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24.9.13

Milho grelhado com manteiga de malagueta e coentros

Milho com manteiga de malagueta

Para onde foram os dias e os meses, não sei. Diz o calendário que já estamos no Outono. Opinião contrária têm os corpos que se recusam a largar as sandálias e a deixar, sem luta, as rotinas dos dias ainda longos. Trago um par de maçarocas de milho do mercado. Estão em estação quando o sol vai alto e apetece chamar almoço a uma tigela de salada. Dizem-me que este ano as frutas e os legumes estão atrasados, que os tomates continuam doces, que as curgetes e as beringelas estão em pleno e que os figos estão para ficar. Sabendo que tudo muda num ápice, estou determinada a não mudar de estação.

Outono? Ainda não.

Ainda o Verão! Milho e manteiga de malagueta e coentros

Há pratos que ficam na memória e nunca são esquecidos. Muitas vezes são simples combinações de dois ou três ingredientes ou a inusitada junção de sabores e texturas. Outras vezes é apenas a vontade de voltar aos lugares onde os minutos passaram depressa demais e onde apetece voltar o mais rapidamente possível. Não voltámos (ainda) ao De Kas e a memória daquele almoço ficou connosco, colou-se à pele e recusa-se a desaparecer. Não nos esquecemos do milho grelhado que nos foi servido como entrada.

Neste final de Verão temos aproveitado o milho fresco do mercado e embarcado nas memórias de viagens passadas.

Milho com manteiga de malagueta
Milho com manteiga de malagueta

16.7.13

Figos e crostini de pesto de rúcula e mozzarella

Figos e crostini de pesto e mozzarella

Lá porque as férias são uma miragem e a cidade se esvazia de carros e pessoas, ficam razões de sobra para aligeirar as refeições. Que mais não seja para responder ao calor e à vontade de aproveitar o melhor que o Verão tem. Os figos são uma das minhas frutas preferidas e quando chegam só quero tê-los no prato. Ainda é cedo para pensar nas tartes, na compota ou nas sobremesas mais elaboradas, que hão-de amparar o Outono e dar conforto e coragem para enfrentar a nova estação.

Agora é tempo de comer os figos ao natural. Os primeiros. Lampos. Abertos ao meio e a deixar um pouco de açúcar escorrer pelos dedos, enquanto se trincam as sementes e a pele macia. Em saladas, como companhia de uns crostini ou por si só, são sempre promessa de dias felizes. Estejam as férias onde estiverem.

agapantes Figos e crostini de pesto e mozzarella

27.6.13

{almoço de semana} Salteado de favas e ervilhas tortas

Favas e ervilhas tortas salteadas

Tenho em mim todos os sonhos do mundo. Como todas as palavras predestinadas queria ter-me lembrado de as juntar. Leio-as e reconheço-me. Este poema também sou eu. Apodero-me das palavras como se fossem minhas. Tenho em mim todos os sonhos do mundo. E alguns são bem prosaicos. Quero acreditar que no simples almoço, feito em poucos minutos, estão todas as promessas que o prato pode oferecer. Todos os confortos e panaceias.

De cor, sabor e textura. De simples vegetais a um sorriso aberto num rosto cansado. Há poucas coisas tão boas como os melhores ingredientes. Mesmo nos dias em que os comensais estão desatentos e a sonhar com outras latitudes. Sobretudo quando o tempo se faz rogado.

Herdade do Freixo do Meio Favas e ervilhas tortas salteadas

Favas, ervilhas tortas, alho-francês bebé e pimento vermelho. O meu wok fora do armário. Se os dias de semana pudessem testemunhar refeições mais demoradas, o meu fiel utensílio teria muito menos uso. Não é o caso e cá seguimos os dois a mil à hora. Dez minutos e o almoço está na mesa. Vegetais no prato, queijo feta desfeito e umas colheradas de bulgur.

Há sonhos assim.

Favas e ervilhas tortas salteadas

23.4.13

Sopa de espargos e ovo escalfado

Sopa de espargos

Uma tigela de sopa verde, um raio de luz e uma ode à Primavera. Tivesse o céu outro azul e o sol menos fulgor e não passaria de uma tentativa. Novos começos. Pudesse eu trocar por outro qualquer manjar e não o faria. Trago todos os aromas da nova estação e uma cornucópia de emoções. A felicidade é, afinal, comida à colher.

