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11.12.19

{ Ingrediente Secreto } Salada de Alcachofras de Jerusalém e Maçã

Salada de Alcachofras de Jerusalém e Maçã

Acelera-se a vida, um dia a seguir ao outro, até que se vê espreitar o final do ano. Dezembro chega sempre de surpresa e vai-se como se nunca fosse suficiente. Se há corrida que já se espera mas nunca se abrevia é a da azáfama das festas. Entre jantares, almoços, só um café ou apenas o abraço, sofre a rotina de todos os dias que se vê mudada ou esquecida até que o ano novo se apresente.

Do mercado que se faz de Inverno e de cores mais esbatidas, trazemos um saquinho de alcachofras de Jerusalém. Também lhe chamam topinambo, consoante a herança seja anglo-saxónicas ou francófona. São pequenas formas tubulares com protuberâncias que trazem sempre terra e que sabem a nozes.

Salada de Alcachofras de Jerusalém e Maçã
Salada de Alcachofras de Jerusalém e Maçã

A salada de hoje usa as alcachofras de Jerusalém em crú e combina com o doce da maçã e os sabores fortes das nozes. Os rebentos de rúcula são mais para agradar aos olhos que ao palato mas a sua presença oferece o ligeiro amargor que faltava. O mais difícil é não deixar o cérebro em roda livre quando a mandolina faz o seu papel e resistir ao impulso de roubar mais uma noz.

Servida ao almoço na companhia (boa) de uma tarte de cogumelos restaura a esperança que os dias do mês hão-de ser capazes de albergar todos os afazeres já planeados. Bom apetite!

Salada de Alcachofras de Jerusalém e Maçã

14.8.18

Salada de Verão (meloa, chouriço e requeijão de cabra)

Salada de meloa, choriço e requeijão de cabra

A nossa mesa espelha sempre o momento, seja fazendo uso dos ingredientes da estação, seja pela escolha de receitas que vão ao encontro do espírito presente. Com as férias no horizonte e o mar à nossa espera queremos pratos fáceis e coloridos, plenos de sabor e capazes de nos alimentar até à próxima refeição ou que possam ser partilhados com amigos, à boleia de um copo de vinho e muita conversa perdida, num piquenique ou em almoços despreocupados.

Dos pequenos/grandes prazeres da vida, comer com companhia e uma vista privilegiada talvez seja dos menos valorizados. O retorno, contudo, vale cada segundo em que o olhar se prende nos pormenores das flores de lavanda que mexem com o vento ao fundo do canteiro, da borboleta que esvoaça do lado esquerdo e da água que não mexe junto à janela. Pudesse eu deixar de pensar na combinação de texturas, cores e sabores do prato à minha frente e tudo seria ainda mais idílico.

Salada de meloa, choriço e requeijão de cabra
Salada de meloa, choriço e requeijão de cabra

Porque Verão pede saladas e a fruta este ano tem sido excelente, não há razão para não fazer da meloa ingrediente principal do almoço. Desta feita a cor que predomina é o laranja, graças à variedade cantaloupe mas a receita resulta igualmente com outra meloa. Do tomate cereja vêm os tons de amarelo, vermelho e castanho e há ainda a cebola roxa e o pepino marinado e umas folhas de manjericão. O segredo da receita está na combinação entre as rodelas fitinhas de chouriço e o sabor único do requeijão de cabra, num equilíbrio entre o doce e o ácido que é perfeito!

Esta Salada de Verão pode servir como entrada para um jantar mais formal mas a sua verdadeira natureza cumpre-se numa saladeira grande onde cada um se serve, com uma fatia de bom pão e uma fatia extra de requeijão de cabra. Almoçamos?

Salada de meloa, choriço e requeijão de cabra

22.2.18

Salada morna de batata-doce, tofu e kale (com molho chimichurri vermelho)

Salada quente de batata-doce e tofu (com molho chimichurri vermelho)

Luz sem fim e dias que começam a parecer Primavera. A última semana em Lisboa trouxe boas energias em forma de céu azul e flores a despontar. Promessa de uma estação mais esperançosa, as árvores mudam o seu perfil despido por um mais composto e nos canteiros surgem mil cores sob a forma de pétalas, maiores e mais pequenas. Da vontade de mudar também a cara do prato, abre-se a época das saladas mornas.

