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25.5.26

Os vinhos, as vinhas e a vida singular na Herdade da Malhadinha Nova

Herdade da Malhadinha Nova

Da calma e da alegria que só se encontra ao mesmo tempo no campo, há na Herdade da Malhadinha Nova um entusiasmo descansado que energiza e relaxa simultaneamente. As vinhas, os vinhos e a vida singular de um território onde as pessoas, os animais e as plantas formam um ecossistema de afetos e partilha, como só o Alentejo sabe oferecer. 


Há lugares especiais e depois há a Malhadinha Nova, um paraíso na terra providencialmente integrado na rede Relais & Châteaux. Este projeto de vida da família Soares encontra em Albernoa, perto de Beja, a paisagem alentejana perfeita para receber quem quer conectar-se com a terra e o silêncio e usufruir de uma comunhão com a natureza.

  

Já o sol se despediu quando chegamos e é com um sorriso que somos recebidos e conduzidos à Casa do Ancoradouro, onde se celebra o barro e impera uma paleta de nuances terracota. Cada parte da experiência é pensada para criar memórias que perduram e, em cada momento, quem chega sente-se imediatamente em casa. À nossa espera, um cartão manuscrito dá-nos as boas-vindas e a mesa posta é um convite a entrar no universo particular do que é semeado, colhido e produzido localmente.

Herdade da Malhadinha Nova

Herdade da Malhadinha Nova

Depois de uma noite descansada, o dia começa com um passeio a pé na Vinha do Olival. O campo repleto de flores é um convite a explorar a herdade num dos buggies que espera por nós à entrada e promete desde logo uma aventura no montado, com as vacas, os porcos e as éguas que andam livremente por entre sobreiros e oliveiras centenárias.

Não fosse a Primavera um tempo de recomeços, há flores a perder de vista e um sem fim de malmequeres que pintam o chão pelo meio das vinhas. Há que olhá-los como um prenúncio de vigor das abelhas (e de delicioso mel) e uma antecipação dos frutos da vinha para uma nova colheita. Na Malhadinha Nova, a paixão pelo vinho constrói-se a partir do solo e das videiras (em modo de agricultura biológica), num bouquet de castas que se encontra nos diferentes blends ou em monocastas, que expressam um terroir muito particular.

Herdade da Malhadinha Nova

De novo em movimento e em total liberdade pela propriedade, eis que se avista o Monte da Peceguina onde tudo começou. 

5.1.26

Vinhos preferidos 2025

vinhos preferidos 2025

2025 em vinhos. 12 garrafas para recordar outros tantos encontros, na expectativa do ano novo os trazer de volta e, se possível, de os provar novamente na companhia de quem partilhou o copo, o saber e os afectos que se inscrevem na cultura vínica. Espumante, branco, rosé, clarete, tinto ou licoroso, há na infinidade de possibilidades que se desenham a partir da vinha uma extasiante panóplia de vinhos que passaram na nossa mesa este ano. As escolhas, como sempre, são fruto do momento, da emoção, do espírito e do tempo em que são feitas. Aqui deixamos em jeito de memória ou recomendação, uma dúzia de vinhos que nos fizeram mais felizes em 2025.

Feliz Ano Novo! 

10.11.25

Pedra da Mãe, o muito esperado vinho de Madalena Vidigal

Pedra da Mãe, um vinho que é a menina dos olhos de Madalena Vidigal

Chega num dia de sol, a anunciar o outono, e faz-se de dedicação, coragem e partilha de um Alentejo desconhecido. Sendo um projeto familiar, o muito esperado vinho Pedra da Mãe tinto Reserva 2021 é a menina dos olhos de Madalena Vidigal e o resultado de 13 anos de sonhos e de muito trabalho. Este é um vinho que é ponto de encontro, de quem o cultiva, pensa e faz e de quem o torna seu ao provar e beber, sempre a construir laços entre as pessoas.

Do nome faz-se homenagem à terra, onde repousa uma pedra de granito cinzento e amarelo à sombra de uma oliveira e que serve de lugar de descanso à mãe de Madalena quando ao fim do dia se senta para apreciar a vinha. A pedra da mãe é afinal o testemunho do que é, foi e será o melhor do vinho: a ligação à terra e às pessoas através das memórias vividas em conjunto. Na garrafa, lacrada a verde, inscreve-se a branco a pedra que lhe dá nome e as palavras compostas em capitulares e serigrafadas, um projeto de design da agência Another Collective.

Pedra da Mãe, um vinho que é a menina dos olhos de Madalena Vidigal

É em terras do Alentejo, perto de Évora, que crescem as uvas que dão corpo a este vinho especial. Na vinha de 3 hectares, as castas durienses Touriga Nacional, Touriga Franca e Sousão encontram condições particulares para a sua existência, com práticas de viticultura sustentável e o cuidado dos vizinhos da terra — o senhor João, o Roberto e a dona Delfina que são também, muitas vezes, uma extensão dos olhos e das mãos de Madalena. Se a região e as castas se encontram num universo particular só seu, para além das caraterísticas que lhes são com frequência associadas, o Pedra da Mãe tinto Reserva 2021 apresenta um perfil repleto de frescura e fruta, com boa acidez e maior potencial de envelhecimento.

