Mostrar mensagens com a etiqueta Vinhos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Vinhos. Mostrar todas as mensagens

25.11.19

Caminhos Cruzados, o Titular Dão Novo e o elogio do Outono

Caminhos Cruzados, Titular Dão Novo 2019

Com a chegada de Novembro, as celebrações fazem-se de castanhas, dióspiros, medronhos e vinho novo na adega Caminhos Cruzados. Estamos em Nelas, no coração do Dão, e aqui trabalha-se todos os dias com memórias construídas em torno dos vinhos que fazem a história da região e a trazem para um merecido lugar de destaque. Se esta foi a primeira região demarcada do país, os segredos e os encantos do Dão estão ainda por descobrir e há todo um mundo vínico para explorar.

Aqui os vinhos são tão especiais como a paisagem e as pessoas, aliando uma elegância serena à dinâmica da diversidade. Da paixão que dá corpo às palavras de Lígia Santos fica a certeza de que estes vinhos são a sua casa e explicar as razões que a levaram a regressar a Nelas para liderar este projecto de família deixa-lhe um brilho novo nos olhos. O convite para conhecer a adega e descobrir onde tudo acontece é aceite com energia por um grupo bem-disposto e curioso.

Caminhos Cruzados, Titular Dão Novo 2019
Caminhos Cruzados, Titular Dão Novo 2019

À medida que o caminho se faz pela adega de linhas direitas e naves cruzadas vão sendo mostrados os diferentes passos que as uvas seguem até à vinificação. Com a curiosidade sobre o primeiro vinho da vindima a crescer, queremos saber mais sobre as suas características. Feito à imagem do Beaujolais Nouveau, o Titular Dão Novo 2019 resulta de uma ideia do enólogo Manuel Vieira e é feito a partir da casta Jaen com o intuito de ser consumido de imediato e estar pronto para as castanhas e a celebração dos aromas e sabores do Outono.

Já de volta à loja, é tempo da prova do primeiro vinho da vindima e o ambiente de festa ajuda a descobrir o seu carácter versátil e descomplicado. O Titular Dão Novo 2019 é um vinho harmonioso, fácil de gostar e que convida à conversa: bem-vindo!

Caminhos Cruzados, Titular Dão Novo 2019
Caminhos Cruzados, Titular Dão Novo 2019

24.9.19

Em Vila de Frades, na Adega ACV faz-se vinho como os romanos faziam

Adega de Vila de Frades, a fazer vinhos como os romanos

Fugimos do sol do Alentejo e encontramos refúgio para lá das portas da Adega ACV junto às talhas onde repousa o néctar dos deuses. O processo de vinificação que remonta aos romanos chega aos nossos dias inalterado e o resultado deste método natural traduz-se num conjunto de vinhos surpreendentes e com características muito diferentes do habitual. A história da adega escreve-se a partir da vida da família Frade e da sua relação com a produção do vinho de talha, que começa na taberna do avô Frade onde todos paravam para um copo e alguns petiscos em Vila de Frades.

O enoturismo recentemente inaugurado é herdeiro dessa tradição familiar, da vontade do pai Alexandre (que estudou enologia para compreender melhor e aprimorar todo o processo) e do filho Sérgio que traz os vinhos até ao seu restaurante O Frade em Lisboa. Com a adega como ponto de partida, seguimos à aventura para saber mais e conhecer os vinhos de talha que se fazem nesta vila alentejana e que perpetuam a herança histórica da região.

Adega de Vila de Frades, a fazer vinhos como os romanos
Adega de Vila de Frades, a fazer vinhos como os romanos
Adega de Vila de Frades, a fazer vinhos como os romanos

A visita à adega começa com a explicação do processo de preparação das talhas e do tratamento das uvas, etapas que são essenciais na definição do vinho que daí irá resultar. A apresentação feita por Alexandre Frade, num compromisso entre rigor técnico e a explicação dos procedimentos, é clara e concisa e as perguntas da audiência permitem adequar a comunicação. Cada questão é respondida até que não restem dúvidas sobre a pesgagem das talhas, as especificidades desta técnica de revestimento e o sistema desenvolvido para optimizar todo o processo de cobertura das enormes talhas com resina de pinheiro (ou pêz).

