25.9.08

Um affair em amarelo e vermelho

Cupcakes

O que é que é fofo, colorido, açucarado e verdadeiramente Americano? O cupcake, pois claro! Quando estes bolos tradicionais atravessaram o Atlântico e puseram o pé na Europa, um 'bolo de fadas'* tinha chegado. Não morro de amores por corantes artificiais e essa é a minha única questão em relação aos cupcakes. A minha versão deste clássico Americano faz-se num leve toque de vermelho a coroar picos de amarelo brilhante. É apenas amêndoa, pêra, açafrão e limão sobre branco - o que eu dava para ter caixinhas vermelhas!

*Literalmente um 'bolo de fadas' chamado de 'fairy cake' entre os britânicos, mas não aceite como tradução directa de cupcake... o ainda mal amado por terras de Sua Majestade.

Cupcakes

Cupcakes de Pêra e Açafrão com Lemon Curd

Faz 16 mini (ou 8 normais)

1 perâ pequena, madura mas firme
100grs manteiga com sal
100grs açucar superfino
2 ovos médios
½ colher chá extracto baunilha
100 grs amêndoas raladas
40 grs farinha, peneirada
½ colher chá açafrão (ou mais, a gosto)
1 colher chá raspa limão

Aqueça o forno a 180ºC. Bata a manteiga com o açucar até obter uma massa leve. Adicione os ovos gradualmente. Junte o extracto de baunilha e a raspa de limão. Envolva as amêndoas e a farinha, mexendo apenas o necessário (não trabalhe demasiado a massa). Coloque 16 caixinhas de papel dentro das formas ou tabuleiros. Encha cada uma até um pouco mais de metade. Descasque a pêra e fatie. Coloque 2 ou 3 pedaços em cada cupcake. Leve ao forno por 15-18 minutos ou até estarem dourados. Retire do forno.

Lemon Curd

Lemon Curd
Adaptado de Alice Waters, The Art of Simple Food

½ chávena sumo limão
raspa de 1 limão
2 ovos
3 gemas
2 colheres sopa leite
1/3 chávena açucar
¼ colher chá sal (omita se utilizar manteiga com sal)
6 colheres sopa manteiga, cortada em pedaços

Bata todos os ingredientes até estes ligarem, excepto o sumo e raspa de limão e a manteiga. Acrescente em seguida o sumo e raspa de limão e adicione a manteiga.

Leve a lume médio num tacho pequeno anti-aderente, mexendo continuamente até a mistura ficar a cobrir as costas da colher. (Não deixe ferver ou os ovos podem talhar) Depois de engrossar, coloque numa tigela ou em frascos e deixe arrefecer. Tape e refrigere. Faz cerca de 2 chávenas.

Finalizar os cupcakes: coloque uma colherada de lemon curd no topo de cada um e polvilhe com filamentos de açafrão.

Estes Cupcakes de Pêra e Açafrão com Lemon Curd vão para a Fanny do delicioso blog Foodbeam, para fazer parte desta Sugar High Friday. SHF é um evento criado pela Jennifer, aka the Domestic Goddess.

18.9.08

Queques ou muffins?

Choco Muffins

Queque é uma palavra que não consigo incluir no meu dicionário. Irritante como só eu sei, digo sempre muffin e fico em paz comigo e em guerra com os puristas da 'língua mãe'. Antes assim. Mas porque será que a palavra queque me atrofia o cérebro? Os espanhóis e os latino-americanos usam-na correntemente e quando leio 'queque de limón' a coisa soa-me correcta, mas se eu disser 'queques de chocolate' só me lembro da Dancake, que nem é portuguesa... E esta associação, para além de me atrofiar o cérebro, baralha-me o estômago.

Queques, muffins ou bolos, deixo a receita que se faz em 12 minutos e pode ser complementada com pepitas de chocolate branco, uma cobertura de fruta ou servidos com natas ou gelado.

Choco Muffins

Muffins de Chocolate
Ligeiramente adaptado de Donna Hay, Cozinha Rápida - para saborear devagar, p.78

Faz 9 (ou 15 mini)

150grs manteiga amolecida (sem sal)
1 chávena açucar refinado (usei açucar amarelo)
3/4 chávena cacau
2 ovos (grandes)
1 chávena de farinha com fermento

Pré-aqueça o forno a 180ºC. Numa taça, misture a manteiga com o açucar e bata até obter uma massa de consistência leve e fofa. Adicione os ovos, um a um, batendo novamente. Peneire a farinha e o cacau. Envolva na massa, sem bater muito. Com uma colher encha as formas (de silicone) até 2/3 da capacidade. Leve ao forno por 10-12 minutos, ou até estarem cozidos mas ainda húmidos no interior. Retire do forno e desenforme.