Gostar de provar novos ingredientes, receitas desconhecidas ou combinações pouco prováveis é sinónimo de curiosidade sem fim. A minha nunca se gasta e estou sempre pronta a explorar mundos nunca antes desbravados. E se cozinhar é ritual de todos os dias, sabendo o que leva o prato que nos chega à mesa, também não há qualquer problema em abrir a despensa e usar produtos já preparados desde que a qualidade seja boa. A última prova muito bem sucedida foi o molho chimichurri vermelho da Casa do Vale.

Salada quente de batata-doce e tofu (com molho chimichurri vermelho)
Salada quente de batata-doce e tofu (com molho chimichurri vermelho)

O molho chimichurri tem a sua história na América Latina com duas versões, verde e vermelha, sendo um acompanhamento comum das carnes grelhadas na Argentina e no Uruguai. Feito de salsa, orégãos, vinagre de vinho tinto e alho, a sua versão vermelha tem a adição de pimentos vermelhos assados ou tomate. Na versão maravilhosamente colorida da Casa do Vale há também o sabor único da pimenta rosa, que lhe dá igualmente textura.

O pretexto para um almoço vegetariano a dois veio das páginas de um livro bonito. Mighty Salads é a colectânea perfeita para os amantes de saladas e vai, claro, muito além das opções clássicas. Na receita escolhida (e muito alterada) é o tofu que oferece a proteína mas o papel principal pertence à batata-doce e à couve kale, com o arroz selvagem encarregue da textura. O segredo está no molho, que une todos os componentes, quando os misturamos no prato!

Salada quente de batata-doce e tofu (com molho chimichurri vermelho)

25.5.17

Quiche de brócolos e beterraba (com salada de cenoura e avelãs)

Quiche de brócolos e beterraba (com salada de cenoura e avelãs)

O que comer por estes dias? Abro o frigorífico, consulto as minhas notas mentais e recebo sugestões do comensal mais esfomeado cá de casa. Tivesse o universo feito de mim uma cozinheira organizada e nunca acabaria a sopa. Valha-me que tenho quem nunca se esquece das compras e assim temos sempre salada e queijo, fruta e café. E eu podia viver só de sopas e saladas, pão e queijo e o ocasional pedaço de mau caminho.

Esta é comida para gente sem tempo. Sobretudo quando já se vê o Verão ao longe e se sente na pele o sol mais intenso. Faz-se uma tarte que há-de salvar um par de jantares durante a semana e ajudar a restaurar a sanidade mental de mais um mês de Maio, que tem sido tudo (e mais) que prometeu.

Quiche de brócolos e beterraba (com salada de cenoura e avelãs)

Da salada de hoje, que os franceses conhecem de cor e faz parte da minha infância, faço acompanhamento para a última das minhas obsessões. Tartes e quiches, galettes e outras que tal, com ou sem massa, de recheio variado. Ainda entre estações com os últimos brócolos a receberem as sempre alegres beterrabas, para uma combinação temperada com queijo da ilha. Sem grande dificuldade, rale-se a cenoura e regue-se com sumo de limão. A adição das avelãs ganha em textura e traz sabor. É a minha nova salada favorita e adivinha-se visita frequente nas próximas semanas.

são servidos?

Quiche de brócolos e beterraba (com salada de cenoura e avelãs) Quiche de brócolos e beterraba (com salada de cenoura e avelãs)

29.6.16

Quinoa de espargos para uma tarde de Verão

espargos

Depois de tanto suspirar pelo calor e pelas tardes sem fim, ei-lo que chega. É o Verão a instalar-se de armas e bagagens, as temperaturas a subir e os suspiros a mudarem de justificação. Agora são as férias que nunca mais chegam, ainda que espreitem ali ao virar da esquina, as tardes prometidas de dolce far niente.

Cá por casa fazemos ainda um balanço da estação que passou. Os últimos espargos são solução para almoços rápidos de gente cansada, a precisar de desligar. Mas não importa o cansaço quando o mais bonito dos bouquets espreita por entre as compras do mercado. Há sempre sorrisos quando há espargos.