Entre as grandes talhas e fora do alcance do sol alentejano, começamos a prova dos vinhos de talha da Adega ACV com os brancos. O estágio de quase cinco meses nas talhas antes do engarrafamento confere características muito particulares ao vinho. Também os nomes dados a cada vinho representam uma parte da história da família, como a homenagem à mãe de Sérgio que dá nome ao D. Alice Branco 2016 e D. Alice Branco 2017 ou o 1856 Branco 2016 que deve a denominação à data da talha onde estagiou. Juntamente com o Escolha Branco 2016 compõem o conjunto de quatro vinhos brancos produzidos pela adega e que oferecem uma experiência muito especial a quem os prova. Vivos e com muita personalidade, trazem de forma vincada, os aromas e sabores do método que os produziu e desafiam quem se diz menos apreciador dos vinhos brancos. Também há tintos, mas esses contam outra estória.

Adega de Vila de Frades, a fazer vinhos como os romanos
Adega de Vila de Frades, a fazer vinhos como os romanos

17.7.19

No Bago du Vin há vinhos, queijos e enchidos especiais para harmonizar

Bago Du Vin, Intercontinental Cascais

Aproxima-se mais um fim de tarde de Verão luminoso quando entramos no Bago du Vin para uma harmonização enogastronómica. É no winebar do Intercontinental Cascais-Estoril que procuramos as combinações mais afortunadas para as referências seleccionadas de entre os vinhos de produtores escolhidos a dedo e os não menos especiais queijos e enchidos de proveniência igualmente cuidada.

O desafio escreve-se nas linhas do copo que se cruzam com o prato (ou tábua) mas é a vista que primeiro nos rouba o coração. Pudesse o oceano Atlântico ter um cognome e seria escolhido entre o encanto e o feitiço que dele sempre resulta para quem se fixa no azul sem fim.

Bago Du Vin, Intercontinental Cascais
Bago Du Vin, Intercontinental Cascais

Incapaz de desviar o olhar da imensa massa de água a perder de vista, é a chegada à mesa da tábua de queijos e enchidos que desperta a curiosidade dos outros sentidos. O aroma característico dos queijos chama a atenção e abre o apetite para a harmonização que está prestes a iniciar-se mas não cala a curiosidade sobre os conteúdos dos pequenos potes que acompanham a tábua. São molhos de diferentes ingredientes que devem acompanhar cada queijo e que somos convidados a combinar à medida da vontade de cada um. Dos pimentos coloridos com cebola, ao tomate fresco, há ainda a doçura do milho para calibrar o paladar.

O primeiro queijo vem de Alcaria, Fundão: é um Beira Baixa V.O.C. (Vaca, Ovelha, Cabra) cujo sabor, bem presente mas ao mesmo tempo delicado, é indicado para casar com o Arinto de Bucelas, Viúva Quintas 2015, e os seus aromas minerais e cítricos. Ainda de olho na câmara de frio que alberga a charcutaria e os queijos, há um stilton com cranberries que não pára de nos chamar. Incapazes de não o provar, chega à mesa um prato com um desafio complementar. Será ele um par perfeito para os vinhos que hão-de vir?

Bago Du Vin, Intercontinental Cascais
Bago Du Vin, Intercontinental Cascais

23.5.19

Casa Relvas: vinhos na adega e o almoço na Herdade de São Miguel

Casa Relvas: vinhos na adega e o almoço na Herdade de São Miguel

Pela estrada a fora desenha-se um Alentejo em Primavera plena com períodos de sol e chuva. O caminho há-de conduzir à Casa Relvas cujo coração se situa na adega onde são pensados e desenvolvidos os vinhos, perto de São Miguel de Machede, e a alma se estende até à vizinha Herdade de São Miguel, que guarda o espírito e as raízes da família.

