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8.2.10

Chocolate às camadas!

Nanaimo Bars

Tenho uma paixão assolapada por livros. Em especial, livros de cozinha, livros sobre comida, livros, livros, livros! Na minha cozinha vivem dezenas de livros com milhares de receitas, umas que já fiz muitas vezes, outras ainda à espera de um minuto de atenção. Às vezes, tiro um ou outro da prateleira e passo a mão pela capa, sem o abrir, só para sentir as vibrações... Na prateleira por cima do lava-loiça descansa a minha colecção de livros pequeninos da Marabout. São livros como este - uma ode da Trish Deseine ao chocolate - com umas barras de chocolate na capa. Não sei dizer as vezes que o tirei e contemplei as bonitas barras empilhadas com as suas camadas de chocolate e custard de um electrizante amarelo.

As receitas de hoje (são duas) têm a particularidade de ser gluten-free e são a minha primeira aventura nesta coisa das farinhas alternativas. As bolachas Graham Crackers são o equivalente americano às nossas bolachas digestivas e, diz a tradição, devem ser acompanhadas de um copo de leite. Quanto às barras, ainda não foi desta que experimentei a receita da Trish Deseine, mas estas Nanaimo Bars fizeram grande furor.

Nanaimo Bars / Gluten Free Graham Wafers

Gluten-Free Graham Wafers
Adaptado de 101 Cookbooks; versão gluten free em Celiac Teen

1 chávena (138 g) farinha arroz glutinoso (usei farinha arroz corrente)
3/4 chávena (100 g) farinha Tapioca
1/2 chávena (65 g) farinha sorgo (usei de soja)
1 chávena (200 g) Dark Brown Sugar
1 colher chá bicarbonato sódio
3/4 colher chá sal
100 g manteiga sem sal (cortada em cubos e congelada)
1/3 chávena (80 ml) mel
5 colheres sopa (75 ml) leite gordo
2 colheres sopa (30 ml) extracto baunilha

Num processador (ou numa tigela), combine as farinhas, açucar, bicarbonato sódio e sal. Pulse para incorporar (ou mexa com uma colher). Adicione a manteiga e pulse, até que a mistura tenha a consistência de migalhas (ou use duas facas para incorporar a manteiga). Não devem ser visíveis bocados de manteiga.

Num jarro largo misture o mel, leite e baunilha com uma vara de arames. Adicione à mistura anterior. Deve obter uma massa mole e pegajosa. Retire da tigela para uma superfície enfarinhada. Forme uma rectângulo e cubra com película. Refrigere 2 horas ou de um dia para o outro.

Divida a massa ao meio e coloque metade de novo no frigorífico. Sobre uma superfície bem enfarinhada, estique a massa até um obter um rectângulo com 5mm de espessura. A massa é muito pegajosa, pelo que é necessário usar bastante farinha. Com um cortador ou uma faca, corte quadrados (ou rectângulos) com 3-4 cm de largo. Coloque as bolachas cortadas em tabuleiros forrados de papel vegetal ou sobre tapetes de silicone. Refrigere até estarem firmes, cerca 30-45 minutos. Repita com a outra metade de massa.

Pique cada bolacha com um palito (ou garfo), mas sem furar completamente. Coza as bolachas a 180ºC, em forno pré-aquecido, cerca 25 minutos, até estarem douradas.

Quando arrefecerem completamente, escolha as mais feias e, numa picadora, reduza a migalhas 1 ¼ chávenas (160 g).

Nota: pode fazer-se meia receita. Faz 20-25 bolachas.

