Corre um Sábado sossegado com algum sol. Seguimos em direcção a norte por um estrada sem trânsito. No horizonte, por entre eólicas no cimo das serras, surge um céu menos azul. As nuvens sussurram promessas de chuva à nossa passagem. Não queremos saber. Fazemos orelhas moucas. Água é ingrediente que não entra na receita do dia. Há um
Maratona à nossa espera e é preciso estamina que o longo curso não é para quem não tem pulmão, coração e estômago. Chuva? Não, por favor.
O caminho leva-nos às
Caldas da Rainha. Chegamos demasiado tarde para as compras de frutas, flores e legumes no mercado que todos os dias durante a manhã acontece na Praça da Fruta. Para a próxima, mais cedo e munidos de cesta, não nos escapa. Almoçamos num espaço bonito e cuidado onde o serviço, a comida e o ambiente são 5 estrelas. Os preços? Mais que acessíveis. Não espanta a prole de
clientes satisfeitos. Comemos sopa, uma entrada de
queijo camembert com maçã confitada em ginja e espetada de tâmaras com bacon, uma pasta de salmão, um
culin de peixe a puxar ao doce e um gelado de chocolate amargo sobre um crepe com molho de frutos vermelhos de que não nos esquecemos tão depressa. Uma maratona! Depois desta refeição, escolhemos caminhar e atravessar o jardim. Verde e uma calma de outros momentos como se não se tratasse de uma urbe em plena vida.
Barcos, um cisne solitário e muitas árvores. Uma das pequenas alegrias da vida é poder andar por entre árvores e flores sem destino certo. Das nuvens, apenas alguns resquícios. Chuva, nem vê-la. Um Sábado perfeito. Nem que seja por alguns minutos, tudo é harmonia e serenidade.
Como nem só de calma e comida vive o Homem, nenhum programa nas Caldas da Rainha pode estar completo sem uma passagem pela loja da fábrica de
faianças Bordallo Pinheiro. É na cultura e na tradição de uma posição crítica que se desenha a história da fábrica e das criações de
Raphael Bordallo Pinheiro. Gosto muito de algumas coisas e menos de outras. Enche-me de felicidade que a fábrica tenha encontrado uma nova vida depois de tantos percalços. É que as suas andorinhas que anunciam a Primavera e as rãs que povoam os lagos são legados de uma
vida (muito) portuguesa.
Pratos, taças, chávenas, tigelas, travessas e outras peças. Cores sobrepostas em pilhas de desenhos diversos. Estrelas, couves, folhas, tomates, alfaces, abóboras ou meloas. Apetece trazer dois de cada. Nada que os armários lá de casa possam albergar. Como consolação, meia dúzia de peças. Escolhidas a dedo. Roxas e verde água. Levadas num saco com uma rã gravada a verde. Loiças bonitas e muita vontade de voltar. No palato e na memória, um certo gelado de chocolate amargo. O mesmo que tinha de ser replicado, já em casa, com resultados muito aceitáveis.