Quinoa com espargos, mozzarella e amêndoas Lírios do campo

Do campo ou da praia, das flores e do mar, temos até ver apenas uma miragem. Já do almoço tudo se combina e a mesa fica composta em minutos. No tacho, uma mistura de quinoas coze em água borbulhante enquanto por cima uma dezena de espargos aproveita o vapor sem perder o verde. Vegetais, ervas aromáticas e a textura das amêndoas torradas. Só falta o branco imaculado da mozarella e a frescura do manjericão e temos o prato feito.

São servidos?

Quinoa com espargos, mozzarella e amêndoas

26.8.15

Arroz selvagem, curgete e cajús {com halloumi}

Halloumi grelhado, arroz selvagens e cajús

Ficar na cidade grande quando todos partem para sul parece ser mais sina que escolha consciente e assim tem sido nos últimos anos o nosso mês de Agosto. E contudo andar em contra-corrente tem as sua vantagens. Mais sossego, menos correrias e o ambiente favorável para quem precisa de trabalhar com concentração e sem distrações, estudar e escrever. A cozinha acompanha a necessidade de refeições rápidas e a panóplia de frutos e vegetais de Verão que ocupam as bancadas é inspiração instantânea para pratos alegres e nutritivos.

Entre sopas frias, saladas coloridas e fritatas várias programam-se mais uns dias de trabalho afincado. E de barriga cheia é sempre mais fácil encarar a página em branco, respirar fundo e começar a escrever.

Flores no campo Halloumi grelhado, arroz selvagens e cajús

Dos ingredientes que ocupam a despensa cá de casa e que apenas vêem a luz do dia quando, em desespero, o fim da validade se aproxima ou insondáveis desejos me fazem acordar de manhã e decidir fazer arroz selvagem. Amado ou detestado, este é um cereal que pode ser utilizado de diferentes formas. Já o queijo halloumi é um eterno favorito, capaz de apaziguar os apetites do carnívoro de serviço que se rende, uma e outra vez, aos encantos deste queijo cipriota que não derrete quando frito ou grelhado.

Nesta combinação, as cores da curgete verde e do pimento vermelho acompanham os cajús e os coentros, numa mistura de sabores e texturas que fazem desta salada o acompanhamento perfeito para uns filetes de peixe ou talvez um peito de pato. A opção vegetariana e mais leve acrescenta queijo halloumi grelhado para uma refeição completa, capaz de saciar até o mais intrépido dos carnívoros.

São servidos?

Halloumi grelhado, arroz selvagens e cajús

14.8.15

Salada de tomate, pêssego e morangos e uma tarte

Salada de tomate, pêssego e mornagos

Como se nunca fosse acabar, o Verão continua a pintar as bancas do mercado, a encher a bancada da cozinha e a aparecer no nosso prato em tons de vermelho e laranja, ensolarado e quente, num pleno de alegria e exuberante manifestação de boa disposição. Pudesse eu e guardava cada bocadinho desta estação para dias menos fertéis, para temperaturas menos amenas. Entre planos de refeições simples e leituras postas em dia, é fácil confiar nos frutos e vegetais que, por si e quase sem transformação, se compõem em pratos vegetarianos que o mais intrépido carnívoro não consegue recusar.

Da improvável combinação de frutas, uma salada sem doce (para além do da fruta) e o contraste do azeite de sabor vincado a colocar as notas certas no acompanhamento de uma tarte de curegete e cebola roxa, cujo segredo fica guardado na massa de espelta.

Tarte de curgete e cebola roxa (massa de espelta) Azeite Quinta do Crasto Tarte de curgete e cebola roxa (massa de espelta)

Do olival ao prato vai um longo caminho onde o trabalho desenvolvido se traduz em azeites de aroma e sabor muito diversos. Como tantas vezes acontece, oliveiras e videiras coexistem no mesmo ecossistema, o que faz com que azeite e vinho andem a par, como na lindíssima Quinta do Crasto no Douro. Tão interessante como explorar o mundo infinito dos vinhos, o azeite oferece igualmente um território propício à prova e à descoberta de diferentes produtos e a sua utilização em pratos distintos.

Para esta salada inusitada, a escolha do azeite Quinta do Crasto Selection, muito aromático e ligeiramente picante, resultado das variedades de azeitona utilizadas, Cobrançosa e Madural, e das características únicas do lugar onde as oliveiras crescem e florescem. A recomendação é que a escolha se faça por um azeite com personalidade e onde o picante se encontre para reforçar nesta salada de fruta a sua faceta salgada e de acompanhamento da tarte de curgete e cebola roxa onde o sabor da espelta traz notas de frutos secos.