Como explica a enóloga Joana Silva Lopes, nesta aventura com Madalena há 4 anos em parceria com a Sociedade Agrícola da Perescuma, este é um vinho que "exige tempo. Tempo depois de abrir, tempo para saborear ou tempo para continuar a repousar em garrafa. Aliás, só poderá melhorar com o tempo. Também exige mesa! É um vinho cheio de personalidade, diria até com alguma irreverência”. O Outono no copo, como Madalena gosta de dizer, é promessa cumprida mas o Pedra da Mãe tinto Reserva 2021 reinventa-se na sua relação com o prato e tem uma palavra a dizer quando a temperatura baixar e chegarem as comidas de Inverno.

Pedra da Mãe, um vinho que é a menina dos olhos de Madalena Vidigal

13.5.25

Mutante Awards Design at Wine 2025: a vida secreta do design dos rótulos em Portugal

Mutante Awards Design at Wine 2025

Celebrar o design dos rótulos e promover o encontro de designers e produtores de vinho é razão de ser do concurso Mutante Awards Design at Wine que em 2025, na sua 2.ª edição, reforça a parceria entre a revista Mutante e a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. Promessa de rótulos excepcionais para um produto muito próximo do coração da cultura portuguesa, sendo que este ano ao vinho se junta o azeite, como tantas vezes acontece por este Portugal a fora quando vinhas e olival partilham o mesmo território. 

O júri desta edição é composto por Carlos Coelho (Ivity), Emílio Vilar (FBAUL), Frederico Duarte (FBAUL), Margarida Vaqueiro Lopes (Diário de Notícias), Patrícia Serrado (Mutante) e Teresa Barros (Xpose Consulting). Com prémios atribuídos nas categorias Espumante & Pét-Nat, Branco, Curtimenta, Rosado, Clarete & Palhete, Tinto, Licoroso e Aguardente e na categoria especial Azeite, os Mutante Awards Design at Wine galardoam 23 produtores (de regiões vitivinícolas de Norte a Sul, sem esquecer Açores e Madeira) e 19 designers, agências e ateliers de design nacionais e internacionais. 

E os vencedores são:

26.1.25

Celebrar os rótulos com os Mutante Awards Design at Wine 2025

Exposição Mutante Awards Design at Wine

Com nova edição a decorrer, os Mutante Awards Design at Wine 2025 são um espaço de reflexão, discussão e celebração dos rótulos de vinhos em Portugal e procuram estabelecer ligações entre designers, estúdios de design, produtores e distribuidores de vinho. Atribuídos pela primeira vez em 2023, estes prémios inscrevem-se no projecto científico design at wine, apoiado pelo CIEBA — Centro de Investigação de Estudos em Belas-Artes da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa e pela Mutante Magazine

A exposição comemorativa da 1.ª edição dos Mutante Awards Design at Wine esteve patente na Cisterna da FBAUL e reuniu os vencedores das diferentes categorias a concurso, bem como os prémios especiais decididos pelo júri a partir de critérios de Qualidade, Expressão, Criatividade & Inovação e Conexão Emocional.

Exposição Mutante Awards Design at Wine

22.12.24

O rei do Natal chegou! Damos as boas-vindas ao bacalhau Vintage e ao Magnus da Lugrade

Lugrade — edições especiais Magnus e Vintage

Parte integrante da identidade gastronómica nacional, o bacalhau é essencial na mesa do Natal, assumindo múltiplas variações na Consoada fruto da localização geográfica ou do gosto pessoal dos comensais. O Fiel Amigo vem de longe para desempenhar um papel central nas memórias e tradições da quadra e é nesta época que, resultado do saber e da excelência do trabalho desenvolvido pela Lugrade, chega o rei do Natal. Ou talvez seja mais correcto dizer "os reis" porque este ano as edições especiais trazem o (já muito esperado) Vintage e o (grandioso) Magnus.

Lugrade — edições especiais Magnus e Vintage

Este bacalhau das mesas fartas e das ocasiões especiais, deve o seu nome ao Rei Magnus I da Noruega, onde é capturado (mais especificamente na ilha de Husoy) e tem na sua dimensão expressiva, cura cuidada de 6 meses e carimbo alimentar de autenticidade os pilares da sua qualidade, como explicam Joselito Lucas e Vítor Lucas, administradores da Lugrade. O Magnus da Lugrade é um bacalhau grande, um "especial jumbo", que em 2024 tem uma edição limitada de 1400 unidades.

Lugrade — edições especiais Magnus e VintageLugrade — edições especiais Magnus e Vintage

chef Diogo Costa, Embaixador da Lugrade, cozinha o Lombo de Bacalhau Magnus Assado, com Feijocas e Ervas Frescas para ressalvar o seu carácter, a textura suave que decorre da cura e o sabor único que resulta do seu terroir particular. Aliado a um produto intrinsecamente português, a feijoca, o bacalhau Magnus traz consigo uma ligação secular entre a cultura do Sul e um peixe de águas frias, tratado de acordo com o saber acumulado de uma tradição nacional.