Os espargos são sinónimo de dias luminosos.

Quando no mercado as bancas se enchem de produtos da nova estação, essa é a altura em que sei que ela chegou. Que a Primavera já não é uma promessa esquecida num calendário. É quando se materializa em morangos doces, espargos tenros e favas e ervilhas frescas que se torna realidade.

Origem - cozinha saudável Sopa de espargos

De todas as cores que fazem a Primavera, o verde é quem mais ordena. São os espargos, compridos e finos, que me cruzam o caminho. Um molho inteiro e tantos planos. Um monte de pés fibrosos a gritar por mim. E uma sopa verde que não me sai da ideia.

Foi assim o aproveitamento do primeiro molho de espargos do ano. Com ovo escalfado e a cor quente da pimenta d'Espelette para um almoço rápido.

Piment d'Espelette

5.4.13

Salteado de espinafres e tofu

Salteado de espinafres e tofu // Spinach Tofu Stir-fry

São as estações que ditam aquilo que se come cá em casa. Aceita-se o que a terra dá, quando dá e como dá, com esporádicas excepções e um ou outro devaneio. Despedimo-nos das pêras quando elas acabam, dizemos adeus às alcachofras de Jerusalém e até para o ano ao romanesco. Ansiamos pelas ervilhas e pelas favas, esperamos pelo dia em que valha a pena comer morangos e sorrimos às alcachofras que chegam. Até aqui tudo certo. O problema é quando as estações se baralham. É Primavera mas parece Outono. As sementeiras que deviam estar na rua, esperam em casa ou estão por fazer. Os casacos e as camisolas estendem o seu reinado. O tempo que faz é assunto como nunca, como sempre.

Há uma depressão colectiva aligeirada pelo sol periclitante que vai aparecendo. Para desaparecer em seguida. Procuramo-lo desenfreadamente. Dão-se alvíssaras a quem o devolva em definitivo ao céu onde pertence nesta altura do ano. Enquanto isso não acontece, resta-nos seguir junto ao fogão, de colher de pau em riste e com pratos quentes. Durante a semana não há tempo a perder. Simples, rápido, nutritivo e reconfortante. O plus é ser vegetariano. E delicioso.

Como as pequenas flores que nasceram e já partiram. Até para o ano!

crocus
Salteado de espinafres e tofu // Spinach Tofu Stir-fry

Saltear legumes na frigideira ou no wok é uma forma de cozinhar rápida e saborosa. Juntar uma fonte de nutrição adicional como o tofu, frutos secos ou sementes é sempre uma boa ideia para transformar o prato em refeição completa. Importa lembrar que o incremento de sabor que vem das especiarias ou do molho de soja, do mirin ou dos vinagres ajuda a agregar os diferentes ingredientes. E assim, com meia-dúzia de coisas se faz o almoço.


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veja também:
Salteado de tofu, couve roxa e ervilhas tortas
Crepes de legumes salteados

15.3.13

Salada de cuscuz e legumes com queijo halloumi grelhado

cuscuz e queijo halloumi

Todos os dias são bons para experimentar uma comida nova. Uma combinação de ingredientes nunca provada ou uma nova técnica, tantas vezes simples e quase óbvia. Porque quando se sabe, quando se conhece, o mundo fica maior. É uma felicidade descobrir sabores diferentes e novas texturas. A emoção da descoberta não tem paralelo. Pode ser um vegetal mais inusitado, um cereal desconhecido ou um queijo de nome esquisito. No prato, a promessa de uma aventura em tempo real e sem sair do sítio. Tantas vezes fácil e ao alcance da mão.

Dias perfeitos.

banca do mercado
Halloumi com cuscuz e legumes

O halloumi é um queijo cipriota feito a partir de leite de cabra e de ovelha e cuja característica mais marcante é não fundir. O que lhe permite ser cozinhado de maneira diferente da maioria dos queijos, por exemplo grelhado ou frito. É um queijo salgado que é frequentemente encontrado em receitas provenientes do Médio Oriente. As combinações possíveis são quase infinitas. Aqui chega acompanhado de legumes cozidos ao vapor e cuscuz.

Para um almoço rápido durante a semana. A piscar o olho à Primavera.

