24.11.09

A propósito de uns cupcakes de banana sem cobertura

Banana cupcakes & no frosting

De quando em vez tenho um ataque de nostalgia. [Regra geral a coisa dá para a lamechice, o que é sempre uma péssima notícia.] Começa por razões inexplicáveis como um dia de Outono cheio de sol ou um livro retirado da estante de passagem e as memórias de bons momentos passados e mesas de café, meias de leite, formas para bolos e marmelada. Uma ideia puxa a outra. É muito bom ter amigos. Diz-se por aí que eles são o principal ingrediente na receita da vida... [Eu avisei que ia acabar nisto. E antes que piore vamos ao que interessa.] Fiz uns cupcakes de banana sem cobertura a pensar na minha amiga Pipoka, que me ofereceu o livro de presente de aniversário e na querida Carlota, responsável última pela delicadeza única destas formas de papel estampado. :)

Cupcakes de banana [sem cobertura]
Adaptado de Tarek Malouf, The Hummingbrid Bakery Cookbook

12-16 cupcakes

120 gr farinha
140 gr açucar
1 colher sopa fermento em pó
1 colher chá canela
1 colher chá gengibre moído
pitada de sal
80 gr manteiga sem sal, à temperatura ambiente
120 ml leite gordo
2 ovos grandes
120 gr banana, esmagada (1 banana média)

Pré-aqueça o forno a 170°C. Peneire a farinha, o fermento em pó e as especiarias para uma tigela grande. Bata com a manteiga até obter uma mistura homogénea. Vá batendo à medida que acrescenta o leite devagar. Adicione os ovos e bata bem. Envolva a banana esmagada. Deite a massa nas formas de papel e leve ao forno 20 minutos ou até os bolinhos estarem dourados.

A receita leva uma cobertura de chocolate que não fiz.

Presentes da Carlota

20.11.09

[4 por 6] Pasta, pasta!

Não é que seja costume eu fazer bifes da vazia e nacos de peixe a toda a hora, mas há alturas em que da minha cozinha tendem a sair pratos vegetarianos uns atrás dos outros... O Provador, coitado, resigna-se à ditadura de quem armado de colher de pau e poucos desejos de proteína animal, comanda as panelas. Só que desta vez a ausência da carne não foi notada - este prato de massa merece o papel de solista por mérito próprio. É delicioso. Por isso, a sugestão deste 4 por 6 é novamente vegetariana. Para me redimir completamente, fiz também uma sobremesa (porque a gestão das compensações dá sempre resultado). ;)

Courgette Pasta with Spinach Balls

Massa com molho de curgete e almôndegas de espinafres
Adaptado de Antonio Carluccio, Simple Cooking (via delicious. magazine, Outubro 2009)

4 pessoas

400 gr massa fresca, rigatoni ou penne

para o molho:
2 dentes alho, picados finamente
120ml azeite (usei cerca de metade)
1 malagueta fresca, sem sementes, picada
2 curgetes médias, raladas
60g parmesão (ou grana padano), ralado

para as almôndegas:
500g espinafres
pitada noz moscada
1 dente alho (pequeno), picado finamente
2 ovos médios (ou 1 grande)
100g miolo pão, em migalhas (usar pão do dia anterior)
50g parmesão, ralado
(pão ralado para moldar)
(óleo e) azeite para fritar

Courgette Pasta with Spinach Balls

Para as almôndegas de espinafres, coza os espinafres em água com sal por 2 minutos. Escorra o máximo de água possível e pique. Misture com os restantes ingredientes numa tigela. Tempere com sal e pimenta. Se a mistura estiver demasiado mole, acrescente 1 colher sopa de pão ralado. Molde em bolas do tamanho de nozes. Cubra com azeite e/ou óleo vegetal o fundo de uma caçarola larga. Frite as almôndegas (4-5 minutos de cada lado) até estarem douradas. Escorra o excesso de gordura em papel de cozinha. Reserve num prato aquecido.

Coza a massa em bastante água com sal, conforme as indicações da embalagem. Reserve parte da água da cozedura.

Coloque o alho, azeite e malagueta num tacho grande e deixe alourar 1 minuto. Junte as curgetes e cozinhe por 3-4 minutos. Retire do lume. Adicione a massa escorrida, o parmesão ralado e parte da água da cozedura que reservou. Envolva e sirva de imediato com as almôndegas quentes. Se desejar polvilhe com extra parmesão ralado.

Coconut Pudding

Pudim de Coco

A receita base deste pudim é a mesma medida de ovos, leite e açucar. Os sabores extra podem ser adicionados garantindo a consistência da mistura. As quantidades indicadas a seguir servem 4 gulosos.

