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25.5.17

Quiche de brócolos e beterraba (com salada de cenoura e avelãs)

Quiche de brócolos e beterraba (com salada de cenoura e avelãs)

O que comer por estes dias? Abro o frigorífico, consulto as minhas notas mentais e recebo sugestões do comensal mais esfomeado cá de casa. Tivesse o universo feito de mim uma cozinheira organizada e nunca acabaria a sopa. Valha-me que tenho quem nunca se esquece das compras e assim temos sempre salada e queijo, fruta e café. E eu podia viver só de sopas e saladas, pão e queijo e o ocasional pedaço de mau caminho.

Esta é comida para gente sem tempo. Sobretudo quando já se vê o Verão ao longe e se sente na pele o sol mais intenso. Faz-se uma tarte que há-de salvar um par de jantares durante a semana e ajudar a restaurar a sanidade mental de mais um mês de Maio, que tem sido tudo (e mais) que prometeu.

Quiche de brócolos e beterraba (com salada de cenoura e avelãs)

Da salada de hoje, que os franceses conhecem de cor e faz parte da minha infância, faço acompanhamento para a última das minhas obsessões. Tartes e quiches, galettes e outras que tal, com ou sem massa, de recheio variado. Ainda entre estações com os últimos brócolos a receberem as sempre alegres beterrabas, para uma combinação temperada com queijo da ilha. Sem grande dificuldade, rale-se a cenoura e regue-se com sumo de limão. A adição das avelãs ganha em textura e traz sabor. É a minha nova salada favorita e adivinha-se visita frequente nas próximas semanas.

são servidos?

Quiche de brócolos e beterraba (com salada de cenoura e avelãs) Quiche de brócolos e beterraba (com salada de cenoura e avelãs)

4.5.17

Tarte de cogumelos em massa de arroz (e uma cerveja feliz)

Tarte de cogumelos e arroz (para uma cerveja)

Escolhe-se a bebida em função do que vamos comer ou o contrário? A pergunta parece decalcada da recorrente inquirição aos músicos sobre o que vem primeiro, se a melodia, se a letra. Esgares e expressões de tédio quando se trata de explicar, uma e outra vez, que... depende. Confesso que a ditadura do prato determina muitas vezes o que acompanha no copo, ao sabor dos desejos dos comensais e da inspiração do momento, com o meu cara-metade a demonstrar amiúde o seu grande amor pela cerveja.

Das questões mais repetidas cá em casa é o que vamos beber ao almoço. Num dos últimos fim-de-semana, escolhemos em uníssono uma cerveja Dois Corvos. A Creature IPA tem um rótulo bonito e original e vem com a promessa de ser uma cerveja feliz. Por nós, ficámos também do lado solar com a sua companhia à mesa e a combinação com a tarte de cogumelos. Muito gastronómica, são as notas cítricas que primeiro chegam que melhor par fazem com a fatia que espera no prato ao lado das cenouras. Depois vem todo o frutado e finalmente o registo pouco amargo que a torna perfeita para a ocasião.

Tarte de cogumelos e arroz (para uma cerveja)

Da receita de hoje fica a descberta de uma alternativa fácil às bases de tarte feitas de farinha e gordura. O arroz integral é o ingrediente que assume protagonismo e com um pouco de queijo e ovo para ligar cobre a tarteira que há-de receber o recheio de cogumelos que passaram previamente na frigideira. Com o tempo às caretas, entre o sol aberto e a chuva prometida, é ligar o forno e fazer esta tarde. Sem complicações, é garantia de refeição completa com a vantagem de ser uma proposta vegetariana. O cebolinho não é essencial mas torna tudo mais bonito e as flores que agora despontam são comestíveis. E deliciosas!

Com a cerveja perfeita a acompanhar, deixo-vos mais uma ideia para almoços sem esforço e com total sabor.

Tarte de cogumelos e arroz (para uma cerveja) Tarte de cogumelos e arroz (para uma cerveja)

14.8.15

Salada de tomate, pêssego e morangos e uma tarte

Salada de tomate, pêssego e mornagos

Como se nunca fosse acabar, o Verão continua a pintar as bancas do mercado, a encher a bancada da cozinha e a aparecer no nosso prato em tons de vermelho e laranja, ensolarado e quente, num pleno de alegria e exuberante manifestação de boa disposição. Pudesse eu e guardava cada bocadinho desta estação para dias menos fertéis, para temperaturas menos amenas. Entre planos de refeições simples e leituras postas em dia, é fácil confiar nos frutos e vegetais que, por si e quase sem transformação, se compõem em pratos vegetarianos que o mais intrépido carnívoro não consegue recusar.