Nanaimo Bars
camada de baixo
1/2 chávena (115 g) manteiga sem sal
1/4 chávena (50 g) açucar granulado
5 colheres sopa cacau
1 ovo grande, batido
1 1/4 chávenas (160 g) Graham Crackers raladas
1/2 chávena (55 g) amêndoa ralada (usei avelãs raladas)
1 chávena (130 g) coco ralado

camada do meio
1/2 chávena (115 g) manteiga sem sal
40 ml natas
2 colheres sopa (30 mL) Custard
2 chávenas (254 g) Icing Sugar

camada de cima
115 g chocolate em barra, semi-amargo
2 colheres sopa (28 g) manteiga sem sal

Para a camada de baixo: derreta a manteiga, açucar e cacau numa tigela de metal sobre uma panela de água a ferver (sem a tigela tocar na água). Adicione o ovo e mexa até engrossar. Retire do calor e misture a bolacha ralada, a amêndoa (ou avelã) e o coco. Coloque num prato fundo quadrado (20x20cm) e pressione firmemente até cobrir o fundo de forma homogénea.

Para a camada do meio: bata a manteiga, natas, pó de custard e icing sugar até obter uma massa fofoa e clara. Espalhe sobre a camada anterior.

Para a camada de cima: derreta o chocolate e a manteiga em lume baixo. Deixe arrefecer e deite sobre as duas camadas. Refrigere pelo menos 2 horas ou de um dia para o outro. Corte as barras com uma faca aquecida. Mantêm-se no frio por 1 semana ou podem ser congeladas em sacos bem fechados.

Esta receita foi a escolhida pela Lauren de Celiac Teen para os Daring Bakers.

1.1.10

[4 por 6] Menu de festa

Coq au Vin

Há refeições que são especiais e são boas ocasiões para experimentar pequenas variações de velhos clássicos. A minha predilecção pela cozinha francesa é conhecida. Partilho hoje o nosso almoço de Ano Novo: Coq au vin e Pudim de abóbora e amêndoa. 6€ é um orçamento reduzido e caso se possa investir na qualidade superior de alguns dos ingredientes desta receita, como o frango e os cogumelos, o resultado final será francamente melhorado. Sugiro, pois, que se use frango do campo e cogumelos frescos neste Coq au vin. De qualquer forma, é possível confeccionar a sugestão dentro do orçamento caso se escolha frango corrente e cogumelos de lata. Como o tempo é de festa, a sobremesa não pode faltar e um pudim é sempre uma opção fácil e saborosa.

Coq au vin

4 pessoas

1,2 Kg frango do campo inteiro, partido (ou 8 coxas)
2 colheres sopa farinha
2 colheres sopa manteiga, separadas
1 cebola, picada
1 dente alho, picado
150 ml vinho branco seco*
1 folha louro
½ colher chá tomilho seco
200 gr cogumelos frescos (marron, de preferência)
salsa picada

Lave o frango em pedaços e seque com papel de cozinha. Coloque a farinha num prato e passe o frango de ambos os lados, de forma a ficar coberto. Num tacho de fundo grosso, aqueça 1 colher sopa manteiga. Doure o frango por 2 minutos de cada lado, sem sobrepor. É necessário proceder a esta operação em duas vezes. Reserve o frango já dourado e repita. Retire a segunda porção de frango e deite um pouco de água ou caldo para soltar o que entretanto ficou agarrado. Junte a cebola e a folha de louro e deixe fervilhar ligeiramente. Adicione o frango, tempere com sal e pimenta preta moída na altura e o tomilho seco. Mexa e deixe aquecer bem. Regue com metade do vinho, deixe evaporar e mexa novamente. Acrescente o restante vinho e deixe estufar, tapado, em lume baixo por 35-40 minutos. Vá mexendo ocasionalmente, se secar demasiado água ou caldo.

Enquanto o frango cozinha, prepare os cogumelos. Aqueça bem uma frigideira larga. Adicione uma colher de manteiga e quando esta começar a ferver, introduza o alho picado e metade dos cogumelos fatiados. Tenha o cuidado de não encher demasiado a frigideira (os cogumelos devem ficar em apenas uma camada) ou estes ficarão cozidos em vez de salteados. Tempere com sal e deixe saltear 4-5 minutos. Reserve os cogumelos salteados num prato aquecido e repita com os restantes cogumelos.