5 ovos (250ml)
160g açucar (um pouco menos de 250 ml)
250ml leite
2 colheres sopa coco ralado
1 colher sopa licor coco (tipo Malibú) ou 1/2 chá extracto (opcional)

caramelo (num tacho alto coloque a mesma quantidade de água e açúcar, deixe ferver e quando atingir o ponto de caramelo - ou seja, quando atingir uma cor acastanhada - retire do lume.)

Bata os ovos ligeiramente e misture os restantes ingredientes. Deite numa forma de pudim (com tampa) forrada com caramelo e leve ao forno a 180ºC cerca de 30 minutos em banho-maria ou cozana panela de pressão (cerca de 10 minutos).

Dica de poupança: Use a panela de pressão para cozer alimentos que demoram muito tempo numa panela convencional. É o caso das leguminosas e também deste pudim. A cozedura é mais rápida sob pressão, os alimentos são cozidos a uma temperatura mais elevada, cozinham mais rápido e consequentemente consome-se menos energia.

Factura:
pão (1.29€/un.) - 0.15€
espinafres (1.89€/Kg) - 0.95€
massa fresca (0.79€/400grs) - 0.79€
queijo parmesão (€ 4,50€/250grs) - 1.80€
curgetes (1.20€/Kg) - 0.30
azeite (2.99€/garrafa) - 0.60€
óleo (1.21€/L) - 0.10€ (considerei óleo de girassol)

ovos (1,64/12 un.) - 0.96€
coco (0.49/200grs) - 0.05€
açucar (0.94/Kg) - 0.08€
leite (0.54€/L) - 0.14€

total - 5.92€

Os preços de referência dos ingredientes são do continente. Não foram considerados valores para o alho e malagueta, nem para o licor. Os valores são, como sempre, apenas indicativos.

17.11.09

O que se leva desta vida

Octopus with Sweet Potato

O que se leva desta vida é um título roubado (leia-se: gentilmente pedido emprestado) à peça em cena no São Luiz. A história? Dizem os autores que é sobre a arte e a ciência da cozinha, sobre a insatisfação permanente e o espírito inventivo de dois cozinheiros que acabam por descobrir que um prato conta sempre a história de quem o cozinhou. É sobretudo uma poderosa metáfora sobre diferentes visões do mundo e como aquilo em que acreditamos forma o modo como nos relacionamos com o que nos rodeia. A acção desenrola-se numa cozinha, mas podia passar-se numa sala de aula, no Parlamento ou à mesa de um café. Trata-se, para os chefs Gonçalo Waddington e Tiago Rodrigues, da criação de um prato e todo o stress que 'rola' na cozinha de um restaurante em plena laboração. É o conflito de dois olhares, duas cozinhas, dois mundos. São os valores de cada um, as distintas perspectivas sobre a vida que os faz defender os seus pontos de vista desavindos e que, afinal de contas, não são obrigatoriamente inconciliáveis.

Fiz há dias este prato. Polvo com batata-doce. Combinação inusitada? Talvez. Mas tão saboroso. Descobri a receita no Cinco Quartos de Laranja, depois de saber que o chef Bertílio Gomes assina um prato de polvo e batata-doce na Casa da Comida. Fomos todos ao teatro na semana passada. Eu gosto mais do que vi a cada dia que passa. A Laranjinha conta o olhar dela sobre a peça aqui.

Octopus with Sweet Potato

Polvo no forno com batata-doce
Adaptação de meia receita, o original no Cinco Quartos de Laranja

Para 3-4 pessoas

750 gr polvo, cabeça e tentáculos separados
750 gr batata-doce, às rodelas (usei com casca, bem lavadas)
1 cebola média
1-2 dentes alho
300 gr tomates
1 folha louro
100 ml vinho branco
50 ml azeite
salsa picada
1/2 colher chá colorau
sal e pimenta preta moída na altura

Coloque o polvo num tabuleiro de ir ao forno e tempere com sal e pimenta. Junte as batatas-doces, a cebola, os alhos e o tomate picados, a folha de louro, colorau, vinho branco e o azeite. Polvilhe com salsa picada e leve a assar em forno a 170ºC durante cerca de 45 minutos a uma hora. Sirva de imediato.

11.11.09

Flores de caranguejo e lima para um aniversário

Flores caranguejo e lima

Na sua sabedoria desprovida de "mel" e directa ao assunto, os dinamarqueses costumam dizer que o caminho que leva à casa de um amigo nunca é longo. Sobretudo quando o convite para cozinhar é feito em tão simpáticos termos e a ocasião se propicia. Não sou de flores e bombons quando os amigos me convidam para a sua casa, mas hoje abro uma excepção e trago flores à Moira. São de comer e não me contive: pelo caminho comi duas ou três... Sorte que a minha casa é já ali ou não restaria nenhuma para a festa. Feliz aniversário ao Tertúlia de Sabores!