A visita à adega principal dá início a um dia passado entre vinhos e vinhas e muitas conversas. A Casa Relvas é herdeira de uma história escrita na ligação à terra que vê nas novas gerações da família o ensejo de continuar a aventura no mundo dos vinhos que em 1997 se iniciou pela mão de Alexandre Relvas. Entre a zona das talhas, o deambular pelas grandes cubas de inox e a sala das barricas provamos vários vinhos, sempre contextualizados por Alexandre (filho) que, com o seu irmão António, lidera o negócio que é também uma paixão.

Casa Relvas: vinhos na adega e o almoço na Herdade de São Miguel
Casa Relvas: vinhos na adega e o almoço na Herdade de São Miguel
Casa Relvas: vinhos na adega e o almoço na Herdade de São Miguel

O elogio da terra e das gentes está plasmado nas amostras de solo que nos recebem à entrada. É a partir delas que se percebem melhor os vinhos, ainda em processo de desenvolvimento pela equipa de enologia, que provamos com Alexandre Relvas Jr na visita guiada. As castas que caracterizam o perfil dos vinhos da Casa Relvas são fruto do terroir tipicamente alentejano, com mais de três centenas de hectares de vinha em produção integrada, distribuídos por São Miguel de Machede, Redondo e Vidigueira. Dos vinhos mais complexos aos mais simples, da talha ao rosé que chama o Verão, há lugar para todos numa abordagem sempre rigorosa e em harmonia com o meio envolvente.

Com espaço também para vinhos inesperados e que seguem novos perfis de consumo, surge o Madxa (branco e tinto) que é um vinho exclusivamente para exportação. Com o nome a fazer referência à terra fértil de São Miguel de Machede, o branco de 2018 fresco e floral que provámos é resultado dessa visão que assenta numa ideia de celebração da vida. O almoço na Herdade de São Miguel que se seguiu é bem exemplo dessa postura da Casa Relvas e dos seus vinhos.

Casa Relvas: vinhos na adega e o almoço na Herdade de São Miguel

Uma oportunidade única para conhecer melhor o enoturismo da Casa Relvas acontece já dia 25 de Maio com Um dia em São Miguel com a celebração do Alentejo, das petiscadas e da cultura local, que termina com música e um com concerto acústico de Tim, dos Xutos e Pontapés, ao cair da tarde.

18.4.19

De Vidigueira a Vila de Frades, entre vinhos e talhas

Vinhos e Talhas em Vidigueira

Faz-se o caminho com o vinho por destino num território em que a paisagem se pinta de vinha a cada nova curva e as gentes fazem da terra sustento e cultura. De visita a Vidigueira, no âmbito do Terras Sem Sombra, as adegas da região marcam presença num festival que é feito de música sacra, património e biodiversidade e onde o nome da terra, que deriva da palavra vidigeria ou videira, indicia desde logo as ligações ancestrais ao mundo do vinho.

Em cada casa uma mesa posta para receber quem chega, com o incontornável pão alentejano e o omnipresente barro que dá corpo aos pratos e tigelas que esperam os petiscos, aos recipientes onde se serve o vinho e às talhas onde este é feito. O processo é parte de uma tradição antiga que configura uma técnica de preservação e feitura do vinho característica da bacia do mediterrâneo, onde a cultura alentejana se desenvolve.

Mas que vinho é esse? E como se moldam as enormes talhas que lhe dão guarida de Setembro a Novembro? Quem cultiva as castas que dão nome à região? Onde provar? E o que comer, à boleia do copo? Em busca de respostas, seguimos de Vidigueira até Vila de Frades.