Quando for servir, junte os cogumelos ao tacho do frango e polvilhe com salsa picada. Sirva acompanhado de batatas cozidas às rodelas e de uma salada verde (opcional).

* O coq au vin é tradicionalmente feito com vinho tinto, mas existem versões com diferentes vinhos. Eu prefiro um branco seco - os vinhos doces combinam menos bem - nesta receita.

New Year Lunch

Pudim de abóbora e amêndoa

250 gr abóbora assada, desfeita
100 gr açucar mascavado escuro
2 ovos
150 ml natas
1 colher chá quatre-épices*
2 colheres sopa passas
caramelo para a forma
2 colheres sopa amêndoa picada, tostada na frigideira

Misture a abóbora com os ovos, as especiarias e o açucar. Bata até estar homogéneo e junte as natas e as passas. Mexa bem. Forre a forma com o caramelo (num tacho alto coloque a mesma quantidade de água e açúcar, deixe ferver e quando atingir o ponto de caramelo - ou seja, quando atingir uma cor acastanhada - retire do lume). Deite numa forma de pudim (com tampa) preparada com caramelo e leve ao forno a 180ºC cerca de 30 minutos em banho-maria ou coza na panela de pressão (cerca de 10 minutos). Desenforme quando estiver frio e polvilhe com a amêndoa picada.

*quatre-épices é uma mistura de especiarias. Pode substituir por metade de canela e partes iguais de gengibre moído, cravinho moído e noz-moscada.

New Year Lunch

Factura:

frango (1.99/Kg) - 2.39€
cebola (0.50/Kg) - 0.05€
cogumelos (200 gr) - 1.59€
vinho (1.99/garrafa) - 0.40€

batatas (0.45/Kg) - 0.35€

ovos (1,64/12 un.) - 0.27€
abóbora (0.49/Kg) - 0.25€
açucar (1.94/Kg) - 0.19€
natas (0.54€/200ml) - 0.27€

total - 5.90€

Os preços de referência dos ingredientes são do continente. Não foram considerados valores para o alho, a salsa, a manteiga e a farinha, nem para a amêndoa e as passas. Os valores são, como sempre, apenas indicativos.

Dica de poupança: As especiarias são importantes para dar sabor extra às receitas, doces ou salgadas. Podem ser bastante caras se compradas em misturas pré-preparadas como quatre-épices, quando podem ser misturadas em casa, normalmente a partir de especiarias mais correntes como a canela, gengibre moído, cravinho moído ou noz-moscada

29.10.09

Macarons, avelãs e saudades

Hazelnut Macarons with Toffee

Tenho-me lembrado muito de Paris ultimamente. Qual patologia, a vontade vai-se adensando. Os sintomas são os usuais: tenho saudades de andar ao longo do Sena e do Boulevard Saint Michel, de entrar nas livrarias e invariavelmente sair com mais um livro sobre comida. Tenho muitas saudades dos meus bistrots favoritos, dos mercados e dos vendedores de rua. Até tenho saudades dos parisienses! Sonho com croissants estaladiços, pain au raisins et café au lait, chocolate quente e... macarons. O modo perfeito de me levar até Paris sem sair de casa é trazer Paris até mim, sob a forma de um colorido e saboroso macaron!

Os macarons remontam ao século XVIII e são feitos de claras de ovo, amêndoa ralada e açucar em pó. As delicadas bolachas são depois recheadas com creme ou ganache e servidas duas a duas formando uma sanduíche. A história recente é feita de chefs como Pierre Hermé ou (o meu preferido) Sadaharu Aoki e combinações de sabores rebuscadas e inusitadas. Fazer macarons tem estado na minha lista desde há algum tempo, mas por qualquer razão a ideia sempre se mostrou aterradora e de cada vez que passava os olhos pelas receitas marcadas da Tartelette o medo de fracassar aumentava. Até agora.

