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26.6.15

Piquenique na Casa do Lago e uma sangria de frutos tropicais

Piquenique na Casa do Lago, Pestana Palace, Lisboa

O Verão chegou finalmente. Anunciou-se, recuou um pouco, mostrou-se novamente e veio para ficar. Mais difícil é encarar os dias quentes na cidade a trabalhar, com as férias ainda num horizonte longínquo. Panaceia para desejos de tardes longas e mergulhos infindáveis é encontrar recantos escondidos entre árvores e edifícios com história como o Palácio Valle Flor. No Pestana Palace não se sente o rebuliço de uma Lisboa que não pára, com jardins a chamarem pelos mais sequiosos de sossego.

Do caminho por entre as sebes vislumbra-se a casa ao fundo do empedrado. As paredes vermelhas prendem o olhar, emolduradas por palmeiras e pelas muitas flores em volta que por estes dias se pintam de cores vibrantes. Há música no ar e uma descontração que é bem-vinda. Ao cimo das escadas, de portas abertas os jardins continuam para além da Casa do Lago, com a piscina ali ao lado e mesas postas no varandim, com o churrasco de Verão em plena preparação. O convite é para um piquenique chique, com almofadas e uma manta sobre a relva ou uma mesa confortável com vista para a água, que pede ainda antes da refeição uns quantos mergulhos.

Piquenique na Casa do Lago, Pestana Palace, Lisboa Piquenique, Casa do Lago, Pestana Palace, Lisboa

Pratos de porcelana, guardanapos de pano e flutes. É uma ideia de piquenique sofisticada que pode ser encontrada aos sábados na Casa do Lago. Para quem como eu não perde uma oportunidade para se sentar no chão, cruzar as pernas e ficar à conversa enquanto a sombra durar é a promessa de um sábado feliz. O cesto com flores e jornais ali ao lado tem fruta, baguettes e croissants e a companhia de compotas e queijos. Mas a minha mente está nas mesas coloridas e repletas de sushi, saladas, wraps e outras tentações, para não falar das sobremesas, entre as quais se conta o delicoso mil-folhas de pastel de nata do chef pâtissier Francisco Paiva.

Da mesa do sushi e dos crus, com ceviches, carpaccios e tártaros por companhia, trago exemplares de espadarte e salmão fumado pela equipa e que o chef do Sushi & Crudo Bar prepara na presença dos fãs deste tipo de comidas, em que me incluo. De pauzinhos em riste, é nas almofadas e à sombra das grandes árvores do jardim que chega uma sangria de frutos tropicais que me rouba o coração. São as cores da fruta, entre a doçura e a acidez que fazem desta a bebida mais que perfeita para a ocasião.

Piquenique na Casa do Lago, Pestana Palace, Lisboa

A vontade de replicar esta sangria em casa há-de ficar em pensamentos que cedo obrigam a que tal aconteça. Kiwi, maracujá, abacaxi e uma mão cheia de morangos pequeninos para que o contraste de cor seja ainda mais evidente. A escolha dos frutos tropicais, do champanhe e da hortelã é a combinação certa para enfrentar o calor e receber o fim-de-semana com um sorriso nos lábios e um copo na mão.

Piquenique na Casa do Lago, Pestana Palace, Lisboa


12.6.13

Muesli com maçã desidratada e mel de rosmaninho

Muesli com maçã desidratada e sementes de papoila

De todas as refeições do dia, talvez a mais importante seja o pequeno-almoço. E não é só por ser a primeira. É que de todas as possibilidades e opções existem poucas que sejam mais coloridas e diversificadas. Por mim, havendo paraíso, há pequeno-almoço servido all day long. Sou fã de refeições preguiçosas e muita conversa, manhã a fora, em dias sem nada para fazer. Mas por agora não é esse o caso. É preciso energia, vitaminas e um pequeno-almoço nutritivo. O tempo escasseia e não há vislumbre da preguiça prometida. Uma tigela cheia de coisas boas é a solução. Sobretudo quando os dias se afiguram longos e as manhãs intermináveis.