Da Noruega para a Islândia, à boleia de um Gadus morhua, Vítor Lucas explica como o bacalhau é também aqui um produto importante, com ligações antigas à mesa portuguesa. É de lá que vem o afamado Lugrade Vintage.

Lugrade — edições especiais Magnus e Vintage

26.7.24

{ Verão na Cidade } Pet Nat & Espumante Quinta da Lagoalva

Pet Nat & Espumante Lagoalva

Verão, calor e tardes a perder de vista junto ao Tejo pintado de mil tons de azul. O copo pede bolhas e recebe diferentes opções que se desenham na oferta da Quinta da Lagoalva apresentada à beira-rio e que estreia o novíssimo Pet Nat, com o rótulo a combinar com a cor da estação. Este espumante branco Pétillant Naturel traz consigo um método de produção que, apesar de ancestral, volta no presente a ser popular entre os produtores, apesar dos desafios que a sua natureza mais imprevisível coloca. Caracteriza-se por ser um vinho espumante natural de intervenção mínima, sem adições e não filtrado, que preserva os aromas naturais (bem como os sedimentos) e se torna mais expressivo imediatamente após a abertura. É no copo que o Lagoalva Espumante Pet Nat revela as suas castas, Arinto e Fernão Pires, e nos convoca para uma experiência frutada onde a frescura é rainha em virtude de uma acidez marcada. Pode não ser simples fazer este Pet Nat mas é muito fácil bebê-lo! 

Mas os adeptos da bolha fina têm no Lagoalva Espumante Reserva Bruto uma promessa de depuração e o perfil diferenciado de um vinho bruto. Mais refinado, floral e com boa persistência e volume de boca, é um vinho distinto quando comparado com um Pet Nat mais rústico e leve. Qual escolher? Em caso de dúvida, provar os dois e aproveitar o Verão.

22.7.24

Fire, Smoke & Wine Dinners: uma viagem por Vinhos a Sul do Tejo

Fire, Smole & Wine DInners

Com fogo, fumo e vinho se fazem encontros à volta da mesa em que a cozinha do chef Tiago Silva recebe produtores de vinhos no Hyatt Regency Lisboa. Os Fire, Smoke & Wine Dinners acontecem uma vez por mês e decorrem num espaço onde o forno de lenha se vira para a sala, com a garrafeira ao fundo e o Tejo ali ao lado. Os pratos constroem-se em torno de declinações do mesmo conceito Fumo, Fogo, Chama, Calor, Brasas, Forno e Lume e desafiam os vinhos a produzir um diálogo que convoque os comensais para uma discussão animada sobre a harmonização proposta. 

Nesta edição há uma viagem pelos Vinhos a Sul do Tejo que se faz em seis momentos à boleia de outros tantos vinhos, apresentados e explicados pelo sommelier Ivo Custódio, que responde a todas as perguntas de quem quer saber mais sobre cada garrafa e cada produtor. A conversa começa em modo de boas-vindas junto à garrafeira com um vinho de intervenção mínima, o Vale Capucha Branco Gouveio "Poço do Gado", fresco e salino, bem acompanhado com Flat Bread de Alho e Coentros e Pão Alentejano, Azeite e Orégãos

Já na mesa, e saindo da região de Lisboa, é através do vinho Horácio Simões, Tradição Branco, Fernão Pires e Arinto, 2022 que nos leva até Setúbal para descobrir esta casa histórica. Pela combinação de castas, apresenta-se intenso e frutado com uma acidez equilibrada e há-de mostrar-se capaz de dialogar com as três propostas de finger food que compõem o primeiro momento sentado do jantar.

Fire, Smole & Wine DInners
Fire, Smole & Wine DInners

Entre conversas, para comer com as mãos chegam à mesa: pão-de-ló com alface do mar e horseradish (Vieiras | Algas | Arroz Tostado), mini-brioches leves (Ovo | Brioche | Alfazema) e finas tartelettes com um pequeno toque de picante (Brócolos | Jalapenho | Pepino). As diferentes opiniões à volta da mesa quanto à melhor harmonização com o vinho atestam do acerto da escolha feita pelo chef Tiago Silva e fazem elevar as expectativas para o próximo prato, com um ingrediente que ninguém conhece: Yuba.

Trata-se da película que se forma na superfície do líquido aquando da fervura do leite que, no caso em apreço, tem por companhia fruta da época. Queijo Fresco | Yuba | Pêssego é uma feliz combinação que hesita entre a sobremesa pouco doce e o interlúdio salgado de uma noite de Verão. Um prato fantástico que encontra no vinho vindo do Alentejo um parceiro à altura: o Natalha Branco 2022 é fruto de uma técnica ancestral que remonta aos romanos e traz consigo uma persistência na boca e um vigor particular que contrasta com os sabores lácteos e frutados do prato. Uma preciosa maridagem!

