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9.3.17

Pimentos recheados com queijo da ilha e uma conversa sobre culpa

Pimentos recheados

Começo o dia a ler sobre o assunto. Oiço de passagem na televisão que agora é que é e vão salvar o mundo. Abro mensagens onde só se fala deles. Espreito o meu instagram e lá estão. São super alimentos, comidas do bem, planos detox, promessas de salvação ou expiação de toda a culpa. Repitam comigo: não há alimentos maus e não existe comida do demónio. Existem dietas alimentares que servem cada um diferentemente e se adequam (ou não) às características e necessidades de cada pessoa. São compromissos a longo prazo que devem proporcionar uma vida física e mental equilibrada, que representam os nossos valores e se traduzem num corpo onde nos sentimos confortáveis. É só isso.

E depois há a culpa. Os pratos sem culpa e as receitas culpadas de todos os males da humanidade. Repitam novamente (e até ficar gravado): não há alimentos maus. O que há é escolhas desajustadas e hábitos alimentares que não são saudáveis. O meu mantra? Diversidade, equilíbrio e bom senso (e muitos quilómetros andados). Gordura, hidratos de carbono e até o esporádico açúcar, tudo com conta, peso e medida. Não como doces processados, não há sobremesa todos os dias mas quando como aproveito cada migalha. De culpa não tenho nem resquício.

primavera Pimentos recheados

A receita de hoje tem queijo e arroz, tem azeite e passas, tem gorduras, hidratos e açúcares. E também tem meia-dúzia de vegetais diferentes. Tem ainda uma paleta de cores vibrantes, tem cru e cozinhado, estaladiço e cremoso. Só não tem culpa que ainda não seja Primavera!

Estes pimentos recheados de espinafres e tomate, com queijo da ilha, são uma refeição vegetariana ou podem servir como acompanhamento para carne grelhada. E são muito fáceis de preparar. Não há desculpa para não fazer.

18.1.17

Ovos (com feijão branco e pimento vermelho)

Ovos com feijão branco e pimento

Sem resoluções, nem promessas, começa o ano. Mais do mesmo ou a vontade de comer o mundo. Sempre mais, com mais determinação, mais daquela curiosidade que não deixa sossegar a alma e se transforma em fome de viver. Apetece-me dizer como Albert Camus: em pleno Inverno, descobri em mim um Verão invencível. Não é das estações que o poeta fala e eu não consigo deixar de pensar que o frio que faz lá fora só muda tudo ao meu redor se eu quiser. Se não há sol, que se crie um no prato. Se chove, que haja abrigo à mesa.

De volta à cozinha e às rotinas, a conversa repete-se de vez em quando. Não contamos almoçar em casa e de repente a vida muda-nos os planos. Inventa-se em minutos o que a despensa e o frigorífico oferecem e a barriga pede. A escolha cai muitas vezes nos ovos e é invariavelmente vegetariana, colorida e bem disposta.

a ver o mar Ovos com feijão branco e pimento

Ao longo dos últimos meses tenho feito da minha Actifry panaceia para todos os males, seja a falta de tempo ou a intenção de cozinhar com menos gordura. Os resultados têm sido quase sempre um sucesso e volto a utilizá-la uma e outra vez, seja na granola (quase) semanal, nos desejos repetidos de scones ou na necessidade (permanente) de guardar o Verão soba a forma de um prato de ratatouille.

A receita de hoje faz-se de feijão branco estufado com pimentos vermelhos e ovos abertos, num piscar de olho aos muitos pratos do género que fazem parte das mesas de outras cozinhas. Para finalizar, salsa e requeijão esfarelado e pão, que é imprescindível para a gema a escorrer. Talvez seja um prato mais comum nos pequenos-almoços para valentes mas pelo meio-dia e em jeito de almoço não fica nada mal.

Ovos com feijão branco e pimento

3.10.16

Ratatouille fácil

Ratatouille

Querido Verão, fica mais um pouco. Podes ir depois quando eu já não tiver vontade de frutos cheios de açúcar e ceús pintados às cores. Fica enquanto durar o desejo de vegetais de todas as formas e feitios. Não vás que ainda não tenho a minha conta de sobremesas de fruta e saladas entre o doce e o salgado. Fica só mais um pouco e prometo não ter muitas saudades tuas. Esqueço-me de ti assim que houver romãs e castanhas, juro. Mas já, já não.

Fica e deixa-me continuar a fazer ratatouille.

Ratatouille Ratatouille

Dizem que é proveniente de Nice e que é apenas um estufado de vegetais, com cebolas, curgetes, tomates, beringelas e pimentos, fritos e estufados em azeite e que pode ser servido quente ou frio. Cá em casa tem sido o prato deste Verão, em jeito de acompanhamento, como refeição com queijo, em crumble, batido em sopa ou comido no pão, como uma tartine.

