26.11.14

Um dia na Adega de Borba

Adega de Borba

Do mistério que os lugares desconhecidos possuem se faz a aura das adegas. À descoberta de segredos bem guardados, sigo em direcção ao Alentejo. Entre a alquimia dos sentidos e a certezas da ciência, é nas caves ou nas garrafeiras onde se guardam os vinhos que me sinto mais próxima do coração de cada um desses sítios. Na Adega de Borba, o contraste entre a adega velha e a nova é testemunho de uma vida longa e cheia de desafios, dupla-face de um caminho construído ao longo de muitas décadas pelos produtores associados e que espelha o passado e o futuro de uma casa.

A iluminação ténue da adega velha combina com os grandes tonéis e é o cenário perfeito para albergar a garrafeira. Etiquetas pendem das garrafas e testemunham a sua história. Apetece ler cada uma e imaginar cada vinho com as suas características próprias, estórias e peripécias. E pensar nas muitas emoções que ainda hão-de proporcionar. Perdida em pensamentos, vou seguindo de olho nas inscrições e nas datas que são testemunhos da passagem do tempo, contando passos até à nova adega.

Adega de Borba Adega de Borba Adega de Borba

Mudam as cores e os materiais, altera-se a luz e a escala. A adega nova é um hino à organização e à capacidade de trabalho. É o tamanho dos espaços que mais surpreendente, a par com a rapidez dos processos. Ainda em fim de vindima, as uvas são descarregadas em minutos, pesadas e seleccionadas, ao alcance de um premir de botões. À nossa volta as enormes e omnipresentes cubas de inox com 100 litros são parte de uma paisagem industrial que nos faz sentir pequenos.

Pela mão do enólogo Oscar Gato é mais fácil perceber o funcionamento da nova adega e a sua filosofia. Os vinhos da Adega de Borba apresentam diferentes abordagens, considerando os muitos públicos e as vontades particulares de cada um, mas é olhar característico da região que mais se destaca. A aposta num seguimento permanente das uvas desde a vinha à garrafa permite conhecer todos os viticultores associados e produzir vinhos muito distintos. A nossa visita segue até ao telhado. Com a paisagem alentejana em fundo e os mármores ali ao lado, a cobertura do edifício é ocupada por um manto vegetal que parece dar continuação ao meio-envolvente, como se de um jardim se tratasse.

Adega de Borba Adega de Borba Adega de Borba Adega de Borba Adega de Borba

Num dia passado entre adegas, não podiam faltar os vinhos. Pretextos perfeitos para descobrir novos e velhos favoritos e combiná-los à mesa com a comida. Hei-de perder-me de amores por um rosé improvável. Mas o Adega de Borba Rosé Premium não é um vinho qualquer, fruto de uma cuidada investigação, este é um projecto que cruza as melhores uvas com um processo peculiar em que 60% do mosto estagia em em barricas de carvalho português, americano e francês. O resultado é uma surpresa em forma de copo.

De Borba até Vila Viçosa, o jantar é no restaurante Narcissus do Alentejo Marmóris onde a harmonização entre os vinhos da Adega de Borba e os pratos do chef Pedro Mendes tem lugar.



Narcissus Narcissus

O menu conduz-nos numa viagem pelo Alentejo, com a gastronomia da região muito presente. Os sabores do tomate de fim de Verão num prato de Robalo de linha escalfado sobre uma salada morna encontra no Adega de Borba Premium Branco 2013 uma combinação onde só o funcho do prato parece não se integrar facilmente. Com curiosidade, espero pelo prato de carne que se segue: Carré de borrego panado com tomilhos obre favinhas com morcela. É, contudo, o monocasta Senses Touriga Nacional 2012 que me deixa a pensar nas castas portuguesas e nas suas distintivas características. Na cozinha ali ao lado o prato seguinte ocupa a equipa do chef Pedro Mendes, numa receita pensada para fazer do Montes Claros Garrafeira 2011 o vinho da noite. A perdiz estufada em vinho e trufa negra, puré de batata, açafrão e cogumelos da época é talvez o menos harmonioso de todos os pratos mas o vinho fica-me no pensamento. Culpo a emoção pela falta de uma fotografia. Para compensar o esquecimento do registo guardo os aromas elegantes e a estrutura perfeita para memória futura.

Já em tempo da sobremesa, Fondant de chocolate e especiarias com espuma de frutos silvestres, são os licorosos a tomar conta da mesa. Harmonizar chocolate e um Adega de Borba Licoroso Premium Tinto é quase fácil de mais. Até chegar a Tablete com nibs de cacau Elogio Lisboa Gourmet a acompanhar o café e a Bagaceira Velhíssima.

Narcissus
Narcissus Narcissus

1 comentário:

  1. Tudo tão organizado na adega de Borba, que bonito. E o jantar harmonizado deve ter sido absolutamente delicioso. Estás sempre a deslumbrar-me :)

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