Hazelnut macarons & Paris

Macarons de avelãs com recheio Toffee

Ligeiramente adaptado de Claudia Fleming’s The Last Course: The Desserts of Gramercy Tavern e da receita da Helen de Pecan Pie Macarons

180 grs açucar em pó (icing sugar)
60 grs amêndoa ralada
55 grs avelã ralada
35 grs açucar granulado
3 claras (cerca de 90 grs), à temperatura ambiente

É importante usar claras de ovo "velhas". No dia antes de fazer os macarons, separe os ovos. Deixe as claras (tapadas) na bancada da cozinha durante 24h. Se planear deixar as claras 48h ou mais, mantenha-as no frigorífico.

Coloque o açucar em pó, a amêndoa e a avelã ralada (ou inteira) num processador (ou picadora) e moa até estar reduzido a um pó fino. Bata as claras em castelo. Lentamente adicione o açucar granulado e bata mais um pouco até conseguir um merengue brilhante e denso. Adicione um terço da mistura de amêndoa e avelã ao merengue e envolva cuidadosamente até os ingredientes estarem combinados. Acrescente a restante mistura de secos. Não trabalhe a massa demasiado, envolvendo apenas até obter um resultado homogéneo. [Conselho da Helen: Envolva com movimentos rápidos de ínicio para quebrar o merengue. Todo o processo não deve implicar mais de 50 "mexidelas". Teste uma pequena quantidade num prato: se o topo ficar plano por si só sem necessitar de uma espátula, a massa está pronta. Se se formar um pequeno pico, mexa mais um pouco a massa.]
Deite a massa num saco de pasteleiro com uma ponta lisa (ou use um saco plástico com uma ponta cortada). Disponha pequenas quantidades de massa (2.5 cm) em tapetes de silicone ou tabuleiros cobertos com papel vegetal.

Pré-aqueça o forno a 150ºC. Deixe os macarons descansar nos tabuleiros durante 30 minutos a 1h antes de levá-los ao forno. Coza os macaroons por 15-20 minutos (dependendo do seu tamanho). Remova o tabuleiro do forno e deixe arrefecer ligeiramente antes de retirar os bolos (se tiver dificuldade deite alguma água no tabuleiro por debaixo do tapete ou do papel vegetal e aguarde 2 minutos). Deixe arrefecer completamente antes de rechear.

Para o recheio:

50g manteiga com sal
125 grs açucar amarelo (ou light brown sugar)
125 grs golden syrup
125 ml natas
1/2 colher chá extracto baunilha

Combinme todos os ingredientes numa caçarola. ferva até engrossar (5 minutos), mexendo ocasionalmente. Deixe arrefecer antes de rechear os macarons.

Notas: Deixei as minhas claras 3 dias no frigorífico. Devia ter peneirado a amêndoa e a avelã para evitar os pedaços maiores e conseguir macarons menos "rústicos" e mais lisos. Infelizmente não o fiz e os topos ficaram irregulares, o que não alterou o resultado final em termos de sabor ou textura. Deixei os macarons descansar nos tabuleiros durante 30 minutos a 1h antes de levá-los ao forno e acho que fez toda a diferença: a segunda fornada ficou melhor que a primeira. Usei tapetes de silicone e papel vegetal e ambos permitiram descolar os bolos com uma espátula sem problemas. O molho toffee que sobrar mantém-se refrigerado e é perfeito com gelado.

Este foi o tema proposto pela Ami S como desafio de Outubro dos Daring Bakers.

15.8.08

Tiramisu de Amêndoa e Caramelo

Almond Caramel Tiramisu

Uma sobremesa não se denomina "estimulante" sem razão que o justifique. "Tirami-su" significa literalmente 'puxa-me para cima' e a razão pela qual torna quem o come mais feliz é mais que evidente para quem já se submeteu a semelhante experiência!