Azeite Quinta do Crasto Tarte de curgete e cebola roxa (massa de espelta)

5.5.15

Salada de ovos coloridos e rolo de bacalhau com curgete

Ovos coloridos

Há receitas que se cruzam connosco sem que as procuremos e há receitas que procuramos porque nos lembram lugares ou sabores conhecidos. Hoje partilho duas receitas que fizeram caminhos diferentes até à minha cozinha e que podem bem fazer parte da mesma refeição. Uma é colorida e chama a festa onde quer que esteja, a outra é receita de uma cor só e o verde domina o prato.

Para a entrada uma salada de ovos coloridos com beterraba e especiarias seguida de um prato de um rolo bonito de bacalhau e curgete sobre um hummus de coentros. Entre os vermelhos e os rosas da beterraba, o amarelo da gema e os verdes das alfaces vai uma cornucópia de cores onde o branco da clara parece ainda mais luminoso. Já da paleta de verdes da curgete e dos coentros fica uma sintonia de diferentes tons e muitas texturas.

Beterrabas com rama Ovos coloridos Hummus de coentros, curgete e bacalhau ao vapor Hummus de coentros, curgete e bacalhau ao vapor

O convite chegou com um cabaz de produtos biológicos da Belong to Nature. Vinha à boleia de uma viçosa alface, mizuna, salsa, coentros e um molho de lindas beterrabas. Foi assim que começou a minha procura por uma receita onde a beterraba fosse rainha e se pudesse transformar em salada. Mas isso foi depois. Antes fiz-me ao caminho para ir conhecer os novos fornos ao vapor da Teka e acompanhar os resultados da sua utilização pela mão da Helena Coelho.

Da vontade antiga de ter dois fornos não me livro. Faz parte do reboliço em que se transforma a minha cozinha aos fins-de-semana, sem mãos a medir para almoços e jantares presentes e futuros. Fico a sonhar com um forno a vapor até que percebo que agora há também um que junta a convexão e o vapor, combinação essencial à confecção de peixe e legumes que mantêm nutrientes e texturas intactos. Dele sai o rolo de bacalhau e curgete que há-de ser servido sobre um hummus de coentros. São variações de verde, tom sobre tom, nesta receita da Helena, simples e deliciosa, que não me lembraria fazer e que me soube muito bem.

Beterrabas com rama Ovos coloridos

19.3.15

Alecrim, ervas aromáticas e uma salada de salmão fumado e ananás

Workshop Ervas Aromáticas, Hotel Valverde

Vasos e vasinhos, aromas misturados em folhas e caules de formas e tamanhos diferentes. Uma infinidade de possibilidades sem a qual a cozinha seria muito menos saborosa. As ervas aromáticas são muitas vezes a vida de um prato, o segredo da receita ou o golpe de asa do cozinheiro. Salva, funcho, erva-caril, tomilho, hortelã... Ouvir falar sobre cada uma delas, as suas utilizações e vantagens medicinais, acontece sempre que encontro a Fernanda Botelho, desta feita no bonito Hotel Valverde a convite da Iglo para conhecer A Vida com Sabor. Ouvir falar de plantas é sempre um momento de ligação à terra e ao que dela provém que é fonte de inspiração.

É no alecrim, agora em flor, que se perde o olhar de quem se senta à mesa. As argolas de guardanapo são círculos (quase) perfeitos pontuados aqui e ali de flores lilases e cujo aroma acorda a vontade de passear em campo aberto e chamar a Primavera.

Workshop Ervas Aromáticas, Hotel Valverde Workshop Ervas Aromáticas, Hotel Valverde Workshop Ervas Aromáticas, Hotel Valverde

Também conhecido como a erva da memória, o alecrim apresenta outras propriedades cujos benefícios para a saúde resultam das suas características antioxidantes e anti-inflamatórias. Como ingrediente na culinária de todos os dias é muitas vezes associado a receitas com carne e é com surpresa que o encontro ao almoço na crosta crocante que cobre os Filetes Primavera, feitos no forno. E gosto.

Pelo caminho de volta a casa, fico ainda a pensar na entrada do almoço. Uma mistura de folhas de alface onde finas fatias de ananás e salmão fumado se juntam a um fantástico molho de iogurte. Das ervas aromáticas, aquelas sem as quais tudo fica menos saboroso, não abro mão. É o endro e o cebolinho que fazem as honras e é o molho que une todos os sabores. São os sabores da Primavera que está quase a chegar.

