29.11.07

Muffins de Ervas com Recheio



English version

A motivação partiu de uns restos de perú com cogumelos e nozes. Eu sabia que queria rechear qualquer coisa, só não sabia bem o quê... No monte de caderninhos e papéis que se acumula na minha estante da cozinha, anda há décadas esta receita de muffins de ervas da brilhante Clotilde do Chocolate & Zucchini. Não foi tarde nem cedo.



Muffins de Ervas Frescas
Adaptado da receita de Fresh Herbs Muffins do Chocolate & Zucchini

(4 muffins grandes)

3 ovos
125 grs iogurte natural
3 colheres sopa pesto
3 colheres sopa parmesão ralado
150 grs farinha trigo
1 pacotinho de fermento (11 grs)
sal e pimenta q.b
1 colher sopa salsa picada
3 colheres sopa coentros picados
1 colher sopa sementes de sésamo
Margarina para untar as formas e pão ralado para polvilhar

Mistura-se a farinha peneirada, o fermento, o parmesão e as ervas (finamente picadas). À parte, batem-se os ovos com o iogurte e o pesto. Incorpora-se rapidamente no preparado anterior, sem bater muito. Deita-se a massa em forminhas e polvilha-se com sementes de sésamo e leva-se ao forno a 180 ºC durante 20-25 minutos. (Coloquei ainda umas tirinhas de peito de frango fumado - restos e mais restos!)

Recheio
Piquei o perú, os cogumelos e as nozes (aproveitei igualmente os restos de molho), levei ao lume numa frigideira, acrescentei uma colherzinha de farinha peneirada e leite.

Abri os muffins ao meio (depois de deixar esfriar ligeiramente) e coloquei duas colheres de recheio em cada um. Servi com tomates cherry no forno, cebola vermelha e salada verde. Utilizei os sucos e o azeite dos tomates para temperar a dita salada.

27.11.07

Filetes de Solha Recheados com Bacon



A mistura de peixe e carne é sempre perigosa e de vez em quando a coisa sai mal. Não foi (felizmente!) o caso e os sabores funcionaram bem em conjunto.

3 filetes de solha (ou pescada)
2 dentes de alho picados
1 limão
2 colheres sopa azeite
200 grs espinafres
50 grs bacon aos cubinhos
200 ml molho bechamel
2 colheres sopa pão ralado
sal e pimenta q.b

Temperam-se os filetes com 1 alho picado, raspa e sumo do limão e deixam-se a marinar durante 1 hora. Salteiam-se os cubos de bacon com o azeite e o alho numa frigideira e adicionam-se os espinafres. Tempera-se de sal e pimenta. Junta-se o molho bechamel e deixa-se levantar fervura. Prendem-se as duas pontas de cada filete com um palito e colocam-se num prato de ir ao forno com a abertura virada para cima. Com uma colher de sobremesa introduz-se o recheio, empurrando até encher cada filete. Cobre-se com o restante recheio e polvilha-se com o pão ralado. Vai ao forno a gratinar. Serve-se com arroz basmati.

26.11.07

Sonho de uma Tarte de Verão



Sim, eu compreendo o erro de casting. Estamos no final de Novembro e está frio. Mas também está sol e isto da luz mexe comigo. E eu gosto de sobremesas coloridas e gosto de tartes e bolos com frutas. Uns queridos amigos convidaram-nos para jantar e eu tinha de encontrar uma sobremesa para levar. Lembrei-me desta receita da Donna Hay, de um dos livros mais bonitos que tenho. The New Cook é um mimo do princípio ao fim - o meu é uma versão em castelhano, sabe Deus e o Provador porquê... A receita original da Donna Hay é feita com pêssegos e frutos vermelhos e natas em vez de creme de queijo fresco. Seja como for, ficou linda de morrer e estava muito boa. É uma tarte pouco doce que fica bem com gelado. É, afinal de contas, uma sobremesa de Verão. Mas o Verão é quando a gente quiser, verdade? ;)