5.2.13

{livros favoritos 2012} Gratinado de couve-flor e avelãs

Gratinado de couve-flor e avelãs

Há quem compre um livro pela capa. E há quem compre um livro sem capa. Ou melhor, sem sobrecapa. Das fotografias e da tipografia colorida, nada resta. É um livro azul com o título na lombada, de ar sisudo e com cara de poucos amigos. Que se enche de cor e desenhos, fotografias e letras assim que é folheado. Não saio da livraria sem ele. Uma decisão acertada. É um dos meus livros favoritos de 2012.

A história de uma pequena cozinha em Paris e a vontade de reinventar a cozinha francesa é o leitmotiv de Rachel Khoo para este livro. Entre Londres e Paris, a autora desenha uma história de vida em volta dos alimentos. É um testemunho da realidade parisiense pelos olhos de quem se muda do outro lado do canal. Alegre e colorido, é um livro (mais) na cidade das luzes. Que é, para mim, parte substancial do seu encanto.

Little Paris Kitchen Little Paris Kitchen

Os clássicos de qualquer cozinha são um assunto sério. Numa quase blasfémia, repensar a cozinha francesa é serviço para corajosos. Sem desvirtuar, Rachel Khoo consegue o improvável: cozinhar clássicos franceses numa cozinha de meia dúzia de metros quadrados. Os senhores da técnica só podem aplaudir. A abordagem é bem disposta. Os pratos são testemunhos de uma cultura pouco atreita a mudanças, trazidos para o dia-a-dia do comum dos mortais.

Hoje faço um gratinado de couve-flor com avelãs. Na tradição dos pratos de forno envoltos em molho béchamel e queijo, esta é uma versão leve do muito francês sauce Mornay. Pode ser acompanhamento para carne ou uma entrada vegetariana. A graça e uma parte do sabor vem do queijo e das avelãs. Na agenda, fica a vontade de experimentar com outros vegetais como Rachel sugere. Voilá!

Gratinado de couve-flor e avelãs

26.11.12

{da minha estante} Pilaf de trigo bulgur e o Novo Vegetariano

Pilaf de bulgur com grão e feta

Uma estante repleta de livros é sempre uma visão reconfortante. É território familiar e adorado. Adivinha-se aventura e mistério, mil tesouros para descobrir ou simplesmente o retorno ao que se conhece e onde a felicidade já nos encontrou. Quando passamos por perto dessas estantes, os autores sussurram segredos e promessas, em vozes reconhecíveis ou nem por isso. Umas vezes fazemos orelhas moucas e seguimos caminho. Noutras deixamo-nos encantar. São assim as incursões (in)esperadas pelas filas desalinhadas onde esperam palavras e fotografias em forma de livro.

Foi por quase mero acaso que num destes dias me deixei apanhar pelo feitiço do encantador Yotam Ottolenghi. Dedos que percorrem páginas, sorrisos de antecipação, memórias e viagens. E tudo sem sair da minha sala.

O novo vegetariano

O meu primeiro encontro com Ottolenghi aconteceu num dia de chuva, tipicamente londrino, há uns anos atrás. Fiquei-me pela montra da loja de Portobello, à conversa com amigos queridos. Só voltei a pensar no senhor Ottolenghi muito tempo depois. De livro aberto, com vontade de provar tudo perante uma abundância de saladas e vegetais coloridos, foi um pilaf que me ganhou o coração.

O Novo Vegetariano, no original Plenty (abundante), é um livro com múltiplos encantos. Um conforto tanto para quem come como para quem lê e para quem vê. Porque as receitas são guias e não letras paradas, a minha versão serve como refeição e acrescenta leguminosas e queijo. Espero que Yotam Ottolenghi me perdoe a ousadia.

O novo vegetariano de Ottolenghi

25.10.12

{Dia Mundial das Massas} Conchiglioni com beringela, pimento assado e feta

Conchiglioni com beringela, pimento assado e feta

A mais justa homenagem aos ingredientes simples é a celebração do dia-a-dia. Com felicidade garantida, assim o cozinheiro escolha integrá-los na ementa. É tê-los na mesa a acompanhar um quotidiano feito de refeições mais ou menos a correr, das que se fazem em cima do relógio e das outras sem a pressão do tempo. Alimento de todos os dias, as massas fazem parte da cozinha simples e têm lugar em muitas mesas. Dia 25 de Outubro é Dia Mundial das Massas. Vamos comer massa hoje?