16.9.08

Minestrone

Minestrone

Talvez se lembrem de um certo minestrone na minha visita à Eslovénia que fez dessa refeição uma das mais memoráveis dos últimos tempos. Andei a salivar só de pensar no bendito minestrone feito com cevada, feijão frade e ervilhas secas, que a senhora do restaurante fez o favor de me enumerar. Talvez o meu minestrone não saiba ao mesmo por lhe faltar as montanhas ou talvez eu tenha imaginado que ela me falou em louro e afinal fosse outra coisa qualquer... De qualquer forma e porque o Outono caminha de pézinhos de lã para esta parte do globo, eu e o Provador comemos e repetimos!

Minestrone

2 cenouras médias, às rodelas
1 cebola média, picada
1 courgete pequena, ralada grosseiramente
1 nabo pequeno, ralado
2 colher de sopa de azeite
1 folha de louro
1,5-2l caldo de vegetais (ou de frango)
1 chávena feijão frade cozido
1/2 chávena ervilhas secas, demolhadas e cozidas
1-2 chávenas cevada cozida
Sal e pimenta
Parmesão ralado, para servir (opcional)

Corte as cenouras e rale o nabo e a courgete. Pique cebola, aloure no azeite por 2 minutos e junte os vegetais. Deixe refogar por 10 minutos. Junte o louro e o caldo. Tempere e cozinhe por mais 5 minutos. Junte a cevada, as ervilhas e o feijão. Deixe apurar ligeiramente. Rectifique os temperos, se necessário. Sirva com parmesão ralado.

Slovenia

11.9.08

Far... and away

far1

Uma vez por outra, o bom do meu marido agarra um livro de culinária das prateleiras da cozinha (ou do chão...) e escolhe uma receita. Podias fazer isto. É sempre uma receita que eu provavelmente não escolheria ou simplesmente um prato de carne que nunca fazem parte das minhas prioridades. Desta vez, O Provador pôs o dedo num Far aux pêches et à la menthe de um dos meus muitos livros franceses da Marabout. Muitas vezes referido como Far Breton, o far é um bolo/pudim, entre um flan e um clafoutis, e é óptimo servido como complemento de pequeno-almoço ou como sobremesa ligeira. Com a cozinha povoada de frutas de verão, a escolha revelou-se mais que perfeita! Nectarinas, menta (um presente da minha amiga Marizé) e algumas amêndoas lascadas... Mesdames et messieurs, voilá!

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Far de Nectarinas com Amêndoas
Ligeiramente adaptado de Isabel Brancq-Lepage, Flans, fars et clafoutis, Marabout.

Para 6-8

2 chávenas (500ml) leite
3 ovos
3/4 chávena (100grs) farinha, peneirada
1/2 chávena (125grs) açucar superfino + 2 colheres sopa, para polvilhar
4 nectarinas maduras, mas firmes
4 folhas menta
1 colher sopa manteiga
2 colheres sopa amêndoa lascada

Aqueça o forno a 180ºC. Unte com manteiga um prato fundo de ir ao forno (ou 6 a 8 ramequins individuais) e polvilhe com açucar.

Descasque as nectarinas, remova o caroço e corte em fatias finas. Distribua pelo prato previamente preparado e junte as folhas de menta, separadas.

Bata os ovos numa tigela pequena. Peneire a farinha e o açucar juntamente numa tigela. Lentamente, adicione o leite e os ovos à mistura, batendo até a massa estar homogénea. Deite a massa sobre a fruta. Distribua as amêndoas em cima. Coza por 40-45 minutos ou até estar dourado e estaladiço no rebordo. (Não coza demasiado. O far deve ser húmido no interior, com uma textura semelhante a um flan) Polvilhe com açucar. Sirva morno, do prato.

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10.9.08

Figos Amigos

fig tart

Figos. Montes de figos. Os figos roxos têm de ser as frutas mais sensuais à superfície da Terra! E seja porque a cor é extraordinária ou simplesmente pelo seu sabor único... seja por uma ou outra (ou ambas), adoro figos. Nada de novo sob o sol, esta não é a primeira vez que falo da minha perdição por estas pequenas doces e sumarentas maravilhas, que rebentam na boca numa explosão de sabor e textura! Este verão foi particularmente pródigo em figos, gordinhos e verdes ou roxos e compactos. Prefiro os últimos aos primeiros. As minhas férias no Algarve foram, como de costume, cheias de figos: fiz compota de figo, uma tarte e figos alourados com iogurte grego. O Céu na Terra!

