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4.2.19

Há cozido no Grande Almoço de Domingo do Panorama

Grande Almoço de Domingo, Panorama, Sheraton Lisboa

Haja uma mesa grande, a família reunida e o almoço será servido. É assim todos os Domingos no Panorama, o restaurante com vista espectacular sobre a cidade que ocupa o 16º andar do Sheraton Lisboa. Faz sol num dia de Inverno frio quando subimos para desfrutar de uma refeição sem pressas, com muita conversa prometida e um prato tradicional no menu.

Nos primeiros Domingos de cada mês há cozido alentejano. Já sentados, à boleia de um copo de Clericot de vinho rosé e sem querer saber do relógio, estamos preparados para apreciar a comida e desfrutar do ambiente e da vista.

Grande Almoço de Domingo, Panorama, Sheraton Lisboa
Grande Almoço de Domingo, Panorama, Sheraton Lisboa

Para início de almoço, há na saca de pão (de tecido às florzinhas cor-de-rosa) um conjunto de pães feitos na casa que podem ser provados com as diferentes manteigas, os molhos (Pico de galo ou Verde picante) e os Patés (Azeitona, Atum, Sapateira e Pickles caseiros). Na memória fica a Bola de carne e o Pão de queijo de cabra que, sem precisarem de companhia, são a forma perfeita para começar.

Das Entradinhas Variadas, cortados ali mesmo junto à mesa, fazem parte o Presunto do Montado e o Salmão gravadlax servido com guarnição. Escolhemos blinis, sour cream e alcaparras para o excelente salmão e degustámos o presunto ao natural. Ali ao lado, a Tábua de Antipasto oferecia queijos diversos, bolinhas de alheira e de queijo, juntamente com as saladas de vegetais (tomate cereja com azeite, cebola roxa e orégão ou rúcula, espinafres e espargos) e a sempre bem-vinda salada de grão com bacalhau.

Grande Almoço de Domingo, Panorama, Sheraton Lisboa
Grande Almoço de Domingo, Panorama, Sheraton Lisboa
Grande Almoço de Domingo, Panorama, Sheraton Lisboa

Sem darmos pelo tempo passar, lá fomos petiscando até chegar o prato principal: um cozido com aromas do Alentejo, legumes biológicos e todo o cuidado na confecção e apresentação.

23.1.19

{ Convento do Espinheiro } Um Alentejo diferente à mesa do Divinus

Convento do Espinheiro, Divinus

A estrada serpenteia por um Alentejo em tons de verde que se abre à nossa frente e nos conduz até ao Convento do Espinheiro. As oliveiras que guardam a entrada, antes e depois do arco que nos dá as boas-vindas, prometem histórias do lugar que albergou reis e rainhas. O tempo fica suspenso quando avançamos pelas grandes salas da entrada, atravessamos os corredores com tectos trabalhados e nos dirigimos ao restaurante Divinus.

Sob o comando seguro do chef Hugo Silva, a cozinha combina as técnicas clássicas com os ingredientes locais, a história do lugar e um rigor e atenção ao detalhe responsável pelos pratos bonitos que dão início ao almoço. Da carta de Inverno fazem parte alguns pratos assinatura e novas explorações em torno de um proposta sempre cuidada.

Convento do Espinheiro, Divinus
Convento do Espinheiro, Divinus

Como amuse-bouche, uma curiosa combinação de Lagostins com aipo, maçã e couve pak-choi pensada para ser comida de uma vez e que resulta correcta na harmonização com o Espumante Bruto com a chancela do Convento do Espinheiro. Para começo de refeição, a entrada que conta a história de um ingrediente esquecido chega em forma de umas Vieiras salteadas com escursioneira, couve de bruxelas, amêndoa e cacau (imagem inicial) e lembra um vegetal que, fazendo parte do espólio hortícola da região, praticamente deixou de ser cultivado: a escurcioneira recebe a devida atenção num prato onde cada componente funciona de modo simples, complementando os restantes.

