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25.10.16

Frango com soja e mel

Frango com soja e mel

Gosto dos vermelhos, dos amarelos e dos ocres das folhas caídas. Não gosto dos dias cinzentos e das nuvens ameaçadoras. Gosto de manhãs frescas de sol radiante. Não gosto da noite a chegar tão cedo. Gosto de dióspiros, castanhas e romãs. Não gosto de apanhar chuva quando vou ao mercado. Gosto do horário de Verão. Não gosto nada da mudança da hora.

Dizem que me apaixonei pelas suas flores e não pelas suas raízes e que agora que chegou o Outono não sei o que fazer com este sorriso que usei durante o Verão. Faço das tripas coração, ponho uma cara forte e recorro à única terapia que conheço. Cozinho a comida que me conforta a alma e me arranca do peito esta tristeza miudinha. Ligo o forno, abro garrafas de condimentos e desisto das especiarias por esta vez. É no doce do mel que afogo as mágoas, em busca de consolo e compreensão.

alhos Frango com soja e mel

Desta feita a escolha da proteína é o frango. E embora eu prefira sempre comprar inteiro e dividir em partes que podem ser cozinhadas de diferentes formas em alturas distintas, hoje por falta de tempo fico-me pelas coxas. Esta receita é muito fácil e rápida e o sabor intenso está garantido pela marinada, que em caso de desejos súbitos ou dias difíceis pode ser reduzida a apenas 30 minutos.

Em plena aceitação da nova estação, o acompanhamento foi couve estufada (em azeite e sem água) com cenoura e cogumelos shiitake. Arroz e legumes cozidos ao vapor ou romanesco e cenoura seriam também boas alternativas. Bem-vindo Outono!

2.12.14

Madeleines de mel e noz

Madeleines de mel e noz

Quem nunca comeu uma madeleine ainda morna que levante o braço. Das mãos mais tímidas a outras mais resolutas, uma infinidade de braços no horizonte. É preciso colmatar essa falha. Nada que seja mais fácil pois a receita tem pouco de complicado. Precisa apenas de tempo (a massa tem de descansar de um dia para o outro) e carinho. Depois é só cozer meia-dúzia de minutos e acompanhar com café ou chá.

De todas as dificuldades, são as formas com as suas concavidade características que parecem assumir primazia. Maiores ou mais pequenas, de metal ou silicone, vale a pena tê-las em casa para lanches especiais ou apenas desejos momentâneos. O pretexto para estas minhas madeleines de mel e noz veio com a chegada desta forma da Pyrex, onde 20 pequenas maravilhas em tamanho mini encontram um porto seguro.

flores Madeleines de mel e noz

A madeleines são pequenos bolos franceses, ricos em manteiga e com uma reputação literária ganha por uma referência de Proust às memórias pessoais e intransmissíveis suscitadas por certos alimentos. A combinação de mel e noz lembra-me sempre o tradicional bolo alentejano em camadas finas, entremeadas com ovos moles, e dignas de qualquer celebração. Aqui os mesmos ingredientes ganham uma abordagem singela, pensada para fornadas rápidas e afectos servidos ao momento.

Comer uma madeleine saída há pouco do forno é como receber o beijo doce de um ente querido, ainda lambuzado de açúcar. E são tão simples de fazer.

Madeleines de mel e noz

28.10.14

Azeite e mel para um bolo podre

Bolo Podre

De azeite e mel se fazem os doces da minha memória. Lá onde os dias passam mais devagar, onde o céu começa e a terra termina, fica a paisagem a perder de vista a que se chamou Alentejo. Na linha do horizonte, ao longe, as silhuetas das oliveiras cruzam-se com os sobreiros e as azinheiras. Há pão na mesa e cheira a ervas aromáticas. Com canela e limão, estão reunidos os sabores de uma tradição, aqui traduzida em bolo e transmitida de geração em geração à fatia.

Bolo Podre. Pode um nome ser mais enganador? De onde vem ninguém sabe, sugestões há muitas, certezas quase nenhumas. Talvez seja a longevidade. Esquecido numa lata, dura uma eternidade. Ou pode ser que seja a cor, escura e profunda, misteriosa e aterradora ao mesmo tempo. Se nome inspira desconfiança, só o aroma ganha seguidores. Azeite, mel, canela e limão. Assim se escreve a estória de um bolo alentejano.

azeitonas azeite

A escolha do mel e do azeite determina o sabor deste bolo. Gosto de um mel com personalidade cujos aromas remetam para o campo de onde é proveniente e de um azeite doce e frutado, característico do Alentejo. Para o primeiro, deito a mão a um mel de rosmaninho que guardo para ocasiões especiais. Para o segundo, abro uma garrafa de azeite virgem extra Adega de Borba, feito a partir de azeitonas da variedade Galega e repleto de referências à riqueza gastronómica da região. Este bolo é uma espécie de cápsula onde cabe todo o Alentejo. É simples, faz uso inteligente dos ingredientes da terra e capta o sentimento profundo e sereno da doçaria caseira.