Tarte de Frutos Vermelhos e Maçãs Verdes

1 maçã Granny Smith
1 chávena de framboesas e mirtilos
4 ovos
75 grs açucar
2 chávenas de creme de queijo fresco
1/2 colher extracto de baunilha
3 colheres de sopa de farinha de trigo

Bater os ovos, o açucar, o extracto de baunilha e o queijo até a mistura estar espumosa. Incorporar a farinha peneirada, uma colher de cada vez, até ficar uma mistura suave (dá para perceber que isto sou eu em tradução livre do castelhano?).
Colocar 2/3 da massa numa tarteira (ou prato fundo) previamente untada e polvilhada de açucar. Levar ao forno (160º) durante 5 minutos ou até apresentar uma consistência sólida. Retirar do forno, dispor a maçã fatiada e os frutos vermelhos, deitar a restante massa por cima das frutas e levar de novo ao forno por mais 15-20 min.

Malas Voadoras

Há pouca coisa que me faça despachar a mala quando viajo. Em tempos idos, quando os aviões comerciais eram apenas meios de transporte e não potenciais armas de destruição massiva, vi a minha mala descer do porão - foram 3 metros a pique até aterrar no carrinho da bagagem. A visão foi profiláctica. Deixei de despachar bagagem e tornei-me uma experienciada fazedora de malas de cabine: o procedimento tem requintes de precisão científica, tudo tem o seu sítio e nada de vagamente supérfluo tem lugar na minha malinha vermelha. O problema é à volta... e é regra geral nos supermercados que me desgraço.



Este molho de cranberry (juntamente com o chutney de cebola caramelizada) foi um dos últimos frutos do desejo, responsáveis pela espera no tapete das bagagens. Ficou delicioso com broa, espinafres vermelhos e peito de frango fumado.

25.11.07

Moussaka de Soja com Queijo da Ilha



Esta moussaka foi feita a partir da Moussaka Vegetariana da Pipoka.

2 beringelas grandes
150 grs soja (granulado)
150 grs de cogumelos
1 lata de tomate pelado
1 cebola picada
2 dentes de alho
125 ml vinho branco
1 colher de sobremesa de orégãos
2 colheres sopa azeite
2 colheres sopa polpa de tomate
1 iogurte natural
250 ml leite
2 ovos
1 colher de chá de colorau
2 colheres de sopa de pão ralado
2 colheres de sopa de queijo da Ilha ralado

Hidrata-se a soja em água quente durante 15 min. Escorre-se bem (a minha não o foi suficientemente... hélas!). Aloura-se a cebola e os alhos no azeite e junta-se o tomate e o vinho. Deixa-se apurar e tempera-se o molho de tomate, adicionando os oregãos. Junta-se a soja e fica a cozinhar por 5 min. Grelham-se as beringelas fatiadas, com um pouco de sal. Fatiam-se os cogumelos e deixam-se ferver para retirar o excesso de água. Em camadas, colocam-se os diferentes ingredientes já cozinhados. Termina-se com o molho feito com o iogurte, o leite, os ovos e o colorau (usei um 'shaker') e finalmente polvilha-se com o pão ralado e o queijo da Ilha. Leva-se ao forno até estar gratinado.

23.11.07

Chá & Bolinho

O Provador ofereceu-me um livrinho Le Cordon Bleu intitulado 'Brunch' - investimentos, como o próprio gosta de referir. Mas a matéria não obtém consenso. Acabamos inevitavelmente por discutir o horário a que as ditas receitas podem ter lugar: se entre o 'breakfast' e o 'lunch' ou entre o 'lunch' e o 'dinner'...Como foi feito e comido a meio da tarde, este é - portanto - um bolo de 'linner' ou (como lhe chamei) de fim de tarde.



A receita é inspirada num Pain aux noix et aux cerises do referido livro.