Fire, Smole & Wine DInnersFire, Smole & Wine DInnersFire, Smole & Wine DInners

A segunda proposta a convocar a forte personalidade do Natalha Branco 2022 vem do mar, inspirada na costa vicentina, com ameixa do Alentejo, um bivalve saboroso e uma beldroega do mar (Lingueirão | Ameixa | Saltbush). Aqui a harmonização funciona em consonância entre iguais, com o prato e o copo a replicarem entre si aromas especiados e grande complexidade. Muito interessante o comportamento diferente do vinho em relação a um e outro prato, a abrir caminho para o que vem a seguir.

16.7.24

Vida nova e novos vinhos na Quinta do Sampayo

Quinta do Sampayo, Cartaxo

Vinhas, história e um legado familiar fazem parte da Quinta do Sampayo que, fruto da determinação de Ana Macedo e depois de 10 anos de pausa na produção, inicia uma nova era em que o passado se junta com o presente para desenhar o futuro. Se a memória da Quinta se encontra imortalizada na literatura de Almeida Garrett, que por lá repetidamente passeou, é também no seu percurso vínico que se inscreve a importância da propriedade. O trabalho de enologia pertence a Marco Crespo e o de viticultura está a cargo de Alberto Miranda, sendo o lançamento dos primeiros dois vinhos o culminar de um passo inicial para a construção de um portfólio alargado que represente o terroir e faça justiça ao potencial dos recursos naturais e humanos plasmados na representação dos rótulos (com design de Carolina Miranda).

Para descobrir nos diversos programas de enoturismo oferecidos, os diferentes patamares do terreno e as vinhas espalhadas pelos 90 hectares, divididos com o olival centenário de azeitona galega e a adega, e procurar os cedros que pontuam a paisagem. Das visitas às barricas de carvalho francês e americano na adega ao piquenique e caminhada nas vinhas, há ainda para descobrir os vinhos na prova e entrar na mente do enólogo para conhecer as castas tintas e brancas presentes na Quinta e a sua utilização no lote dos vinhos produzidos. 

Quinta do Sampayo, Cartaxo

20.6.24

Como celebrar 70 anos de história da Adega do Cartaxo

Adega do Cartaxo — 70 anos

Pode um terroir, uma história de 70 anos e um projecto feito de tradição e modernidade caber numa garrafa? A resposta chega em traje de festa e faz-se como comemoração do percurso produzido pela Adega do Cartaxo, desde a sua criação até ao tempo presente, do vinho a granel como ponto de partida até à afirmação da origem Cartaxo e à notoriedade da região. 
 
É com um vinho feito a partir das melhores barricas da colheita de 2015 que se constrói o 70 Anos DOC do Tejo Tinto 2015 e se celebram as castas que fazem do Cartaxo uma paisagem vínica particular, com 1954 garrafas a marcar a data de início da Adega do Cartaxo. Com um blend de cerca de 10 castas e 7 anos em garrafa, é a riqueza aromática que primeiro marca a relação com este vinho especial e se traduz numa experiência de encontro do presente com o passado, com um piscar de olho ao futuro, antecipando a longevidade e capacidade de guarda. 

Adega do Cartaxo — 70 anos

A evolução feita pela Adega do Cartaxo nas últimas décadas caracteriza um caminho marcado por decisões inovadoras, como a linha de varietais que surge no início do século com Castelão, Fernão Pires, Trincadeira, Cabernet Sauvignon e, mais tarde, Touriga Nacional. O espólio que fica pode agora ser apreciado com o relançamento a 20 de Junho, o Dia da casta Fernão Pires, do Bridão Fernão Pires branco 2007 (34€), com 17 anos de estágio, um vinho com evolução que mostra grande vivacidade nas suas notas limonadas e químicas (a lembrar os melhores Riesling), ainda com evidente frescura e volume de boca.

Para compreender o trajecto da Adega do Cartaxo nos monocastas, a prova do Fernão Pires branco 1999 mostra uma dimensão exuberante da casta após 25 anos em garrafa e o potencial dos vinhos desta região. Por comparação com o Bridão Fernão Pires branco 2007 verifica-se o carácter evolutivo da casta e uma longevidade capaz de oferecer uma experiência única.

Adega do Cartaxo — 70 anos

Mas a viagem pelo património da Adega do Cartaxo não se fica pelos brancos e continua pelos tintos, recuando até 1978.

16.4.24

Quinta das Carvalhas, uma sinfonia singular de vinhos

Quinta das Carvalhas, Real Companhia Velha

Parte do portfólio da Real Companhia Velha, a mais antiga empresa portuguesa de vinhos fundada no século XVIII, os vinhos da Quinta das Carvalhas trazem consigo uma promessa de elegância e distinção que assenta num terroir muito particular que tem no Douro a sua bússola. Entre as encostas e a margem do rio, com horas de luz sem fim e temperaturas muito altas, as vinhas da Quinta das Carvalhas desenham-se na paisagem em padrões diferenciados e distintas orientações, permitindo concretizar vinhos com características diversas mas donos de uma identidade muito própria.