Para mim sabe a casa e a tardes de Outono. Com chá ou café, é promessa de uma viagem por entre oliveiras e sobreiros, até ao coração do Alentejo.

São servidos?

Bolo podre

25.2.11

Milfontes, túlipas brancas e um bolo de mel e alecrim

Vila Nova de Milfontes, Portugal

Como em todas as famílias, na minha há um guardião da memória. O meu pai assume o papel com uma precisão enciclopédica: datas, locais e acontecimentos acessíveis à distância de uma pergunta, criteriosamente ordenados na sua memória de elefante. Já a minha mãe vive o momento: Atenas, a cidade calcorreada com uns sapatos de camurça (ou seria Budapeste?), o rebordo entrecortado de um prato de pimentos vermelhos recheados com bacalhau fresco, o mar azul-esverdeado de Miami (ou seria o Mar Egeu?). Uma geografia de emoções em que latitude e longitude são meros pormenores de uma vivência maior.

Não estranhei portanto quando numa das nossas conversas telefónicas lhe perguntei por um Verão passado na Costa Alentejana e Vicentina em Vila Nova de Milfontes e recebi um peremptório nós nunca passámos férias em Milfontes. Nunca. Claro. Pergunta ao pai, insisto. A resposta vem rápida do sofá ao lado. Milfontes? Não, nunca. Mau. Assim não. Eu estive lá, tenho a certeza. Lembro-me dos piqueniques debaixo das árvores, das manhãs na praia e... de túlipas brancas. A colónia de ferias! diz a minha mãe. A colónia de férias. Claro. O Verão passado com um monte de outras crianças, cada peça da minha roupa marcada com uma túlipa de bordado inglês para que eu pudesse identificá-la e duas ou três semanas longe de casa, o que para os meus 7 ou 8 anos foi a maior aventura. Passadas mais de duas décadas, o pouco que a minha memória reteve não existe. Mas pouco importa. Encontro-me com um mar que reconheço como meu. Ou assim diz o sol na minha cara e eu acredito.

Vila Nova de Milfontes
Bolo de mel e alecrim // Rosemary Honey Cake

Um almoço com amigos especiais só pode fazer deste um fim de semana a recordar e repetir. Não há tempestade ou chuva que possa mudar esse sentimento. Ficamos de barriga cheia e coração preenchido para um Domingo de preguiça, em que as horas correm devagarinho ao ritmo de um passo a seguir ao outro. Há uma infinidade de indícios de que o meu Inverno interminável pode estar a chegar ao seu término. Penso num bolo de mel e o meu olhar prende-se num raminho de alecrim. Sei exactamente o que fazer com ele.

Bolo de mel e alecrim // Rosemary Honey Cake
Vila Nova de Milfontes, Portugal

17.2.11

Embrulhos de massa filo com feta e mel

Embrulhos de feta e mel // Honey Feta Parcels

Diz-se do mundo que é plano. A afirmação não contraria a ideia de que a Terra é esférica simplesmente porque não se refere ao conceito geográfico. O mundo “plano” é afinal uma metáfora para a maior facilidade com que diferentes culturas, países e tradições se têm aproximado com a crescente mundialização, reduzindo distâncias e encurtando diferenças. No campo da alimentação, o mundo plano traduz-se numa enorme oferta de ingredientes vindos dos quatro cantos e onde outros sabores, cheiros e texturas se encontram ao virar da esquina, quase sem sair de casa. Confesso-me mais virada para Oriente nos dias que correm. Quero o doce do mel e o conforto do ouro líquido que o azeite oferece. Quero a delicadeza da massa filo e os orégãos. São os cheiros das especiarias douradas que me chamam pelo nome, as texturas preciosas dos grãos de cuscuz e trigo, as sementes de sésamo que apelam ao sonho e me levam para longe. Queiram seguir comigo na busca por terras gregas de uma resposta às minhas vontades. Vem sob a forma de um presente, embrulhado com carinho e que encerra o doce e o salgado, o estaladiço e o macio, o quente e o frio.

Embrulhos de feta e mel // Honey Feta Parcels