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1.11.13

Pavlova de coco e ruibarbo e 6 anos de gourmets amadores

Pavlova

De mansinho instala-se a vontade. Sem razão para além da fútil ideia de imortalidade. Como registo, para guardar para sempre as memórias, as experiências, as emoções e aprisionar os sabores, os aromas e o prazer da mesa. Depois toma forma e instala-se no nosso quotidiano, como se fosse seu. Senta-se à mesa connosco, atrasa-nos os dias, prolonga as conversas. Faz-nos felizes. Existe para além desta existência digital sem corpo palpável. Talvez as palavras sejam demasiado simples para expressar o que de facto esta criatura representa. Manter um blog é quase um exercício de fé. É acreditar que ali se constroem pontes entre lugares distantes e se ganha a eternidade. Nem que seja apenas por uns minutos.

6 anos. Meia-dúzia. Juntem-se à festa. Sejam servidos. Um blog é apenas de quem o lê, das pessoas a quem chega, dos sorrisos que consegue provocar.

são rosas ruibarbo e laranja

Uma pavlova é sinónimo de mesas bonitas e própria de dias de festa. Inúmeras discussões sobre a origem da criação e nenhuma dúvida sobre a sua beleza. Resta-me combater o medo dos merengues achatados e seguir em frente. Trancas ao forno e a mais linda a repousar e arrefecer durante a noite. Acordo para a recompensa de um merengue alto. Temos sobremesa!

Doce, ácido, fofo e estaladiço. Cada colherada é um fogo de artifício na boca. Cheia de opostos, (com sorte) equilibrada, esta é a sobremesa do ano. Pecaminosa q.b. Perfeita para hoje. Afinal 6 anos não se fazem todos os dias.

Pavlova

28.9.12

Crumble de ruibarbo e avelãs ✽ Hazelnut Rhubarb Crumble {my breakfast}

Crumble de ruibarbo e avelãs
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Uma vez por outra, um devaneio. Daqueles que fazem dos dias especiais, dias verdadeiramente únicos. Dos que não se esquecem, desde o momento em que se põem os pés no chão e se antecipa o que aí vem. Com um sorriso e a vontade de quem pode mudar o mundo. Nestes dias, os irrepetíveis, um crumble logo de manhã é mais que justificado. Neste caso com ruibarbo, farinha de espelta integral e frutos secos. Com iogurte.

Que comece a celebração à mesa do pequeno-almoço. É que não há outro sítio melhor para começar o dia!

gaivota // seagull

Once in a while, a daydream. Those who make special days truly unique. Days you don't forget, from the moment you set a foot on the ground and anticipate what's about to come. With a smile on your face and the wish to change the world. In days like these, unrepeatable, a crumble in the morning is more than justified. In this case with rhubarb, whole spelt flour and hazelnuts. With soya yogurt.

Let the celebration begin at the breakfast table. There's no other place to start the day!

Crumble de ruibarbo e avelãs Crumble de ruibarbo e avelãs Crumble de ruibarbo e avelãs

O meu pequeno-almoço é parte do projecto 365 breakfasts a year da Alpro.

My breakfast is part of Alpro's project 365 breakfasts a year. Find the recipe below.

15.3.11

Panna cotta com gelatina de ruibarbo

Ruibarbo // Rhubarb

Seda, brilhantes e outras lantejoulas. De um vermelho intenso, daquele de que as paixões são feitas. Saturado. Imponente. Em camadas sobrepostas. Outras de um branco alvo e delicado. Em contradição. Ou complemento. Presumo que a febre dos últimos dias não tornou o meu discurso mais escorreito... Nem a minha mente mais lúcida. São fragmentos de uma semana delico-doce, ainda por sedimentar. Histórias para contar. Sabores, gargalhadas e tantos passos andados. Minutos de felicidade. Febre, uma cabeça a andar à roda. Chá. Horas esquecidas. Entre mantas e almofadas. Um sofá. Em semi-consciência ou no reino dos sonhos. Uma recaída. Dias perdidos.

Gosto de vermelho. E de branco. Gosto de panna cottas como quem gosta de tardes de praia e um mar azul a perder de vista. Se alguma coisa faz sentido é o fio do horizonte. E uma colher vermelha.