Adoro Tiramisu, já se percebeu. Esta sobremesa italiana é recente (supostamente inventada em Treviso no norte de Itália) há apenas um par de décadas, podendo apresentar inúmeras variações. O único ingrediente constante é o mascarpone - um queijo cremoso feito a partir de crème fraîche. A receita traditional básica é confeccionada em Itália usando ovos crús, ao contrário de muitas recentemente divulgadas que fazem uso de natas batidas. A minha versão, aperfeiçoada ao longo dos anos e feita a partir de outras, utiliza ovos crús em vez de natas - mascarpone e nats parece-me redundante e os ovos conferem a textura perfeita ao zabaglione - mas é só a minha opinião. ;) A utilização de ovos fresquíssimos é crucial, o que para mim não é um problema desde que o meu pai se reformou para se tornar em Gestor de Capoeira... mas essa é outra história e tem de ficar para outro dia!

First things first.

ladyfingers

Palitos de Amêndoa

40 unidades

3 ovos grandes, separados
3 colheres de sopa + 2 açucar superfino
1/2 colher de sopa extracto de amêndoa
1/2 chávena (cerca de 65 grs) farinha, peneirada
1/2 colher de chá sumo de limão
2 colheres de sopa amêndoa laminada, picada grosseiramente
açucar extra para polvilhar

Aquece-se o forno a 180ºC. Preparam-se 2 tabuleiros com papel vegetal ou tapetes de silicone.

Batem-se 3 gemas e 2 colheres de sopa de açucar com o batedor eléctrico, até a mistura duplicar de volume. Adiciona-se o extracto e as amêndoas e envolve-se a farinha com uma espátula, em 4-5 vezes. Separadamente, batem-se as claras em castelo com o limão. Adicionam-se 3 colheres de sopa de açucar, uma de cada vez, e continua a bater-se até se estar firme. Mistura-se a massa das gemas, cuidadosamente para não quebrar o meringue mas até se apresentar completamente incorporado.

Coloca-se a massa num saco de pasteleiro, com um orifício redondo (cerca de 1,5 cm) e formam-se os palitos sobre o papel vegetal, deixando espaço suficiente entre cada um. Com um passador polvilham-se os palitos com o açucar extra. Cozem-se por 10 minutes ou até ligeiramente dourados. Removem-se do forno e com uma espátula descolam-se do papel vegetal. Deixam-se arrefecer completeamente sobre uma grelha metálica.

Almond Caramel Tiramisu

Tiramisu de Amêndoa e Caramelo

6-8 Pessoas

Praliné
Adaptado de Donna Hay, Modern Classics 2, p.124

Aquece-se o forno a 180ºC. Coloca-se 1/3 chávena de amêndoas inteiras sem pele num tabuleiro forrado com papel vegetal, e leva-se ao forno por 10 minutos. Numa caçarola, deita-se 1/2 chávena de açucar superfino e 1/4 chávena de água e leva-se a lume fraco até o açucar se dissolver. Aumenta-se o lume e deixa-se ferver até a mistura estar dourada. Remove-se do lume, deixa-se arrefecer ligeiramente e deita-se sobre as amêndoas. Depois de sólido, parte-se o praliné aos bocados e reduz-se a pó no processador.

Creme de Mascarpone
300 grs mascarpone
4 ovos grandes e frescos, separados
4 colheres de sopa + 2 açucar superfino
pitada de sal
2 colheres de sopa Amarguinha, ou mais a gosto
40 palitos de amêndoa (ver receita acima)
1/2 chávena (125 ml) café forte, frio
2 colheres sopa amêndoa laminada, torrada

Batem-se 4 gemas e 4 colheres de sopa de açucar com o batedor eléctrico, até a mistura duplicar de volume. Gradualmente, adiciona-se o licor e o mascarpone cheese e mexe-se até estar totalmente incorporado. Separadamente, batem-se as claras em castelo com o limão. Adicionam-se 2 colheres de sopa de açucar, uma de cada vez, e continua a bater-se até estar firme. Mistura-se a massa do mascarpone, cuidadosamente para não quebrar o meringue.