Por serem versáteis, económicas e nutritivas, as massas oferecem possibilidades quase infinitas e são um veículo perfeito para levar vegetais ao prato. De todas as formas e feitios, as minhas preferidas são as que oferecem "bolsos e ranhuras" onde o molho se possa esconder. E aquelas que podem ser recheadas, como estes Conchiglioni.

Beringelas e tomates // Aubergines & Tomatoes Conchiglioni com beringela, pimento assado e feta

A comemoração do Dia Mundial das Massas é um lembrete que se agradece. Traz consigo uma chamada de atenção para um alimento cheio de qualidades. Não vejo a massa como um acompanhamento, papel que na cozinha em Portugal tantas vezes lhe é conferido. É antes uma base multifacetada, na cor, na forma e na textura, para uma infinidade de combinações a que o queijo raramente é alheio.

A minha sugestão de hoje é uma refeição vegetariana, com uma combinação de legumes assados e queijo Feta, que servem de recheio a umas bonitas conchas gigantes. Com um molho de 3 tomates, que é como quem diz, tomate assado, tomate seco e tomate maduro. Não é uma receita para todos os dias. Implica algum tempo e um período de meditação (que corresponde a rechear cada uma das conchas gigantes) e uma longa lista de ingredientes e procedimentos. Mas vale cada um dos esforços. E pode ser preparada aos poucos, assando os vegetais e fazendo o molho num dia e recheando e finalizando o prato no outro. Se ainda restarem pimentos vermelhos e os últimos tomates, este prato oferece uma excelente oportunidade para os usar.

Pimentos // Red Bell Peppers

6.6.12

Sopa Indiana de couve-flor e especiarias

Sopa Indiana de couve-flor e especiarias

Passam-se os dias e as horas. Repetem-se as acções, intensificam-se as rotinas. As manhãs e as tardes. Não é tempo de sonhar com outros dias, com outras rotinas (ou a falta delas). Hoje segue-se em frente como se não houvesse amanhã. Aperta-se um calcanhar contra o outro, pinta-se um sorriso na cara e cá vamos nós. É preciso acreditar.

E mesmo quando os segundos se apressam e o relógio dita o ritmo, há sempre tempo para um almoço sentado. Pode ser uma tigela de sopa e pão. Este foi um dos meus almoços de semana, comido entre o silêncio da minha cozinha e o bulício da rua, com a cabeça nos afazeres daquela tarde. Muito semelhante à de hoje.

Coentros // Coriander

Aloo gobi é um prato indiano muito popular que combina couve-flor, batata e muitas especiarias. O nome é literal já que Aloo significa batata e Gobi couve-flor. Tradicionalmente é servido sem caldo e com os vegetais inteiros, numa espécie de estufado vegetariano. A versão em sopa é menos comum mas é deliciosa. Serviu para usar a última couve-flor do ano.

Esta sopa é cremosa e espessa, sem qualquer adição de natas. Perfeita como entrada ou como refeição rápida.

Sopa Indiana de couve-flor e especiarias

9.4.12

Risotto de abóbora assada com cogumelos

Risotto de abóbora assada com cogumelos // Roasted Squash Risotto with Mushrooms

Todas as águas de Abril são, até à data, pouco mais que meras promessas. Ou bem intencionados processos de fé. Voltam, sim, alguns casacos e camisolas, a acompanhar temperaturas mais baixas. E pratos de comida quente, para afagar gargantas doridas e uma lista interminável de afazeres. Com o calendário a continuar numa imparável cavalgada, ano a fora. Uma "industrialização da esperança", esta coisa de haver uns dias a seguir aos outros até perfazer um ano. Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão, como escreveu Carlos Drummond de Andrade.

Fazer risotto é também um acto de esperança. Espera-se que os minutos a mexer o tacho resultem num prato fumegante de conforto em forma de arroz e pouco mais. Anseia-se pelas colheradas fáceis de combustível para o estômago e energia para o cérebro. Constroi-se a vontade de seguir em frente, quer o calendário queira, quer não. Fazer risotto com arroz integral é abusar da sorte. Mas ou bem que se acredita, ou a coisa não vale a pena. Esperança, em doses industriais, precisa-se! É a história do meu dia-a-dia.

Risotto de abóbora assada com cogumelos // Roasted Squash Risotto with Mushrooms

Nada melhor para celebrar um aniversário que um prato de arroz. Esta é a minha contribuição para a festa da Manuela cujo blogue O Bolo da Tia Rosa completa um ano de aventuras. Parabéns e votos de muitos mais!

