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25.11.19

Caminhos Cruzados, o Titular Dão Novo e o elogio do Outono

Caminhos Cruzados, Titular Dão Novo 2019

Com a chegada de Novembro, as celebrações fazem-se de castanhas, dióspiros, medronhos e vinho novo na adega Caminhos Cruzados. Estamos em Nelas, no coração do Dão, e aqui trabalha-se todos os dias com memórias construídas em torno dos vinhos que fazem a história da região e a trazem para um merecido lugar de destaque. Se esta foi a primeira região demarcada do país, os segredos e os encantos do Dão estão ainda por descobrir e há todo um mundo vínico para explorar.

Aqui os vinhos são tão especiais como a paisagem e as pessoas, aliando uma elegância serena à dinâmica da diversidade. Da paixão que dá corpo às palavras de Lígia Santos fica a certeza de que estes vinhos são a sua casa e explicar as razões que a levaram a regressar a Nelas para liderar este projecto de família deixa-lhe um brilho novo nos olhos. O convite para conhecer a adega e descobrir onde tudo acontece é aceite com energia por um grupo bem-disposto e curioso.

Caminhos Cruzados, Titular Dão Novo 2019
Caminhos Cruzados, Titular Dão Novo 2019

À medida que o caminho se faz pela adega de linhas direitas e naves cruzadas vão sendo mostrados os diferentes passos que as uvas seguem até à vinificação. Com a curiosidade sobre o primeiro vinho da vindima a crescer, queremos saber mais sobre as suas características. Feito à imagem do Beaujolais Nouveau, o Titular Dão Novo 2019 resulta de uma ideia do enólogo Manuel Vieira e é feito a partir da casta Jaen com o intuito de ser consumido de imediato e estar pronto para as castanhas e a celebração dos aromas e sabores do Outono.

Já de volta à loja, é tempo da prova do primeiro vinho da vindima e o ambiente de festa ajuda a descobrir o seu carácter versátil e descomplicado. O Titular Dão Novo 2019 é um vinho harmonioso, fácil de gostar e que convida à conversa: bem-vindo!

Caminhos Cruzados, Titular Dão Novo 2019
Caminhos Cruzados, Titular Dão Novo 2019

18.4.19

De Vidigueira a Vila de Frades, entre vinhos e talhas

Vinhos e Talhas em Vidigueira

Faz-se o caminho com o vinho por destino num território em que a paisagem se pinta de vinha a cada nova curva e as gentes fazem da terra sustento e cultura. De visita a Vidigueira, no âmbito do Terras Sem Sombra, as adegas da região marcam presença num festival que é feito de música sacra, património e biodiversidade e onde o nome da terra, que deriva da palavra vidigeria ou videira, indicia desde logo as ligações ancestrais ao mundo do vinho.

Em cada casa uma mesa posta para receber quem chega, com o incontornável pão alentejano e o omnipresente barro que dá corpo aos pratos e tigelas que esperam os petiscos, aos recipientes onde se serve o vinho e às talhas onde este é feito. O processo é parte de uma tradição antiga que configura uma técnica de preservação e feitura do vinho característica da bacia do mediterrâneo, onde a cultura alentejana se desenvolve.

Mas que vinho é esse? E como se moldam as enormes talhas que lhe dão guarida de Setembro a Novembro? Quem cultiva as castas que dão nome à região? Onde provar? E o que comer, à boleia do copo? Em busca de respostas, seguimos de Vidigueira até Vila de Frades.

Vinhos e Talhas em Vidigueira


14.2.19

{ Festival Terras Sem Sombra } Música sacra, pão artesanal e o caminho dos peixes do rio na Vidigueira

Terras Sem Sombra, Vidigueira

Uma região inteira para explorar e descobrir à boleia de um festival de música sacra, património cultural e biodiversidade. É esta a proposta do Terras Sem Sombra, que na sua 15ª edição com o mote "Sobre a Terra, sobre o Mar — Viagem e Viagens na Música (séculos XV-XXI)" propõe conhecer o Alentejo, de Vidigueira até Sines. Das igrejas que recebem os concertos às paisagens abertas sobre a planície, há ainda os saberes, os gestos e os sabores que fazem da cultura alentejana um lugar de pessoas. Nelas o festival centra a sua força agregadora e junta gente de dentro e de fora, com vontade de desfrutar da música e saber mais sobre o território.

