28.11.17

{ Jantar Vínico } A cozinha do chef Nuno Bergonse e os vinhos Contemporal

Jantar Vínico chef Nuno Bergonse + Vinhos Contemporal

Desafio de todos os dias: pensar o prato sem esquecer o que o acompanha no copo. Escolhe-se o vinho e depois os sabores ou ao contrário? E a resposta, como tantas vezes acontece, não é a mesma para todos. Quem olha o vinho como parte da refeição e em diálogo com a comida tende a procurar essa relação por distintas vias. Há alguns meses que as minhas reflexões em torno do assunto vão fazendo caminho no blog do Enólogo do Chef Continente. Por lá vou discorrendo sobre vinhos e pratos, quase sempre na perspectiva da cozinha e das receitas que nos chegam à mesa. E cada vez fico mais curiosa com a combinação de brancos, tintos, rosés, espumantes ou licorosos e os muitos paladares que fazem parte da nossa alimentação.

Num jantar vínico são muitas vezes os vinhos que tomam a dianteira, combinando-se aromas com os ingredientes que melhor companhia lhe fazem. Da mão do chef Nuno Bergonse saem propostas de harmonização para os vinhos Contemporal, a começar por um tártaro de salmão e abacate com alfarroba (em acima) que vem acompanhado do Espumante Branco Bruto Reserva Bairrada. Com as palavras da Enóloga Vera Casanova sobre a vinificação e estágio ainda a ecoar, a dúvida presente é se teremos coragem para desmanchar o bonito conjunto de cores, entre o laranja e verde até ao preto, que compõem o tártaro finalizado com ovas brilhantes e rebentos de ervilha. Equilibrado e fácil, o primeiro par de prato e vinho deixa vontade de saber mais sobre o que se segue. E o meu prato e vinho preferido chega de imediato.

Jantar Vínico chef Nuno Bergonse + Vinhos Contemporal Jantar Vínico chef Nuno Bergonse + Vinhos Contemporal



Perco-me de amores pelo branco servido com o Polvo a baixa temperatura com quinoa de algas e molho fricassé. Vou descobrindo cada nota e novos aromas no Contemporal Selection Rui Roboredo Madeira Branco Doc Douro 2016 que se apresenta mineral q.b. e em crescendo no diálogo com os diferentes elementos do prato. Não que os pimentos padrón tivessem dado luta, antes escolhendo dar primazia ao polvo perfeito e ao vinho. Já o prato de carne traz o chef à sala para explicar o seu Cannelone de bochecha de porco com cogumelos e trufa, um prato outonal a brindar a noite de chuva que se fazia sentir. Dos vinhos, dois tintos em vez de um, do Alentejo e do Douro, assinados respectivamente pelos enólogos Rui Reguinga e Sandra Tavares da Silva. A delicadeza do Contemporal Selection Rui Reguinga Doc Alentejo 2015 e a robustez elegante do Contemporal Selection Sandra Tavares da Silva Doc Douro 2014 a combinarem de modo muito diverso com o prato. Culpe-se as minhas costelas Alentejanas pela escolha pessoal pelo primeiro, mais suave de taninos, que me soube muito bem com a riqueza do molho do cannelone. Discussão aberta na mesa e opiniões bem distintas, porque as harmonizações são percebidas por cada comensal a partir dos seus gostos e referências e por isso caracterizadas por grande subjectividade.

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Com a sobremesa a ser servida vem também uma das jóias da coroa dos vinhos Contemporal: o Vinho do Porto 20 anos é testemunho da paixão de múltiplas gerações por um vinho que não podia falar mais perto do coração dos portugueses. A Rabanada dourada com caramelo e gelado de canela é uma cornucópia de sabores conhecidos e adorados que vêm adornados de petazetas de chocolate, que estalam na boca e arrancam sorrisos. Cada novo gole de Porto é um brinde à combinação natural de ingredientes e receitas que pertencem ao imaginário colectivo e são uma forma feliz de terminar um jantar de boa memória.



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