Esta é uma versão na Actifry, cheia de sabor mas muito fácil de fazer. Como no prato tradicional, a ordem dos ingredientes importa e a sequência deve ser cumprida. Porque é uma versão rápida, vou juntando ao ingrediente anterior o próximo e o sabor de cada um mantêm-se por é cozinhado pouco tempo. É importante que o molho de tomate usado seja de boa qualidade e o tomilho fresco dá mais uma camada de sabor. Deixo-vos um ratatouille que é a essência do Verão.

Ratatouille

26.8.15

Arroz selvagem, curgete e cajús {com halloumi}

Halloumi grelhado, arroz selvagens e cajús

Ficar na cidade grande quando todos partem para sul parece ser mais sina que escolha consciente e assim tem sido nos últimos anos o nosso mês de Agosto. E contudo andar em contra-corrente tem as sua vantagens. Mais sossego, menos correrias e o ambiente favorável para quem precisa de trabalhar com concentração e sem distrações, estudar e escrever. A cozinha acompanha a necessidade de refeições rápidas e a panóplia de frutos e vegetais de Verão que ocupam as bancadas é inspiração instantânea para pratos alegres e nutritivos.

Entre sopas frias, saladas coloridas e fritatas várias programam-se mais uns dias de trabalho afincado. E de barriga cheia é sempre mais fácil encarar a página em branco, respirar fundo e começar a escrever.

Flores no campo Halloumi grelhado, arroz selvagens e cajús

Dos ingredientes que ocupam a despensa cá de casa e que apenas vêem a luz do dia quando, em desespero, o fim da validade se aproxima ou insondáveis desejos me fazem acordar de manhã e decidir fazer arroz selvagem. Amado ou detestado, este é um cereal que pode ser utilizado de diferentes formas. Já o queijo halloumi é um eterno favorito, capaz de apaziguar os apetites do carnívoro de serviço que se rende, uma e outra vez, aos encantos deste queijo cipriota que não derrete quando frito ou grelhado.

Nesta combinação, as cores da curgete verde e do pimento vermelho acompanham os cajús e os coentros, numa mistura de sabores e texturas que fazem desta salada o acompanhamento perfeito para uns filetes de peixe ou talvez um peito de pato. A opção vegetariana e mais leve acrescenta queijo halloumi grelhado para uma refeição completa, capaz de saciar até o mais intrépido dos carnívoros.

São servidos?

Halloumi grelhado, arroz selvagens e cajús

31.7.15

Tartines de cenouras e hummus de pimento assado

Tartines, cenouras e hummus de pimento + ricotta e tomate assado

A cozinha acompanha os ritmos da estação, ao sabor das horas de sol sem fim e da preguiça de quem se faz às férias. As refeições descomplicam-se e perdem aquela formalidade das entradas e dos pratos principais. É comida colorida, combustível para conversas sem pressa, à boleia de um copo de sangria.

São vegetais e frutos, frescos ou assados no forno, que pouco mais precisam que uma passagem por água e algumas ervas aromáticas como tempero. Das coisas que chegam à minha cozinha e ganham o seu lugar na bancada para serem utilizadas todos os dias estão estas luvas skruba da Inexistência. As minhas são verdes como os veggies que me ajudam a preparar em dois tempos, imprescindíveis para as cenouras e para as batatas novas, usos-as também em rabanetes e beterrabas. No Verão, mais do que nunca, faz todo o sentido manter a pele em batatas e cenouras, sobretudo quando são biológicas.

Veggie! Tartines, cenouras e hummus de pimento + ricotta e tomate assado

Uma tartine é uma espécie de sandes aberta e tem uma origem francesa. Serve como refeição ligeira ou entrada, petisco ou lanche. Normalmente começa-se com uma fatia de pão onde se barra algo que sirva de base aos restantes ingredientes, de texturas diferentes e cores contrastantes. As minhas memórias de tartines passam por Paris e cruzam o canal até Londres. São feitas de bom pão e combinações clássicas como ricotta e tomate assado com tomilho ou outras mais inusitadas, como pato confitado e hummus de abóbora e batata doce.

A proposta de hoje é um compromisso entre a receita de partida e o que havia na cozinha, um resto de grão, pimentos assados e muita rúcula. Como parte dos vegetais usados numa tartine são, por princípio, crús ou ligeiramente cozinhados, as pequenas cenouras cheias de sabor só precisam de um vinagrete para ficarem prontas. Calço as luvas, lavo-as à torneira, esfregando aqui e ali para retirar a terra. Faço o mesmo com os rabanetes e depois é só cortá-los na mandolina. Uma boa opção quando se servem tartines a muita gente é levar todos os componentes e deixar que cada um prepare a sua, dando apenas a indicação da melhor sequência. Bocas satisfeitas e sucesso garantido.