2 ovos inteiros
3 colheres sopa mel (ou 2 de melaço)
125 grs açucar amarelo
250 ml leite
1/2 colher café canela
1/2 colher café gengibre em pó
125 grs farinha trigo + 125 grs farinha integral
1 colher chá fermento
60 grs avelãs
60 grs cerejas em calda partidas
cerejas e avelãs para enfeitar
50 ml óleo (usei de amendoim)

Num tacho, levar ao lume o leite, o mel e o açucar até derreter. Deixar arrefecer e adicionar os ovos ligeiramente batidos. Numa tigela, misturar as farinhas, o fermento, a canela e o gengibre, as avelãs e as cerejas partidas. Envolver as duas misturas e acrescentar o óleo. Utilizar uma forma de bolo inglês. Levar a forno a 180º durante 10 min. Dispor as cerejas e as avelãs interiras e deixar cozer mais 35 min ou até o palito sair seco. Polvilhar com açucar em pó.

22.11.07

E um Risotto de Lentilhas?

O Rei da Quinzena na Colher de Tacho é a lentilha. E eu que queria tanto participar. Deixei para a última e quase fora do prazo, aqui está a minha receita com lentilhas vermelhas.




Risotto de Lentilhas ao Caril de Cogumelos e Manga
Cozinhado a partir da receita de risotto do Jamie Oliver, mas sem ter nada a ver.

75 grs lentilhas vermelhas
100 grs arroz arbóreo
200 grs mistura de cogumelos (shiitake, pleurotos, paris)
1 l caldo de legumes (usei 1 cubo de caldo biológico maravilhoso, dica da Pipoka - merci!)
2 chalotas
2 dentes alho
2 colheres azeite
1 copo de vinho branco (de boa qualidade)
1/4 chávena parmesão
1 colher café pasta de caril vermelho (fica 5 estrelas com a pasta balti massala da Marizé - merci bcp!)
1 colher manteiga
coentros
parmesão para servir
1 manga

Alourar as chalotas e os alhos picados com o azeite durante 2 min. Juntar os cogumelos também picados e deixar cozinhar por mais 2 min com a pasta de caril. Adicionar o arroz e mexer até apresentar um aparência translúcida. Acrescentar as lentilhas (em crú) e mexer. Refrescar com o vinho, deixar evaporar e começar a deitar o caldo, uma concha de cada vez, mexendo. Deve demorar cerca de 15 min até estar cozinhado. Terminar com o parmesão e manteiga na última concha de caldo. Tapar e deixar por 2 min. Servir de imediato.

Servi com coentros picados e parmesão e acompanhei com manga porque achei que tinha ficado um pouco picante - a combinação resultou perfeita, na tal onda de contrastes doce/picante, quente/frio muito agradável.

21.11.07

Cogumelos Recheados



Estes cogumelos são normalmente servidos como entrada, podem ser recheados com o que estiver à mão e são muito fáceis de fazer. Neste caso, o recheio tem broa de milho, presunto e manjericão, terminando com uma fatia de mozzarella fresca. Acompanhei com couves cozidas (picadas muito finamente e passadas num fio de azeite e alho picado). O Provador aprovou e não repetiu porque não havia mais!

20.11.07

Sericá



English version

O meu pai diria que o melhor de Lisboa é a estrada para Évora. Já eu - na incapacidade total de escolher apenas uma - digo que das muitas coisas boas que o Alentejo tem, o Sericá é definitivamente uma. Exemplar perfeito da parcimónia característica da gastronomia alentejana, este é um doce feito a partir de muito pouco: ovos, açucar, leite e canela, misturados segundo preceitos seculares resultando num surprendente e inclassificável... bolo? O Sericá (ou Sericaia) serve-se com ameixas de Elvas em calda.

Aqui me confesso, cometi dois "sacrilégios" na confecção do meu: a) não tinha casca de limão e usei uma vagem de baunilha e b) na impossibilidade de encontrar ameixas em calda servi com esta calda de melão e laranja. Usei ainda soja em vez de leite (a minha adorada sogra tem intolerância à lactose) e a consistência ficou ligeiramente diferente.

250 grs açucar (usei 200 grs porque a soja que usei tinha bastante açucar)
125 ml água
400 ml leite (usei soja)
1 colher sopa (bem cheia) farinha trigo
pau de canela
casca de limão (não tinha, usei uma vagem de baunilha aberta ao meio, sementes separadas)
6 ovos (separados)
canela (muita!)