Os figos foram figura de proa numa semana a eles dedicada por uma certa pequena Clumbsy Cookie que embarcou numa fig fun! ;) Em caso de dúvidas sobre o que fazer a cestos infinitos de figos fica um apanhado de belas receitas (em inglês).

fig tart

Tarte de Figos

Para 4 (ou 2 muito gulosos)

6-8 figos roxos frescos
2 colheres sopa açucar, mais extra para polvilhar
1 colher chá raspa de limão
1 ovo
2 colheres sopa leite
danish pastry* (ou massa folhada)
mel (opcional)

Numa superfície ligeiramente enfarinhada, estenda a massa Danish num rectângulo de 20 x 20cm, até esta estar fina, com cerca de 1/2 cm de espessura. Coloque a massa num tabuleiro previamente preparado. Corte os figos em fatias longitudinais. Arrange os figos sobre a massa, deixando 2 cms de massa a toda a volta. Dobre para dentro, criando um rebordo de massa de cerca de 1 cm. Bata o ovo com o açucar, a raspa de limão e o leite. Deite sobre a fruta, cuidadosamente para não mover os figos. Polvilhe a fruta e a massa com açucar extra. Coza por 40-45 minutos a 200ºC. Remova do forno e tranfira para uma grelha metálica. Regue com mel e sirva morno.

* a massa Danish é uma massa de brioche ligeiramente folhada. A Mariana traduziu a receita, pode ser encontrada no Caos na Cozinha aqui.

figs

Figos Alourados com Iogurte Grego


Para 2

2 colheres sopa mel
6 figos roxos maduros
1 colher sopa manteiga
1 colher sopa açucar
200 grs iogurte grego

Corte os figos ao meio e salpique com açucar o lado cortado. Derreta a manteiga numa pequena frigideira e aloure os figos por um minuto, com o lado cortado para baixo. Combine o iogurte com o mel, mexendo bem. Divida os figos por duas tigelas. Deite uma colherada generosa de iogurte sobre os figos e sirva.

4.9.08

Cozinho, logo existo

Egg Salad

Penso, logo existo. O conhecido filósofo francês René Descartes no seu famoso "Discurso do Método" criou aquela que viria a ser uma das frases mais interessantes da existência da humanidade, apenas possível graças à sempre desconcertante curiosidade humana. Pensar existe intrinsecamente à mente, no sentido em que todos os seres humanos pensam(?), estabelecendo sem margem para dúvida a sua existência. Onde raios quero chegar? Um minuto da vossa existência - perdão, da vossa paciência - e eu chego lá. ;)

Rocket Salad

Mais recentemente, o neurologista português António Damásio contrapôs a ideia "Sinto, logo existo" no fantástico livro "O Sentimento de Si". Questões complexas como Quem sou eu? De onde venho? E o que hei-de almoçar hoje? surgem permanentemente. Questões que podem nunca vir a ter uma resposta! António Damásio acredita que as nossas emoções são a chave da consciência. Eu também. O que não prova nada para além da minha admiração e respeito pelo senhor. A minha intenção com toda esta conversa é que eu preciso de cozinhar. Não é uma missão ou uma tarefa. É simplesmente a minha forma de me sentir viva. E talvez isso explique a minha necessidade de cozinhar mesmo quando estou longe da minha cozinha, em férias ou de viagem, aqui ou nos antípodas. Em qualquer parte. Não se esperam receitas complexas, mas refeições simples e fáceis de preparar acompanham-me sempre e este verão não foi excepção. Saladas, sandwiches ou bruschettas. Tudo para me manter feliz. Cozinhar não pode ser separado do meu ser, logo existo!

Prosciutto Bruschetta

Bruschetta de Tomate e Manjericão com Presunto

Para 2

2 fatias pão, grelhado de ambos os lados
1 dente alho, pelado
azeite virgem extra de boa qualidade
vinagre balsâmico
4-6 tomates Cherry maduros, cortados ao meio
4 folhas manjericão, picadas grosseiramente
2 fatias finas de presunto
sal e pimenta a gosto

Colocam-se os tomates numa tigela e adiciona-se o manjericão. Tempera-se com sal e pimenta e rega-se com azeite e umas gotas de vinagre balsâmico. Mexe-se. Corta-se o dente de alho ao meio e esfrega-se no pão (que deve estar quente para melhor assimilar o sabor). Salpica-se com azeite. Coloca-se cada fatia num prato, deita-se uma colherada de tomate, empurrando ligeiramente para que o líquido seja absorvido pelo pão. Termina-se com o presunto em cima. Serve-se quente.