Num arranjo harmonioso de referências, como uma sinfonia, os vinhos da Quinta das Carvalhas são como uma composição musical que se vai mostrando à medida que é desfrutada e que tem por trás uma orquestra completa, que garante que a experiência possa acontecer tal como foi concebida. Apresentados por Pedro O. Silva Reis, em representação da Real Companhia Velha, por Álvaro Martinho Lopes, responsável pela viticultura e Jorge Moreira, que dirige a enologia, os vinhos da Quinta das Carvalhas, com a sua dimensão vitivinícola e enológica, permitem provar um terroir com muitas nuances onde a geografia e o clima, as pessoas e a cultura do vinho, constroem uma delicada inter-relação.

Quinta das Carvalhas, Real Companhia Velha

A prova inicia-se com o Quinta das Carvalhas Branco 2022, um vinho que resulta de pequenas parcelas em alta altitude de Viosinho e Gouveio e que traz intensidade aromática e frescura. Sendo um vinho frutado e mineral, com muita crocância, mostra-se austero e com arestas que contribuem para a experiência plena de um branco cheio de Douro. Já o Quinta das Carvalhas Tinta Francisca 2020 é único na utilização em monocasta destas uvas nativas do Douro, o reconhecimento de um património genético singular, e traz consigo um perfil estruturado para um vinho delicado com notas de especiarias. Uma surpreendente nova face dos tintos do Douro!    

Com o Quinta das Carvalhas Vinha do Eirol 2021 marcamos encontro com os vinhos de vinhas velhas que são assinatura desta propriedade com vinha plantada nos anos de 1920 e grande variedade de castas. O perfil exótico deste vinho abre o leque da singularidade e carácter único dos vinhos das Carvalhas e é representativo da dimensão aromática da parcela. No que respeita ao Quinta das Carvalhas Reserva 2021 estamos perante uma nova declinação de Touriga Nacional, mais madura, que se traduz num tinto generoso. Esta inscrição identitária do Douro está também presente no Quinta das Carvalhas Vinhas Velhas 2020, um vinho com muita vida e energia que resulta de uma abordagem sustentável que visa a longevidade dos vinhos e quinta, com uma dimensão que é tanto ambiental, como social e económica. Para terminar. fazemos uma viagem com tempo e pelo tempo com o Quinta das Carvalhas Vinhas Velhas 2011, que com os seus 13 anos acumula juventude e vivacidade e proporciona uma experiência intemporal pelos terroirs da belíssima Quinta das Carvalhas. 

Quinta das Carvalhas, Real Companhia Velha

Mas como falar de Quinta das Carvalhas e da Real Companhia Velha e não falar em vinho do Porto?

20.10.23

Lavradores de Feitoria e o poder do tempo nos vinhos brancos

Lavradores de Feitoria: o poder do tempo nos vinhos brancos

Pode o tempo ser o ingrediente secreto dos vinhos brancos do Douro? A questão colocada por Paulo Ruão, director de enologia e responsável pelos vinhos Lavradores de Feitoria, tem a resposta pronta no copo. À medida que a prova decorre os vinhos mostram a sua evolução ao longo dos anos e apresentam argumentos para o reforço de uma nova tendência que valoriza os brancos com potencial de envelhecimento.

O terroir do Douro, com os seus solos e orografia aliados a condições climatéricas especiais, caracteriza-se por uvas que dão lugar a vinhos com grande capacidade de evolução em garrafa. É o caso da casta Viosinho que dá corpo ao 3 Bagos 2022 (em cima), juntamente com as castas Gouveia e Rabigato para um vinho de lote. Com a fermentação em inox e barrica e o estágio de 6 meses em carvalho francês, descobrimos um vinho com frescura, estruturado e muito gastronómico, a pedir companhia à mesa. Em comparação com o 3 Bagos 2016, um vinho com o mesmo processo de vinificação, encontramos maior complexidade aromática e na boca, com aromas de favo de mel e maior suavidade. Já o 3 Bagos 2013, servido decantado com expressa indicação para arejar, oferece uma experiência rica, com riqueza em boca, a manifestação de aromas a laranja e uma evolução que confere complexidade e profundidade ao vinho. Ao longo de quase uma década do mesmo vinho (com alterações pontuais) verifica-se a passagem do tempo, que traz consigo diferentes expressões e uma abordagem sensorial distinta, com a prova dos 3 vinhos a mostrar a sua evolução em garrafa.

Lavradores de Feitoria: o poder do tempo nos vinhos brancos

Para continuar a reflectir sobre o potencial de guarda dos vinhos do Douro, chega o momento de provar o monocasta Meruge (100 % Viosinho), proveniente de duas vinhas velhas a mais de 500 m de altitude. Com a colheita de 2021 recentemente lançada no mercado, este é um vinho marcado pelo perfil aromático da casta Viosinho, boa acidez e complexidade decorrente do estágio em barricas de carvalho português (sem tosta), durante 6 meses. Num paralelo com o Meruge 2016, que apresenta igual processo de vinificação, o paladar ganha aromas de especiarias, uma excelente estrutura e mineralidade, que se concretiza numa degustação especial. Com viagem até ao início da década passada, o Meruge 2010 (servido decantado) surge com o seu perfil aromático diferenciado, pleno de vida e capacidade de proporcionar prazer a quem com ele se cruze no copo.