Música

Na primeira paragem do extenso programa (26 de Janeiro a 7 de Julho), as vozes brilhantes que compõem The Spelman College Glee Club fazem sua a Igreja Matriz de São Cucufate em Vila de Frades para um momento de música no feminino, com um repertório que nos leva até ao país convidado do festival em 2019, os Estados Unidos da América. Vindo da Geórgia, este grupo de vozes é composto integralmente por jovens mulheres negras e a música que delas emana em forma de canção faz do concerto de abertura uma experiência mística, fruto também do espaço sagrado onde nos encontramos.

Terras Sem Sombra, Vidigueira
Terras Sem Sombra, Vidigueira

Património Cultural

Parte importante do espólio imaterial que caracteriza Vidigueira, para além do azeite e do vinho, é a sua produção artesanal de pão. Da cozinha alentejana fazem parte, aliás, inúmeras receitas que fazem do pão ingrediente estrela e meio de sustento das gentes. As conhecidas migas com carne de alguidar são um exemplo da transformação do pão em alimento de textura distinta e a sopa de cação tem nas fatias finas de pão da véspera acompanhamento essencial ao caldo aromatizado com alho e coentros.

Com o olhar sempre presente de Vasco da Gama, a nossa viagem pelo pão começa no Museu Municipal de Vidigueira e no seu núcleo etnográfico. Depois de acompanhar a história da moagem, dos cereais e do fabrico, seguimos para as padarias para pôr a mão na massa e ouvir de viva voz os padeiros e "Conhecer o ciclo do Pão: Teoria, Poesia e Prática".

Terras Sem Sombra, Vidigueira
Terras Sem Sombra, Vidigueira

24.4.15

Por um Algarve desconhecido e uma torta de alfarroba com creme de limão

Algarve, Portugal

A Sul, um oceano infinito e praias de areia branca pautam as imagens com que o Algarve sempre se apresenta. Para além do azul, há um Algarve verde onde as serras marcam uma paisagem que recebe bem em todas as alturas do ano e a calma é a característica mais apreciada. Segredo bem guardado para fugir às correrias do Verão este é o tempo de descobrir a face oculta de uma região com muito para contar.

Pelas estradas do parque natural da serra de Monchique é a natureza na sua roupa de Primavera que desenha o caminho, por entre árvores perfiladas na berma estreita e muita vegetação. Razões de sobra para o cognome de Jardim do Algarve, ganho graças a este património natural. Ali à esquerda, uma passagem para as Caldas de Monchique. Mais verde, ainda mais exuberante, num lugar onde a temperatura amena, o sossego e um certo mistério não deixam de lembrar Sintra.

Algarve, Portugal Algarve, Portugal Algarve, Portugal

Entrados nas Caldas de Monchique, quando se chega às Termas o melhor é deixar o carro, aproveitar as vistas e seguir a pé à descoberta. As flores nas janelas, a pender dos muros ou a enfeitar as árvores são o encanto de quem pede pouco mais que um dia de descanso. É o cheiro de pão cozido que orienta o percurso. Com a gulodice e uma pontinha de curiosidade damos com o local onde tudo acontece. O forno de lenha tem a porta aberta e uma senhora retira uma pá pãezinhos com chouriço ainda fumegantes.

À troca do azul pelo verde sucede-se a substituição da bola de berlim por um pão com chouriça acabado de fazer e servido ali ao lado no bar de pedra. Com um café e o sol por entre os ramos das árvores há pouco mais que se possa pedir. A não ser que o almoço traga uma sobremesa inesquecível...

Algarve, Portugal Algarve, Portugal Algarve, Portugal Algarve, Portugal

[Para que estiver no Algarve a 5ª edição do Algarve Chefs Week está prestes a começar (decorre de 26 de Abril a 3 de maio) com a participação de 10 Chefs Executivos de prestigiados hotéis do Algarve. Este ano os menus encontram inspiração em 5 produtos característicos da região: Flor de Sal, Figos Secos, Alfarroba, Favas e Laranja.]

16.4.15

Tempo da Terra {e o almoço na Herdade do Esporão}

Tempo da Terra, Herdade do Esporão

Na imensidão de terra a perder de vista há um sentimento de serenidade que se apodera de nós assim que se avistam as primeiras vinhas da Herdade do Esporão. Entre as oliveiras, junto à barragem ou nas pedras que indicam o caminho inscreve-se uma forma de estar e um modo de vida que nos faz querer ficar ali para sempre. No campo, a exuberância de uma primavera a começar enche de encantos a paisagem alentejana, pontuada de flores silvestres e novos rebentos.