Leva-se o açucar com a água ao lume durante 15 min. até atingir um ponto fraco. Mistura-se parte do leite com a farinha, junta-se ao restante leite (usei um passador de rede), ao pau de canela e à baunilha e leva-se a engrossar um pouco em lume fraco (atenção aos grumos - mexer SEMPRE!). Adiciona-se a calda de açucar.
Separam-se os ovos. Fora do lume, misturam-se as gemas com o restante preparado (eu ponho umas colheradas na taça das gemas e só depois misturo tudo, para evitar que as gemas talhem). Leva-se de novo ao lume para engrossar de novo e apaga-se. Batem-se as claras em castelo, retira-se o pau de canela e a baunilha e envolve-se tudo cuidadosamente.
Num prato de barro (tem de ser de barro ou não resulta!) pouco fundo, deita-se a massa e polvilha-se generosamente com canela em pó. Vai ao forno a 180 ºC durante 40 min. O Sericá vai crescer e depois baixar bastante. Deve abrir e ficar com umas rachas a meio.

19.11.07

Estudo em verde ou a razão de um esparregado



A minha cozinha vê-se ocasionalmente inundada por vagas vegetais vindas do nada. A última de que tenho memória foi em tons de terra e ocre: batatas, abóboras, cebolas, batata doce... As sequelas ainda são evidentes no carrinho dos vegetais: uma rechonchuda abóbora olha para mim todos os dias e eu sem conseguir deixar de a imaginar com nozes...

Mas esta vaga que chegou ontem apresenta uma onda de verdes que se arrisca a ser histórica: ele são nabiças e mais nabiças, couves e brócolos, coentros e salsa e umas adoráveis chalotinhas (eu sei que não são verdes mas dão um jeitaço!). Como em tudo, e à falta de melhor, o sítio mais indicado para começar costuma ser o princípio e as nabiças são a prioridade. Daí um esparregado.

Cozem-se as nabiças com sal. Escorrem-se, passam-se por água fria e picam-se finamente. Aloura-se um dente de alho picadinho numa colher de azeite. Juntam-se as nabiças e deixa-se reduzir o excesso de água. Peneira-se uma colher de farinha de trigo por cima e vai-se juntando leite até atingir a consistência desejada. Tempera-se com sal e pimenta. No meu caso, esqueci o vinagre e acrescentei pinhões torrados. Estive ainda tentada pelo parmesão. Ponho, não ponho. Desta vez contive-me.

18.11.07

Muffins de Atum



Há uns tempos que andava de olho neste bolo de atum e azeitonas da Valentina. Na semana passada, a Anette fez bolo de atum com caril e passas e eu decidi-me. Como de costume, fiz tudo a partir do que havia à mão e saiu assim:



(5 unidades)

150 grs farinha de trigo + 50 grs farinha milho
1 colher chá fermento
1 colher sopa manteiga
4 folhas de manjericão fresco
200 grs atum em azeite
3 ovos
3 colheres sopa leite
2 colheres sopa azeite (usei o do atum)
1 colher sopa parmesão ralado
1 colher sopa requeijão
8 tomates cherry
sementes de sésamo

Misturam-se as farinhas peneiradas, o fermento, o parmesão e o manjericão (finamente picado) com a manteiga à temperatura ambiente ou ligeiramente derretida. À parte, batem-se os ovos com o leite e incorpora-se rapidamente no preparado anterior. Junta-se o azeite, o requeijão e o atum desfeito. Deita-se a massa em forminhas e distribuem-se os tomates partidos ao meio. Polvilha-se com sementes de sésamo e leva-se ao forno.

E porque as blogueiras têm assim uma espécie de telepatia, a Fer no seu Chucrute com Salsicha também fez bolinhos de atum!