Provados os vinhos, fica também confirmado o potencial de envelhecimento dos vinhos brancos do Douro, com a promessa de bons momentos e a descoberta de vinhos surpreendentes.

Mas havia ainda uma surpresa.

21.8.23

Nascidos do solo e da altitude, eis os vinhos da Quinta do Cardo

Quinta do Cardo

Entre os rios Douro, Côa e Águeda, fica a Quinta do Cardo. Produtor com pergaminhos na viticultura biológica em Portugal, tem as suas vinhas protegidas pela serra e abençoadas por condições climatéricas que permitem desenhar vinhos de perfil invulgar no panorama nacional. Com um novo proprietário, o trabalho desenvolvido com o enólogo Jorge Rosa Santos reforça uma abordagem de intervenção mínima e a concretização do potencial reconhecido da propriedade, situada a 750 m de altitude no final do planalto beirão onde impera o granito.

Com 3 referências Cardo (branco, tinto e rosé), estes vinhos de 2022 chegam ao consumidor com novos rótulos e uma imagem cuidada e sóbria que reflete a história da quinta. No copo, o Cardo Branco 2022 mostra a casta Síria no seu esplendor de frescura enquanto que o Cardo Rosé 2022, com partes iguais de Tinta Roriz e Rufete, se apresenta gastronómico e a pedir companhia à mesa. Nos topos de gama, surgem o Grande Reserva Branco (com carácter e complexo) e ainda os mono-varietais Vinha do Lomedo e Vinha do Pombal.

Os vinhos da Quinta do Cardo, com as suas características únicas de vinhos de altitude, apresentam um terroir muito interessante que faz da Beira Interior uma região a conhecer. Na memória fica o Quinta do Cardo Grande Reserva Branco 2021 produzido a partir de uvas da casta Síria que são provenientes de parcelas com mais de 40 anos, com os seus aromas frutados e o seu sabor intenso. 

A provar!

Quinta do Cardo

4.7.23

Vinhos n'Aldeia e uma aventura na Quinta do Pinto e na Quinta dos Plátanos

Vinhos n'Aldeia, Aldeia Galega da Merceana

A paisagem, a história e as pessoas fazem de Alenquer um território onde a vinha e o vinho criam laços e se concretizam num terroir muito próprio. Quando se encontram no copo as estórias e a história de uma região, há aventura garantida a quem se atreve a descobrir as aldeias em volta e as suas tradições. Os Vinhos n'Aldeia levaram à Aldeia Galega da Merceana e à Aldeia Gavinha dias de encontro e celebração das adegas e casas vitivinícolas, sempre com os vinhos da região de Lisboa no centro das actividades. 

Da visita às quintas em redor ficam memórias dos vinhos que, uma vez conhecidos através da voz de quem os faz, ganham uma nova dimensão inesquecível. Feitos pelas famílias que escrevem novas páginas na história dos seus vinhos, a Quinta do Pinto e a Quinta dos Plátanos são locais inspiradores para quem quer conhecer melhor a região.

Vinhos n'Aldeia, Aldeia Galega da Merceana

O caminho a partir da Aldeia Galega da Merceana para a Quinta do Anjo onde se fazem os vinhos Quinta do Pinto é cumprido em poucos minutos, com a companhia das vinhas que pontuam a paisagem, a serra do Montejunto ao fundo e o oceano a 25 Km. Há movimento na quinta com as vinhas à direita do Solar, a casa principal, a ganharem outra vida com novas cepas de Arinto. 

Rita Cardoso Pinto, administradora da propriedade, guia-nos numa visita de jipe enquanto fala sobre o passado, o presente e o futuro da Quinta do Pinto e dos seus vinhos. Se antes a propriedade tinha uma finalidade agrícola que ia para além da vinha, no presente (e já na mão da família Cardoso Pinto), as 27 castas que compõem o espólio vitivinícola são essenciais para pensar o futuro dos vinhos, numa ligação entre as castas da região e algumas castas francesas.

Vinhos n'Aldeia, Aldeia Galega da Merceana

25.5.23

{ um prato, uma casta } Açorda Alentejana + Antão Vaz

Açorda à Alentejana

Há receitas e vinhos que parecem ter sido criados para ser apreciados em conjunto. Junta-se à mesa o que a terra dá e o ser humano sonha e, na cozinha como na adega, é a natureza que põe e o cozinheiro / enólogo dispõe! Os frutos e ervas que se encontram no campo têm com frequência caminhos paralelos e acabam servidos em pratos e copos que se encontram à refeição. As castas que fazem os vinhos adaptam-se ao terreno e as suas características assumem perfis diversos consoante o terroir, tal como as combinações de aromáticas e outros ingredientes que se tornam particulares da região que as usa. 

Da cultura alentejana do desperdício zero, da imaginação e do engenho, nasce uma cozinha feita de simplicidade e parcos recursos transformados em sabores mil. Cozinha-se com pouco para muitos e há sempre para mais um. É assim a história da sopa de pão feita de azeite, ervas e caldo de bacalhau onde às vezes também se encontra um ovo: faz-se um piso com alho, sal, coentros e poejos que se solta com azeite e a que se adiciona um ovo batido; deita-se o caldo acabado de levantar fervura e serve-se de imediato com fatias fininhas de pão da véspera. E o que acompanha a simplicidade de uma açorda?