Vinhos e Talhas em Vidigueira


26.2.19

À descoberta de Trás-os-Montes com os Vinhos Cistus

Vinhos Cistus, Quinta do Vale da Perdiz

Fazer vinho é mais do que transformar as uvas em néctar. É também escrever uma história que se faz de pessoas, paisagem e conhecimento. Com o coração na região do Douro, os vinhos Cistus são produzidos pela Quinta do Vale da Perdiz — Sociedade Agrícola a partir das castas tradicionais da região e a sua expressão mostra um perfil diferenciado em função das características da sua geografia e da visão dos seus mentores, com António Fernandes, filho do fundador, a conduzir a tradição familiar.

Com condições especiais para produzir Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz ou Tinta Barroca nas suas quintas em Torre de Moncorvo, são os tintos que mais dizem ao enólogo Manuel Angel Areal pela excelência dos vinhos que o terroir oferece. Escolhas feitas para ir ao encontro da cumplicidade entre António e Manuel Angel, que se pode medir nas palavras que ambos encontram para responder às perguntas e que trazem sempre mais uma história partilhada nos longos anos em que se conhecem e trabalham juntos. Com ironia e novo sorriso cúmplice trocado entre os dois, a harmonização enogastronómica dos vinhos Cistus começa com um branco de 2011!

Vinhos Cistus, Quinta do Vale da Perdiz
Vinhos Cistus, Quinta do Vale da Perdiz

24.11.18

{ Harmonização } 3 vinhos para 3 pratos num almoço de amigos

Casa do Vinho: que vinho escolher?

Que vinho escolher e como harmonizar os sabores dos pratos que fazem parte do menu para um almoço descansado com amigos? As possibilidades são infinitas mas basta seguir critérios simples para conseguir combinações bem sucedidas. O desafio foi feito pela Casa do Vinho a partir da selecção de 3 vinhos da região do Douro e do Vinho do Porto, composta por um branco, um tinto e um Tawny 10 anos: que servir como entrada, prato principal e sobremesa para seis comensais bem dispostos.

Uma mesa cheia de pessoas felizes é a melhor das compensações para quem cozinha. Receber amigos em casa não tem de ser difícil nem caro. As receitas podem ser preparadas com antecedência, optando por pratos coloridos, saborosos e de confecção simples.

Casa do Vinho: que vinho escolher?
Casa do Vinho: que vinho escolher?

Com a mesa posta e as garrafas no frio, a entrada não podia ser mais descomplicada: o Vila Real DOC Premium 2017 chega ao copo na companhia de bolachas de aveia com patê de sardinha e tomate seco, que pode ser preparado horas antes e se faz num abrir e fechar de olhos. Este é um vinho especialmente curioso, recomendado pela Maria João Almeida para o Lidl, e a sua composição com Malvasia fina, Viosinho e Gouveia traduz bem a região de onde é proveniente. Fruta presente, acidez que baste e muita boca para um branco que se bebe enquanto se finaliza o prato principal e se põe a conversa em dia.

Já de copo na mão dão-se os últimos toques da cataplana de polvo e batata-doce que, quando chega à mesa, causa sempre furor. Há qualquer coisa de mágico quando se abre a tampa e por entre o vapor se descortina a colorida mistura de ingredientes e aromas mil. E porque os sabores são intensos nada como harmonizar com um tinto com personalidade como o Espirito do Côa Reserva 2016, da responsabilidade do enólogo Rui Roboredo Madeira. Com o Douro Superior como casa, as castas Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca dão corpo a um tinto seco onde a fruta madura e as especiarias estão presentes para um casamento feliz com o doce da cataplana.

Casa do Vinho: que vinho escolher?
Casa do Vinho: que vinho escolher?

Para a sobremesa, uma fatia de bolo de nozes e marmelada (com natas marmoreadas) serve de pretexto para um cálice de Porto Armilar, Tawny 10 anos. Vamos perdendo a tradição (muito recomendável) de beber um Porto no final da refeição e uma ocasião que reúne os amigos deve ser marcada por um final doce. Manter a garrafa de Porto no frio proporciona uma melhor degustação e este Tawny de bonita cor e presença de aromas a nozes e figos secos. Porque o doce nunca amargou, foi a combinação preferida do almoço e a mais repetida!

