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1.12.18

Favoritos de Natal — Sardinhas

Sardinhada

Bem-vindo, Dezembro. Qual estrela que anuncia a chegada do Natal, com o início do último mês do ano começa a azáfama da época festiva. Entre recordações das pessoas mais próximas do coração, balanços de um ano que avança para o seu término e o planeamento das festas fica um sem fim de afazeres. Os presentes que mais dizem a quem tem na gastronomia uma paixão são aqueles que apelam aos sentidos, fazem o cérebro funcionar em torno da comida e mantêm o estômago saciado.

Afinal o que é que se oferece no Natal? Dou por mim a pensar em sardinhas.

Das escolhas estranhas que marcam uma espécie de advento gastronómico os pequenos peixes prateados que se fazem sinónimo do país são apenas a primeira. De comer, de cozinhar ou apenas de olhar, aqui fica a lista das sardinhas mais cobiçadas aqui pelo blog.

azevinho

6.7.12

O Verão Inglês e uma fatia de bolo

Richmond, UK

Talvez os campos intermináveis, os prados ainda em flor e umas nuvens a ameaçar chuva sejam apenas imagens passadas de um dia que se perde já nos corredores da memória. Chuva e sol. Vento. Um mais que perfeito British Summer day. A sudoeste de Londres, fica a cidade de Richmond com os seus parques e áreas protegidas e as suas vistas privilegiadas sobre o rio. Veados e verde a perder de vista. Bicicletas, papagaios de papel e os afazeres de um fim-de-semana de Junho por terras de Sua Majestade. Somos três. Vamos à procura da calma que a cidade grande não oferece.

Um Domingo passado entre gargalhadas, flores e uma mesa posta. Com café e bolo, há pouco mais que se possa pedir para que a felicidade seja completa.

Petersham Nurseries, Richmond

Faz uma chuva miudinha quando chegamos a Richmond. É uma competição com o sol que se esconde atrás das nuvens e que, quando pode, dá um ar da sua graça. São minhas todas as promessas de uma meteorologia clemente, que o Junho mais chuvoso desde que há registos teima em não fazer cumprir.

Richmond Hill, o monte debruçado sobre o Tamisa. A vista cá de cima limpa qualquer má vontade com o tempo que faz. Lá em baixo, um prado dá lugar a outro, de cancela em cancela, pelo caminho traçado no chão. Pés antes dos nossos, outros que se seguem, alguns já de volta. Vamos descendo. Ali ao lado, fica o nosso destino.

Richmond, UK

24.5.11

Um restaurante, uma loja e um gelado de chocolate amargo

Almoço no Maratona, Caldas da Rainha

Corre um Sábado sossegado com algum sol. Seguimos em direcção a norte por um estrada sem trânsito. No horizonte, por entre eólicas no cimo das serras, surge um céu menos azul. As nuvens sussurram promessas de chuva à nossa passagem. Não queremos saber. Fazemos orelhas moucas. Água é ingrediente que não entra na receita do dia. Há um Maratona à nossa espera e é preciso estamina que o longo curso não é para quem não tem pulmão, coração e estômago. Chuva? Não, por favor.

O caminho leva-nos às Caldas da Rainha. Chegamos demasiado tarde para as compras de frutas, flores e legumes no mercado que todos os dias durante a manhã acontece na Praça da Fruta. Para a próxima, mais cedo e munidos de cesta, não nos escapa. Almoçamos num espaço bonito e cuidado onde o serviço, a comida e o ambiente são 5 estrelas. Os preços? Mais que acessíveis. Não espanta a prole de clientes satisfeitos. Comemos sopa, uma entrada de queijo camembert com maçã confitada em ginja e espetada de tâmaras com bacon, uma pasta de salmão, um culin de peixe a puxar ao doce e um gelado de chocolate amargo sobre um crepe com molho de frutos vermelhos de que não nos esquecemos tão depressa. Uma maratona! Depois desta refeição, escolhemos caminhar e atravessar o jardim. Verde e uma calma de outros momentos como se não se tratasse de uma urbe em plena vida.

Caldas da Rainha, Portugal

Barcos, um cisne solitário e muitas árvores. Uma das pequenas alegrias da vida é poder andar por entre árvores e flores sem destino certo. Das nuvens, apenas alguns resquícios. Chuva, nem vê-la. Um Sábado perfeito. Nem que seja por alguns minutos, tudo é harmonia e serenidade.

Como nem só de calma e comida vive o Homem, nenhum programa nas Caldas da Rainha pode estar completo sem uma passagem pela loja da fábrica de faianças Bordallo Pinheiro. É na cultura e na tradição de uma posição crítica que se desenha a história da fábrica e das criações de Raphael Bordallo Pinheiro. Gosto muito de algumas coisas e menos de outras. Enche-me de felicidade que a fábrica tenha encontrado uma nova vida depois de tantos percalços. É que as suas andorinhas que anunciam a Primavera e as rãs que povoam os lagos são legados de uma vida (muito) portuguesa.

Fábrica Bordallo Pinheiro, Caldas da Rainha

Pratos, taças, chávenas, tigelas, travessas e outras peças. Cores sobrepostas em pilhas de desenhos diversos. Estrelas, couves, folhas, tomates, alfaces, abóboras ou meloas. Apetece trazer dois de cada. Nada que os armários lá de casa possam albergar. Como consolação, meia dúzia de peças. Escolhidas a dedo. Roxas e verde água. Levadas num saco com uma rã gravada a verde. Loiças bonitas e muita vontade de voltar. No palato e na memória, um certo gelado de chocolate amargo. O mesmo que tinha de ser replicado, já em casa, com resultados muito aceitáveis.

Flores vermelhas // Red Flowers
Gelado de chocolate amargo // Dark Chocolate Sherbet