Da improvável combinação de frutas, uma salada sem doce (para além do da fruta) e o contraste do azeite de sabor vincado a colocar as notas certas no acompanhamento de uma tarte de curegete e cebola roxa, cujo segredo fica guardado na massa de espelta.

Tarte de curgete e cebola roxa (massa de espelta) Azeite Quinta do Crasto Tarte de curgete e cebola roxa (massa de espelta)

Do olival ao prato vai um longo caminho onde o trabalho desenvolvido se traduz em azeites de aroma e sabor muito diversos. Como tantas vezes acontece, oliveiras e videiras coexistem no mesmo ecossistema, o que faz com que azeite e vinho andem a par, como na lindíssima Quinta do Crasto no Douro. Tão interessante como explorar o mundo infinito dos vinhos, o azeite oferece igualmente um território propício à prova e à descoberta de diferentes produtos e a sua utilização em pratos distintos.

Para esta salada inusitada, a escolha do azeite Quinta do Crasto Selection, muito aromático e ligeiramente picante, resultado das variedades de azeitona utilizadas, Cobrançosa e Madural, e das características únicas do lugar onde as oliveiras crescem e florescem. A recomendação é que a escolha se faça por um azeite com personalidade e onde o picante se encontre para reforçar nesta salada de fruta a sua faceta salgada e de acompanhamento da tarte de curgete e cebola roxa onde o sabor da espelta traz notas de frutos secos.

Azeite Quinta do Crasto Tarte de curgete e cebola roxa (massa de espelta)

13.1.15

Folhado de roupa velha e ovos de codorniz

Folhado de roupa velha com ovos de codorniz

A cozinha tradicional portuguesa está cheia de receitas que surgem como aproveitamento, para utilizar ingredientes que sobram de outras, como resposta a excesso de claras (ou gemas!) ou a avalanchas sazonais de laranjas e limões. Mas a mais icónica de todas as receitas feitas com "restos" é a chamada roupa velha, um aproveitamento do bacalhau com todos da Consoada e que, reza a história, se serve como entrada no almoço do dia de Natal. Faz parte das mesas de muitas famílias e do imaginário popular e é delicioso.

Porque as possibilidades são infindáveis lembro-me de transformar em folhado aberto a minha roupa velha e juntar-lhe ovos de codorniz, mantendo a gema ainda líquida e a massa folhada estaladiça. É esta receita que me leva a conhecer a Riberalves num dos últimos sábados de Dezembro, um dia de muito frio em Lisboa, em muito boa companhia. Os processos inerentes ao bacalhau salgado são-me quase desconhecidos e, embora as técnicas necessárias à conservação me sejam familiares, é uma realidade nova que encontro quando entro na maior fábrica de transformação de bacalhau do mundo.

Fábrica Riberalves Fábrica Riberalves
Fábrica Riberalves

De onde vem o bacalhau que chega ao nosso prato? Como não se trata de um peixe da nossa costa, é da Islândia, da Noruega e da Rússia que vem a maioria do bacalhau que é depois seco e salgado segundo a "cura portuguesa". Ou não fossemos nós os maiores consumidores deste produto. Entre câmaras de secagem, salgadores e longos processos de conservação, há um sem número de conhecimentos necessários até se chegar ao melhor bacalhau salgado. Que depois tem de ser demolhado, novamente de forma correcta e rigorosa, para se obter a posta perfeita. Na Riberalves uma parte considerável deste trabalho é feito para transformar o bacalhau seco em ultracongelado, demolhado e pronto a cozinhar. Depois de perceber a morosidade e a necessidade de cumprir diferentes passos na demolha é fácil de compreender as vantagens do bacalhau ultracongelado.

É já na cozinha da Academia Riberalves que o chef José Avillez se prepara para nos conduzir na confecção de três pratos: salada de bacalhau, bacalhau confitado em azeite e bacalhau à Brás com as já famosas azeitonas explosivas. Gargalhadas, muita conversa e perguntas e mais perguntas levam o chef a temer pelo almoço. Longe do silêncio e eficiência das suas cozinhas, o dia é de festa e apesar dos receios a comida chega à mesa mais ou menos a horas. A conversa essa continua pela tarde fora.