Convento do Espinheiro, Divinus
Convento do Espinheiro, Divinus

4.12.18

No Eleven a vista (também) é servida com o almoço

Almoço com vista —

Caminha-se pelo jardim até à porta aberta do restaurante Eleven, onde o chef Joachim Koerper faz a sua magia. Nada nos prepara para a vista que da sala nos mostra uma cidade à espera de ser apreciada. Enquanto o almoço é servido há uma Lisboa que se desdobra até ao rio que se faz de luz sem fim e uma calma aparente. É difícil desviar os olhos das amplas janelas emolduradas de verde e prestar atenção ao interior, bonito e sereno, com múltiplos foco de interesse.

Do lado de dentro, é a mesa que finalmente capta a atenção quando o menu é apresentado. O bussiness lunch está disponível nos dias de semana e traz um conjunto de duas propostas à escolha para a entrada e para o prato principal, com amuse bouche e sobremesa a completar menu. Com a inclusão de pratos vegetarianos, mais leves e igualmente cuidados, alarga-se o leque de opções e de razões para ir até ao Eleven ao almoço.

Eleven, um almoço com vista
Almoço com vista —
Almoço com vista —

7.11.18

{ Viajar no Prato } No Chutnify há uma Índia pronta a descobrir

Chutnify, Lisboa

A viagem começa antes de nos sentarmos quando a sala nos recebe directamente no bar e, em jeito de check-in, escolhemos um cocktail que já remete para paragens longínquas. O Chutnify veio de Berlim para Lisboa e a comida promete levar-nos até à Índia, à boleia de especiarias, leite de coco e manga. O ambiente evoca a estética de Bollywood, num compromisso entre o informal e o tradicional, uma versão contemporânea do restaurante indiano onde diferentes gerações marcam encontro. Hoje a promessa é viajar no prato. Partimos para longe nesta refeição porque queremos conhecer melhor a comida da península indiana, os seus sabores e tradições.

Novembro é um mês importante com a celebração do Diwali. É tempo do festival das luzes, um dia de festa para os Hindus, em que se comemora a passagem das trevas para a luz com o início de um novo ano. Ainda a pensar na analogia da claridade, do recomeço sempre necessário a uma vida mais feliz, sentamo-nos por fim. Na mão segue um copo de Oh Kolkata (rum Old Monk, laranja, xarope de canela e limão) — bonito, aromático e muito equilibrado — é a companhia certa para começo de jantar e um brinde.

Chutnify, Lisboa
Chutnify, Lisboa

A curiosidade é grande e queremos provar as famosas dosas, uma espécie de panquecas finas com farinha de arroz e lentilhas moídas, servidas simples ou com recheios diversos. À laia de entrada, a escolha recai sobre uma Cheese Dosa (Crepe salgado feito de lentilhas e arroz recheado de queijo, tomate, pimentos e coentros, acompanhado com chutney de hortelã e de tomate) que apresenta uma textura surpreendente e muito sabor. Parece ter sido pensada para apreciar em conjunto com uma cerveja indiana suave, a deixar o palco todo para a fantástica dosa. Ao nosso lado, um senhor indiano que come sozinho delicia-se com a versão simples, retirando pedaços estalados de um longo "canudo" (esta dosa vem enrolada) e que ocupa metade da mesa. Numa nota mental, fica a vontade de pedi-la numa próxima visita.

Para prato principal, decidimos explorar a oferta de caril que é composta por versões de peixe, carne ou vegetais e com intensidade de picante variáveis. Desta feita são os mais suaves que escolhemos provar: Butter Chicken (Coxas de frango, masala, pimenta e gengibre) e Alleppey Fish (Robalo, leite de coco, mostarda e gengibre). Todos os pratos de caril vêm acompanhados de arroz basmati mas pedimos também Garlic Naan, um Pão indiano com alho. As diferenças de sabor do caril são evidente de um para o outro, não apenas na quantidade e tipo de picante, mas sobretudo na mistura de especiarias usada. Muito curioso é também o modo como o acompanhamento, arroz ou pão, altera a experiência, sendo o naan perfeito com o frango e o arroz basmati essencial ao robalo.

Com a refeição a cumprir todas as expectativas, o prato da noite ainda havia de chegar.