Um copo de branco espera sereno ao lado do prato. No mapa enológico do Alentejo encontra-se uma zona com condições climatéricas específicas onde as uvas Antão Vaz se sentem em casa. É na Vidigueira que esta casta de aromas tropicais e cítricos se transforma em brancos com corpo e bem estruturados que fazem boa companhia à açorda. De tanto se apresentarem a par, é como se a planície extensa onde os tintos são reis se tivesse dado ao trabalho de oferecer o branco certo para a sopa que faz parte da alma de todos os alentejanos. Da próxima vez que comer uma açorda, faça a homenagem completa e combine-a com um branco da Vidigueira com Antão Vaz. Não se há-de arrepender!

Esta crónica foi publicada originalmente no Blog do Enólogo Continente.

11.5.23

Que vinho servir com favas?

Broad Beans & Risotto

Amadas por uns e odiadas por outros, as favas são o sinal que a estação mais florida do ano chegou para ficar. É na Primavera que as favas frescas aparecem nos mercados, quando o alho novo desponta e os coentros espigam: a tradição manda juntar todos num estufado que convida os enchidos e o entrecosto para o prato. Já o copo parece rendido aos encantos dos tintos e os comensais mais conservadores não querem ouvir falar de outras opções. Favas com chouriço deve ser sinónimo de um vinho encorpado capaz de ombrear com a intensidade dos sabores da carne e dos temperos. Mas o sabor característico das favas altera-se em função da receita e dos restantes ingredientes que acompanham o prato. Serão os tintos a única escolha?

As combinações de outras latitudes trazem novas possibilidades. Com as misturas de especiarias do caril ou a presença isolada de pimentas, cominhos e sementes de coentros abre-se a porta aos brancos. De sabor vincado, por vezes com um toque bem presente de picante, um caril de favas recebe um branco doce como se fosse a sua cara-metade e a fritura dos falafel apela à frescura e acidez de um dos belos rosés que começam a aparecer agora que se aproxima o tempo quente. Mas se a receita trouxer o pão e o queijo para a mesa, as favas são amigas das bruschettas onde esmagadas fazem de base para um queijo de cabra e algumas nozes. É chegada a altura de confiar nos vinhos verdes e deixá-los acompanhar as entradas de uma refeição ao ar livre.

Com as favas é frequente que venham em conjunto as ervas aromáticas, em diferentes tons de verde e muitas formas. Um bom princípio é procurar no vinho o aroma das ervas e assim conseguir uma ligação imediata entre o prato e o copo: manjericão, hortelã e coentros casam com brancos mais simples, orégãos, tomilho e salsa pedem tintos novos e sálvia, alecrim e louro deixam que brancos complexos, tintos mais robustos e até alguns licorosos possam entrar na ementa. Qualquer das combinações anteriores num risotto de favas com um bom queijo pecorino deixará o mais exigente comensal satisfeito!

Esta crónica foi publicada originalmente no Blog do Enólogo Continente.

3.5.23

{ À mesa com } Marquesa de Alorna

À mesa com Marquesa de Alorna

Uma das mulheres que a História merecidamente guarda e reconhece como incontornável na cultura, na literatura e na pedagogia é D. Leonor de Almeida Portugal Lorena e Lencastre (1750-1839), mais conhecida pelo seu título nobiliárquico de Marquesa de Alorna. É ela que dá nome aos vinhos topo de gama do portofólio vínico da Quinta da Alorna e que hoje conhecemos à mesa na bonita sala de jantar da quinta. 

A inspiração de figuras como a Marquesa de Alorna, poetisa com o nome literário de Alcipe e mulher de grande presença política e visão social inovadora, dão ao vinho uma dimensão para além da sua natureza enogastronómica e permitem conhecer melhor quem dá nome aos brancos e tintos da Quinta da Alorna. Da tradição visionária da casa faz igualmente parte o olhar contemporâneo de outra mulher, a enóloga Martta Reis Simões, cujos vinhos trazem uma perspectiva nova sobre o território de que provêm, com a influência sempre presente do Tejo. 

Os vinhos Marquesa de Alorna são de lote e as castas utilizadas no blend não são reveladas mas a sua intensidade e elegância marcam o perfil de grandes vinhos do Tejo, estruturados e minerais, com vivacidade e muita vida pela frente. Se cada garrafa de Marquesa de Alorna traz consigo a homenagem a uma mulher do século XIX, encerra igualmente a promessa de futuro que permanentemente fez parte da vida de D. Leonor. 

À mesa com Marquesa de Alorna
À mesa com Marquesa de Alorna

27.3.23

Descobrir Alenquer: entre vinhos e quintas há um Oeste imenso à espera

Descobrir Alenquer

Alenquer é Terra de Vinho e da Vinha e a paisagem marcada pela serra de um lado e pelo oceano do outro faz-se de recantos únicos, história e muitas estórias para contar. Integrado na região dos Vinhos de Lisboa, as suas características únicas fazem deste um território privilegiado para a cultura vitivinícola e gastronómica, com vinhos reconhecidos pela sua acidez e frescura.