Salada de bacalhau, chef José Avillez Fábrica Riberalves, chef José Avillez Bacalhau confitado, chef José Avillez

13.3.12

Galette de alho francês com avelãs

Galette de alho francês com avelãs // Leek Hazelnut Galette

Tenho uma predilecção por sótãos onde vivem muitas décadas. Armazéns da vida. Daqueles onde se guarda o que já não serve, o que nunca serviu ou aquilo que não cabe em mais nenhum sítio. Em casa dos meus pais há um espaço desses. São 4 divisões esconsas onde há de tudo. Livros e cadernos de muitos anos de escola. Sofás, camas e mesas sem lugar. Estantes com caixas e caixinhas. Bonecos e jogos. Numa dessas divisões descansam os brinquedos de duas gerações. É a preferida dos meus queridos sobrinhos, claro. Uma espécie de lugar mágico onde as estórias andam pelas paredes e o tempo pára. Há outra divisão mais pequena onde vive uma banda de jazz em cerâmica. É lá que se guardam os serviços de jantar que nunca foram usados, as estatuetas que perderam a cabeça, terrinas e panelas sem uso. É carinhosamente apelidada de Gruta do Ali Babá e a minha favorita. Vá-se lá saber porquê.

Foi lá que desencantei um robot de cozinha com a ajuda da minha mãe. Deve ter uns 20 anos e nunca foi utilizado. A massa desta galette, feita com avelãs, serviu para o experimentar e há-de ser feita outras vezes.

Galette de alho francês com avelãs // Leek Hazelnut Galette

As tartes e empadas podem ser feitas com massa pré-preparada mas fazê-la em casa é muito fácil, sobretudo com um robot de cozinha. Demora 2 minutos a fazer e apenas necessita de meia-hora no frio para estar pronta. O rácio é simples: metade do peso da(s) farinha(s) em gordura, ovo(s) e água gelada que baste. Uma pitada de sal e um pouco de açúcar em pó se se tratar de uma versão doce et voilá. A minha tarte de hoje é rústica e eu chamo-lhe, à boa tradição francesa, galette.

Uma galette é uma tarte feita sem um tarteira e em que a massa é meio dobrada por cima do recheio. Este pode ser doce ou salgado mas um ou outro são quase sempre ricos em frutas ou legumes. Neste caso, fez-se de alho francês e avelãs com um eco de mostarda. As opções são múltiplas e a massa extra é o bónus.

Galette de alho francês com avelãs // Leek Hazelnut Galette

31.7.11

Azeite, farinha, ervas e uma tarte de tomate, curgetes e ricotta

Tarte fina de tomate e ricotta //Tomato Ricotta Tart

Julho de todos os sabores. Doce, salgado e agridoce. Temperado com frio e vento, trabalho e férias, luz e escuridão. Cara e coroa. Dias felizes. Mar e sol. Livros e mais livros. Boas leituras. Horas sem fim. Julho de todos os silêncios, em que A Voz se calou. Penas e pedras. Discos perdidos. Rádio ligada. Celebrações. Encontros familiares e muitas gargalhadas. Tudo e mais alguma coisa.

Um banco com vista para o infinito. Não importa onde ou quando, há no mar que caminha para o céu uma garantia de aconchego. É como se em qualquer parte pudéssemos reconhecer o cantinho de água onde desde sempre molhamos os pés e a nesga de céu azul onde o olhar pode descansar. Uma espécie de chegada ao destino, um retorno continuado a um lugar conhecido.

vista de mar
Tarte fina de tomate e ricotta //Tomato Ricotta Tart

Diz o provérbio que três é a conta que Deus fez. Um triângulo. Uma troika. Três. Como se a conta fosse redonda. Perfeita na sua harmonia de vértices e ângulos rectos e agudos, numa geometria de vontades. Ou de sabores. De sons. De cores. Tomate, curgetes e ricotta. 3 dos meus ingredientes favoritos para comemorar o 3º aniversário do Figo Lampo e fazer votos de muitos e longos anos de vida!

Tarte fina de tomate e ricotta //Tomato Ricotta Tart

22.3.11

Tarte de espargos para um almoço de Primavera

Tarte de espargos // Asparagus Tart

Ontem fez sol e calor. Esconderam-se os casacos, arregaçaram-se as mangas e passearam-se muitos sorrisos. Tantos que nem parecia segunda-feira. Havia no ar uma promessa de festa sem razão aparente. Talvez apenas um indício do que está para vir com o calor a anunciar a mudança. Março e um equinócio num dia de sol. Ontem começou a Primavera.