Chutnify, Lisboa
Chutnify, Lisboa

7.9.18

Celebrando o Verão no Areal Beach Bar by Chakall

Areal Beach Bar, Lourinhã

Talvez possa mudar o mês mas o espírito do Verão veio para ficar. Enquanto houver dias de sol, haverá praia. Na Lourinhã, o Areal Beach Bar by Chakall serve o mar português com um toque da alma argentina e das suas tradições gastronómicas, que se cruzam com os produtos da região. Esse compromisso com os sabores do Oeste estão bem presentes nos recheios de pêra rocha e de abóbora com aguardente local que fazem felizes os veraneantes mais gulosos a cada dentada. E que se há praia queremos bolas de Berlim!

O espaço ali mesmo à entrada da praia é a menina dos olhos de Silvina Lopez, a irmã do chef Chakall, que comanda a sala sempre com um sorriso. Os surfistas que chegam, os amigos que vêm beber um copo depois de um mergulho e quem vem para jantar junto à praia, para todos há locais especialmente pensados para a melhor experiência, entre o varandim e a sala VIP. Também a oferta se adapta às vontades e desejos de cada um, com uma carta inclusiva onde se encontram propostas tradicionais a par de opções para todas as escolhas alimentares.

Areal Beach Bar, Lourinhã

Num dia às caretas, o almoço começou alegre com um colorido hummus de beterraba e legumes crus e um Cao Cao de Gambas, prato que faz uso de um ingrediente estrela - a batata doce de um produtor local mesmo ao lado do restaurante, numa boa combinação com cebola roxa crocante, coentros e lima. Já a Salada Phuket chega colorida com abacate, frango com caril, queijo feta, tâmaras e molho vinagrette de mel, para deleite de quem gosta de doce e salgado em dose certa e pretende uma refeição leve.

Mas são umas maravilhosas Empanadas Argentinas, servidas com molho chimichurri, que teimam em não sair da memória. Qualquer passagem pelo Areal Beach Bar deve sempre começar com estes embrulhos estaladiços recheados de carne, mesmo se os pratos de grelhados (igualmente recomendáveis) nos esperam mais à frente na refeição.

Areal Beach Bar, Lourinhã

30.7.18

{ Verão na Cidade } Ceviches, causas e muita quinoa no Segundo Muelle

Segundo Muelle, Lisboa

Chega o verão e a cidade grande perde parte dos seus habitantes que rumam ao Sul. Dos encantos de quem tem Lisboa (quase) só para si ressalva-se a possibilidade de viajar no prato e ir conhecer restaurantes com sabores e aromas de outras paragens. Para inaugurar o Verão na Cidade deste ano o primeiro destino é o Perú e é no Segundo Muelle que a cozinha andina nos recebe de braços abertos.

Com o Cais do Sodré ali próximo e o rio por companhia, o restaurante que ocupa a esquina do edifício em frente ao jardim promete levar-nos até ao Pacífico. Se os ceviches se tornaram bandeira da cozinha peruana, aqui também há causas e todos os sabores da comida serrana, à boleia do ingrediente estrela que é a quinoa. E porque não há refeição completa sem um Pisco Sour, o bar ao fundo do restaurante faz magia em copos coloridos para nos manter felizes com as versões especiais de maracujá ou frutos vermelhos.

Segundo Muelle, Lisboa
Segundo Muelle, Lisboa

Tracemos então o plano da nossa viagem. Qualquer visita ao Segundo Muelle não deve fazer-se sem o afamado Cebiche Nikkei, onde cubos de atum e abacate são temperados com os sabores de fusão que caracterizam as influências nipónicas, numa harmonização com o milho peruano e ervilhas-tortas em juliana fina. A viagem pode continuar-se por pratos menos conhecidos e igualmente surpreendentes: aposta certa para quem gosta de texturas suaves é a causa de camarones, feita de puré de batata em camadas, com lima e malagueta e recheada com camarão. Para finalizar em pleno, é recomendável experimentar ainda o Risotto de quinua con lomo saltado. Das sobremesas escolha-se o Suspiro a la Limeña e haja o que houver não é possível partir sem provar a Mousse de Lucuma.

Com o itinerário decidido e prontos para a descoberta, é tempo de apreciar o couvert. Servidas num cesto, as bonitas Chifles são chips de banana pão acompanhadas com um molho picante de Aji Amarillo e pequenos grãos de milho Cancha.

Vamos até ao Perú?