16.11.07

Cupcakes de Framboesa



Para 12 pequenos cupcakes:
60 g manteiga sem sal
1 ovo
110 g açúcar
1 colher de chá de fermento
1 pitada de sal
110 g farinha
85 grs iogurte natural
75 grs framboesas

Bate-se o ovo com o açúcar até a mistura ficar esbranquiçada, junta-se a manteiga derretida, a farinha, o fermento e o sal (peneirados) e por último o iogurte. Reservam-se 12 framboesas e envolvem-se as restantes na massa sem bater muito.
Coloca-se a massa às colheradas nas forminhas e põe-se uma framboesa em cada. Vai ao forno cerca de 20 minutos.

Servi alguns (poucos!) com xarope de framboesa e outros com icing sugar.

Gratinado de couve-flor e brócolos

O Provador não estima couve-flor: ah porque-é-o-sabor, ah afinal-é-só-o-cheiro, ah não-gosto-e-pronto. Em desespero de causa (e às voltas com meia couve-flor em vias de se estragar) saiu uma mistura de florões de brócolos e de couve-flor, gratinados no forno. O Provador lambeu os beiços e repetiu!



Meia dúzia de florões de couve-flor e brócolos, cozidos durante 4 ou 5 min. Numa tigela mistura-se 4 colheres de sopa de creme de queijo fresco, 1 ovo, 100 ml de nata ligeira (é o que diz na embalagem...), uma pitada de noz moscada e de pimenta. Colocam-se os legumes num prato de ir ao forno, regam-se com o creme e polvilha-se tudo com queijo gruyère. Vai ao forno durante 10 minutos ou até ficar gratinado.
Acrescentei ainda uns cubinhos de peito de perú fumado (mas pode não levar mais nada sobretudo se se quiser servir como acompanhamento).

15.11.07

Massa sem nome

Cappelletti sem recheio? Isso é coisa que não existe, ragazza! E lá fiquei sem nome para a bendita da massa, que é gostosa, bonitinha e retém o molho (que era afinal tudo o que eu queria).



Massada de Corvina e Camarão

2 cebolas pequenas picadas
2 colheres sopa azeite
1 alho francês picado (parte branca)
2 dentes de alho picados
100 ml de vinho branco
1/2 lata de tomate
1\2 colher de chá de açafrão
1 rabo grande de corvina
6 camarões
2 colheres de sopa de polpa de tomate
500 ml de caldo de peixe e marisco, previamente cozidos com sal e cebola
2 colheres de sopa de coentros picados
sal e pimenta q.b

Refoga-se ligeiramente o azeite, a cebola e o alho durante 2 ou 3 minutos; junta-se o alho francês e deixa-se cozinhar mais 5 min. Tempera-se com sal, pimenta, o açafrão e metade do vinho branco; Acrescenta-se a polpa de tomate e o tomate, adiciona-se o caldo de peixe e deixa-se ferver mais um pouco.
Retira-se do lume, deixa-se arrefecer e reduz-se tudo no liquidificador (não fazer como eu que usei a varinha mágica por preguiça e acabei com uns drippings lindos nos azulejos da cozinha...)
Coze-se a massa escolhida conforme as indicações da mesma (a minha era de vegetais), juntam-se os peixes e os camarões, refresca-se com o restante vinho branco, adicionam-se os coentros e serve-se de imediato.

14.11.07

Abóbora e avelãs às flores



Folhados de abóbora e queijo coroados de avelãs

Assei a abóbora com sal, louro e azeite no forno durante 30 minutos, coberta com alumínio. Fiz bastante (que usei também numa sopa), para os folhados utilizei umas 200grs batida em puré (não esquecer retirar o louro!!) com um punhado de coentros.

Por unidade:

massa folhada
1 colher sopa creme abóbora e coentros
1 colher sopa queijo fresco em creme (usei light)
1 colher sobremesa queijo da ilha
avelãs lascadas
+
1 colher chá queijo
1 colher chá abóbora
avelãs
para o topping.


A foto que se segue foi no dia seguinte. A luz da manhã na minha cozinha estava linda e eu não resisti.