31.10.18

Do Chile para o copo, uma viagem pelos vinhos do Novo Mundo

Vinhos Casas Del Bosque, Chile

Ir é o verbo maior da curiosidade. Querer saber, experimentar, sair da zona de conforto do já conhecido, abrir horizontes. É assim de cada vez que um novo olhar se desenha ou uma cultura diferente se apresenta à nossa mesa. Também os vinhos trazem promessas de experiências distintas quando a sua origem lhes confere uma alma particular que chega até nós vinda de outro continente. Das Casas Del Bosque para o nosso copo um pouco do Chile vem em forma líquida, com cores distintas e aromas de outras paragens.

Se cada vinho pede harmonizações particulares, entre o branco e o tinto das Casas Del Bosque procuramos companhia para um Sauvignon Blanc Reserva 2017 que se impõe pela elegância e o Carménère Reserva 2017 que nos dá a conhecer uma casta diferente a pergunta que se coloca é o que servir com cada um.

Vinhos Casas Del Bosque, Chile
Vinhos Casas Del Bosque, Chile

3.8.18

Vinhos Verdes para beber em Agosto (e uma ode ao Alvarinho e ao Loureiro)

Verde que te quero verde - Vinhos

Verde que te quero verde. Não é cor mas tempo que dá aos Vinhos Verdes a sua alma e lhes confere um perfil único. Talvez a história não lhes preste (ainda) a devida atenção e os diferentes vinhos sejam olhados como se fossem idênticos, o que não pode estar mais longe da verdade. De características muito próprias graças a castas como o conhecido Alvarinho e o Loureiro, entre outras, é nos aromas florais e furtados que se desenvolve o leque de descritores que melhor traduzem algumas das uvas brancas mais emblemáticas destes vinhos.

Neste Verão resolvemos fazer dos Verdes objecto de desejo e abrir horizontes provando alguns brancos da região vinícola que se estende do Atlântico até à Galiza e tem por vizinho o Douro, entre o rio e a montanha. E porque não há como trazer para a mesa os vinhos para os apresentar à comida, fica também a sugestão de harmonizações felizes para cada um.

Feliz Agosto!

Verde que te quero verde - Vinhos

12.7.18

Mar de Rosas: a felicidade em tons de Rosé

Mar de Rosas, Casal de Santa Maria

A manhã acordou solarenga e a viagem para Colares faz-se serenamente, com a Serra de Sintra no horizonte e o Atlântico ali ao lado. A estrada sinuosa vai acompanhando a linha de costa, desenhando-se por entre o verdejante da paisagem e uma ou outra casa a pontuar o caminho, até chegar às vinhas mais ocidentais da Europa continental. No Casal de Santa Maria faz-se vinho abençoado pela brisa marítima e pelo clima particular da região, com milhares de rosas por companhia. São elas que dão nome ao vinho rosé que marca a chegada de Nicholas Von Bruemmer à quinta. Mar de Rosas é a homenagem singela ao seu avô, cuja visão juntou as vinhas às rosas e lhes deu forma de vinho.

Nascidas do desejo do Barão Bodo Von Bruemmer, as vinhas do Casal de Santa Maria foram plantadas no início deste século quando o fundador da quinta chegou aos 95 anos. Havia de cuidar delas e tornar-se num produtor de vinhos muito especiais nos dez anos seguintes, acompanhando o crescimento de castas como a autóctone Malvasia, o seu famoso Chardonnay ou o excelente Pinot Noir. A localização perfeita, nem sempre fácil para as videiras, deu azo a brancos frescos e vegetais, tintos complexos e um colheita tardia elogiado pela sua particular acidez. Já o bonito rosé de cor salmão, na melhor tradição da Provença, nasce da vontade de Nicholas de fazer um vinho para ombrear com os rosés franceses. Nas suas palavras, um vinho complexo mas que convide à festa e que possa ser partilhado de forma alegre e despreocupada.

