
Começar de novo é o espírito destes dias. Renascer. A Páscoa faz-se de desejos de uma nova vida, do início de um tempo em que a natureza se reinventa e da promessa de oportunidades novinhas em folha para quem as quiser apanhar. Da festa religiosa ganha-se a narrativa, do coração recebe-se a esperança de um novo futuro.
Entre ovos, coelhinhos, amêndoas e chocolate, as referências da época parecem ensombrar outras tradições. Não vale esquecer os folares, as tranças e os (meus favoritos) bolos fintos. Se quiserem, há ainda as verdadeiras coroas trabalhadas de maneira a arrancar ainda mais sorrisos. Nada que desmoralize a receita de hoje, que não recebe lições de beleza ou sabor de nenhuma outra.



A bem da verdade trata-se de um bolo. Lêvedo. Sem buraco. Chamar-lhe coroa é fazer uso abusivo da semântica. E contudo ao olhar para o seu ar altivo, encimada com amêndoas laminadas e coroada por um círculo perfeito de claras e açúcar, a cheirar a limão e laranja, nada parece mais ajustado. Havemos de cortar fatias grossas e barrá-las com lemon curd enquanto bebemos café. Desejamos que a vossa mesa seja da celebração do recomeço. Um que vos faça falta.
Boa Páscoa!