13.11.07

Almoço de Atum



Bife de atum grelhado, temperado depois de cozinhado com sal e pimenta. Arroz selvagem cozido em água com sal e 2 gotinhas de azeite. Salada dos saquinhos milagrosos. O molho é a única coisa a registar.

Molho escuro

2 colheres de chá de dark brown sugar
2 colheres sobremesa molho de soja (escuro)
1 colher sobremesa sumo de lima
2 colheres de chá de azeite (de boa qualidade)

12.11.07

Sim às sopas!



Adoro sopas. Gosto delas coloridas e sem grandes produções. Esta é mais para o monocromático e surgiu porque um molho de agriões ameaçava estragar-se: gostei especialmente do crocante dos agriões meio crús em contraste com o puré.

Sopa de Agrião

3 batatas
1 nabo
3 cenouras
1 cebola
3 dentes de alho
1 molho de agriões (metade em puré, metade folhas inteiras)
azeite

Cobrem-se todos os vegetais com água e levam-se a ferver durante 15 minutos, com um pouco de sal. No final da cozedura, acrescenta-se um pouco de azeite e deixa-se ferver mais 2 minutos. Bate-se a sopa, juntam-se os restantes agriões, rectifica-se o sal e deixa-se levantar fervura. Retira-se do lume, põe-se um fio de azeite para servir e já está!

10.11.07

Slow Jam Sessions

Todos os Outonos, a empreitada repetia-se: marmelos e mais marmelos para descascar, com as cascas e as sementes para a geleia e as fatias, fininhas, para a marmelada. Se esta fase do processo estava vedada a mãos pequeninas e pouco lestas no manejo de facas, as longas horas a mexer o tacho calhavam a todos e a concentração era necessária ou começava tudo a salpicar. A marmelada da minha infância era beige clarinha, orgulhosa cor de um processo moroso onde panelas de pressão e varinhas mágicas não tinham direito a entrar. Os odores da tarte de marmelo levaram-me de volta a estes dias de azáfama e mesmo se raramente provo os doces que faço, este valeu em memória olfactiva o equivalente a várias fatias!



Tarte de Marmelo

2 marmelos grandes
1 colher sopa bem cheia de manteiga (ou margarina)
2 colheres sopa açucar mascavado granulado
1 colher sopa sumo de limão
50 ml vinho do Porto
1 chávena de brown sugar escuro
2 ovos
canela e noz moscada
1 e 1/2 chávena de farinha
1 colher chá fermento
200 ml natas (usei soja)

Barra-se uma forma (abundantemente) com a manteiga ou margarina, salpica-se com o açucar mascavado e colocam-se os marmelos às fatias, de modo a cobrir todo o fundo da forma. Rega-se com sumo de limão e vinho do Porto. Prepara-se a massa, misturando o brown sugar, a farinha, fermento e as especiarias. Separadamente, batem-se os ovos com as natas e incorporam-se as duas misturas sem bater demasiado. Vai ao forno (180 ºC) por 30 minutos. Fica muito bem servida com gelado de baunilha ou crème fraîche.

Costumo fazer esta tarte com manga ou pêssego e não necessita do vinho do Porto. Como o marmelo é mais seco, acrescentei este ingrediente.


Vai uma?

9.11.07

Comida começada por 'c'

Couscous e cogumelos. Couscous com cenoura, cogumelos com cebola e coentros. Cool! Porque a coisa se podia tornar boring, juntaram-se brócolos e bacon. E imaginem estava... bom! Com 'b'. O couscous também tinha tomate, o que não me convém nada para o texto. Devo contudo, em minha defesa, referir que os tomates eram claro... Cherry!



A receita de couscous foi pedida emprestada do Cardápio da Rainha, nas Rainhas do Lar, sem as alcaparras e as passas. Os brócolos são cozidos só com sal e o bacon, às tirinhas, passou pela frigideira dos cogumelos depois destes retirados. Os cogumelos são receita do meu pai - a minha versão tem menos chalota, menos alho, menos louro, menos coentros, menos... Em contrapartida, gosto cada vez mais dele!

