11.7.13

Vinhos de Verão na Quinta do Gradil

Quinta do Gradil

O Verão convida à praia ou ao campo. Convida a almoços leves à sombra e a jantares demorados e conversas longas. Pede bebidas frescas e revigorantes. Mudam-se os copos, aceitam-se os brancos, diz-se que sim aos rosés. À descoberta dos que se bebem por agora nesta parte do paraíso. Partimos.

O campo e uma mesa ali ao lado e temos plano para o dia. Com muito para contar, a Quinta do Gradil fica já aqui com a Serra de Montejunto por companhia e a História (e muitas estórias) em redor. Entre a passagem do Marquês de Pombal pela Quinta, a capela e o palacete ficam mistérios por desvendar. O olhar a varrer o horizonte. São hectares de vinha a perder de vista, pomares de pêra rocha a atestar a geografia e uma ou outra orla de oliveiras a rematar.

Quinta do Gradil - Branco de Verão

Para além dos vinhos, é no azeite que me fixo. Tendência de quem faz dele um produto de eleição na cozinha. A azeitona, quase toda da variedade galega, é proveniente das poucas oliveiras que fazem parte da paisagem e sustenta uma pequena produção quase caseira, que pode ser encontrada no restaurante da Quinta onde, naturalmente, os grandes protagonistas são os vinhos. Da casa, claro!

E este azeite na sua garrafa cuidada é uma mais valia na mesa, para mim reforçando uma ideia de ambiente e história familiar. Há um passado que assoma no palacete e na capela que um dia hão-de voltar a fazer parte do quotidiano da Quinta. Até lá fica a vontade de ir construindo um discurso forte no que aos vinhos diz respeito. Palavra de Luís Vieira, o actual proprietário. E não parece exagero. Afinal estamos numa propriedade vitivinícola com provas dadas.

Quinta do Gradil Quinta do Gradil

Está um dia muito quente quando visitamos a Quinta. À nossa espera, um copo de Verdelho 2012 bem fresco. Talvez seja o calor ou a leveza do vinho, com um grau alcoólico baixo. Podia bebê-lo o resto da tarde. Não repito por vergonha e cautela. É que há mais uns quantos brancos de Verão à minha espera e é melhor não arriscar. Dizem-me que este Verdelho acompanha na perfeição um prato de cavala. Fico a imaginá-lo num almoço estival.

Numa breve visita à vinha, que o sol já vai alto e abrasador, falamos sobre as castas brancas que a Quinta do Gradil produz. Fernão Pires, Arinto, Sauvignon Blanc, Chardonnay, Viosinho, Verdelho, Viognier e Moscatel. Uma minoria, se comparadas com as tintas, em variedade e na extensão de terreno que ocupam. Ao almoço havemos de provar um Viosinho 2012 (que não ocupa o meu top), um Sauvignon Blanc & Arinto (que me enche as medidas) e um rosé Syrah & Touriga Nacional 2012 acabado de engarrafar (que me deixa curiosa). Eu, que não faço dos rosé a minha praia fico a sonhar com uma ao primeiro trago.

A nossa refeição não há-de terminar sem um flute de Espumante Bruto, que imagino faça a melhor das companhias nas noites que se avizinham. Porque não acho que espumante seja sinónimo de festa, guardo uma garrafa para acompanhar um destes assados de Domingo corriqueiros, assim que o tempo o permita.



Quinta do Gradil - Luís Vieira Quinta do Gradil

Tenho a sorte de ter por companhia neste almoço dois guias excepcionais. À mesa, Francisco Cunha, Enófilo Militante e Vasco d'Avillez, presidente da CVR Lisboa fazem o que podem para me ensinar umas coisas sobre vinho. Entre estórias sobre a doçaria conventual, risos e (pequenas) discussões sobre os melhores copos Riedel lá vamos provando. Por altura do café, as conversas param e ouvimos Luís Vieira falar da sua Aguardente XO. Na garrafa à minha frente estão mais de 40 anos de uma tranquila espera e a vida de 2 ou 3 gerações. É uma herança de família e Luís Vieira centra em si toda a dimensão sentimental desta aguardente de cor bonita e aroma profundo. A minha apreciação fica por aqui pois não me atrevo a molhar os lábios. Estou mais do que fora da minha zona de conforto. Os apreciadores de aguardentes sentados à mesa enaltecem as suas virtudes e anseiam por um Inverno à lareira para uma total degustação.

Curiosamente (ou talvez não) o meu coup de coeur é um Reserva 2010 Branco, Chardonnay & Arinto. Apaixono-me, vá-se lá saber porquê, por um branco de Inverno no mais tórrido dos dias de Junho. É delicado e complexo, ao mesmo tempo. Tem camadas e camadas de aroma e sabor. Prometo voltar assim que o calor se torne mais brando para o apreciar devidamente e para conferir as mudanças anunciadas no restaurante da Quinta. Talvez lá mais para as Vindimas.

Quinta do Gradil Quinta do Gradil - Branco de Inverno

5 comentários:

  1. Fiquei encantada com a Quinta do Gradil que desconhecia por completo. E claro, de olho na caseira produção de azeite. Os vinhos também me encheram os olhos, claro. Mas sou fã dos tintos, bem maduros, encorpados e fortes para o Inverno. No Verão fico-me pelos rosés, que fazem as minhas delícias. O branco, sempre maduro, lá aparece de quando em vez, se tiver companhia :)

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  2. Uma quinta repleta de historia com vinhos que carregam muita sabedoria e amor por tras. Nao conhecia a quinta mais fiquei deliciada com o teu texto.

    Beijinhos

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  3. Tudo tão lindo, que até me apetece beber vinho! :)
    Bjs

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  4. Ah amiga, que passeio delicioso pelo que li. Tua narrativa como sempre impecável. Lindas fotos. Tantos passeios que gostaria de fazer um dia. Continuo anotando. Preciso aprender a fazê-los virarem realidade. Este parece bem um passeio de de verão. E ler que a conversa também tocou em doçaria conventual, fiquei bem invejosa. Curiosa por saber do que falaram.; o )

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