Aprender mais sobre um ingrediente ou uma técnica nova é sempre emocionante. É como descobrir novos territórios e encontrar caminhos que nem sabíamos existir. As escolas são lugares de partilha de conhecimento onde tudo pode acontecer. Sempre que entro na
Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa levo a expectativa de novas experiências e antecipo cada momento. Foi também assim no
workshop da
Président sobre queijos franceses com o
chef Jean-Charles Karmann.
A França é conhecida pela sua diversidade de queijos - frescos, de pasta mole, pasta mais dura ou com bolores - provenientes de diferentes regiões onde o
terroir de cada uma contribui para queijos de tipologia única. A todos corresponde uma tradição gastronómica que se cruza com a mesa, com o pão e o vinho, e se atravessa em muitos pratos do receituário gaulês. Para Jean-Charles Karmann o queijo parece não ter segredos, nos seus livros a temática é recorrente e o número de receitas extensa. Enquanto o
chef vai cozinhando várias receitas, com o
brie e o
camembert ai ao lado, e explicando os ingredientes e os procedimentos, é na campânula arrumada sobre a bancada que o meu olhar se prende.
Há muito que a minha curiosidade sobre os fumados não pára de crescer. Quando chega a hora de começar a receita com queijo de cabra, avelãs e beterraba é tempo de falar sobre esta técnica, que não sendo nova, tem recentemente tido atenção renovada por parte de muitos
chefs. E embora em casa não tenhamos os utensílios específicos, como a campânula e o cachimbo, é possível encontrar substitutos dentro dos armários de uma cozinha normal.
A exposição de alimentos ao fumo foi tradicionalmente utilizada como forma de preservação, como meio para conservar carne, peixe ou outros produtos. Mas a acção do fumo acrescenta um sabor característico que traz uma nova dimensão à comida e que pode ser utilizado como se de tempero se tratasse. Na receita apresentada pelo
chef Jean-Charles Karmann, o prato já cozinhado é colocado dentro de um recipiente onde fica a ganhar sabor e levado para a mesa onde é apresentado tirando a tampa. A teatralidade de todo o processo é parte integrante da experiência e atiça ainda mais a minha vontade de explorar a técnica.
O queijo de cabra com a beterraba e o óleo de avelã é uma combinação que funciona muito bem com o fumado a unir ainda melhor os sabores. Foi o meu prato preferido da tarde, replicado entretanto sem grandes dificulades mesmo sem campanula e cachimbo. Perfeito para impressionar os convidados e muito fácil.
Bon appétit!