Mar de Rosas, Casal de Santa Maria
Mar de Rosas, Casal de Santa Maria

It's never too late é o mote escolhido para o primeiro vinho feito segundo as ideias do novo Barão. Porque nunca é tarde para começar de novo e nunca é tarde para acreditar nos sonhos. A grande mudança na vida de Nicholas Von Bruemmer e da sua mulher Myriam aconteceu no final de 2016 quando, após a morte do Barão Bodo Von Bruemmer aos 105 anos, resolveram mudar-se da Suíça para Colares. No Casal de Santa Maria fizeram a sua casa e apostaram no enoturismo que recebe visitas às vinhas, ao roseiral e à adega e oferece diferentes provas dos seus vinhos.

No dia que fomos conhecer o bonito Mar de Rosas, a natureza brindou-nos com um mar a perder de vista (sem as habituais neblinas) e muitas rosas em floração. Ainda que a meteorologia possa ser peculiar neste canto do paraíso, não há como não morrer de amores pela delicadeza serena da quinta e pela simpatia natural dos seus proprietários. Sobre o vinho que nos traz cá, o sorriso confiante e orgulhoso de Nicholas deixa transparecer a felicidade pelo resultado obtido pela equipa de enologia composta por Jorge Rosa Santos e António Figueiredo. Mas que rosé é este que harmoniza com peixes e mariscos e pede um ambiente festivo?

Mar de Rosas, Casal de Santa Maria
Mar de Rosas, Casal de Santa Maria

10.4.18

{ Peixe em Lisboa } Os pratos imperdíveis dos chefs e os Vinhos de Lisboa

Peixe em Lisboa 2018

A cidade que faz do rio o seu mar tem no peixe um dos seus produtos de excepção. Desde sempre parte da identidade gastronómica dos lisboetas, o elogio ao peixe no prato tem o seu tempo de celebração chegado cada mês de Abril com o Peixe em Lisboa. Este ano o evento volta de novo ao Parque Eduardo VII, fazendo do Pavilhão Carlos Lopes a sua casa. É lá, com um cenário de azulejos azuis e brancos a enquadrar, que se fazem debates, showcookings, apresentações de chefs e se cozinha um pouco de tudo dentro do tema.

Com a presença de 10 restaurantes e dos Vinhos de Lisboa esta é uma boa oportunidade para provar os pratos dos chefs e explorar a região de Lisboa a partir dos seus produtores. Dos mais bonitos ao mais surpreendentes, dos viajados aos perfeitos para dias de chuva, passando pelos clássicos, contemporâneos e mais tradicionais ou com sabor a rio, a escolha é muita e estes são (até à data) os nossos preferidos

Peixe em Lisboa 2018

16.2.18

{ Adega Mãe Terroir 2014 } Quando um branco especial encontra a cozinha do chef Miguel Laffan

Adega Mãe, Terroir 2014

Há vinhos de que se gosta, outros de que se gosta muito e há vinhos inesquecíveis. Fruto do caminho feito por produtores e enólogos, longe estão os dias em que a qualidade dos brancos portugueses era uma incógnita. A paisagem que hoje se desenha no copo faz com que vinhos como o AdegaMãe Terroir 2014 tenham o seu lugar no coração de muitos apreciadores que, como eu, se renderam aos brancos. Portador das características da região que lhe serve de casa, este é um vinho que faz uma síntese elegante e inclusiva da geografia, com a terra a encontrar o mar e a fruta fresca a pautar uma mineralidade atlântica.

Se a surpresa de um vinho diferente se traduz em rostos sorridentes e piscar-de-olho cúmplices, a antecipação da sua combinação com o prato faz instalar na sala um clima de grande debate. Que escolhas terá o chef Miguel Laffan feito para acompanhar tão especial vinho? Enquanto as opiniões são trocadas vão-se sentando os comensais, curiosos com os canapés que formam um grupo diversificado com o preto do rissol de bacalhau de cura amarelo a fazer sobressair o verde brilhante da maionese de wasabi, junto à delicadeza da cabeça de xara que confirma a alma também alentejana do chef do L'AND.