Da tradição dos vinhos que caracteriza desde sempre o Esporão até à construção de um projecto mais alargado de enoturismo, a visita faz-se de caminhadas no jardim, pelas vinhas ou nas adegas e termina irremediavelmente à mesa com um copo de vinho por perto, no restaurante.

Herdade do Esporão, Alentejo Herdade do Esporão, Alentejo Herdade do Esporão, Alentejo Herdade do Esporão, Alentejo

A nova Adega dos Lagares é exemplo duma aproximação à terra com a sua construção em taipa, sustentada em técnicas e conhecimentos milenares. É aqui que são produzidos os vinhos especiais e por aqui passam as melhores uvas, com tempo para experimentações e espaço para todas as ideias da equipa de enologia. Os lagares de inox entre barricas de madeira e ânforas, sob um tecto de madeira feito dos despojos de outras tantas barricas, parecem saber do carácter particular do lugar.

De volta ao restaurante, no alpendre com vista para a vinha e o montado, são as glicínias em flor e o seu aroma que acompanham um Monte Velho Branco 2014 e uma tosta fina de miso, foie gras e maçã verde, a forma escolhida pelo do chef Pedro Pena Bastos para nos receber e iniciar o menu Tempo da Terra.

Herdade do Esporão, Alentejo

Com a horta biológica ali ao lado e os animais criados na herdade, o retorno do chef ao ponto de partida busca uma harmonia que só o respeito pelos ciclos da natureza podem proporcionar. Como se todos os sabores e aromas, ao seu melhor, se combinassem para um resultado impar em pratos surpreendentes na sua aparente simplicidade.

22.7.14

À mesa na Herdade do Esporão

Herdade do Esporão

No Alentejo o tempo passa mais devagar. E esse é apenas um dos seus muitos encantos. É como se todos os afazeres do dia pudessem ser cumpridos sem a pressão do relógio e a vida fosse acontecendo em harmonia com a paisagem. A estrada que nos leva até à Herdade do Esporão tem, como seria de esperar, uma moldura de vinhas e flores campestres, encimada por um céu azul a perder de vista. São quilómetros de uma imensidão com uma serenidade muito própria, característica identitária de um lugar muito especial.

Chegada a hora do almoço, o espaço do restaurante é ainda mais convidativo com a sua vista aberta sobre as vinhas, a barragem e o montado. A curiosidade divide-se entre as ervas aromáticas à beira do terraço, com os tomilhos e a erva caril no seu auge, e a nova adega de lagares a tomar forma com as suas paredes de taipa, mesmo ali ao lado. E numa terra em que a mesa ocupa o lugar central, as conversas acontecem quase sempre em volta do prato e com um copo na mão.

Herdade do Esporão Herdade do Esporão Herdade do Esporão

Quando se entra no restaurante é a luz que passa pelas grandes janelas abertas sobre o terraço que mais chama a atenção. A mesa posta na sala mais pequena está decorada com flores do campo e os menus impressos remetem para os padrões das mantas alentejanas. No coração da tradição vínica do Esporão, o nosso almoço celebra os brancos num conjunto de harmonizações em que os vinhos encontram nos pratos do chef Miguel Vaz parceiros com quem dialogar. As conversas cruzadas com a enóloga Sandra Alves, responsável pelos brancos e rosés na equipa de enologia liderada por David Baverstock, são o veículo perfeito para compreender melhor os vinhos que chegam à mesa e a sua ligação com os pratos.

No Cappuccino de ervilha, cogumelos em pickle e espuma de presunto estão alguns dos sabores que melhor espelham o Alentejo. Servido com um dos pilares do Esporão, este prato encontra no Monte Velho branco 2013 o par perfeito para as boas-vindas. Apreciado ao longo dos anos por diferentes gerações, a história deste vinho confunde-se a espaços com a da Herdade do Esporão. A combinação deste branco jovem, frutado e fresco, com a riqueza do presunto no cappuccino funciona às mil maravilhas.

Herdade do Esporão

A carta Primavera/Verão do chef Miguel Vaz é resultado de uma ligação à terra e à sua gastronomia, numa abordagem bem contemporânea. Com uma horta biológica que fornece o restaurante todo o ano com os produtos da estação, não é de estranhar que os vegetais assumam um papel importante nas escolhas do chef. Quando a terra mais produz é um sem fim de possibilidades que se abrem e que fazem do Visita à Horta... um prato em constante mutação. A acompanhar um copo de Verdelho 2013, um monovarietal elegante e intenso que se faz os encantos da mesa e ombreia com a tempura de couve-flor e o nabo crú marinado, os rolinhos de couve e o pickle de cebola roxa na perfeição. Um vinho com personalidade para um prato fantástico, talvez a minha harmonização preferida.