13.3.12

Galette de alho francês com avelãs

Galette de alho francês com avelãs // Leek Hazelnut Galette

Tenho uma predilecção por sótãos onde vivem muitas décadas. Armazéns da vida. Daqueles onde se guarda o que já não serve, o que nunca serviu ou aquilo que não cabe em mais nenhum sítio. Em casa dos meus pais há um espaço desses. São 4 divisões esconsas onde há de tudo. Livros e cadernos de muitos anos de escola. Sofás, camas e mesas sem lugar. Estantes com caixas e caixinhas. Bonecos e jogos. Numa dessas divisões descansam os brinquedos de duas gerações. É a preferida dos meus queridos sobrinhos, claro. Uma espécie de lugar mágico onde as estórias andam pelas paredes e o tempo pára. Há outra divisão mais pequena onde vive uma banda de jazz em cerâmica. É lá que se guardam os serviços de jantar que nunca foram usados, as estatuetas que perderam a cabeça, terrinas e panelas sem uso. É carinhosamente apelidada de Gruta do Ali Babá e a minha favorita. Vá-se lá saber porquê.

Foi lá que desencantei um robot de cozinha com a ajuda da minha mãe. Deve ter uns 20 anos e nunca foi utilizado. A massa desta galette, feita com avelãs, serviu para o experimentar e há-de ser feita outras vezes.

Galette de alho francês com avelãs // Leek Hazelnut Galette

As tartes e empadas podem ser feitas com massa pré-preparada mas fazê-la em casa é muito fácil, sobretudo com um robot de cozinha. Demora 2 minutos a fazer e apenas necessita de meia-hora no frio para estar pronta. O rácio é simples: metade do peso da(s) farinha(s) em gordura, ovo(s) e água gelada que baste. Uma pitada de sal e um pouco de açúcar em pó se se tratar de uma versão doce et voilá. A minha tarte de hoje é rústica e eu chamo-lhe, à boa tradição francesa, galette.

Uma galette é uma tarte feita sem um tarteira e em que a massa é meio dobrada por cima do recheio. Este pode ser doce ou salgado mas um ou outro são quase sempre ricos em frutas ou legumes. Neste caso, fez-se de alho francês e avelãs com um eco de mostarda. As opções são múltiplas e a massa extra é o bónus.

Galette de alho francês com avelãs // Leek Hazelnut Galette

24.2.12

Sopa de cenoura e beterraba e uma quase fatalidade

Beterrabas // Beets

Uma mão cheia de beterrabas. O sabor a terra e a cor vibrante são as suas principais características. Os dedos pintados uma promessa para quem as cozinha. Um sonho infantil em forma de sopa. E, no entanto, as beterrabas são mal-amadas. Um olhar de soslaio, desconfiado, é tudo o que repetidamente lhes está destinado. As primeiras impressões não são decisivas. Às vezes são fatais mas não decisivas. Diz Agustina Bessa-Luís e eu concordo. Como sempre, perspicaz e incisiva. O meu amor pelas beterrabas é recente. Lembrei-me da Agustina por causa desta quase fatalidade.

Se puderem dêem uma (segunda) oportunidade às beterrabas. Por via das dúvidas. Não vá a primeira impressão estar errada. E ser-vos fatal.

Sopa de cenoura e beterraba // Carrot Beetroot Soup

Esta sopa surge, como tantas, da necessidade de usar meio molho de beterrabas. Devo ao meu adorado Provador esta vontade recente de incluir mais este vegetal na nossa alimentação diária. É que ele, ao contrário da minha pessoa, sempre soube que gostava de beterraba. A combinação com cenoura reforça os açúcares próprios da beterraba que foi assada e ganhou um sabor caramelizado muito interessante. O iogurte e o cebolinho contrabalançam o doce com um travo mais ácido. Fez-se como almoço de semana, com pão torrado e queijo de cabra.

