4.9.08

Cozinho, logo existo

Egg Salad

Penso, logo existo. O conhecido filósofo francês René Descartes no seu famoso "Discurso do Método" criou aquela que viria a ser uma das frases mais interessantes da existência da humanidade, apenas possível graças à sempre desconcertante curiosidade humana. Pensar existe intrinsecamente à mente, no sentido em que todos os seres humanos pensam(?), estabelecendo sem margem para dúvida a sua existência. Onde raios quero chegar? Um minuto da vossa existência - perdão, da vossa paciência - e eu chego lá. ;)

Rocket Salad

Mais recentemente, o neurologista português António Damásio contrapôs a ideia "Sinto, logo existo" no fantástico livro "O Sentimento de Si". Questões complexas como Quem sou eu? De onde venho? E o que hei-de almoçar hoje? surgem permanentemente. Questões que podem nunca vir a ter uma resposta! António Damásio acredita que as nossas emoções são a chave da consciência. Eu também. O que não prova nada para além da minha admiração e respeito pelo senhor. A minha intenção com toda esta conversa é que eu preciso de cozinhar. Não é uma missão ou uma tarefa. É simplesmente a minha forma de me sentir viva. E talvez isso explique a minha necessidade de cozinhar mesmo quando estou longe da minha cozinha, em férias ou de viagem, aqui ou nos antípodas. Em qualquer parte. Não se esperam receitas complexas, mas refeições simples e fáceis de preparar acompanham-me sempre e este verão não foi excepção. Saladas, sandwiches ou bruschettas. Tudo para me manter feliz. Cozinhar não pode ser separado do meu ser, logo existo!

Prosciutto Bruschetta

Bruschetta de Tomate e Manjericão com Presunto

Para 2

2 fatias pão, grelhado de ambos os lados
1 dente alho, pelado
azeite virgem extra de boa qualidade
vinagre balsâmico
4-6 tomates Cherry maduros, cortados ao meio
4 folhas manjericão, picadas grosseiramente
2 fatias finas de presunto
sal e pimenta a gosto

Colocam-se os tomates numa tigela e adiciona-se o manjericão. Tempera-se com sal e pimenta e rega-se com azeite e umas gotas de vinagre balsâmico. Mexe-se. Corta-se o dente de alho ao meio e esfrega-se no pão (que deve estar quente para melhor assimilar o sabor). Salpica-se com azeite. Coloca-se cada fatia num prato, deita-se uma colherada de tomate, empurrando ligeiramente para que o líquido seja absorvido pelo pão. Termina-se com o presunto em cima. Serve-se quente.

11 comentários:

  1. Suzana não podia estar mais de acordo contigo, sabes que uma das vezes que estive incapacitada (a curar-me de um dóidói), o meu martirio era estar longe dos tachos, ingredientes, cheiros e afins...

    Tu sabes que eu gosto muito dos teus textos e das tuas fotos, não sabes?!

    Beijo

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  2. "Je pense donc j'existe"... Foi o tema de uma dissertação no liceu, em Paris, quando eu era adolescente.... :-)

    Cozinhar é um acto extremamente civilizado e humano (pena que na altura da tal dissertação ainda não cozinhava). É mais uma das coisas que nos separou do estado animal. Imagino quando o primeiro homem (ou mulher) começou a pensar... Não só sobre a consciência da sua efemeridade e morte, como também talvez, no facto de atirar um pedaço de mamute cru para a fogueira, e já agora algumas das ervas que cresciam perto da gruta que lhe servia de residência. Se não pensasse, continuava a comer tudo cru no próprio momento da caçada, não...? ;-)

    Bem, mas vou parar aqui pois estas digressões levam-nos sempre tão longe...

    Gosto mesmo muito do seu blog, Suzana. :-)

    Beijinhos.

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  3. Suzana, me identifiquei tanto com o que você escreveu!
    Lindo post - e linda comida!

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  4. Olá Suzana

    Antes de mais um beijinho de feliz aniversário (um pouco atrasado eu sei, eu sei !!)
    Nham, nham, cada vez se come mais nesta minha casa, não só porque meu filho tem fome infinita mas porque o teu blog é suuuuuuuuuuper inspirador. Beijocas para vós e que a paixão culinária seja sempre um sentimento de ti ...

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  5. É sempre muito inspirador vir aqui, saborear suas palavras e sugestões!
    Beijinhos

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  6. Estamos muito filosóficas, não?
    Eu às vezes também me sinto muito nostálgica quando não tenho possibilidade de cozinhar.
    É claro que a minha cozinha não chega aos pés da tua...sempre tão inspiradora e deliciosa.
    E esta comidinha... simples e saboroso (aposto).
    Bjs e bom fim-de-semana.

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  7. Suzana assim como ti sinto uma agonia profunda se não cozinho... excelente post. Lindas fotos como sempre.
    Bjs.

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  8. Sou também daquelas que viajam e nao podem ficar sem cozinhar, por isso agora só vou em aparts ou cabanas.Bem longe daifrialdade dos hoteis.Para mim cozinhar e entre outras coisas o que me faz sentir viva, na verdade tudo o que aguca meus sentidos e curiosidade me faz sentir viva.Talvez seja por isso que gosto de trabalhar com as maos
    Bjs

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