Gosto e não gosto deste dia. Recuso-me a aceitar que uma data marcada possa trazer consigo mais do que apenas outro dia. Mas aceito a inevitável marcha das estações com galhardia. Ou não tivesse eu uma perdição por malmequeres e andorinhas.

Primavera // Spring

Os espargos começam a surgir nas bancas do mercado assim que Março dá cor de si. Estes são pequenos e tenros. Deixam-me a sonhar com as migas de espargos que a minha mãe faz para acompanhar carne de porco... Entre dúvidas e alguma preguiça faz-se uma tarte de espargos e queijo a que chamamos almoço. Leve e descomprometida como só uma tarte pode ser. Fico a sonhar com as férias. Cortamos fatias que acompanhamos de uma salada de folhas de chicória e alguma rúcula. Afinal é Primavera.

Tarte de espargos // Asparagus Tart

17.2.11

Embrulhos de massa filo com feta e mel

Embrulhos de feta e mel // Honey Feta Parcels

Diz-se do mundo que é plano. A afirmação não contraria a ideia de que a Terra é esférica simplesmente porque não se refere ao conceito geográfico. O mundo “plano” é afinal uma metáfora para a maior facilidade com que diferentes culturas, países e tradições se têm aproximado com a crescente mundialização, reduzindo distâncias e encurtando diferenças. No campo da alimentação, o mundo plano traduz-se numa enorme oferta de ingredientes vindos dos quatro cantos e onde outros sabores, cheiros e texturas se encontram ao virar da esquina, quase sem sair de casa. Confesso-me mais virada para Oriente nos dias que correm. Quero o doce do mel e o conforto do ouro líquido que o azeite oferece. Quero a delicadeza da massa filo e os orégãos. São os cheiros das especiarias douradas que me chamam pelo nome, as texturas preciosas dos grãos de cuscuz e trigo, as sementes de sésamo que apelam ao sonho e me levam para longe. Queiram seguir comigo na busca por terras gregas de uma resposta às minhas vontades. Vem sob a forma de um presente, embrulhado com carinho e que encerra o doce e o salgado, o estaladiço e o macio, o quente e o frio.

Embrulhos de feta e mel // Honey Feta Parcels

29.7.10

Tarte folhada de tomate, beringela e chèvre para um almoço de praia

caminho da praia // beach path

Se os pontos cardeais fossem mais do que meras convenções e cada ser humano viesse de série com uma bússola integrada, a minha indicaria sempre o sul - o que pode explicar eu andar sempre perdida. Sigo a direcção das planícies, as vinhas e as oliveiras e a imensidão a perder de vista. Não temo a serra mas não a procuro. A linha de um horizonte longínquo é mais um conforto que uma opressão e a promessa de dias felizes está inscrita em cada marco da estrada. É manhã cedo e parece tudo no seu devido lugar. Há na infinidade do campo uma calma sem fim. Ninguém à minha volta parece notar: o gato está descansadamente de olho em mim, a minha cara metade conduz concentrado e o vaso de manjericão repousa direito entre os meus pés. Vamos todos para um sítio (mais) a sul onde a paisagem muda e as flores surgem espalhadas pelos recantos. Aqui há árvores frondosas e uma brisa fresca e ao longe o mar bate.

nós, o gato e o manjericão
reservado

A viagem é feita ao sabor da corrente. Nós, o gato e o vaso de manjericão chegamos a bom porto. Entre cigarras, pardais e jacarandás, pessegueiros e roseirais ainda com flor voltamos a pôr a mesa no terraço. Passou um ano desde que cá estivemos. Parece tudo igual. Até os pássaros. Penduramos fatos de banho e enchemos travessas de tomate e pimentos. Aguardamos que os figos encham as bancas do mercado. Fazemo-nos às férias com dupla vontade. E com fome.

tarte tomate e beringela //

Tarte folhada de tomate, beringela e chèvre

1 placa massa folhada (preferencialmente biológica)
1 beringela media, às fatias (1 cm)
1 tomate grande maduro com pele, às fatias (1 cm)
150g queijo chèvre, às fatias (1 cm)
75ml natas + 2 colheres sopa leite
2 ovos
sal e pimenta preta moída na altura
azeite para pincelar a beringela

para o crumble:
1 chávena de tostas esmagadas (até obter migalhas grandes)
2--3 colheres azeite
1 colher sopa folhinhas de tomilho

tarte tomate e beringela //

Grelhe as fatias de beringela num grelhador antiaderente. Vire ao fim de 2-3 minutos. Pincele com azeite e tempere generosamente com sal e pimenta. Reserve e repita até grelhar todas as fatias. Escorra as graínhas do tomate, sem desmanchar as fatias.