Boas férias!

Veggie!
Tartines, cenouras e hummus de pimento + ricotta e tomate assado

27.6.13

{almoço de semana} Salteado de favas e ervilhas tortas

Favas e ervilhas tortas salteadas

Tenho em mim todos os sonhos do mundo. Como todas as palavras predestinadas queria ter-me lembrado de as juntar. Leio-as e reconheço-me. Este poema também sou eu. Apodero-me das palavras como se fossem minhas. Tenho em mim todos os sonhos do mundo. E alguns são bem prosaicos. Quero acreditar que no simples almoço, feito em poucos minutos, estão todas as promessas que o prato pode oferecer. Todos os confortos e panaceias.

De cor, sabor e textura. De simples vegetais a um sorriso aberto num rosto cansado. Há poucas coisas tão boas como os melhores ingredientes. Mesmo nos dias em que os comensais estão desatentos e a sonhar com outras latitudes. Sobretudo quando o tempo se faz rogado.

Herdade do Freixo do Meio Favas e ervilhas tortas salteadas

Favas, ervilhas tortas, alho-francês bebé e pimento vermelho. O meu wok fora do armário. Se os dias de semana pudessem testemunhar refeições mais demoradas, o meu fiel utensílio teria muito menos uso. Não é o caso e cá seguimos os dois a mil à hora. Dez minutos e o almoço está na mesa. Vegetais no prato, queijo feta desfeito e umas colheradas de bulgur.

Há sonhos assim.

Favas e ervilhas tortas salteadas

26.11.12

{da minha estante} Pilaf de trigo bulgur e o Novo Vegetariano

Pilaf de bulgur com grão e feta

Uma estante repleta de livros é sempre uma visão reconfortante. É território familiar e adorado. Adivinha-se aventura e mistério, mil tesouros para descobrir ou simplesmente o retorno ao que se conhece e onde a felicidade já nos encontrou. Quando passamos por perto dessas estantes, os autores sussurram segredos e promessas, em vozes reconhecíveis ou nem por isso. Umas vezes fazemos orelhas moucas e seguimos caminho. Noutras deixamo-nos encantar. São assim as incursões (in)esperadas pelas filas desalinhadas onde esperam palavras e fotografias em forma de livro.

Foi por quase mero acaso que num destes dias me deixei apanhar pelo feitiço do encantador Yotam Ottolenghi. Dedos que percorrem páginas, sorrisos de antecipação, memórias e viagens. E tudo sem sair da minha sala.

O novo vegetariano

O meu primeiro encontro com Ottolenghi aconteceu num dia de chuva, tipicamente londrino, há uns anos atrás. Fiquei-me pela montra da loja de Portobello, à conversa com amigos queridos. Só voltei a pensar no senhor Ottolenghi muito tempo depois. De livro aberto, com vontade de provar tudo perante uma abundância de saladas e vegetais coloridos, foi um pilaf que me ganhou o coração.

O Novo Vegetariano, no original Plenty (abundante), é um livro com múltiplos encantos. Um conforto tanto para quem come como para quem lê e para quem vê. Porque as receitas são guias e não letras paradas, a minha versão serve como refeição e acrescenta leguminosas e queijo. Espero que Yotam Ottolenghi me perdoe a ousadia.

O novo vegetariano de Ottolenghi

25.10.12

{Dia Mundial das Massas} Conchiglioni com beringela, pimento assado e feta

Conchiglioni com beringela, pimento assado e feta

A mais justa homenagem aos ingredientes simples é a celebração do dia-a-dia. Com felicidade garantida, assim o cozinheiro escolha integrá-los na ementa. É tê-los na mesa a acompanhar um quotidiano feito de refeições mais ou menos a correr, das que se fazem em cima do relógio e das outras sem a pressão do tempo. Alimento de todos os dias, as massas fazem parte da cozinha simples e têm lugar em muitas mesas. Dia 25 de Outubro é Dia Mundial das Massas. Vamos comer massa hoje?

Por serem versáteis, económicas e nutritivas, as massas oferecem possibilidades quase infinitas e são um veículo perfeito para levar vegetais ao prato. De todas as formas e feitios, as minhas preferidas são as que oferecem "bolsos e ranhuras" onde o molho se possa esconder. E aquelas que podem ser recheadas, como estes Conchiglioni.