Cogumelos estufados

2 colheres de sopa de azeite
2 chalotas
1 dente de alho
300 grs cogumelos grescos (mistura de vários tipos fica melhor)
1,5 dl vinho branco (verde no meu caso)
1 mão cheia de coentros picados
sal e pimenta moída na altura
1 pitadinha de tomilho
1 folha de louro

Alouram-se a chalota e o alho no azeite durante 3 minutos, juntam-se os cogumelos às fatias e deixa-se reduzir a água. Tempera-se com o tomilho e o louro, acrescenta-se o vinho e deixa-se apurar. Retira-se do lume e tempera-se de sal e pimenta a gosto.

8.11.07

Beringelas Gratinadas



As beringelas são vegetais muito bonitos com a sua cor vibrante e a sua forma bojudinha, mas confesso que não me entusiasmavam por aí além. Descobri recentemente que ganham muito em textura e sabor quando são grelhadas! A receita original é do Jamie Oliver e este prato tornou-se um clássico cá em casa, acompanhado com arroz basmati.

2 beringelas médias
1 lata (400 grs) de tomate
1 cebola
3 colheres de azeite
2/3 folhas de manjericão
vinagre (usei de maçã)
70 grs parmesão
2 tostas integrais, em migalhas, regadas com azeite e oregãos secos
sal e pimenta q.b.

Grelham-se as beringelas (em fatias) - usei uma frigideira anti-aderente - de ambos os lados. Aloura-se a cebola picada em 2 colheres de azeite, a que se junta o tomate. Deixa-se apurar até ficar um molho grosso (que pode ser reduzido a puré, eu não me dei ao trabalho), retira-se do lume, junta-se o manjericão picado, o vinagre e tempera-se de sal e pimenta (esqueci-me, mas não se notou!!). Num prato de forno, colocam-se as beringelas e o molho de tomate, começando pelo molho e intercalando com parmesão e terminando com as tostas regadas de azeite e oregãos. Vai ao forno durante 20 minutos ou até estar douradinho.

A minha admiração pelo Jamie não é segredo. O senhor é talento em estado puro! Uma fadinha segredou-me ao ouvido que ele tinha uma coluna nova na Easy Living e eu fui a correr comprar. A coluna é simpática, a revista tem uma boa secção de 'Food' e cumpre os parâmetros de qualidade e bom gosto que os britânicos normalmente apresentam nas publicações. Para além disso traz uma receita de Old-fashioned apple and blackberry pie que fiquei a namorar... More to come!

7.11.07

Melão, melão e mais melão...




O melão que guardei para o Natal teve a indecência de se começar a estragar, o que me deixou a braços com 2 Kg de melão aos cubos. Resultou numa Calda de Melão e Laranja com Amêndoas que deu em entrada com rúcula, queijo de cabra e vinagre balsâmico. Não ficou mal e alguém vai receber uns frasquinhos para o Natal!

Calda de Melão e Laranja com Amêndoas

2 Kg melão aos cubos
750 grs açucar amarelo
(fica a macerar de um dia para o outro num recipiente não metálico)

Raspa e sumo de 1 laranja grande e raspa e sumo de 1 limão pequeno
2 paus de canela
2 cravinhos

Vai ao lume e deve ferver durante 30 minutos. Deixa-se arrefecer ligeiramente e juntam-se 100 grs de amêndoas laminadas. Deita-se em frascos esterilizados.

6.11.07

Pasta!



Cotovelos com Feijão Verde, Cogumelos e Fiambre de Frango

Coze-se a massa (conforme os tempos referenciados pelo fabricante) em bastante água com sal e umas gotinhas de azeite. Junta-se o feijão verde cortado finamente. Num tacho deitam-se duas colheres de azeite em que se alouram o fiambre e os cogumelos. Com a massa 'al dente', escorre-se uma parte da água da cozedura e adiciona-se ao fiambre ainda ao lume (a água é importante para ligar os diversos elementos) com uma mão cheia de queijo da Ilha. Mexe-se ligeiramente, rectifica-se o tempero de sal e pimenta e termina-se com coentros picados.

