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24.12.18

Coroa de Natal (com chila, amêndoa e cerejas)

Coroa de Natal (gila, amêndoa e cerejas)

E de repente é outra vez véspera de Natal. Para onde foram os dias, as semanas e os meses que fizeram este ano alguém saberá mas não eu. Dou por mim de novo a pensar no bacalhau da Consoada, nos sonhos de abóbora da minha mãe e nas rabanadas da minha sogra. Já cheira a canela e açúcar e a mesa posta para 10 espera por miúdos e graúdos.

Não há Natal sem bolo e no forno coze uma coroa, assim chamada por ser circular e colorida, em jeito de decoração comestível que adorna a mesa e faz a espera pela meia-noite parecer mais curta. Com a inseparável chávena de chá serve de companhia à conversa e chama a música da época para um serão em família.

azevinho
Coroa de Natal (gila, amêndoa e cerejas)

Entre a vontade de fazer um bolo lêvedo diferente do tradicional e manter os sabores preferido da Consoada, eis que a combinação ganhadora chila, amêndoa, cerejas ganha forma. A lembrar o azevinho e com um piscar de olho à neve feita de açúcar em pó, eis a coroa que celebra a partilha.

Feliz Natal!

Coroa de Natal (gila, amêndoa e cerejas)

30.3.18

Coroa de Páscoa (com citrinos e amêndoa)

Páscoa, um bolo e uma caça aos ovos

Começar de novo é o espírito destes dias. Renascer. A Páscoa faz-se de desejos de uma nova vida, do início de um tempo em que a natureza se reinventa e da promessa de oportunidades novinhas em folha para quem as quiser apanhar. Da festa religiosa ganha-se a narrativa, do coração recebe-se a esperança de um novo futuro.

Entre ovos, coelhinhos, amêndoas e chocolate, as referências da época parecem ensombrar outras tradições. Não vale esquecer os folares, as tranças e os (meus favoritos) bolos fintos. Se quiserem, há ainda as verdadeiras coroas trabalhadas de maneira a arrancar ainda mais sorrisos. Nada que desmoralize a receita de hoje, que não recebe lições de beleza ou sabor de nenhuma outra.

Páscoa, um bolo e uma caça aos ovos
Páscoa, um bolo e uma caça aos ovos
Páscoa, um bolo e uma caça aos ovos

A bem da verdade trata-se de um bolo. Lêvedo. Sem buraco. Chamar-lhe coroa é fazer uso abusivo da semântica. E contudo ao olhar para o seu ar altivo, encimada com amêndoas laminadas e coroada por um círculo perfeito de claras e açúcar, a cheirar a limão e laranja, nada parece mais ajustado. Havemos de cortar fatias grossas e barrá-las com lemon curd enquanto bebemos café. Desejamos que a vossa mesa seja da celebração do recomeço. Um que vos faça falta.

Boa Páscoa!

Páscoa, um bolo e uma caça aos ovos

12.12.15

Bolo-rei de espelta e cerveja preta

Bolo-rei

Ouro, mirra e incenso. Presentes dignos de um rei. São as oferendas dos três reis magos que fazem parte do nosso imaginário e se relembram a cada Natal, assim começam a aparecer as figurinhas do presépio ou as representações deste marco da história cristã.

Em forma de bolo se simbolizam também desejos de espiritualidade e imortalidade invocando o espírito do tempo e a celebração do nascimento. Não há Natal sem bolo-rei. Amado por muitos, este é o bolo que nunca falta na mesa da consoada. Cá em casa nasceu das mãos do padeiro de serviço e recebeu um recheio e cobertura simplificados.

Bolo-rei massa

Houve um tempo em que eu não gostava de frutas cristalizadas. Culpo o excesso de açúcar e a fraca qualidade dos exemplares da altura. Hoje descubro nesta forma de preservar fruta muito mais graça. E não fico indiferente às cores bonitas essenciais à decoração do bolo-rei. Neste caso apenas cerejas e figos, porque são os nossos preferidos e têm as cores do Natal. A massa, essa, tem apenas amêndoas e passas e os sabores fortes da espelta integral e da cerveja preta. Para fazer desta quadra um tempo ainda mais doce.

Boas festas!

Bolo-rei

3.4.15

Coroa entrançada de Páscoa

Coroa de Páscoa

Começar de novo. É o espírito do tempo presente, a mensagem repetida nas palavras que fazem esta época festiva. Numa celebração do que está para vir, a Páscoa representa sempre um recomeço. Uma espécie de nova oportunidade, sem passivo nem fardos para carregar. Na oferta dos ovos como metáfora de uma vida nova mora uma renovação de votos que estravasa o contexto religioso, se alinha no calendário à boleia da nova estação e coincide com as árvores a florescer e os campos cheios de verde.

Cá por casa encontramos na Páscoa um pretexto para nos juntarmos à volta da mesa em família. Das tradições que tornam o borrego o rei do almoço fazem também parte os pães doces, simples ou com especiarias, as tartes de amêndoa e os inevitáveis bolos fintos a cheirar a erva-doce.

Coroa de Páscoa Coroa de Páscoa

Este ano há-de ser uma coroa entrançada a dominar a mesa. Das mãos que por aqui se ocupam das massas lêvedas sai esta beleza doce, recheada de passas e amêndoa picada. O desafio de enrolar, cortar e entrançar a massa parece maior do que na realidade é. O resultado final é garantia de muitos sorrisos dividos e de uma família feliz.

Boa Páscoa!

Árvores em flor

13.9.13

Baba au rum {com morangos}

Baba au rum (com morangos)

Há sempre alguma coisa a que brindar. Quer seja um aniversário ou simplesmente a felicidade de outro dia bem passado, as razões para celebrar estão ao alcance de uma mão ou de um olhar mais atento. E mesmo quando não há muito tempo ou muita vontade de ir para a cozinha e ligar o forno, não há festa que se faça sem bolo.

A versão de um Baba au rum com morangos e natas em chantilly para comemorar mais um aniversário parece algo absolutamente certo. Faz-se a festa, partilham-se as mesmas histórias de sempre e redobram-se votos de alegria e saúde para mais um ano de vida.

Voilá!

party
Baba au rum (com morangos)