito engraçado, embora os sabores dos cominhos não sejam do agrado de toda a gente. Vou guardar a ideia para o Natal! ;)

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  5. Adoro ler-te Suzana, para mim já é quase uma viagem de sabores.
    E de coisas boas e felizes. Sabe tão bem viajar na nossa cozinha, num prato de comida. Num cheiro de uma especiaria.
    Já em deixaste curiosa com o dukaah.
    Um beijinho.

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  6. Ler o teu blog é descobrir bovos sabores e viajar por um mundo de sabores fantástico! Adorei esta sugestão.
    beijinhos e boa semana
    Paula

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  7. Sempre a aprender ;) e a inovar!
    Bravo
    babette

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  8. Fico aqui a pensar Suzana, que já que gostas tanto da flor de sal do Zé João, o melhor era vires à origem buscá-la e descobrir outras coisas fantásticas que a Figueira tem :)Bem sei que sou suspeita!
    Lembras-te do teu gratinado de cou-flor em que me sugeriste usar presunto ou bacon para enriquecer? Usei alheira de caça. Foi um sucesso. E claro, comprei o livro. Chega esta semana. Estou ansiosa.
    Um abraço!
    Guida

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    1. Guida,

      Aí está uma excelente ideia! A Casa do Sal fez o favor de me enviar duas das suas diferentes flor de sal (a de grelhados é a favorita dos carnívoros da família) e comprei mais duas em Aveiro numa feira de sabores tradicionais. Conhecer in loco o produto parece-me um óptimo pretexto para ir à Figueira. ;)

      A ideia da alheira é muito bem pensada. Hei-de experimentar. Espero que gostes do livro da Rachel.

      Beijos*

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  9. ADOREI.. imagens, receita e a partilha! um beijo

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  10. Que fantástico que fizestes os teus do zero. amei. E sou louca por ovos de codorna. De comer 6 assim, fácil fácil.

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  11. Mais do que pela comida [é sempre inspiradora e maravilhosa!] gosto de ler as tuas palavras. Viajo nas tuas palavras por sítios onde nunca fui e por sabores que nunca tocaram a minha língua. Sinto que saio daqui sempre um bocadinho mais viajada:) as receitas são fantásticas e as imagens um meio para me fazer ir em minutos a outro sítio, recheado de boa comida!

    Obrigada*

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