Segundo Muelle, Lisboa
Segundo Muelle, Lisboa

2.7.18

{ Escapadinha de fim-de-semana } Entre a serra e o oceano no Dolce CampoReal Lisboa

Dolce Campo Real, Turcifal

Se procurarmos bem os paraísos na terra existem à medida dos desejos de cada um. Para os que esperam sossego e uma paisagem inspiradora, a dois passos de Lisboa, a vista da serra do Socorro adivinha o Atlântico ali ao lado. Entre o campo de golfe e uma região onde o vinho é rei, fica o Dolce CampoReal Lisboa. Em busca de um descanso merecido e de uma aventura gastronómica, fazemos os poucos quilómetros que nos levam ao Turcifal. Ainda que a meteorologia continue incerta, a previsão de um fim-de-semana a dois sem outras preocupações para além de decidir o que comer ao jantar não podia ser mais risonha.

À chegada, uma ginjinha e bolachas cuidadosamente feitas pela chef pasteleira dão-nos as boas-vindas. Com tempo para aproveitar um momento de relaxamento no Mandalay Spa antes do jantar, o espírito de calma instala-se em definitivo.

Dolce Campo Real, Turcifal

O pôr do sol antecipa uma das razões que nos trouxe até ao Dolce CampoReal. No restaurante Grande Escolha o chef Rui Fernandes apresenta uma carta desenhada para oferecer uma experiência de fine dining aos hóspedes do hotel e a outros comensais que vêm apenas jantar.

A cozinha aberta sobre a sala, que é simples e confortável, é a grande atracção. Olhos em permanência nos chefs que preparam os pratos e os finalizam no balcão de passagem onde, à vez, muitos dos clientes passam para captar mais uma fotografia. Indecisos sobre o que escolher, chega à mesa o couvert, composto por diversos pães e manteigas de cabra e de ervas, azeitonas e tremoços marinados. Menos utilizados do que merecem, os tremoços gulosos desaparecem enquanto discutimos o que vamos comer e é bom augúrio encontrá-los num restaurante como o Grande Escolha. Decisões tomadas e estamos prontos para a nossa aventura gastronómica.

Dolce Campo Real, Turcifal
Dolce Campo Real, Turcifal

22.5.18

Da lata para o prato no novo restaurante da Loja das Conservas

Loja das Conservas, Lisboa

As conservas são fruto da paixão pelo mar que sempre marcou a cultura portuguesa e da capacidade de invenção de quem desenvolveu esta forma de preservação. A garantia que peixe chegava à mesa mesmo depois de ter terminado a campanha ou passados muitos meses depois da apanha fez das conservas um alimento popular. A Loja das Conservas reúne no mesmo espaço um conjunto extenso de produtores e uma sem número de latas onde o conteúdo é sempre promessa de mistério. Sardinha, cavala, petinga ou outro qualquer dos pequenos peixes que chega à lata contam uma história que hoje também se escreve com a conserva de moluscos, ovas ou mesmo do fiel amigo para todos os gostos e carteiras.

Se as conservas passaram a ser vistas como um símbolo de Portugal, o seu consumo mudou também. A vontade de provar e utilizar as conservas nas receitas do dia-a-dia fizeram com que a Loja das Conservas também se tornasse restaurante. Ou melhor, no plural, restaurantes! Agora nas lojas da Baixa e do Cais do Sodré também se pode explorar uma ementa que é, exclusivamente, construída em torno das conservas. A variedade e inúmeras possibilidades que se abrem no receituário fazem das Chamuças de Atum com Caril uma daquelas variações com tudo para dar certo. Aromatizadas com laranja e com adição de cenoura, é na massa que se ganha a perfeição destes embrulhos de sabor intenso.

Loja das Conservas, Lisboa
Loja das Conservas, Lisboa
Loja das Conservas, Lisboa

Seguindo os mesmos princípios de reinventar pratos a partir da utilização de conservas, os chefs André Palma e Tiago Neves foram buscar aos enchidos inspiração para a sua Morcela de Sangacho. De cura certa e todos os aromas presentes, a experiência de assar a morcela e comê-la às rodelas é aqui levada ao extremo num prato com muita piada. Para os amantes da tempura, é nas Sardinhas, Picante e Fumada, em Tempura de Limão com Molho de Iogurte e Pepino que se encontra uma utilização nova das conservas com os sabores de sempre. Mas o almoço havia de trazer mais surpresas, entre clássicos e outra pratos muito inovadores.