Panna Cotta com gelatina de ruibarbo // Panna Cotta with Rhubarb Jelly

Esta é uma sobremesa cheia de simplicidade. Panna cotta significa literalmente 'nata cozida' em italiano. E é pouco mais que isso. A cremosidade da panna cotta combina perfeitamente com o ácido do ruibarbo e a textura da gelatina. Se ao menos ainda restasse alguma no frigorífico...

Ruibarbo cortado // Chopped Rhubarb
Panna Cotta com gelatina de ruibarbo // Panna Cotta with Rhubarb Jelly

15.2.11

Bolo invertido de ruibarbo ou o fruto do desejo

Bolo invertido de ruibarbo // Upside down Rhubarb Cake

Os indícios são inequívocos. Aqui nasce um botão em flor, ali irrompe um bolbo, acolá desponta uma haste. Corre o boato que falta pouco para que as bancas do mercado tenham outro colorido. É uma conversa de esperança, uma declaração de intenções pouco baseada em factos: um desejo verbalizado que acompanha os que de cachecol e luvas se aventuram todas as semanas por um mercado de rua cada vez mais movimentado. Em rigor, ninguém espera que de um dia para o outro a temperatura suba e a chuva se vá de embora. Entre os cogumelos e os cestos de amêndoas, nozes e avelãs, umas hastes de um vermelho intenso prendem-me o olhar. Avanço em passo de corrida não vá alguém antecipar-se (ou talvez porque bem no fundo não acredito nos meus olhos). Ruibarbo! Vermelhas e longilíneas hastes do fruto do desejo ali ao alcance da mão. Agarro meia dúzia de talos e coloco no cesto enquanto olho em volta. As outras pessoas não demonstram qualquer interesse na minha descoberta e eu faço os possíveis por esconder a emoção. O fruto do desejo é secreto ou não vale a pena, verdade? E quem é que quer saber desta minha paixão? Ninguém, claro.

Ao contrário do que afirma a minha mais secreta convicção, o ruibarbo é um vegetal. Fevereiro é o primeiro mês da estação que se prolonga normalmente até Maio, sendo que o ruibarbo que cresce ao ar livre (e que estará disponível lá mais para a frente) é mais verde que este vermelho criado em estufas e também um pouco menos "doce".

Primeiras flores // Early yellow flowers
Bolo invertido de ruibarbo // Upside down Rhubarb Cake

10.5.10

O que é que o ruibarbo tem?

Strawberry Rhubarb Crumble

Tem uma cor bonita? Tem. Tem acidez que baste? Tem. Tem um ar de mistério entre a fruta e o legume? Tem. O ruibarbo tem graça como ninguém. Tem! E é o tempo dele. As minhas aventuras com esta planta começaram o ano passado e para a história ficaram uma compota e um chutney com cebolas roxas. Não que eu tenha experimentado muito com ruibarbo mas fica-me a impressão que a sua natureza está mais do lado dos doces que dos salgados. Este ano quando comprei ruibarbo (no Brio) tinha em mente um crumble ou um soufflé. Ganhou o crumble, muito por culpa da Pipoka e do seu crumble de ruibarbo e de morangos que me deixou a sonhar com tacinhas e iogurte.

Rhubarb Compote

Crumble de Ruibarbo e Morango
Adaptado ligeiramente de Rachel Allen, Rachel's Favourite Food for Friends

4-6 porções individuais

300g ruibarbo, cortado em pedaços 2cm
200g morangos, cortados ao meio
60g açucar mascavado (ou mais, a gosto)
1 colher sopa rum (opcional)

para o topping:
75g farinha com fermento
25g flocos aveia
25g amêndoa laminada
50g açucar demerara (ou granulado)
50g manteiga, fria e em cubos

Misture a farinha, aveia, amêndoa e açucar numa tigela. Misture a manteiga e com a ponta dos dedos aperte até formar uma mistura semelhante a migalhas. Refrigere.

Pré-aqueça o forno a 180ºC. Pincele um prato de forno com manteiga. Disponha o ruibarbo e os morangos e polvilhe com o açucar e o rum, agitanto o prato. Cubra com o topping e leve ao forno por 25-30 minutos ou até estar dourado. Sirva com iogurte grego.

Strawberry Rhubarb Crumble (with greek yoghurt)