Sai-se de Lisboa pela manhã para cumprir as quatro dezenas de quilómetros que Alenquer dista da capital. Em poucos minutos, muda a envolvente ambiental e o tempo desacelera. Entramos numa realidade que se torna mais propícia ao contacto com a natureza e à ligação ao espaço aberto pontuado por conventos, igrejas, quintas e adegas e onde a vinha é rainha. O nosso programa irá levar-nos a 3 enoturismos muito distintos: da dimensão secular da Quinta de D. Carlos, à diversidade de vinhos e experiências da Casa Santos Lima na Quinta da Boavista, para terminar na Quinta do Monte D'Oiro, lugar de inspiração e ligação ao território.  

Vamos descobrir o Oeste?

Descobrir Alenquer

Quinta de D. Carlos — vinhos Quinta de D. Carlos Tinto Cabernet Sauvignon e pátio de entrada

14.10.22

Que vinho servir com paella?

Que arroz para paella?

A tradição de cozinhar arroz em largos recipientes de metal com duas pegas que chega da vizinha Espanha tem cada vez mais aficcionados entre os que têm na paella valenciana um prato predilecto, seja pela crosta estaladiça que se forma no fundo, pelo colorido dos vegetais ou pelos aroma mágico do açafrão. Vegetariana, de marisco ou negra graças à tinta de choco utilizada, a paella oferece aos amantes dos pratos de arroz texturas muito particulares e combinações de ingredientes por vezes inusitadas e menos tradicionais. E a questão na hora de servir é que vinho escolher para acompanhar a refeição?

Se à carne (de frango, coelho ou porco) se juntam leguminosas como feijão, legumes como o feijão verde ou ainda enchidos e uma base de tomate e pimentos, o resultado pede um vinho à altura. Um tinto jovem e frutado, por exemplo um vinho alentejano da casta Aragonês, para equilibrar os sabores fortes e trazer frescura; ou um branco com mais corpo, como um Verdelho açoriano, capaz de ombrear com o prato. Já a paella de marisco (com lulas, camarão e amêijoas) é normalmente mais suave e terá num rosé com boa acidez a melhor das companhias, podendo também optar-se por um espumante meio-seco que faça realçar os seus sabores mais delicados.

Da receita que faz parte da história resta sobretudo uma ideia e a base, quase sempre confeccionada com arroz bomba, a que se somam inúmeras versões mais ou menos comuns. Talvez a mais surpreendente seja a paella negra com a sua cor profunda e misteriosa que esconde algum marisco e vem por vezes com um pouco de aïoli, um molho de maionese com alho que contrasta em cor e sabor no prato. No copo necessitam-se aromas mais pronunciados e algum doce para harmonizar. Sugere-se um Moscatel Roxo Rosé para a mais bonita das paletas de cor à mesa e um conjunto de aromas muito especial. 

Saúde!

Esta receita foi publicada originalmente no Blog do Enólogo Continente.

Paella

3.5.22

Que vinho servir com espargos?

Espargos

Harmonizar pratos e vinhos é um exercício pessoal onde as referências e os gostos de cada um contam tanto como os princípios orientadores que chefs e sommeliers têm como certos. O melhor vinho para cada ocasião é o que nos sabe bem naquele momento mas ter umas ideias sobre o assunto ajuda a escolher o tipo de vinho, a região ou as castas que melhor se adequam à comida a servir. Seja por contraste ou similaridade, há ingredientes mais desafiantes que outros e receitas cuja combinação de sabores e aromas dificulta a escolha da companhia vínica. De grau de dificuldade elevado, os espargos são a némesis dos sommeliers e o pesadelo dos anfitriões domésticos que preferem não os encontrar na ementa do restaurante ou na cesta das compras.

Com a fama que os persegue, os espargos são conhecidos como um dos ingredientes mais difíceis de harmonizar com vinhos. Se servidos ao natural e sem outros acompanhamentos, o seu sabor muito vegetal confere ao vinho um sabor metálico pouco agradável. Como regra elementar, convém lembrar que os brancos secos e mais frescos, com aromas a citrinos, são bem sucedidos e que é ajuizado deixar de fora das opções os tintos com taninos mais vincados e os brancos com madeira. Importa também perceber qual a receita de espargos em questão: a companhia de um molho holandês ou de queijo gratinado abre outras possibilidades dentro dos espumantes e os espargos grelhados servidos com cogumelos permitem aos tintos jovens e simples entrar na refeição. 

Sem demonizar estes bonitos vegetais, nada como decidir em função do conjunto de ingredientes que formam o prato o que servir no copo. Depois é só ajustar as hipóteses ao que nos apetece beber. Se tudo falhar, tenha sempre um Sauvignon Blanc de reserva: é uma aposta garantida. Afinal um dos seus aromas de referência são… os espargos!

Esta crónica foi publicada originalmente no Blog do Enólogo Continente.