Junte todos os ingredientes do crumble numa tigela e mexa com uma colher até misturar. Reserve.

Pré-aqueça o forno a 220ºC. Num tabuleiro rectangular, desenrole a massa folhada e arranje os cantos. Pique a massa com um garfo. Coloque uma folha de papel vegetal e encha com pesos de cerâmica (ou feijão seco). Leve ao forno por 10 minutos ou até começara a ficar dourada no rebordo. Retire o papel vegetal e os pesos e leve de novo ao forno por mais 3-4 minutos.

Bata os ovos, as natas e o leite. Tempere com sal e pimenta preta. Retire a base do forno e faça filas alternadas com uma fatia de beringela grelhada, uma de tomate e uma de queijo. Desencontre na fila seguinte . Repita até cobrir toda a superfície da massa e usar todos os ingredientes. Distribua o crumble por cima.

Reduza a temperatura do forno para 180ºC. Leve a cozer 25-30 minutos ou até o crumble estar dourado e a tarte cozida. Sirva com uma salada verde de alfaces e rúcula.

26.3.10

[4 por 6] Sobre pies, pêras e 12 meses de refeições para 4 por 6€

Há um ano publicava aqui a minha primeira participação no 4 por 6. Durante 12 meses cozinhámos refeições capazes de alimentar 4 bocas por uns 6€... Para mim nem sempre fácil e provavelmente nem sempre brilhante, foi um ano de aprendizagem, de disciplina na hora de comprar e de preparar refeições. Foi um ano em que este projecto nos deu 5 minutos de fama e meia dúzia de páginas na imprensa. Mas foi sobretudo uma ideia que valeu pelos leitores fiéis e a possibilidade de oferecer sugestões equilibradas e exequíveis com um orçamento reduzido e de fazer a diferença num momento sério de contenção do orçamento para muitas famílias. E não teria tido a menor piada sem a companhia das melhores parceiras de aventura que se podem ter: Mariana, Pipoka, Laranjinha, Elvira e Marizé!

A natureza deste projecto centra-se na redução de custos dos ingredientes e na optimização de uso dos recursos existentes. Naturalmente tentamos oferecer ideias e sugestões que possam ser executadas dentro do orçamento proposto. No entanto, tal não deve invalidar uma permanente procura da melhor qualidade possível nos ingredientes que se usam e sempre que seja possível investir mais uns €€€ na compra de carne ou peixe ou ingredientes como o leite e o azeite, tal deve acontecer. Assim, a minha sugestão de hoje é carne e sugiro frango ou perú (sempre com osso) da melhor qualidade que seja possível pagar.

Mushroom Chicken Pie

Pie de Frango e Cogumelos com Tomilho e Limão
Ligeiramente adaptado de "Nigel Slater's perfect pies", Sainsbury's Magazine, Novembro 2008.

para o frango
1 Kg frango (ou galinha ou perna de perú)
1 cenoura
1 cebola
grãos de pimenta preta
1 folha louro
1 pauzinho tomilho

para o recheio
2 cebolas
2 dentes alho
1 colher azeite
200 g cogumelos (se possível frescos)
1 colher sopa manteiga
1 colher sopa farinha
500 ml caldo da cozedura do frango
1 colher sopa tomilho fresco (só as folhinhas)
1 placa massa folhada (cerca de 250 g)
sumo 1/2 limão (opcional)
leite para pincelar a massa

Mushroom Chicken Pie

Coza o frango ou perú cobertos de água com a cenoura, tomilho, louro e pimentas numa panela grande durante cerca de 30 minutos (ou até a carne estar cozida mas ainda firme e sem se desfazer). Tempere com sal a gosto.

Para o recheio, pique as cebolas e os alhos e leve a alourar em lume baixo com o azeite por 2-3 minutos, mexendo ocasionalmente. Corte os cogumelos aos quartos e junte à cebola já vidrada. Se utilizar cogumelos frescos, deixe cozinhar 2 minutos até estarem macios. Passe o caldo por um coador e descarte os temperos (ver 'dica de poupança', em baixo). Desosse o frango, deixando a carne em pedaços grandes, sem nervos nem gorduras. Acrescente a manteiga e a farinha à cebola e cogumelos e mexa até obter uma mistura levemente dourada. Adicione o caldo e deixe levantar fervura, reduzir para metade e engrossar (cerca de 5-7 minutos). Junte o frango e o tomilho. Tempere com sal. Retire do lume, junte o limão e reserve.