Finalizar
Passa-se cada palito pelo café e coloca-se num prato grande ou individual, formando uma camada. Cobre-se com creme de mascarpone. Polvilha-se com 2 colheres sopa de praliné. Repete-se até finalizar os palitos, assegurando que a última camada é de mascarpone e praliné. Salpica-se com a amêndoa laminada. Refrigera-se 2 horas.

23.5.08

Lemon Curd gelado com Iogurte

Lemon Curd Frozen Yogurt

Se a vida te dá limões faz... mojitos, tartes merengadas, lemon curd ou limão confitado. No meu caso, não é a vida mas o limoeiro dos meus pais que me faz inventar utilizações para infindáveis limões, lustrosos e docinhos. Sorte a minha que adoro citrinos. Quaisquer citrinos. Tangerinas, laranjas, toranjas, clementinas, limas, limões... o que vier. Mas se eu só pudesse ficar com um citrino para o resto da vida, a escolha seria feita sem quaisquer exitações: venham os limões!! Sou uma lemon girl, porque o doce nunca é tão doce sem o limão. ;)

Desde que a minha cozinha virou uma Choux Factory e todos os livros e revistas da Donna Hay saltaram da minha estante tenho andado - com pouca surpresa - numa de receitas da Donna. Esta é uma receita fácil e refrescante para uma Primavera que teima em não se manifestar! :( Rain, rain go way, just come back another day...

Lemon Curd gelado com Iogurte
Adaptado de Donna Hay's Magazine, Issue 35

(A receita original é para 8. Usei 1/4 que deu 2 boas taças individuais)

1 chávena leite(240 ml)
1 chávena (220 grs) açucar
1/4 chávena (25 grs) farinha milho
1/2 chávena leite, extra (120 ml)
160 grs manteiga sem sal, em cubos
2/3 chávena sumo limão (160 ml)
2 colheres sopa raspa limão
6 gemas (usei 2 pequenas)
1 kg iogurte baunilha
1/3 chávena (50 grs) icing sugar, peneirado

Coloca-se o leite e o açucar numa caçarola em lume brando e mexe-se até o açucar dissolver. Mistura-se a farinha de milho com o leite extra numa tigela. Adiciona-se à mistura anterior e leva-se ao lume por 2 minutos ou até engrossar. Adiciona-se a manteiga e mexe-se até esta derreter e a mistura estar homogénea. Acrescenta-se o sumo de limão e as gemas e deixa-se cozer, mexendo continuamente por 2-3 minutos. Deixa-se arrefecer.

Coloca-se o iogurte com o icing sugar numa tigela e mexe-se para este se dissolver. Põem-se 2 colheres de sopa da mistura de iogurte numa taça ou copo. Cobre-se com 2 colheres de sopa de lemon curd e 2 colheres de sopa da mistura de iogurte. Repete-se quantas vezes for necessário. Congela-se por 3-4 horas ou até solidificar. Faz 8 doses.


O meu lemon curd ficou demasiado espesso. Sugiro um mais líquido que permita espalhar e ficar em camadas em vez de, como o meu, ficar aos bocados...

Lemon Curd Frozen Yogurt

Sugar High Friday Citrus, mais informação em The Domestic Goddess e todas as receitas em Tartelette.

21.5.08

Profiteroles com Creme de Maracujá

Passionfruit Cream Profiteroles

Não faço segredo da minha admiração pela Donna Hay, pelos livros, pela revista e sobretudo pelo conceito subjacente às receitas e ao cuidado colocado na produção. Também já mencionei o Hay, Hay it's Donna Day, um evento que celebra a comida da dita senhora e em que já participei de outras vezes. O que não vos disse foi que o meu clafoutis de bacon e figos foi escolhido de entre muitos ! Como quem ganha, escolhe o tema seguinte resolvi que era altura de me aventurar na massa de choux... Serenidade - a coisa não é difícil como parece. ;)

Choux é uma massa que é cozida duas vezes, feita de manteiga, ovos, farinha e água ou leite e usada para fazer profiteroles, croquembouches, eclairs, French crullers, beignets, e gougères.

