24.3.14

O Alentejo no prato e uma açorda

Horta da Moura

O que nos está mais perto de casa e do coração é tido como certo. Para mim, fruto de um imaginário familiar, uma açorda alentejana em dias de chuva é apenas sinónimo de conforto e de lar. A açorda é um prato onde se encapsulam todos os valores e sabores do Alentejo: pão, ervas e azeite em perfeita comunhão.

Eram esses os pensamentos que me povoavam a mente enquanto recentemente me dirigia à BTL para participar no Workshop do chef Narciso Peraltinha da Horta da Moura. O mote era o pão e as receitas mais comuns no Alentejo em torno desse pilar da alimentação da região. Açorda e migas no cardápio e muita vontade de ver receitas tão familiares nas mãos de outras pessoas. Porque uma receita não é de ninguém e é na partilha que se ganham novas perspectivas sobre a gastronomia tradicional portuguesa.

Horta da Moura Horta da Moura

Lápis e bloco a postos, vou seguindo com curiosidade e atenção as indicações e explicações do chef. Como fazer o piso? Alho, coentros, pimento verde, poejos, hortelã da ribeira, sal e azeite, num almofariz.

A Horta da Moura é um hotel rural junto ao Alqueva, perto de Monsaraz. As oliveiras milenares fazem parte de um património que importa preservar. É lá, no Restaurante Feitiço da Moura, com uma horta à porta, que o chef Narciso Peraltinha serve pratos alentejanos. Na imensidão da paisagem desenham-se as inúmeras possibilidades de uma cozinha enraizada na região mas com voz própria. Fiquei entusiasmada com a visão que o chef tem da cozinha alentejana, respeitosa das tradições e virada para o futuro. Tudo o que se pode pedir a quem contribui para a visibilidade de uma gastronomia muito rica.

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Açorda Alentejana com bacalhau

serve 4-6

2 postas grandes de bacalhau
pão alentejano do dia anterior, cortado em fatias

para o piso:
4 dentes de alho
3 colheres (sopa) azeite
1 tira de pimento verde
1 haste de poejos
1 molho de coentros, com caules
1 haste pequena de hortelã da ribeira
sal
1 ovo, batido ligeiramente

Coza o bacalhau numa panela grande com água (cerca de 4-5 minutos).

Prepare o piso num almofariz. Bata os alhos, com as ervas e o pimento até obter uma pasta. Junte o sal e o azeite e mexa bem. Deite o piso para uma terrina e adicione o ovo. Verta a água do bacalhau (bem quente) sobre o esta mistura.

Emprate o pão e o bacalhau no prato e regue com uma concha ou duas de caldo. Sirva imediatamente.

Alqueva, Monsaraz

5 comentários:

  1. Olá Suzana
    Gosto muito da cozinha alentejana, sobretudo destas açordas simples mas profundamente respeitadoras da tradição. Irresistível!
    Um bj
    Guida

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  2. se há coisa que eu gosto de sentir o Alentejo no prato, a minha região gastronómica preferida...pena estar tão longe!

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  3. Confesso que a açorda à Alentejana é algo que me suscita dúvidas: embora o sabor seja delicioso, a consistência desespera-me. Eu sou mais o tipo de rapariga que come açordas tipo migas :)

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  4. Também sou como a Ondina, rapariga de açorda tal qual migas. Mas tenho um respeito enorme pela cozinha alentejana, e pela sabedoria do tirar partido de uma mão cheia de ingredientes simples. Associo, por outro lado, o Alentejo a férias descansadas em família... Que bom!
    Babette

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  5. Eu adoro, simplesmente ADORO sopas alentejanas e convivi durante anos com uma alentejana da Vidigueira que fazia umas sopinha alentejanas que ainda hoje as tenho na memória e esta vai comigo, pois adoro. Só tenho é de substituir o poejo por não sei bem o quê, mas logo penso nisso...
    A propósito, fiz a sopa de cenoura com baunilha no Sábado e olha, aprovadissima, por miúdos e graúdos. Obrigada pela partilha!
    Beijinhos,
    Lia.

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