Com as conversas em torno da meteorologia e o seu papel na vinha, lá avançamos para um prato que faz uso de mais um ingrediente icónico do Alentejo. São os lagostins a assumir destaque, com as águas da barragem ali tão próximas.

Herdade do Esporão

11.6.14

Do olival, entre a horta e a vinha, o azeite biológico do Esporão

Herdade do Esporão

Da flor para o fruto. Por esta altura as oliveiras estão com candeio, como se diz no Alentejo. Em breve aparecerão pequenas azeitonas, que com o Verão hão-de ir crescendo mais e mais, até à altura da apanha lá mais para final do ano. Olho em frente e há uma vinha, mais ao lado o montado alentejano e ali atrás uma horta bonita. Ainda que este ano tenha vindo tímida, sente-se a presença da Primavera na Herdade do Esporão, com tons mais amarelados a emoldurar os verdes vibrantes das videiras num cenário pontuado a tempos pelos vermelhos das roseiras.

No meio do olival de produção biológica, há espaço entre as árvores para passear, com os pés enterrados na vegetação já seca que cobre o solo. O azeite biológico virgem extra produzido a partir destas azeitonas é resultado de um modo de produção, onde o respeito pela natureza e a qualidade do fruto caracteriza todas as opções tomadas. Em busca de maior eficiência, é na utilização criteriosa dos recursos que o Esporão encontra o seu caminho de futuro. As boas práticas ambientais estendem-se a toda a herdade com os vinhos a serem, a partir deste ano, portadores da certificação de produção integrada. Identifico-me de imediato com o espírito do lugar e a energia das pessoas que fazem desta a sua casa.

Herdade do Esporão Herdade do Esporão Herdade do Esporão

A manhã vai a meio e no Alentejo o dia faz-se de muitas nuvens. A discussão em torno da agricultura biológica é sempre apaixonante. Este modo de produção, em que se escolhe conscientemente um caminho mais sustentável, é na maioria das vezes também mais barato. Não é, contudo, fácil e rápido como os modos de produção mais rentáveis. Requer paciência, conhecimento e empenho. Entre conversas, histórias e muito debate sente-se a convicção dessa escolha. Este não é um mero passo ao lado mas um processo iniciado há vários anos e que agora começa a dar frutos.

Feito das variedades Cobrançosa e Arbequina, este azeite biológico resulta da primeira campanha do olival e a sua produção marca a abertura do Esporão aos produtos biológicos. Hei-de saboreá-lo numa prova cega, juntamente com o excelente monovarietal de azeitona Galega e o harmonioso Selecção. Vários copos azuis com uma tampa de vidro, alinhados à frente de cada um. Não é tarefa fácil reconhecer todos os aromas, identificar variedades de azeitona ou reconhecer azeites específicos. O Galega, com o seu perfil muito próprio, frutado e quase sem picante é o meu preferido para receitas doces. Do biológico, guardo uma sensação de equilíbrio entre o picante, o amargo e a frescura vegetal de um azeite mais adequado ao prato. Perfeito para acompanhar os vegetais da estação, em molhos e temperos, é ele a estrela do almoço saído da cozinha do chef Miguel Vaz.


Herdade do Esporão

27.11.13

Castanhas com açúcar e canela para um dia outonal na Herdade do Peso

Herdade do Peso, Vidigueira

O Alentejo é sinónimo de portas abertas e uma mesa sempre posta. Seja Verão ou Inverno, esteja calor ou frio, há na serenidade do campo, das casas e das pessoas uma mensagem de boas vindas sempre presente. Encanto-me com as cores da vinha. Quando visito a Herdade do Peso é a casta Syrah a mais exuberante a celebrar o Outono, num vermelho vibrante, acompanhada de perto por pinceladas mais claras de Aragonês.

Nas vinhas escreve-se a passagem do tempo, a meteorologia, a história da terra e a tradição de quem a habita. Uma paleta de ocres, alaranjados e vermelhos mais ou menos vivos pintam de cores diferentes, aqui e ali, a paisagem. Nas próximas semanas hão-de cair todas as folhas e a vinha há-de ganhar um ar despido. Por enquanto, e para minha delícia, é um sem fim de nuances outonais que emoldura o horizonte pelo Alentejo a dentro.

Fazemos um piquenique na vinha? A pergunta abre-me um sorriso largo no rosto. Em jeito de resposta afadigam-se as mãos para os cestos de pão, as empadas de galinha, a linguiça frita, o ananás com coentros e o queijo de cabra e ervas. Chego-me à frente e apenas resta uma garrafa de Vinha do Monte branco, que carrego de bom grado.

