19.6.08

Para onde vou?



O tempo (esse tirano!) tem-me impedido de vir até aqui e sobretudo de visitar as vossas cozinhas. Fico a dever-vos uma visita e um prato de Favas com Chouriço... Se as previsões baterem certas devo voltar ao normal a partir de Julho, até lá tenham paciência comigo. ;)

Eu destesto fazer e desfazer as malas mas adoro partir e voltar... É uma espécie de equilíbrio cósmico na razão das coisas. O senhor Henry Miller costumava dizer que o nosso destino [de viagem] não é um local, mas uma nova forma de ver as coisas. Vou em trabalho para um país onde nunca estive antes, algures na Europa. Estou desejosa de conhecer os meus colegas e ansiosa com os resultados da visita. Mas estou morta por conhecer uma nova cidade, e claro experimentar novas comidas!

Como vão sentir imenso a minha falta (vão, não vão?), resolvi deixar-vos um enigma... Eu dou 5 pistas sobre o país para onde vou e voçês adivinham. (As senhoras que já sabem para onde vou fazem o obséquio de não estragar a brincadeira, pode ser?)

Ok? Muito bem.

O país para onde vou:

1. Faz fronteira terrestre com 4 outros países;
2. Utiliza o alfabeto Latino na sua língua oficial;
3. Tem uma cozinha nacional com forte influência Austro-Húngara;
4. Oferece pães em forma de trança com diversos recheios (como carne ou vegetais) como uma das comidas mais tradicionais;
5. Tem uma pequena nesga de costa no Adriático.

A pista extra é que a selecção não se qualificou par o Euro 2008. Ajuda? ;-) Portugal joga hoje com a Alemanha... ai, ai! Força Portugal!

Para onde vou?

Estou de partida para Paris para um week-end, e depois sigo para o país mistério na próxima semana. Conto tudo quando voltar lá para o outro fim de semana... na svidenje !

9.6.08

Gougères e um jogo de futebol

Gougères

Uma ressalva prévia para quem espera mais uma manifestação de euforia colectiva como as muitas que têm surgido nos últimos dias depois da vitória de Portugal frente à Turquia: este não é um post sobre futebol. Eu não sou uma fervorosa adepta do maior desporto do mundo e o Euro 2008 não é o centro das minhas atenções nos dias que correm. Mas é quase impossível não embarcar na insanidade nacional que se instalou! Não querer saber do Euro é como tentar não festejar o Natal: ou uma pessoa se cansa a explicar 347 vezes que não quer saber ou se associa e pronto, problema resolvido. Se os comboios não andam, se o Porto de Lisboa pára, se o meu sogro mete férias e até os meus amigos non-futebol-a-holics me perguntam onde vou ver o jogo da selecção, o que é que eu que posso fazer??

Pois faço aquilo que sei fazer. Faço gougères, que os nervos do jogo pedem algo que se mastigue. Depois dos profiteroles, andava ansiosamente à espera de uma oportunidade para experimentar esta variação de massa choux. Usei a receita de uma revista francesa que a minha amiga Pipoka me deu a conhecer, a Saveurs. E dei por mim a roer as unhas e arrancar os cabelos de cada vez que a bola foi ao poste e a gritar os golos como se percebesse alguma coisa do quatro-quatro-dois ou da subida dos médio-ala... O que hei-de eu fazer se a única ligação entre comida e futebol que me ocorre é a (pouco correcta) expressão de 'até os comemos'... aos gougères, claro!

Gougéres de Cheddar
Adaptado de Saveurs, n.160 Avril/Mai 2008

½ chávena (120 ml) água
½ chávena (120 ml) leite
80 grs manteiga sem sal
¾ chávena + 1 colher sopa (120 grs) farinha
4 ovos
½ chávena Cheddar, ralado + ½ chávena para polvilhar

Pré-aquecer o forno a 180ºC. Colocar a água, o leite e a manteiga num tacho em lume forte até ferver. Adicionar a farinha (peneirada) e mexer com uma colher de pau. Levar a lume fraco, mexendo sempre, até a mistura despegar dos lados do tacho. Retira-se do lume e coloca-se numa tigela. Junta-se o queijo Cheddar. Bate-se com a batedeira eléctrica (com as varas para massa), adicionando gradualmente os ovos (um a um) até a massa estar homogénea. Deita-se a massa em pequenos montinhos, com bastante espaço entre si, num tabuleiro com papel vegetal. Polvilham-se com o restante queijo. Cozem-se durante 25 minutos ou até estarem inchados e dourados. Deixam-se no forno por 3 minutos, com a porta entreaberta. Arrefecem sobre uma grelha metálica.

Gougères

4.6.08

Quinoa, cálcio e osteoporose

Quinoa Muffins

A minha sogra sofre de osteoporose. Nada de novo considerando a sua idade (cinquenta e alguns anos) e o facto de, como muitos adultos, apresentar uma intolerância à lactose desde há uns anos para cá. Habituei-me a cozinhar tudo e mais alguma coisa sem nenhum ingrediente "proibido" e a adicionar outros ingredientes ricos em cálcio sempre que possível. Apenas muito recentemente descobri que a quinoa era um desses alimentos miraculosos capazes de fornecer grandes teores de cálcio. Adoro quinoa pela sua versatilidade, fantástica em doces ou salgados e sob todas as formas, no forno, ao natural ou combinada com mil e uma coisas. Quando a Susan do Food Blogga lançou uma sensibilização contra a osteoporose chamada (de forma muita feliz) Beautiful Bones, lembrei-me de uma receita da Fer que andava para fazer.

Muffins de Quinoa com Atum
Adaptado da querida Fer do Chucrute com Salsicha

6 unidades

1 lata atum em azeite (melhor qualidade possível), escorrido
1 1/2 chávena quinoa, cozida
1/2 chávena leite
1 chávena farinha, peneirada
2 ovos grandes
2 colheres sopa azeite
1 colher chá fermento em pó
1 colher chá raspa limão
1/4 chávena coentros, picados
1/4 chávena cebolinho, picado
Sal e pimenta

Aquece-se o forno a 180ºC. Combinam-se os ingredientes secos numa tigel, misturando a farinha, o fermento em pó com a raspa de limão. Noutra tigela, esmaga-se o atum e mistura-se com o azeite e as ervas. Batem-se os ovos com uma pitada de sal, adiciona-se o leite e a quinoa. Tempera-se a gosto. Combinam-se as duas misturas rapidamente e sem mexer demasiado. Coloca-se a massa numa forma de silicone para muffins (usei a forma dos brioche). Leva-se ao forno por 25 minutos ou quando se insere um palito e este sai limpo. Serve-se de imediato, com salada ou sopa de brócolos.

Quinoa Muffins