Profiteroles com Creme de Maracujá
Adaptado de Donna Hay's magazine, Issue 35

1 chávena água (240 ml)
100 grs manteiga sem sal
¾ cup (112 ½ grs) farinha (acrescentei mais 2 colheres de sopa bem cheias)
5 ovos

1/3 chávena sumo limão (80 ml)
2 chávenas (450 grs) icing sugar

creme de maracujá
2 chávenas natas frescas, batidas (480 ml)
2/3 chávena polpa maracujá (150 ml)
1/3 cup (50 grs) icing sugar

Pré-aquecer o forno a 180ºC. Colocar a água e a manteiga num tacho em lume forte até ferver. Adicionar a farinha (peneirada) e mexer com uma colher de pau. Levar a lume fraco, mexendo sempre, até a mistura despegar dos lados do tacho. Retira-se do lume e coloca-se numa tigela. Bate-se com a batedeira eléctrica (com as varas para massa), adicionando gradualmente os ovos (um a um) até a massa estar homogénea. Deita-se a massa num saco de pasteleiro com um bico liso de 12mm e num tabuleiro com papel vegetal fazem-se bolas de 2 cm com bastante espaço entre si. Coze-se durante 15-20 minutos (os meus levaram mais de 20) ou até estarem inchados e dourados. Arrefecem sobre uma grelha metálica.

Para o creme de maracujá, misturar as natas batidas (com umas gotinhas de limão) en chantilly com a polpa de maracujá e o açucar. Reserva-se. Junta-se o sumo de limão com o açucar. Recheiam-se os profiteroles com o creme de maracujá e terminam-se com o icing de limão. Faz 45 (fiz maiores, deu 30).

****

A massa de choux é na verdade uma das mais fáceis de fazer de entre as massas francesas e muito versátil. Existem algumas dicas que podem facilitar o processo. Podem ser consultadas (em inglês) aqui ou colocadas por email à minha pessoa. ;) Os interessados podem, claro, participar no evento, as normas estão aqui.

Passionfruit Cream Profiteroles

30.4.08

Cheesecake Pops



Abril foi um mês cheio. Cheio de trabalho, de novos projectos, de amigos, de jogos de ténis, de sol e chuva, de planos de viagem e de encontros para recordar. Abril foi o mês em que corri de um lado para o outro como uma barata tonta, chegando inevitavelmente atrasada e saindo cedo, dormindo pouco e rabujando muito. Abril foi o mês em que finalmente coloquei caras nas belas amizades que fiz graças a este blog e a quem agradeço o carinho com que me têm mimado (vocês sabem quem são, sintam-se mimadas de volta).

Abril foi o mês em que me levantei às 8 da madrugada num sábado e fiz Cheesecake Pops com um olho aberto e outro fechado. A receita é do desafio de Abril dos Daring Bakers e é uma receita de cheesecake a manter. O original pode ser encontrado nos blogs da Deborah e da Elle que escolheram a receita do livro Sticky, Chewy, Messy, Gooey de Jill O’Connor.




Cheesecake Pops
(1/2 receita)

20 unidades

600 grs queijo em creme (tipo Philadelphia)
1 chávena açucar
2 colheres sopa farinha trigo
pitada de sal
3 ovos médios
1 gema
1 colher chá extracto baunilha
50ml natas

150 grs chocolate à escolha, preto, de leite, branco (usei chocolate Lindt 70% nuns e chocolate de leite com amêndoas noutros)
1 colher sopa óleo vegetal (usei óleo de amendoim)

Avelãs, confetti, coco ralado ou qualquer decoração à escolha.

Aquece-se o forno a 160ºC. Põe-se água a ferver, suficiente para encher até meio um tabuleiro onde caiba a forma onde se vai cozer o cheesecake.