Mushroom Chicken Pie with Broccoli

Pré-aqueça o forno a 200ºC. Prepare um prato de forno, preferencialmente com um rebordo largo. Se tiver uma chaminé (como o meu patinho) use-a, se não faça alguns buracos na massa depois desta estar colocada. Deite o recheio no prato. Cubra com a massa, enrolando a que ultrapassar o rebordo do prato. Com um garfo pressione a toda a volta para a massa aderir. Pincele com leite. Leve ao forno 20-25 minutos ou até a massa estar dourada e crescida. Retire do forno e deixe arrefecer 5 minutos.

Sirva com brócolos cozidos ao vapor. Para sobremesa, uma fatia (generosa!) deste Bolo de Baunilha e Pêras.

Vanilla Pear Cake

Dica de poupança: Use os legumes do caldo para sopa ou aproveite rama de alho francês, talos de couve ou brócolos, rama de nabo ou cascas de cenoura - todos bem lavados - para a cozedura das carnes ou ossadas.

Factura:

frango (1.99€/Kg) - 1.99€
cebolas (0.50€/Kg) - 0.20€
cogumelos (0.62€/un.) - 0.62€
massa folhada (1.19/un.) - 1.19€

brócolos congelados (1.60/Kg) - 0.96€

ovos (1,64/12 un.) - 0.14€
pêras (0.76/Kg) - 0.25€
açucar (1.94/Kg) - 0.19€
natas (0.54€/200ml) - 0.50€
farinha (0,57€/Kg) - 0.09€
manteiga (1,24€/250 grs) 0.25€

(os valores do bolo estão aqui considerados por inteiro mas contabilizados a metade, uma vez que a receita é para 8)

total - 6.08€

Os preços de referência dos ingredientes são do continente. Não foram considerados valores para o azeite, alho, tomilho. limão e a cenoura do caldo. Os valores são, como sempre, apenas indicativos.

25.9.09

4 por 6 - Reina o tomate, Viva o pimento

Fazendo aquilo que prego, na minha cozinha a sazonalidade dos alimentos assume grande preponderância. Dito desta forma soa bem... Não fosse que de há um par de semanas para cá tenha afluído de forma descontrolada uma quantidade de tomate e pimentos que duas bocas, por mais que gostem, não conseguem dar vazão (a Matilde dispensa). Assim, vão-me perdoar mas partilho convosco neste 4 por 6 mais uma sugestão em que o pimento vermelho aparece e o tomate é rei.

Roasted Red Pepper Soup

Sopa de Pimentos assados

4 pimentos vermelhos (cerca de 600 grs), sem sementes e cortados em tiras largas
4 colheres sopa azeite
6 dentes alho
1 colher sopa vinagre vinho tinto (opcional)
sal e pimenta
3 cenouras grandes (cerca 500 grs)
2 cebolas, picadas grosseiramente
1 tomate maduro (ou 2 colheres de sopa de polpa tomate)
1 L caldo de legumes
manjericão para guarnecer

Aqueça o forno a 150ºC. Coloque os pimentos e os dentes de alho num tabuleiro antiaderente. Regue com 3 colheres de sopa de azeite e o vinagre. Tempere com sal e pimenta. Leve ao forno por 45-50 minutos ou até os pimentos estarem assados. Retire a pele aos alhos e reserve os sucos.

Numa panela, coloque a cebola com o restante azeite e aloure até esta estar translúcida. Junte o tomate e as cenouras e adicione metade do caldo. Deixe cozer 8-10 minutos. Junte os pimentos, o alho e os sucos resultantes. Adicione o restante caldo. Deixe levantar fervura. Corrija o tempero e triture até obter um puré cremoso. Sirva com folhas de manjericão ou manjericão picado.

Tomato Feta Cake with Anchovies and Nigella Seeds

Cake de tomate e feta com anchovas e sementes de nigella

1 chávena + 2 colheres de sopa (180 grs) farinha autolevedante
1 pitada de sal
1 colher chá fermento
⅓ chávena (80 ml) azeite
3 ovos grandes
½ chávena (125 ml) leite
200 grs queijo feta
4-5 filetes anchovas
100 grs tomate assado
2 colheres sopa sementes de nigella*

Pré-aqueça o forno a 180°C. Bata os ovos, com o leite e o azeite numa tigela de tamanho médio. Peneire a farinha, o fermento em pó e o sal para outra tigela. Combine as duas misturas (a líquida na seca). Bata apenas até obter uma massa homogénea e sem grumos. Esmigalhe o queijo feta e pique o tomate e as anchovas. Envolva na massa, juntamente com as sementes e uma pitada de pimenta preta moída na altura. Deite a massa numa forma untada e polvilhada com farinha e leve ao forno 45 minutos ou até o cake estar dourado. Remova da forma e deixe arrefecer sobre uma grelha metálica.

