5.2.14

Na cozinha da Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa

na cozinha da Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa

Todas as cozinhas são lugares de aprendizagem e partilha mas há algumas que são literalmente salas de aula. Quando entro na cozinha da Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa antes do almoço há um frenesim no ar. Venho conhecer a turma de Culinary Arts do chef Nuno Diniz na companhia de Fátima Moura.

Sob o olhar atento e confiante do chef, os alunos tomam conta dos cinco pratos, cada um com vários componentes, que hão-de chegar à mesa do almoço no restaurante de aplicação. Cada um dos jovens cozinheiros sabe o que tem a fazer, há entre-ajuda e muita concentração. Mesmo com a invasão da cozinha por visitas curiosas a meter o nariz e a fazer perguntas.

na cozinha da Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa
na cozinha da Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa



As conversas sobre ensino e aprendizagem encontram-se sempre numa encruzilhada, com caminhos que teimam em se sobrepor. Entre um paradigma e o outro, o que importa (como em todas as áreas) são as pessoas. São elas que fazem as instituições, que constroem novas possibilidades e encontram caminhos em conjunto. Por maioria de razão, uma escola mede-se pelos seus alunos, professores, funcionários. É feita de vontade e dedicação, quase sempre temperada com uma pitada de teimosia. A minha admiração pelo trabalho do chef Nuno Diniz na partilha do conhecimento com os cozinheiros mais novos já tem algum tempo. De motivação, rigor e boa disposição, faz-se um percurso onde aprender parece uma coisa natural. Um bem apenas ao alcance de quem sabe merece-lo.

O curso de Culinary Arts é um programa leccionado em inglês que reúne alunos de diferentes nacionalidades, com percursos pessoais e profissionais muito variados. Esta é certamente uma das razões para o ambiente que se sente na turma. O equilíbrio entre a alegria bem disposta de quem tem prazer no trabalho e a enorme seriedade e profissionalismo que todos demonstram é também o espelho da atitude do professor. Uma combinação que neste caso parece funcionar em pleno.

na cozinha da Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa

Uma escola é apenas aquilo que as suas pessoas são. E de entre essas pessoas, numa escola, as mais importantes são sempre os alunos. É por eles e para eles que tudo acontece. Mesmo quando tem de se alimentar três dezenas de clientes sentados no restaurante à espera do almoço.

Mas este é um restaurante especial. Aberto a todos, requer reserva prévia e tem disponível apenas um menu determinado pela turma de serviço. Os propósitos das escolhas servem sempre o programa do curso em questão, com o menu a espelhar as temáticas, técnicas ou objectivos da disciplina em causa. De todas as vezes que almocei ou jantei no restaurante da Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa, e já foram muitas, o nível foi sempre alto. Neste dia, não foi diferente apesar de, como referia o chef, ser um menu feito a partir de ingredientes modestos.

Almoço na Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa

No seu blog Conversas à Mesa, Fátima Moura escreve sobre esta experiência e os pratos servidos ao almoço. Esta turma de futuros cozinheiros, protegidos e orientados pelo chef Nuno Diniz, num admirável processo de transmissão de conhecimento entre gerações, escrevem alguns dos próximos capítulos da nossa cozinha. Uns dias depois, na entrega de prémios dos 10 preferidos do Mesa Marcada, ao ver José Avillez receber das mãos de Maria de Lourdes Modesto o seu galardão, não pude deixar de pensar nos meninos e meninas desta turma e de outras que virão. Possa o futuro trazer-lhes tudo o que desejam. Porque isso será certamente uma boa notícia para a gastronomia em Portugal.

Os alunos de Culinary Arts organizam esta sexta-feira, dia 7, o evento Food Stock. Às 15h30, no auditório da Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa, discute-se a identidade gastronómica de Portugal. A entrada é livre.

Almoço na Escola Almoço na Escola

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