Herdade do Peso, Vidigueira Herdade do Peso, Vidigueira

Por entre vinhas em preparação, abre-se o vinho enquanto João Vasconcelos Porto, responsável pela viticultura da Herdade do Peso, explica as escolhas na selecção, cultivo e manutenção das vinhas e castas ali existentes. É a filoxera, a praga mais devastadora da viticultura mundial, que vem demonstrar o engenho humano na vinha e a resiliência dos produtores. A utilização de porta-enxertos, imunes à filoxera, permite contornar o problema. É na relação directa entre a viticultura e a enologia que desenham os vinhos, com nos explica o enólogo Luís Cabral de Almeida.

Na Herdade do Peso estão identificados cerca de uma dúzia de terroirs, áreas com características específicas que determinam o perfil e qualidade dos vinhos. As castas, na sua maioria tintas, são as já referidas Aragonês e Syrah, mas também Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional e Petit Verdot e uma pequena quantidade de uvas brancas, Antão Vaz, Arinto e Chardonnay.

Estamos em Novembro e, embora o sol brilhe, já faz frio. Poucas coisas são mais reconfortantes que castanhas, quentes e boas, e um copo de vinho, desta feita tinto, um Herdade do Peso Colheita 2011. As castanhas com açúcar e canela são uma enorme surpresa e um acompanhamento perfeito para uma caminhada por entre as videiras e uma conversa animada sobre vinho.

Castanhas com açúcar e canela
Herdade do Peso, Vidigueira

4.10.13

As vindimas na Quinta do Gradil

Vindimas na Quinta do Gradil

No que viria a ser um dos últimos verdadeiros dias de Verão, chegamos pela manhã à Quinta do Gradil. É um Sábado de Setembro com um sol radioso e quente que testemunha uma azáfama característica dos dias de festa. As mesas estão postas e o almoço já está no espeto. Por todo o lado, caras sorridentes vestem camisolas laranja. Para os miúdos é uma emoção. De tesouras prontas, lá se ouve com a atenção possível as indicações de segurança. Todos querem começar rapidamente.

De forma mais ou menos ordeira lá seguimos pela vinha a fora. É sempre em frente. Hoje vindima-se a casta tannat, uma das castas tintas produzidas nos 70 hectares a elas dedicados na Quinta do Gradil.

Vindimas na Quinta do Gradil Vindimas na Quinta do Gradil

Tannat é uma casta originária do sul da França, que viajou para a América do Sul e se tornou um símbolo dos vinhos no Uruguai. O nome não engana. Os vinhos produzidos a partir de uvas tannat são marcados por taninos muito presentes. Como dois ou três bagos, enquanto vou apanhando as uvas. São doces e densos. Hei-de reencontrar esse corpo e estrutura ao almoço ao provar o Touriga & Tannat, um dos tintos da Quinta do Gradil.

A nossa vindima rende quase três mil quilos. Como manda a tradição, das uvas por nós apanhadas resultará uma edição especial cujo rótulo será composto a partir dos desenhos dos ajudantes mais novos. O mural toma forma com arco-íris de cor a avançar em todas as direcções. Recebemos a edição do ano transacto, um vinho feito com Syrah e cujo rótulo combina na perfeição com as nossas camisolas laranja. Ainda por abrir, guarda uma refeição em família com um tacho fumegante à mesma mesa.

Vindimas na Quinta do Gradil

9.9.13

{Postal Ilustrado} Herdade do Freixo do Meio

Caminhada lenta, Slow Food Alentejo

Uma manhã de feriado em Abril. O primeiro dia solarengo em meses. Fazemo-nos ao caminho que o Alentejo está à nossa espera. Vamos para a Herdade do Freixo do Meio à procura da Primavera, de caminhadas lentas e passeios pelo campo à boleia do movimento Slow Food e de conversas sobre ervas, outras plantas e flores comestíveis com a Fernanda Botelho. Queremos saber mais, sentir o cheiro do campo e ouvir as aves.

A Herdade do Freixo do Meio é um daqueles sítios sem idade onde se escondem todos os sonhos. Há animais, lagoas, sobreiros e planície quase a perder de vista. Há uma energia positiva que se desenha na azáfama dos cães pastores e na languidez bem disposta dos burros. É o lugar perfeito para reencontrar a natureza.

Herdade do Freixo do Meio
Perus pretos
Herdade do Freixo do Meio