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8.1.14

Salada de cevada, batata-doce e couves de Bruxelas

Salada de cevada e couves de Bruxelas

First we eat. Then we do everything else.

O adágio é lei nesta família. Primeiro comemos. Tudo o resto vem a seguir. As palavras, sábias, são de M.F.K. Fisher, essa prosadora do apetite. Comer é a primeira das nossas prioridades, seja de nutrição ou partilha social. De coração e barriga cheios de um Natal em família, dizemos adeus a 2013, recebemos o ano novo com passas, desejos e resoluções. Nada de novo. Velhos pedidos, boas intenções, que o ano se encarregará (ou não) de concretizar.

É tempo de voltar aos dias de todos os dias. Aos almoços coloridos e nutritivos, que energia e muita vontade são requisitos de tardes longas ou manhãs corridas.

gansos Couves de bruxelas

Em caso de dúvida há sempre uma salada quente para um Inverno rigoroso. Um grão cozido, um vegetal, uma raiz e folhas verdes. A fórmula é certeira e utilizada em múltiplas combinações. Hoje são umas couves de Bruxelas a ditar o mote. Combinadas com batata-doce, tomate seco, cevada e folhas de rúcula.

Sem as ervas aromáticas frescas da minha preferência, que neste Inverno não têm resistido, volto-me para os frasquinhos das ervas secas. O sabor é muito diferente assim como a sua utilização. Envoltas em gordura e cozinhadas durante algum tempo no forno trazem sabor às mal-amadas couves de Bruxelas. Gosto de manjerona e alecrim. Adoro tomilho. Doses generosas de sabor ao alcance da mão, numa espécie de alquimia.

Esta é uma salada que serve de refeição, a trazer conforto e alento em cada colherada. Feliz 2014!

Salada de cevada e couves de Bruxelas

10.11.11

O mar em Novembro, couves de Bruxelas com parmesão e croûtons de alho

Couves de Bruxelas // Brussels Sprouts

Há vegetais para todos os gostos. De todas as cores, formatos e texturas. Os que trazem sorrisos à primeira vista. Os que encerram mistérios. Os que há em todas as casas e que toda a gente come. E depois há vegetais de que ninguém gosta. É uma espécie de um complot divino. Um alinhar dos planetas contra a couve-flor. Uma má vontade com as favas. E claro, no topo, uma aversão visceral às couves de Bruxelas. Não que eu entenda ou subscreva estas prerrogativas. Encanto-me com os vegetais no mercado como quem tem paixonetas por sapatos em frente da montra da loja. Quero. Quero muito. Tenho de ter. Só que no meu caso é um coup de coeur por alcachofras ou ruibarbo. Ou couves de Bruxelas, assim elas apareçam nas bancas do mercado.

Nesta altura do ano apetece comida de tacho, ligar o forno e pratos quentes e reconfortantes. Sobretudo depois de uma caminhada junto ao mar com o vento marítimo a envolver os passos e o sol fugidio a fazer uma breve aparição.

O mar em Novembro
Couves de Bruxelas

O mar em Novembro a partir da Pedra do Sal começa a mostrar a sua força. Mesmo num dia de calma, há um reboliço que traz os surfistas à praia e deixa os voyeurs como eu de sobreaviso. Um misto de admiração e medo em partes iguais. Optamos por caminhar ao longo da costa, espreitando pescadores e outros autóctones. Sinto-me sempre muito pequenina ao olhar esta imensidão de água a perder de vista.

De volta a casa, tiro uma frigideira do armário e dou uso à mão cheia de couves de Bruxelas que aguardam numa tigela sobre a bancada. Hão-de fazer uma entrada para uma refeição vegetariana. Entre narizes mais ou menos torcidos e o reconhecer que afinal é bom, nada sobra. E assim, todos gostam.

Couves de Bruxelas com parmesão // Brussels Sprouts with Parmesan

11.1.10

Foi por ela

Brussels Sprouts

Foi por ela que eu me enfeito de agasalhos
em vez daquela manga curta colorida
se vais sair minha nação dos cabeçalhos
ainda a tiritar de frio acometida
mas o calor que era dantes também farta
e esvai-se o tropical sentido na lapela
foi por ela que eu vesti fato e gravata
que o sol até nem me faz falta foi por ela


Podia esta música de Fausto ser escrita para ser cantada pelo Provador de cada vez que é arrastado para destinos gelados ou para (raras) celebrações que pedem fato e gravata. Ou de cada vez que o almoço é pescada ou lulas. E embora da letra da música façam parte Madrid, Paris, Bruxelas, ninguém falou em couves... O Fausto escreveu esta música para uma ela que não eu e o Provador, que tem boa boca, diz que não gosta de couves de Bruxelas.

Brussels Sprouts

Couves de Bruxelas salteadas
Ligeiramente adaptado de Heidi Swanson, 101 Cookbooks

2 porções, como acompanhamento

18-20 couves de Bruxelas (frescas), cortadas ao meio
1 dente alho pequeno, picado finamente
1 colher sopa azeite
flor de sal e pimenta preta moída na altura

Aqueça o azeite numa frigideira de fundo grosso. Adicione o alho e mexa a frigideira por forma a este dourar, sem queimar. Acrescente as couves, tempere com flor de sal e pimenta e deixe cozinhar tapada em lume fraco, durante 5-7 minutos. Retire a tampa, verifique com a ponta de uma faca se as couvinhas estão cozidas e levante o lume para caramelizar ligeiramente. Sirva de imediato.

{Moral da história: as couves acompanharam um salmão e o Provador gostou. Claro}