28.10.14

Azeite e mel para um bolo podre

Bolo Podre

De azeite e mel se fazem os doces da minha memória. Lá onde os dias passam mais devagar, onde o céu começa e a terra termina, fica a paisagem a perder de vista a que se chamou Alentejo. Na linha do horizonte, ao longe, as silhuetas das oliveiras cruzam-se com os sobreiros e as azinheiras. Há pão na mesa e cheira a ervas aromáticas. Com canela e limão, estão reunidos os sabores de uma tradição, aqui traduzida em bolo e transmitida de geração em geração à fatia.

Bolo Podre. Pode um nome ser mais enganador? De onde vem ninguém sabe, sugestões há muitas, certezas quase nenhumas. Talvez seja a longevidade. Esquecido numa lata, dura uma eternidade. Ou pode ser que seja a cor, escura e profunda, misteriosa e aterradora ao mesmo tempo. Se nome inspira desconfiança, só o aroma ganha seguidores. Azeite, mel, canela e limão. Assim se escreve a estória de um bolo alentejano.

azeitonas azeite

A escolha do mel e do azeite determina o sabor deste bolo. Gosto de um mel com personalidade cujos aromas remetam para o campo de onde é proveniente e de um azeite doce e frutado, característico do Alentejo. Para o primeiro, deito a mão a um mel de rosmaninho que guardo para ocasiões especiais. Para o segundo, abro uma garrafa de azeite virgem extra Adega de Borba, feito a partir de azeitonas da variedade Galega e repleto de referências à riqueza gastronómica da região. Este bolo é uma espécie de cápsula onde cabe todo o Alentejo. É simples, faz uso inteligente dos ingredientes da terra e capta o sentimento profundo e sereno da doçaria caseira.

Para mim sabe a casa e a tardes de Outono. Com chá ou café, é promessa de uma viagem por entre oliveiras e sobreiros, até ao coração do Alentejo.

São servidos?

Bolo podre



Bolo podre

serve 8-10

6 ovos grandes, separados
150 ml azeite (escolha um frutado, usei Adega de Borba)
150 ml mel
100 g açúcar amarelo
75 g açúcar mascavado escuro
raspa de 1 limão grande
2 colheres (chá) erva-doce moída
2 colheres (chá) canela moída
200 g farinha de trigo, peneirada
1 pitada de sal
1 colher (chá, bem cheia) fermento em pó
açúcar em pó, para polvilhar (opcional)

Pré-aqueça o forno a 180ºC. Pincele uma forma rectangular com manteiga. Polvilhe com farinha.

Bata as gemas com os açúcares com uma vara de arames até obter uma mistura clara. Junte o mel e a raspa de limão e mexa. Adicione o azeite, aos poucos. Acrescente a farinha, o fermento e as especiarias e bata até a mistura estar homogénea. Bata as claras em castelo com uma pitada de sal. Envolva na massa sem bater. Deite a massa na forma e leve ao forno durante 45-50 minutos ou até o bolo estar cozido (se necessário cubra com papel de alumínio no final da cozedura para não queimar).

Sirva morno ou frio polvilhado com açúcar em pó.





5 comentários:

  1. Adoro, fiquei logo a pensar no Alentejo e das saudades que tenhe dele.
    Bolo bom, que remete à estação e às coisas boas.
    Um beijinho.

    ResponderEliminar
  2. Gosto muito deste bolo de nome curioso, mas nunca o fiz.
    Beijo.

    ResponderEliminar
  3. Olá Suzana,
    Vi o teu bolo e fiquei imediatamente com vontade de tentar a versão do «bolo podre à Figueira», com algumas diferenças em relação ao teu. É isso, vou juntar o prazer ao trabalho ;)
    Agradeço a inspiração!
    Um abraço,
    Guida

    ResponderEliminar

Obrigada pelo seu comentário!