Workshop Ervas Aromáticas, Hotel Valverde

27.2.15

Salada de batata doce e nozes fritas

Salada de batata doce, queijo de cabra e nozes fritas

Na esperança de dias maiores e dias melhores, sento-me para escrever esta meia-dúzia de linhas. É sobre a luz e a vontade de rotinas diferentes que anseio e é sobre o desejo de uma nova estação (que se vai materializando) que suspiro. Os sinais parecem apontar para a chegada de um novo começo e eu mal posso esperar. São os meus narcisos, pequeninos e amarelos, que anunciam a Primavera. Sem calendário nem relógio são os vasos na varanda que me guiam. Confesso-me farta deste Inverno.

Mas enquanto não chegam os vegetais e as frutas da estação que há-de vir é preciso continuar a pensar nos almoços semanais, simples e nutritivos. Esta salada de batata doce, rúcula e queijo de cabra com ervas tem uma única estravagância: umas nozes fritas que mudam a face do prato. E que são imprescíndíveis para manter viva a esperança.

{Dois} narcisos Salada de batata doce, queijo de cabra e nozes fritas

31.10.14

Salada de alcachofras de Jerusalém, nozes e queijo de cabra

Salada de Outono

Este é o Outono do nosso contentamento. Faz sol e o ar é fresco. No horizonte vislumbra-se um desejo de novos começos com a mais bonita luz a emoldurar. Enquanto assim for, ponho a rabugice em espera e alegro-me com a mudança de cor à minha volta e a chegada dos frutos e vegetais da estação.

Descubro no fundo de uma caixa uma mão cheia delas. São as primeiras do ano a chegar ao mercado e a anunciar o Outono. Enrugadas e feias, enchem-me de felicidade na antecipação da descoberta de novas combinações. Nem são de Jerusalém, nem alcachofras. Dizem-se também tupinambos e a sua aparência é menos que prometedora. Quem vê caras não vê corações. Nem sabor. Hão-de ser o nosso almoço.

Salada de Outono

Celebra-se assim o Outono num prato de alcachofras de Jerusalém, nozes e queijo de cabra assentes em rúcola e cebola roxa. No entretanto as folhas mudam de cor e caem, cobrindo o chão a toda a volta. É tempo de passar à acção, com o meio-dia a aproximar-se a passos largos. Ainda são as saladas que me preenchem a vontade. Podem ser mais robustas que as que lembram o Verão mas ainda precisam de frescura e alguma cor. São comidas a dois numa cozinha silenciosa e cheia de sol.

Adoro o Outono!

Salada de Outono Salada de Outono

18.9.14

Salada de beterraba, feta e amêndoas

salada de beterraba e feta

O espaço de memória para aqueles sabores que nunca se esquecem é alimentado por aromas e cores que o nariz e os olhos fazem questão de registar. São pistas para recordar mesas e gargalhadas partilhadas ou apenas para mais uma refeição em dias de semana. No vermelho rosado da beterraba descubro nuances de um Verão de que não me quero desapegar ainda e sinto o cheiro a terra que a cidade à minha volta teima em fazer esquecer. A memória é, assim, uma ligação entre o desejo e o que pode ser.

Dizem-me que vem aí, que está ao virar da esquina. É inevitável. O Outono está quase a chegar. E contudo não me sinto preparada. Uso a hashtag #stillsummer em jeito de reza e feitiço. Estranho a chuva e os dias cinzentos e dou por mim com lamúrias e cara feia. Quero que o verde e o amarelo se aguentem mais um tempo.

malmequeres salada de beterraba e feta

Para quem trabalha muitas vezes em casa como eu, o almoço é um intervalo bem-vindo mas que não pode consumir demasiado tempo. Cá em casa faz-me muitas vezes de restos abrilhantados por uma salada que os torne mais apetecíveis.

Entre raios de sol e pingos de chuva, ponho a mesa e apelo à memória. Possam as cores e aromas do prato contrariar a meteorologia e uma ou outra tristeza de fim de Verão. Num destes dias foi a beterraba a rainha do momento e fez-se salada com direito a fotografia.

salada de beterraba e feta