Flores caranguejo e lima

Quiches de caranguejo e lima
Adaptado ligeiramente de O livro essencial dos aperitivos, KÖNEMANN.

12 mini quiches (ou uma grande)

2 ovos pequenos ou 1 grande
150 ml leite coco
1 colher chá sumo lima
casca de 1 lima, finamente ralada (pode usar-se limão)
120 grs carne caranguejo, escorrida (usei de conserva)
1 colher sopa salsa, picada
12 círculos massa refrigerada para empadas*
pitada colorau (opcional)

Pré-aqueça o forno a 200°C. Forre com a massa um tabuleiro de empadas (ou muffins), previamente untado. Bata os ovos ligeiramente e junte os restantes ingredientes. Tempere com sal e pimenta preta moída na altura. Encha as formas até 2/3 da sua capacidade. Polvilhe com colorau. Leve ao forno por 20-25 minutos até a massa estar dourada. Sirva quente.

* A massa pode facilmente ser feita em casa com o uso de um processador. Coloque 150 grs de farinha, 75 grs de manteiga fria em pedaços, 1 colher chá de açucar, uma pitada de sal no processador e pulse para misturar os ingredientes. Adicione 30 ml água e pulse simultaneamente até formar uma bola. Retire a massa da tigela do processador e numa superfície enfarinhada amasse duas ou três vezes. Forme um círculo, cubra com película e refrigere 30 minutos. Estenda e corte à medida (cerca de 8 cm diâmetro). O excedente da massa pode ser congelado para uso posterior ou mantido no frigorífico por 2 dias.

6.11.09

4 por 6 - Uma refeição com aromas africanos

Grilled aubergine with chickpea purée and Harissa

Os picantes e as inspirações nas chamadas cozinhas étnicas não são propriamente o forte das minhas experimentações culinárias. Como o 4 por 6 tem sido um desafio no que toca à conta, resolvi aproveitar a oportunidade e aventurar-me por terrenos por onde normalmente não passo. Hoje fica um cheirinho à costa norte do continente africano pelo uso da Harissa e um piscar de olho a terras do médio oriente com um puré de grão e a beringela grelhada e uma taçã de sementes de romã e pistácios.

Beringelas grelhadas com puré de grão e Harissa*
Adaptado ligeiramente de Nigel Slater, Real Fast Food
Receita original aqui

600 grs grão, cozido
raminho tomilho fresco + 1 colher sopa folhinhas
3 batatas pequenas (cerca de 350 grs)
4 dentes alho, picados
sal
2 beringelas médias (cerca de 400 grs)
125 ml azeite (ou mais, se necessário)
50 grs manteiga
3 colheres sopa iogurte natural
harissa, a gosto
1 limão, cortado em 4 gomos longitudinais

*Harissa é um condimento picante característico da cozinha norte-africana, sobretudo da marroquina e tunisina. Pode ser encontrada em molho ou pasta e é feita de malagueta e pimento vermelho, contendo muitas vezes cominhos, coentros e alho. Comprei a minha no Jumbo, mas creio que pode ser encontrada na secção de produtos internacionais dos grandes supermercados.

Aubergines & Harissa

Coloque o grão numa caçarola e cubra com caldo de vegetais ou água. Junte o raminho de tomilho e deixe levantar fervura. Adicione as batatas às fatias e 3 dentes de alho cortados ao meio. Tempere com sal e ferva 15 minutos. Entretanto, corte as beringelas em rodelas de cerca de 1 cm de espessura. Pique o dente de alho que resta e misture com as folhinhas de tomilho e o azeite. Pincele as fatias de beringela e grelhe 7-8 minutos de cada lado, pincelando novamente se necessário. Vire uma vez. Para o puré de grão, remova o tomilho, escorra o grão e reduza a puré, com um esmagador manual. Acrescente a manteiga e o iogurte. Corrija o tempero. Coloque 6 fatias de beringela num prato de servir aquecido e coloque uma colherada de puré em cada. Pincele as restantes fatias com um pouco de harissa e coloque a sobrepor as outras, formando sanduíches, três por cada pessoa. Sirva com puré. Acompanhe com limão (para temperar à medida que se come) e uma salada de alface.

Para a sobremesa, romã e pistácios. Para torrar pistácios, coloque-os numa frigideira anti-aderente (suficientemente grande para estes formarem apenas uma camada) sobre lume médio. Deixe tostar, agitando a frigideira frequentemente, até os frutos secos começarem a ficar dourados, cerca de 5 minutos. Deixe arrefecer ligeiramente antes de usar. Pique os pistácios e junte as sementes de romã.

