
Nada será como dantes. Guarda-se o que agora não se pode partilhar para mais tarde, reforça-se a dose de conversa diária e de gargalhadas a três, quatro ou meia-dúzia — tantos quantos se atravessem no ecrã do telefone. Em Páscoas anteriores celebramos a Primavera e as tradições da mesa e este ano não quisemos deixar de fazer borrego para o almoço e amassar um folar.
Na janela, um balde de gelo cheio de calêndulas, em tons de amarelo e laranja, uma chávena com menta-bergamota e um frasco de compota com alecrim são companhia florida numa cozinha cheia de luz, apesar das caretas do sol.

A receita de borrego, apenas para dois, deixa de parte o forno e é feita no fogão: borrego estufado com cuscuz. Esta foi a sugestão do chef Hermínio Costa (do Restaurante Egoísta) e serviu para dar cor e sabor a uma Páscoa como nenhuma outra. Como em tantas cozinha, na nossa não havia parte dos ingredientes necessários para o cuscuz (as tâmaras substituíram os alperces, os pistácios fizeram as vezes da amêndoa) e um vinho branco acabou na mesa porque o tacho pediu. O cuscuz é perfeito para absorver o molho da carne e as ervilhas são mais uma forma de ir ao encontro da tradição de outros anos.
Entre os desejos de um dia doce e feliz, fica a promessa de nos encontramos novamente num dia de sol. We'll meet again / Don't know where, don't know when / But I know we'll meet again some sunny day.













