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25.11.16

Caril de abóbora e camarão (ou como salvar o mundo)

Caril de abóbora e camarão

Aproxima-se a passos largos o final do ano, já faz frio e a febre do Natal veio para ficar. Custa-me entrar no onda, aceitar que o tempo passou depressa demais nestes últimos meses e que tenho de vestir duas camisolas. Como todas as decisões avassaladores que não são nossas, conformo-me. Volto à música em busca de ânimo, à comida que me dá protecção e às palavras que me consolam. Diz a poeta Matilde Campilho que a "poesia não salva o mundo, mas salva um minuto". E eu fico a pensar que se salvar um minuto de cada vez que uma colherada me faz sorrir, vou no caminho certo.

Este é o caril da estação. Da alquimia da mistura de especiarias ao borbulhar sereno do leite de coco, tudo parece fazer mais sentido. Depois de uma tigela desta poção o mundo fica imediatamente um lugar melhor. Nem que seja por um minuto.

Cenouras francesas Caril de abóbora e camarão

21.1.15

Caril de grão com abóbora assada

Chana masala

A minha geografia faz-se também de todos os lugares onde não estive. Da curiosidade por aromas, sabores, especiarias e nomes desconhecidos, da história e das emoções de culturas longínquas. Quero sempre experimentar novos pratos, decidir se gosto ou não, saber mais sobre os ingredientes, perceber as combinações.

A Índia sempre esteve longe do meu centro de gravidade e a sua cozinha foi-me passando ao lado durante anos, escondida entre o meu medo do picante e uma mão-cheia de mal entendidos. Quis o tempo e os caminhos cruzados que a comida indiana viesse até mim e nos sentássemos à mesma mesa, em perfeita harmonia. Tudo graças à minha amiga Isabel, a quem recorro para todas as dúvidas e mais uma, quando me baralho com as especiarias ou me perco no Martim Moniz.

abóbora assada com canela Chana masala

Este chana masala, à letra, mistura de caril para grão, é uma receita simples em que o sabor se encontra com a vontade de conforto e nutrição. Tradicionalmente uma refeição indiana é feita de várias comidas, servidas em conjunto e combinadas para garantir diferentes sabores e um equilíbrio do doce com o salgado, com o ácido e o amargo. Aqui resolvi juntar uma abóbora assada com canela e uns papadums com cominhos para completar um almoço vegetariano.

É um prato perfeito para o tempo frio, que dizem propicia as tristezas sem razão. Em caso de necessidade, para espíritos a precisar de estímulos ou apenas para os friorentos, há poucas maleitas do corpo e da alma que um caril de grão não cure.

Chana masala

20.8.14

A cozinha vegetariana da Comunidade Hindu, um pão indiano e um filme

A cozinhar na Comunidade Hindu, Lisboa

Manhã cedo, a expectativa de encontrar novos sabores e uma visão diferente sobre a cozinha vai crescendo a cada passo que dou na direcção da Comunidade Hindu. O workshop de gastronomia indiana tem prometido um mundo novo e desconhecido, onde a cultura da mesa se encontra no centro de uma filosofia de vida. Reconheço a minha fraca literacia sobre a Índia e a sua cozinha. Ou, melhor dizendo, cozinhas. Atendendo à dimensão e diversidade cultural do país, talvez seja mais correcto falar no plural.

Entre tudo o que nos une e o meio mundo que nos separa, é sempre a relação afectiva com a comida que nos define e identifica culturalmente. Pela mão sábia de Nalini Bhayani e Sona Mendi ficamos a conhecer os princípios da cozinha vegetariana de Gujarat, na parte oeste do subcontinente indiano. São as diferentes leguminosas, as coloridas especiarias, os muitos legumes frescos e os germinados que enchem as receitas que vamos cozinhar.

A cozinhar na Comunidade Hindu, Lisboa A cozinhar na Comunidade Hindu, Lisboa A cozinhar na Comunidade Hindu, Lisboa A cozinhar na Comunidade Hindu, Lisboa

A base da cozinha ayurvédica, que significa literalmente ciência da vida, está na confecção de uma comida simples e vegetariana, feita com ingredientes frescos. Uma combinação dos 6 sabores que a caracterizam (doce, salgado, ácido, pungente, amargo e adstringente) representa a procura do equilíbrio essencial a uma vida saudável. É por isso que a nossa refeição se faz de muitos vegetais, crus e cozinhados, sob diferentes formas e cores. E sabor, muito sabor.

Para começar, umas bhajyias, rodelas de batata, beringela, cebola e banana envoltas num polme de farinha de grão, coentros e especiarias que são servidas com um Chutney fresco de tomate, cenoura e malagueta. Ao lume já se encontra uma panela de Daal, uma sopa de lentilhas e especiarias que há-de ser servida com arroz Jeera (cominhos), e um tacho de Shak, um caril de ervilhas, batata e beringela muito aromático.