Sirva com um alface roxa e coentros.

*As sementes de nigella podem ser encontradas nos supermercados indianos.

Dica de poupança: Não compre água engarrafada. A qualidade da água nas nossas cidades tem vindo a melhor e na grande maioria pode ser consumida directamente da torneira. Se ainda assim não estiver convencido(a), pode sempre adquir um filtro de água para jarro ou para aplicar à torneira. Para além da carteira, o ambiente também agradece!

Factura:
cenoura (0.39€/Kg) - 0.18€
pimento vermelho (0.99€/Kg) - 0.60€
cebolas (0.58€/Kg) - 0.06€

queijo feta (€ 2,86€/200grs) - 2.86€
ovos (1,64/12 un.) - 0.41€
tomates (0.78€/Kg) - 0.39€
azeite (3.78/75cl) - 0.39€
leite (0.59€/L) - 0.07€
farinha (0,57€/Kg) - 0.10€
anchovas (1.49/43g) - 0.50€
alface roxa (1.30/Kg) - 0.26€

total - 5.82€

Os preços de referência dos ingredientes são do continente, à excepção do queijo feta cujo preço é do Jumbo. Não foram considerados valores para ervas e sementes. Os valores são, como sempre, apenas indicativos.

Outras receitas do 4 por 6 nas cozinhas da Mariana, Pipoka, Laranjinha, Elvira e Marizé.

25.2.09

French mood + uma Tarte Tatin

French Shallot Tart Tatin

Por vezes existem acidentes culinários felizes, mesmo aqueles em que um prato esturricado esteja envolvido. Quem cozinha regularmente sabe como as coisas se podem descontrolar com facilidade e como às vezes é preciso encontrar maneira de salvar o jantar, apesar dos ingredientes ultra cozinhados ou das panelas queimadas. Quando as irmãs Tatin surgiram com a sua criação, uma tarte invertida era algo de pouco usual. Originalmente feita com maçãs caramelizadas, a Tarte Tatin tornou-se um clássico com muitas versões, algumas das quais salgadas. Para prolongar um pouco mais esta French mood, aqui está uma tarte tatin de chalotas. Francesas, claro. Voilá!

French Shallot Tart Tatin

Tarte Tatin de Chalotas Francesas
Adaptado de Delicious Magazine, Fevereiro 2009

6 porções

Para a massa:
125 grs farinha
60 grs manteiga sem sal, fria e em cubos
3 tsp sementes de mostarda
1 gema ovo grande (ou 2 pequenas)

Para o "recheio":
750 grs chalotas pequenas/médias (12-16), com pele
125 grs farinha
50 grs manteiga sem sal
2 colheres sopa azeite
4 colheres sopa açucar amarelo
3 colheres sopa vinagre balsâmico
2 colheres sopa folhas tomilho (opcional)

A massa pode ser feita à mão ou num robot de cozinha. (Fiz a minha à mão, sem grandes dificuldades) Peneire a farinha com uma boa pitada de sal e misture as sementes de mostarda (esmagadas no almofariz) com um garfo. Com a ponta dos dedos, misture a manteiga até esta estar envolvida e a mistura se parecer com grandes migalhas de pão. Faça um buraco no centro. Use uma faca para misturar a gema, até a massa se formar. Adicione 2 ou 3 colheres sopa de água gelada, se necessário. Sem amassar, use as mãos e pressione a massa para esta formar um disco. Cubra com película e refrigere meia hora.

Ferva as chalotas em água com sal durante 5 minutos, para serem mais fáceis de pelar. Escorra e deixe arrefecer. Pele as chalotas (deixando as extremidades intactas). Derreta a manteiga e o azeite numa frigideira larga. Adicione as chalotas e cozinhe por 15 minutos ou até estarem macias. Misture o açucar, o vinagre e 3 colheres sopa de água e mexa. Deixe apurar em lume fraco até o líquido ter reduzido para uma consistência de xarope (cerca de 15 minutos), virando as chalotas ocasionalmente.