"Plegaria Muda" de Doris Salcedo
Sopa de cenoura e beterraba // Carrot Beetroot Soup

9.2.12

Cogumelos e ovo escalfado em tosta e um convite para jantar

Londres (de cima) // London from above

Sejam bem-vindos a Londres. A viagem passa pela cidade onde vive o meu convidado de hoje. Virá para o jantar. Ou para o pequeno-almoço. Talvez chegue pela hora do almoço. Nunca se sabe. Resolvo estar preparada. A nossa refeição será uma tosta de cogumelos com um ovo escalfado. O prato que lhe reservei come-se a qualquer hora e cabe nas várias refeições do dia. Se vier para uma refeição mais formal, bebemos vinho. Se ele se perder pelas ruelas e mistérios desta cidade e chegar para o brunch, há-de haver um bule de chá Earl Grey ou uma chávena de café à espera. Não que o homem que convidei para a minha mesa perca tempo com refeições. Entre deduções lógicas e o método científico, criminosos, vilões e gente em apuros é ao violino e à cocaína que recorre quando mais nada funciona.

Hello, Mr. Holmes.

Sherlock Holmes Museum, London
Cogumelos em tosta // Mushroom Toast with a poached egg

Sou uma fervorosa leitora de policiais. Sempre fui. Podia dizer que um dos meus escritores preferidos é Sir Arthur Conan Doyle. Não é verdade. A minha dedicação tem um destinatário diferente. Conan Doyle criou um personagem que saiu do papel, assumiu vida própria e sobreviveu ao criador. A sua morada em 221B Baker Street passou a existir, as suas frases de tão repetidas parecem reais e os seus hábitos são discutidos como se de uma pessoa se tratasse. Li todas as aventuras de Sherlock Holmes que foram, no original, publicadas como um folhetim na revista The Strand. Segui séries televisivas, entre as quais um fantástico Jeremy Brett na Granada Television e mais recentemente um Sherlock moderno, com telemóveis e computadores à mistura (da BBC). É um reencontrar do génio, numa reinvenção constante, em novos cenários e diferentes tempos. Há ainda as sequelas. É que alguém como Sherlock Holmes tem muitas vidas. A minha preferida é da escritora Laurie R. King com a sua Mary Russell a casar com Holmes quando este já vai nos "sessentas" (traduzido em Português) e a ombrear com ele em aventuras pelo mundo inteiro.

A relação de Sherlock Holmes com a comida é de profundo desprezo. Os gritos pela Mrs Hudson nunca são para pedir o pequeno-almoço, para desgosto do Dr. Watson que é um bom garfo e da própria Mrs Hudson, uma cozinheira muito competente. Embora já estejam presentes as influências do império Britânico e a tradicional tendência para os assados, as pies e os hot pots, a Londres vitoriana tem uma cozinha sem grandes rasgos. Estes cogumelos on toast não serão estranhos ao meu convidado já que sabores idênticos podem ser encontrados nas receitas da época. Se ele não gostar, como eu. É que já ando a preparar o estômago para o que dirá de mim.

uma chávena de café e um livro

Convidei para jantar é um projecto da autoria da Ana e o tema deste mês (já adivinharam) é Personagens de livros e/ou filmes. Sherlock Holmes cabe em qualquer das categorias, com os livros (e já agora as séries televisivas) a estarem a anos luz do que tem sido feito no cinema. Um convidado surpreendente. Em todos os sentidos.

9.1.12

Uma sopa de raiz de aipo com maçã para almoçar

Sopa de raiz de aipo com maçã // Celeriac Soup

O ano arranca e eu faço sopa. É assim a cada início de 365 ou 366 dias. E sabe bem. Tanto ao palato (fustigado por refeições e celebrações sem fim) como à alma (necessitada de horas mais calmas). Um silêncio de eterno retorno à vida quotidiana. Ao contrário da maioria das pessoas, que ficam nostálgicas e tristes, eu gosto do final das festas. Aquele momento em que se arrumam os brilhos e as loiças festivas e a casa volta a ser dominada pela rotina e pelos livros. Numa sensação reconfortante de normalidade.

Os meus almoços de semana são invariavelmente compostos por sopa e fruta. É uma refeição conveniente, saudável e rápida comida na mesa da cozinha com o sol a entrar sem pedir licença. Everyday food. O que não quer dizer que a coisa seja enfadonha e sempre igual. No Inverno, as raízes são opção privilegiada. Desta feita, raiz de aipo, aromática e de sabor forte. Para aquecer dias frios e lembrar um livro com comida de todos os dias. River Cottage Every Day de Hugh Fearnley-Whittingstall é um livro cheio de receitas simples e um dos meus preferidos de 2011. Comida para celebrar o quotidiano.

Sopa de raiz de aipo com maçã // Celeriac Soup