O maior dos desafios está, contudo, guardado para o rotli. Trata-se de um pão indiano (também conhecido como chapatti) que parece muito simples de fazer. Separar uma bola de massa do tamanho de um punho fechado, achatar ligeiramente e estender, virando até obter um círculo perfeito, com espessura e consistência idênticas a toda a volta. Parece simples e é, sobretudo para Nalini e Sona para quem os gestos são naturais, repetidos com graciosidade e saber. Feito numa chapa quente, o rotli perfeito é redondo, fininho e enche-se de ar quando é terminado sobre a chama viva. Uma emoção para todos os presentes.

A cozinhar na Comunidade Hindu, Lisboa

Surpreendente na textura e muito saborosa, a salada de feijão mung germinado, com tomate, pepino e ervas frescas e o Raava no Sheero, um doce de sêmola de trigo e ghee, finalizado com pistácios. Numa refeição ayurveda todos os alimentos são colocados no prato, um tabuleiro largo de metal e em pequenas tigelas, servindo o pão como talher. O doce é servido juntamente e deve ser comido em primeiro lugar por implicar uma digestão mais demorada. Um desafio demasiado grande para o nosso quadro mental em que o doce vem no fim.

Deixo a Comunidade Hindu e as nossas simpáticas anfitriãs com a cabeça cheia de ideias depois desta experiência muito enriquecedora que me deixou com vontade de conhecer melhor a cozinha ayurvédica e a gastronomia indiana.

A cozinhar na Comunidade Hindu, Lisboa

A propósito deste workshop de gastronomia indiana, deixo a recomendação do filme A Viagem dos Cem Passos. É uma história muito bonita sobre as memórias associadas à comida, a mesa e a cozinha como lugar de encontro e as diferenças culturais entre tradições gastronómicas de diferentes povos.

E é absolutamente imperdível.

A Viagem dos Cem Passos

15.1.14

Lassi de Manga e o Movimento Arco-Íris de Sabores

Lassi de Manga

Em cada peça de fruta, umas dentadas de alegria e muitos nutrientes necessários sobretudo a quem ainda está a crescer. Não que a fruta seja apanágio apenas dos mais pequenos, mas é nas idades mais precoces que se criam hábitos alimentares preciosos. É assim que nasce o MAIS - Movimento Arco-Íris de Sabores, um projecto da Nutri Ventures que procura mostrar às crianças como a fruta é um alimento essencial, saboroso e divertido.

Come Fruta todo o dia para cresceres com Alegria!

Pela mão da Nina e do Guga, personagens alegres e bem dispostos, lá vamos à descoberta dos 7 Reinos da Nutrição, aliando sentimentos positivos a alimentos saudáveis como a fruta. Entre jogos e músicas, os pequenos conquistadores entram na brincadeira e vão aprendendo mais sobre os diferentes alimentos e as suas propriedades.

MAIS - Movimento Arco-Íris de Sabores MAIS - Movimento Arco-Íris de Sabores

Quando acordas de manhã, come logo uma maçã, Uma banana por dia dá-te força e energia. Queres manga pró almoço? Pode ser mas sem caroço.

E foi assim que fiquei com desejos de lassi de manga. Esta é uma bebida à base de iogurte, muito comum na cozinha indiano para contrabalançar os pratos picantes e muito fortes em especiarias. Não é mais que um batido, quase de comer à colher, que pode ser utilizado também na alimentação dos mais novos. A sua cor é perfeita para a conquista do Reino Laranja!

Lassi de Manga MAIS - Movimento Arco-Íris de Sabores

6.6.12

Sopa Indiana de couve-flor e especiarias

Sopa Indiana de couve-flor e especiarias

Passam-se os dias e as horas. Repetem-se as acções, intensificam-se as rotinas. As manhãs e as tardes. Não é tempo de sonhar com outros dias, com outras rotinas (ou a falta delas). Hoje segue-se em frente como se não houvesse amanhã. Aperta-se um calcanhar contra o outro, pinta-se um sorriso na cara e cá vamos nós. É preciso acreditar.

E mesmo quando os segundos se apressam e o relógio dita o ritmo, há sempre tempo para um almoço sentado. Pode ser uma tigela de sopa e pão. Este foi um dos meus almoços de semana, comido entre o silêncio da minha cozinha e o bulício da rua, com a cabeça nos afazeres daquela tarde. Muito semelhante à de hoje.

Coentros // Coriander

Aloo gobi é um prato indiano muito popular que combina couve-flor, batata e muitas especiarias. O nome é literal já que Aloo significa batata e Gobi couve-flor. Tradicionalmente é servido sem caldo e com os vegetais inteiros, numa espécie de estufado vegetariano. A versão em sopa é menos comum mas é deliciosa. Serviu para usar a última couve-flor do ano.

Esta sopa é cremosa e espessa, sem qualquer adição de natas. Perfeita como entrada ou como refeição rápida.

Sopa Indiana de couve-flor e especiarias