Pomegranate Yoghurt with Toasted Pistachios

Dica de poupança: A carne e o peixe são dos alimentos mais caros que compramos e que mais consumimos em excesso, isto é, em quantidades superiores às nossas necessidades. Tente reduzir e/ou alternar o consumo de proteína animal com a confecção de refeições vegetarianas, que podem ser igualmente nutritivas e muito mais baratas.

Factura:
beringelas (1.39 €/Kg) - 0.56€
batatas (0.53 €/Kg) - 0.19€
grão cozido (0.91 €/Kg) - 0.55€
iogurte (1.29€/4 un.) - 0.32€
manteiga (1,24€/250 grs) 0.25€
azeite (2.99€/garrafa) - 0.60€
romãs (2.99€/Kg) - 1.50€
pistácios (2.99€/250 grs) - 0.60€

total - 4.57€

Os preços de referência são do continente. Não foram considerados valores para o tomilho, alho, harissa e do sal e da pimenta. Os valores são, como sempre, indicativos.

1.11.09

E vão 2!

bolodeclarascomrecheio

As datas são o que delas fazemos. Registamos o dia e é esse o nosso predicado. Não tenho grande queda para aniversários. Fazem-me questionar o óbvio, como acontecia quando eu andava nos colégios de inspiração religiosa que marcaram a minha infância e onde os dogmas me faziam levantar o braço e fazer perguntas desconcertantes. [Sorte a minha que sempre tive interlocutores ponderados e respeitadores da vontade alheia de quem tem 7 ou 8 anos...] Porque hei-de celebrar o dia de hoje e não o de ontem ou de amanhã? Não mudei. Esqueço-me das datas dos aniversários dos amigos, troco os dias ou os meses, atraso-me. Hoje este blogue faz dois anos. Não me lembro de ter celebrado o primeiro... Passou-me. Porquê hoje então?

Sou de novo a menina de farda azul escura, pespineta e de mão no ar que responde: E porque não hoje? Um dia como outros, bom o suficiente para um reconhecimento de tudo o que ganhei em sorrisos, experiências, amizade, conhecimento, dias bem passados, gargalhadas e melhores pratos. Levantem o garfo. O bolo está na mesa. ;)

Birthday cake

Bolo de claras
Adaptado da receita original da minha amiga Marizé no Tachos de Ensaio

250g farinha
200g açúcar
70g açúcar baunilhado
150g manteiga, à temperatura ambiente (usei margarina, mas aconselho manteiga)
400ml leite (usei de soja)
½ colher (chá) sal
1 colher (sopa) fermento em pó
5 claras (cerca 150g)

Use três tigelas. Numa média, peneire a farinha com o fermento e reserve.
Bata as claras em castelo firme com o sal e reserve.
Numa tigela grande, bata a manteiga com os açúcares. Misture alternadamente o leite e a farinha peneirada e continue a bater até obter uma massa homogénea. Envolva as claras cuidadosamente, sem bater. Deite a massa numa forma bem untada e forrada com papel vegetal.
Pré-aqueça o forno a 180º e coza o bolo durante 45-50 minutos.
Deixe arrefecer ligeiramente antes de retirar da forma.

Xarope:
1 chávena açúcar
250 ml água
¼ chávena ginginha

Leve ao lume a água e o açucar até a calda atingir um ponto fraco. Retire do lume e junte a ginginha. Deixe arrefecer.

Creme para rechear:
200 ml natas
200 ml leite
150 grs açúcar
2 gemas
2 ovos
1 vagem baunilha, aberta ao meio e as sementes raspadas

Coloque o leite, as natas e a vagem de baunilha (as sementes inclusivé) numa caçarola e leve ao lume até levantar fervura. Retire do lume e reserve. Numa tigela, bata os ovos, as gemas e o açucar até obter uma mistura fofa e esbranquiçada. Retire a vagem de baunilha da mistura de leite e natas e envolva a dos ovos. Leve ao lume para engrossar, mexendo sempre com uma vara de arames. Se criar grumos, passe por um passador de rede antes de usar.

Compota de frutos vermelhos:
1 chávena mistura amoras, framboesas, groselhas frescas (ou congeladas)
2 colheres sopa açucar
1 colher sopa sumo limão

Leve ao lume todos os ingredientes numa caçarola. Deixe ferver 2 minutos. Reserve até arrefecer.

Montagem do bolo:
Corte o bolo ao meio com uma faca de serrilha apenas quando este estiver completamente frio. Regue com o xarope. Espalhe o creme com uma espátula, deixando cerca de 1 cm a toda a volta. Deite a compota de frutos por cima do creme de forma igualitária (mas sem usar qualquer utensílio para tal). Coloque a outra metade do bolo sobre a primeira e a camada de recheio. Polvilhe com açucar em pó e sirva com groselhas frescas.

Este bolo deve ser consumido no dia da montagem ou no seguinte. Guarde no frigorífico.