5.11.07

Tartes

Numa viagem a Nancy sem a minha cara-metade comi uma deliciosa Tartelette à la tomate, au basilic et à la mozzarella parfumé avec Moutarde de Dijon. De volta a casa, entre suspiros pela tarte vieram promessas de viagens a França para partilhar a dita, respondidas de imediato, não com uma entusiasmada e imediata programação da viagem, mas com o desafio de preparar a tarte para o almoço seguinte... Moço pragmático!
Como não sou mulher de me ficar, meti mãos à obra. A parte do 'parfumé' intrigou-me deveras, mas resolvi a coisa barrando a mostarda na massa pré-cozida e quente e à falta de manjericão fresco usei aquela mistura de ervas em óleo de girassol para dar gosto às fatias de tomate e uns salpicos de manjericão seco mesmo no final.



Massa Folhada, cozida antes de cheia (eu usei da refrigerada já estendida, mas com a congelada fica ainda melhor)
2 colheres de chá de Mostarda de Dijon
3 tomates de cacho às fatias (retirar o excesso de líquido para não amolecer a massa)
sal e pimenta q.b.
manjericão fresco ou em óleo + manjericão seco
1 mozzarella às fatias
2 ovos
50 ml leite

A receita está pronta em 20 minutos e tornou-se um 'must' em jantares não programados. A chatice é que nunca mais voltei a Nancy.

3.11.07

Muffins de Mirtilos



Ou Queques de Blueberries. A ver se me explico: os 'muffins' são queques e os mirtilos são aquelas bagas de um roxo azulado a que os anglosaxónicos chamam 'blueberries'. No fim da receita, o resultado é o mesmo, a esquizofrenia linguística só existe mesmo no meu cérebro e não apresenta qualquer tendência de melhorar: apenas duas mensagens, três línguas (português, francês, inglês) à mistura. Começa no nome do blog com os gourmets, seguem-se os muffins... Isto não augura nada de bom.

175 grs açucar (1 cháv.)
300 grs farinha (2 cháv.)
2 colheres chá fermento
1/2 colher chá sal
1/2 colher chá canela
75 grs amêndoa lascada (1/2 cháv.)
2 ovos grandes
150 ml leite (1 chav.)
100 grs margarina (1/2 cháv.)
75grs mirtilos (frescos ou congelados)

Misturam-se os ingredientes secos numa tigela e os restantes separadamente, à excepção dos mirtilos. Juntam-se as duas misturas e um terço dos mirtilos. Deita-se a massa em forminhas (cerca de 8) e distribuem-se os restantes mirtilos. Vai a forno médio durante 20-25 minutos. Desenformam-se e polvilham-se com açucar em pó.

Podem substituir-se as amêndoas por nozes ou avelãs e os mirtilos por outros frutos vermelhos ou maçã.

É uma receita eclética no que toca aos seus fans...

1.11.07

Grafias & outras acepções

Substantivo masculino, do francês: GOURMET "Celui qui sait goûter et apprécier les vins; connaisseur en vin"; "Celui qui apprécie la qualité, le raffinement d'une table, d'un mets particulier."* Mas que é feito da palavra em Português? Não existe realmente, no entanto democratizou-se e todos a usam como se de Português se tratasse. É que dizer-se que se é apreciador de vinhos ou de boa mesa não tem metade da graça, já para não falar do que se perde em síntese por número de letras utilizadas... Gourmets, portanto.

Adjectivo e substantivo masculino: AMADOR "amante; namorado; apreciador; cultor curioso de qualquer arte; ..."** apaixonado, fanático, verdadeiro entusiasta ou apena principiante. Amadores, pois.

Gourmets Amadores. Sim.

E venha a mesa! Já a parte do vinho... Há-de arranjar-se por aí um Gourmet, desses amadores que amam o vinho, capaz de dar uma dica ou outra a quem, como eu, bebe pouco e percebe menos.


*Dictionnaire de l'Académie française

** Priberam http://www.priberam.pt