Beringelas e tomates // Aubergines & Tomatoes Conchiglioni com beringela, pimento assado e feta

A comemoração do Dia Mundial das Massas é um lembrete que se agradece. Traz consigo uma chamada de atenção para um alimento cheio de qualidades. Não vejo a massa como um acompanhamento, papel que na cozinha em Portugal tantas vezes lhe é conferido. É antes uma base multifacetada, na cor, na forma e na textura, para uma infinidade de combinações a que o queijo raramente é alheio.

A minha sugestão de hoje é uma refeição vegetariana, com uma combinação de legumes assados e queijo Feta, que servem de recheio a umas bonitas conchas gigantes. Com um molho de 3 tomates, que é como quem diz, tomate assado, tomate seco e tomate maduro. Não é uma receita para todos os dias. Implica algum tempo e um período de meditação (que corresponde a rechear cada uma das conchas gigantes) e uma longa lista de ingredientes e procedimentos. Mas vale cada um dos esforços. E pode ser preparada aos poucos, assando os vegetais e fazendo o molho num dia e recheando e finalizando o prato no outro. Se ainda restarem pimentos vermelhos e os últimos tomates, este prato oferece uma excelente oportunidade para os usar.

Pimentos // Red Bell Peppers

7.8.12

Pimentos recheados para um fim de tarde

Pimentos recheados

Às vezes quer-se muito. Antecipa-se o que vai ser a partir do que já foi. É assim com as férias no sítio do costume. Anteve-se cada passo, cada garfada, cada fim de tarde. É uma ansiedade boa. De quem volta a um lugar a que também chama seu. Leva-se um milhão de coisas para fazer, iguais a sempre, novas como nunca. Invariavelmente a vida tem outros planos. Adaptamo-nos. Encontramos na chegada razões para não poder partir. Fazemos em terra uma ode marítima. Por mares nunca dantes navegados.

Pelo caminho, olha-se para os lados em busca de histórias para contar. Leva-se para casa um ramo de recordações. E lá se vai seguindo.

Verão na praia

Chegamos a bom porto quando os dias encontram as suas rotinas. Quase gostamos desta nova vida: leituras à beira-mar, almoços ligeiros, caminhadas na Ria, café e bolos n'A Casa da Isabel. E no dia seguinte mais do mesmo, com a eventual passagem pelo mercado e pela padaria.

Há maneiras piores das férias não nos correrem como planeado.

fim de tarde
Pimentos recheados

20.4.09

À procura da Primavera e uns pimentos recheados

Stuffed Red Peppers

Estamos oficialmente na Primavera. Ou pelo menos é o que diz o meu calendário... Uma espreitadela pela janela e sinto que devo reformular: estamos na Primavera, verdade? Que chova volta, não volta ainda vai mas as temperaturas não descolarem da dúzia de graus centígrados?? É menos aceitável, convenhamos. Não sei se convosco se passa o mesmo, mas eu fazia bom uso de um pouco de sol. *Suspiro* Como o 'filósofo' Jagger costuma dizer "You can't always get what you want, but if you try sometimes, well you just might find you get what you need". Que é como quem diz, nem sempre se pode ter aquilo que desejamos, mas se nos esforçarmos talvez se consiga aquilo que precisamos... Rapaz esperto. ;)

Eu preciso de comida colorida e regada de sol. Qualquer coisa de levemente mediterrânico... Pimentos vermelhos e queijo Feta! Não têm um ar primaveril? Os pimentos recheados podem ser servidos como acompanhamento de um prato de carne ou entrada. Para mim são suficientes com um tigela de salada. E a Primavera, alguma ideia sobre onde anda?

Stuffed Red Peppers

Pimentos recheados com Arroz Selvagem, Brócolos e Feta

2 Porções

2 pimentos vermelhos
1 chávena arroz selvagem, cozido
2 chávenas pequenos floretes brócolos, cozidos ao vapor
2 colheres sopa azeite
1 cebola pequena, picada
1 dente alho, picado
1 colher chá manjericão seco

Pré-aqueça o forno a 180ºC.

Corte os pimentos ao meio e remova o pé e as sementes. Tempere o interior de cada metade com sal. Coloque o pimentos em pratos de ir ao forno. Aloure a cebola picada, até esta estar macia. Adicione os floretes de brócolos e o alho picado. Cozinhe por 2 minutos. Remova do lume e misture o arroz. Tempre a gosto.

Recheie os pimentos com esta mistura. Espalhe o queijo feta esfarelado e polvilhe com o manjericão seco. Cubra com papel de alumínio. Leve ao forno coberto durante 25 minutos, retire o alumínio e deixe gratinar mais 10 minutos ou até os pimentos estarem macios.