4.5.18

No Refeitório do Senhor Abel há pizzas para todos

Refeitório do Senhor Abel

Não fosse o Norte continuar no mesmo sítio e quase parecia não estarmos em Lisboa. Marvila tem o encanto de um bairro onde o ontem, o hoje e o amanhã se encontram em amena convivência. A pulular em acção, a cena gastronómica tem terreno fértil para se desenvolver a grande velocidade por entre a herança dos edifícios e a vontade de fazer bem de gente criativa. No Refeitório do Senhor Abel há livros em estantes, poesia nas paredes e um forno que promete as melhores pizzas. A casa onde funcionaram os antigos armazéns Abel Pereira da Fonseca é agora lar de sabores italianos, cocktails originais e energias literárias sob o olhar atento de um dos maiores poetas portugueses.

Ali ao lado, com uma ligação que dá passagem directa do restaurante, fica o Heterónimo Baar. Homenagem às múltiplas personagens que fazem de Fernando Pessoa o poeta de todas as palavras, neste baar encontra-se um "a" extra para abarcar os heterónimos Bernardo Soares, Álvaro de Campos, Alberto Caeiro e Ricardo Reis. Aqui são os cocktails quem mais manda e não há melhor sítio para começar a pensar no jantar, à boleia de um intemporal Negroni.

Refeitório do Senhor Abel
Refeitório do Senhor Abel

23.4.18

Caçar estrelas no Gourmet Experience Lisboa

Gourmet Experience

São sete andares a pensar no topo. Lá em cima, mais perto do céu e das estrelas, espera por nós o jantar no Gourmet Experience Lisboa. O último piso do El Corte Inglés alberga agora o Club Del Gourmet, dez espaços com produtos escolhidos a dedo e um conjunto de propostas de chefs nacionais e internacionais com conceitos muito distintos. Entre inspirações de longe (que vão do Havai ao México) e mais de perto (com um saltinho à Galiza e ao País Basco), há ainda homenagens sentidas à cozinha portuguesa assinadas por José Avillez e Henrique Sá Pessoa.

Dos terraços já preparados para dias solarengos vê-se a cidade. A vista vem acompanhada da vontade de ficar a olhar o infinito com um copo na mão enquanto não vêm os pratos escolhidos. É que apesar de se poder escolher almoçar ou jantar no espaço de cada um dos restaurantes, também é possível pedir pratos específicos em diferentes conceitos e esperar serenamente que cheguem à mesa no interior ou no exterior. É essa a nossa opção esta noite. Viemos para a experiência total.

Gourmet Experience
Gourmet Experience

Por muito que a noite chame por nós lá fora, seguimos o caminho das bebidas com o primoroso serviço dos Gin Lovers no The G Bar. Cocktails, vinho, cerveja e tudo o que possa brilhar no copo está disponível em permanência. A experiência em torno do gin que chega à mesa é pensada para partilhar mas os verdadeiros apreciadores talvez prefiram embarcar sozinhos na aventura. Aceita uma sangria? Vamos lá começar!

27.3.18

Losar, a celebrar o ano novo n'Os Tibetanos

Os Tibetanos (ou como celebrar o Losar)

O ano novo tibetano começa no dia exacto em que a lua determina o início de um ciclo pronto a estrear. Para os tibetanos, o Losar mistura práticas sagradas e seculares, com orações e danças num clima de festa que dura três dias e marca um tempo de purificação e renovação. Este ano a celebração teve lugar a 16 de Fevereiro e n'Os Tibetanos o sol recebe-nos engalanado e com roupagem colorida, com a energia positiva e auspiciosa a fluir pelo espaço. Na mesa, esperam pelos convidados uma chávena de chá e um prato de bolinhos bonitos chamados khapse, cada um contendo uma frase inspiradora.