Numa tigela, bate-se o queijo com o açucar, a farinha e o sal. Adicionam-se os ovos e a gema, um de cada vez, batendo entre cada adição. Junta-se o extracto de baunilha e as natas.

Unta-se uma forma com manteiga e deita-se a massa. Coloca-se no tabuleiro e leva-se ao forno por 35-45 minutos em banho-maria, até estar firme e dourado.

Retira-se do forno e deixa-se arrefecer. Cobre-se com película e leva-se ao frigorífico durante 3 horas ou de um dia para o outro.

Quando o cheesecake estiver firme, fazem-se bolas e colocam-se sobre uma folha de papel vegetal. (Pode usar-se uma colher de gelado ou usar as mãos, untando ligeiramente as mesmas com óleo para não agarrar) Insere-se um pauzinho em cada bola (usei espetadas de cocktail) e levam-se ao congelador para gelarem durante 1 – 2 horas.

Quando os cheesecake pops estiverem congelados e prontos para a cobertura, prepara-se o chocolate. Numa tigela à prova de calor, sobre um tacho com água a ferver, derrete-se o chocolate. Deve ter-se o cuidado da tigela não tocar na água e de não aquecer demasiado o chocolate. Quando este estiver meio derretido, junta-se o óleo e mexe-se até a mistura estar homogénea.

Com movimentos rápidos, insere-se o cheesecake pop no chocolate derretido, rodando para cobrir. Opcionalmente, pode neste ponto passar-se cada cheesecake pop por outras coberturas como avelãs ou coco ralado.

Congela-se durante 24 horas, antes de servir. Os cheesecake pops mantêm-se no congelador por 2 semanas cobertos por um saco plástico ou papel de alumínio.

20.11.07

Sericá



English version

O meu pai diria que o melhor de Lisboa é a estrada para Évora. Já eu - na incapacidade total de escolher apenas uma - digo que das muitas coisas boas que o Alentejo tem, o Sericá é definitivamente uma. Exemplar perfeito da parcimónia característica da gastronomia alentejana, este é um doce feito a partir de muito pouco: ovos, açucar, leite e canela, misturados segundo preceitos seculares resultando num surprendente e inclassificável... bolo? O Sericá (ou Sericaia) serve-se com ameixas de Elvas em calda.

Aqui me confesso, cometi dois "sacrilégios" na confecção do meu: a) não tinha casca de limão e usei uma vagem de baunilha e b) na impossibilidade de encontrar ameixas em calda servi com esta calda de melão e laranja. Usei ainda soja em vez de leite (a minha adorada sogra tem intolerância à lactose) e a consistência ficou ligeiramente diferente.

250 grs açucar (usei 200 grs porque a soja que usei tinha bastante açucar)
125 ml água
400 ml leite (usei soja)
1 colher sopa (bem cheia) farinha trigo
pau de canela
casca de limão (não tinha, usei uma vagem de baunilha aberta ao meio, sementes separadas)
6 ovos (separados)
canela (muita!)

Leva-se o açucar com a água ao lume durante 15 min. até atingir um ponto fraco. Mistura-se parte do leite com a farinha, junta-se ao restante leite (usei um passador de rede), ao pau de canela e à baunilha e leva-se a engrossar um pouco em lume fraco (atenção aos grumos - mexer SEMPRE!). Adiciona-se a calda de açucar.
Separam-se os ovos. Fora do lume, misturam-se as gemas com o restante preparado (eu ponho umas colheradas na taça das gemas e só depois misturo tudo, para evitar que as gemas talhem). Leva-se de novo ao lume para engrossar de novo e apaga-se. Batem-se as claras em castelo, retira-se o pau de canela e a baunilha e envolve-se tudo cuidadosamente.
Num prato de barro (tem de ser de barro ou não resulta!) pouco fundo, deita-se a massa e polvilha-se generosamente com canela em pó. Vai ao forno a 180 ºC durante 40 min. O Sericá vai crescer e depois baixar bastante. Deve abrir e ficar com umas rachas a meio.