Pré-aqueça o forno a 200°C. Unte uma forma baixa (cerca de 20 cm de diâmetro) com manteiga. Coloque as chalotas e o líquido restante. Estenda a massa entre 2 folhas de papel vegetal num círculo ligeiramente maior que o diâmetro da forma. Coloque a massa sobre as chalotas, empurrando em volta para dentro da forma. Leve ao forno por 20-25 minutos até a massa estar dourada.

Remova do forno. Deixe na forma durante 5 minutos sobre uma grelha metálica. Cuidadosamente, inverta a tarte para um prato de servir. Polvilhe com as folhas de tomilho. Sirva morno.

9.4.08

Sopa ou tarte?



Eu ia fazer um texto sobre a primavera e o sol do fim de semana e sobre ter andado de tshirt e desencaixotado as memórias dos dias quentes e sobre uma salada de abacate e camarão que é comemoração perfeita para o arranque da nova estação. Ia. Porque depois de duas molhas na segunda e na terça não tenho condições anímicas para tal! E recuso-me a ser enganada pelos laivos de sol de hoje: enquanto da minha janela o rio continuar encoberto, não me deixo enganar por este sol mentiroso. Tenho dito!!

Plano B, portanto. Tenho uma queda por coisas que ficam entre territórios ou como diria a minha mãe que "não são nem carne nem peixe". Neste caso é literalmente assim, uma vez que a receita é vegetariana (ok, puristas - substituam a manteiga por margarina e anulem o mascarpone). A questão que se coloca é: trata-se de uma sopa ou de uma tarte? E porque é que temos de dar nomes às coisas para as tornar parte de categoria reconhecível e reconhecida? É. Também tenho esta mania irritante de dar a resposta na formulação da pergunta... Deixo-vos uma sopa em forma de tarte ou uma tarte com consistência de sopa. Chamem-lhe um nome qualquer. Ficou deliciosa.



6 doses individuais

1 cebola grande, picada
2 dentes alho, picados
1 cenoura grande, ralada
6 cogumelos médios, laminados
1 chávena milho
1 chávena feijões de soja (congelados)
2 colheres sopa azeite
1/2 chávena vinho branco (boa qualidade)
1 folha louro
1 colher chá tomilho (só as folhinhas)
1 colher sopa manteiga
1 colher sopa farinha (bem cheia)
1 chávena leite
1-2 chávenas caldo de legumes
2 colheres sopa mascarpone
1 ovo batido, para pincelar
noz moscada
sal e pimenta
6 quadrados de massa folhada (ou outra a gosto, imagino que a filo devidamente barrada com manteiga não fique mal)

Numa frigideira de fundo grosso, aquecer 1 colher de azeite e saltear ligeiramente um dente de alho picado. Adicionar os cogumelos laminados e deixar cozinhar por 2 minutos, mexendo ocasionalmente. Juntar o vinho branco e o tomilho. Deixar evaporar o líquido, cerca de 6 minutos. Temperar com sal e pimenta. Retirar da frigideira e reservar.

Colocar o restante azeite com a cebola e o outro alho com a folha de louro na frigideira (não é necessário lavar) e alourar por 1-2 minutos. Juntar a cenoura e a soja com uma chávena de caldo e deixar cozinhar. Verificar se é necessário acrescentar mais caldo, até a soja e a cenoura estarem quase cozidas (não cozer demasiado, 4-5 minutos). Acrescentar o milho e os cogumelos. Retirar a folha de louro e temperar com sal e pimenta a gosto. Peneirar a farinha sobre os legumes, mexendo sempre. Temperar com noz moscada. Juntar a manteiga e o leite aos poucos. Mexer 2 minutos, até engrossar o caldo. Retirar do lume e juntar o queijo mascarpone.

Dividir por 6 ramequins. Cobrir com a massa folhada, de forma a tapar completamente o topo de cada um, com decoração a gosto. As minhas florzinhas não são mais do que chaminés - cada ramequim deve ter uma ou um pequeno furinho. Pincelar com o ovo batido. Levar ao forno a 180ºC por 30 minutos ou até a massa estar dourada e cozida.

Aguentam bem no frigorífico por 2 dias ou podem ser congeladas já com a massa (neste caso, não usar massa congelada) num recipiente fechado ou cobertas com película e colocadas num saco fechado. Pincelar com ovo depois de retirar do congelador e levar ao forno a cozer. Consumir no prazo máximo de 2 meses.