O restaurante que há 40 anos foi o primeiro vegetariano em Lisboa partilha casa na rua do Salitre com o Templo e a escola budista, que inclui o centro de Yoga e Meditação Yoguini Gompa no 1º andar. Juntos pela filosofia de vida e pelo caminho desenhado na visão de um mundo melhor, os tibetanos não seguem uma dieta vegetariana embora o desejo de respeito pelo meio envolvente leve naturalmente a essa escolha.

Os Tibetanos (ou como celebrar o Losar)
Os Tibetanos (ou como celebrar o Losar)

Na viagem que aceitei fazer até ao Oriente fui acompanhada pelo Pedro e pelo Paulo Bengala, sócio d'Os Tibetanos, que nos levou numa conversa acompanhada de almoço. Por lá encontrámos entradas que fazem da técnica dos pastéis recheados uma nova dimensão de sabor: entre o rebordo enrolado dos Sha Paklé (com seitan e vegetais) e o crocante dos afamados Triângulos de queijo, fico viciada em Ting Momos. Esta espécie de pão tibetano pode ser cozido no vapor e vem acompanhado com queijo e molho (não muito) picante, oferecendo a cada dentada uma textura muito curiosa.

Feita de muitas referências, esta é uma cozinha que expressa mais a forma de estar da cozinheira que lhe dá voz e não procura classificações: Phuntsok Dolma serve uma combinação de sabores do seu Tibete e múltiplas referências ocidentais. Depois das entradas, espera-nos novas descobertas quando os pratos começam a chegar.

Os Tibetanos (ou como celebrar o Losar)
Os Tibetanos (ou como celebrar o Losar)
Os Tibetanos (ou como celebrar o Losar)

2.3.18

Topo Belém, a nova cozinha portuguesa virada para o Tejo

Topo Belém, Lisboa

Lisboa tem no rio o princípio e o fim dos seus recomeços. As varandas voltadas para ao Tejo fazem da zona ribeirinha um local privilegiado para viver, passear ou partilhar a mesa. No Topo Belém alia-se a localização privilegiada ao conforto de uma carta que revisita a cozinha portuguesa com um olhar renovado. Apanágio também de outros restaurantes do grupo, a vista inspiradora do terraço é servida a par da promessa de sabores e aromas que aqui são mais tradicionais.

Da mão do chef executivo Ricardo Benedito saem propostas que oferecem re-interpretações de clássicos como os peixinhos da terra, numa alusão aos seus homónimos da horta: cogumelos enoki surgem envoltos em tempura estaladiça e servidos na companhia de uma boa maionese de algas. Com o mesmo cuidado e rigor na fritura, chegam à mesa os muito falados pastéis de bacalhau com molho de arroz de feijão. Diz o chef que se trata de uma ideia simples, em que o tradicional arroz de feijão é reduzido a puré que serve como molho. Entre pequenas dentadas e mais um pouco de molho (à colher!), há todo o imaginário familiar de sabores que têm tudo para ficar bem juntos.

Topo Belém, Lisboa
Topo Belém, Lisboa

Se as técnicas podem ser as mesmas e mudar os ingredientes (ou vice-versa), há também lugar para o uso de produtos muito portugueses como a castanha e a carne de caça numa versão de sopa bem-vinda num dia de chuva e frio. Cada colherada de aveludado de castanha e perdiz serve de pretexto para apreciar o espaço idiossincrático em que o restaurante se abre sobre uma das galerias do CCB no andar inferior. É contudo nas janelas corridas que fica o terraço e, não fosse a inclemência da meteorologia, não haveria melhor lugar para almoçar. Mas enquanto não chega o Verão, é bom ficar no interior e namorar os bonitos candeeiros que pontuam o espaço. Da sua luz, fazemos uso quando nos chegam os pratos principais e o sol não está pelos ajustes.

O aromático arroz de javali com castanhas piladas e cogumelos faz certamente os encantos dos amantes dos pratos de caça e é o rei da mesa. A minha escolha de pampo, xerém de coentros e bivalves é talvez menos ajustada ao tempo que faz lá fora mas traz tudo o que me apetece comer: um peixe de pele crocante, sobre a textura de comida de conforto do Xerém e os coentros frescos, na companhia de suculentas amêijoas. Feliz da vida, estou capaz de passar a sobremesa. Ou talvez não.

Topo Belém, Lisboa