Adega Mãe, Terroir 2014
Adega Mãe, Terroir 2014
Adega Mãe, Terroir 2014

Junto à lareira, Bernardo Alves aproveita a passagem do chef Miguel Laffan pela sala para referir a presença no jantar dos vinhos monocasta da AdegaMãe Arinto, Pinot Noir e Touriga Nacional. A harmonização do maravilhoso Lavagante azul, beurre blanc de citrinos, salada e espuma de funcho e aneto com uma das principais castas brancas portuguesas faz do par lavagante/arinto um dos mais bem sucedidos da noite.

Após a entrada, com o monocasta Arinto a abrir as hostilidades, é chegado o momento de entrar em cena o herói da noite. Servido o AdegaMãe Terroir 2014, este vem acompanhado de um Bolinho de caça no vapor, shisô, manga e caril com neve de foie gras em sintonia com os seus aromas complexos e intensos. Da carne que faz o recheio envolto por uma textura de bao ao sabores intrincados do shisô ("manjericão japonês") e da manga em forma de gel, é o molho que fica à altura do vinho, permitindo-lhe brilhar. A edição exclusiva e numerada de apenas 2677 garrafas é o resultado de um trabalho de enologia de Anselmo Mendes e Diogo Lopes a partir das castas Viosinho, Alvarinho e Arinto.

E é um belo vinho.

Adega Mãe, Terroir 2014

18.12.17

Bacalhau curado em flor de sal e a Consoada

Bacalhau e vinho na Adega Mãe

A antecipação da quadra vem embrulhada na excitação da partilha e do encontro. O Natal faz-se à mesa e os sabores de sempre voltam de novo para nos assegurar que a memória não engana e é mesmo esta a mais feliz altura do ano. Entre bolas coloridas, ramos de pinheiro e luzes que acendem e apagam, são os aromas a canela e erva-doce que reforçam o espírito natalício, que se serve em travessas com rabanadas e sonhos, alguns de comer.

Com a Consoada quase a chegar é preciso planear a ementa que há-de acompanhar a espera pela meia-noite e celebrar a tradição: escolhe-se bacalhau como prato principal. Cozido ou assado (ou talvez confitado) é nas preparações simples que as receitas de Natal encontram a sua expressão, sendo a qualidade do fiel amigo essencial ao resultado final. Mesa posta e velas acesas, é na bonita sala virada para as vinhas da Adega Mãe que vamos em busca do bacalhau perfeito e do vinho que melhor harmoniza com ele.

Bacalhau e vinho na Adega Mãe
Bacalhau e vinho na Adega Mãe

Da discussão sobre que vinho servir com bacalhau não resultam conclusões definitivas. Fruto da cura, este é um peixe de sabores fortes e textura robusta que foge à comum (e simplista) categorização de brancos para peixe e tintos para carne. Ainda que muitos prefiram o seu bacalhau acompanhado por um tinto, parece mais relevante considerar o modo de confecção do prato e o vinho em questão: os excelentes pastéis de bacalhau por serem fritos são boa companhia para um Arinto, pela sua acidez e notas cítricas, enquanto um bacalhau assado ombreia perfeitamente com um Touriga Nacional e os seus aromas fortes.

Como em tantas questões, também no bacalhau se debate a proveniência e qualidade associada. Este ano a Riberalves lança a sua reserva gourmet de lombos de bacalhau, provenientes da Islândia e preservados durante um ano segundo os princípios da Cura Tradicional Portuguesa com uma parte de flor de sal. É um bacalhau especial para uma celebração especial. A flor de sal acrescenta cuidado e carinho a um produto feito com o melhor peixe, pescado em águas cristalinas e com o selo do bacalhau da Islândia, sujeito a uma maturação longa que influencia a sua textura e sabor.

Mas qual a melhor forma de cozinhar o bacalhau para a Consoada?

Adega Mãe, Portugal