Para começar o dia com um sorriso na cara e a barriga contente, despertos e prontos para os desafios que se avizinham.

maçã desidratada e mel de rosmaninho Muesli com maçã desidratada e sementes de papoila

Na tigela os cereais, a fruta fresca e o crocante dos frutos secos e das sementes com a doçura do mel de rosmaninho. Para completar o quadro, uma das formas mais inteligentes de conservar fruta, dando-lhe uma nova textura: maçã desidratada. Excelente para mordiscar como snack e para as crianças uma óptima alternativa a gomas e outros doces. Um ingrediente que não há-de faltar a partir de agora na minha despensa e que me foi dado a conhecer pelo Centro Comercial Virtual 3D da Serra da Estrela.

Sentada, com o sol (finalmente) a entrar pela janela da cozinha, vou deixando vazia a minha tigela. Ao lado, há uma chávena de chá verde jasmim, que é a companhia perfeita, promete dias mais preguiçosos. Enquanto estes não chegam, lá vou feliz da vida. Porque não há dias cheios que um pequeno-almoço completo não torne mais fáceis.

morangos

1.11.11

Profiteroles para celebrar 1460 dias a escrever, fotografar e comer

Mini pièce montée

Este blogue faz hoje 4 anos. É um prolongamento da mesa cá de casa, um repositório de emoções e um diário escrito entre o estômago e o coração. Quase sempre alegre, raras vezes triste. Nunca indiferente. Representa um lado solar da vida que de tanto querer ser verdade acaba por ser rigoroso. O que aqui se fotografa acaba invariavelmente na nossa barriga e se cá veio parar é porque gostámos. Os lugares e as pessoas que por cá passam fazem desta uma história repleta de detalhes e ficam para sempre na memória de uma mesa partilhada. Um contentamento a que chamamos quotidiano.

E ao 1460º dia é tempo de profiteroles.

Flores brancas // White Flowers

choux+chocolate

4.7.11

Crumble de nêsperas para um Domingo cinzento

Crumble de nêsperas // Loquat Crumble

Fotografar é uma forma de vida. Capta-se o momento num registo egoísta, num olhar singelo. Sempre em nome próprio, sempre num movimentos solitário de nós para connosco. Quem fotografa plasma-se na fotografia, deixando inscrita uma parte de si. Nenhuma fotografia é apenas aquilo que contém ou que retrata. Representa um estado de espírito, uma vontade, uma maneira particular de olhar o mundo. Por vezes é só um acaso. Uma sorte, do género apontar e disparar. Nem profundidades de campo, nem aberturas, nem velocidades, enquadramento, composição. Nada. Apontar e disparar. A única condição necessária e suficiente para fotografar é que haja luz. Sem luz, nada feito. Luz do fim do dia, acolhedora e bonita. Luz do amanhecer, quase etérea e transparente. Para esquecer, a luz dura e sem interesse do meio-dia. Ou um dia cinzento. Nada como um dia cinzento para tirar qualquer vontade de fotografar. Uma dominante azulada que atravessa as lentes e se estampa por todo o lado. Nem lâmpadas, nem reflectores nos valem. Há dias em que é melhor aceitar que fotografar é uma estranha forma de vida. E nem o acaso nos salva.

Na contabilidade das compensações, faço um crumble. Ando a sonhar com a receita de crumble de nêspera da menina Gasparzinha desde Maio. Nêsperas! As últimas da estação têm de terminar em crumble. Junto os ingredientes e depois resolvo usar um resto de nozes pecãs. Descubro que os flocos de aveia não chegam. Faço um crumble com o que há. É mesmo assim. Há dias em que não vale a pena ir contra o que a vida não quer. É calar e comer.

Nêsperas // Loquats

15.2.11

Bolo invertido de ruibarbo ou o fruto do desejo

Bolo invertido de ruibarbo // Upside down Rhubarb Cake

Os indícios são inequívocos. Aqui nasce um botão em flor, ali irrompe um bolbo, acolá desponta uma haste. Corre o boato que falta pouco para que as bancas do mercado tenham outro colorido. É uma conversa de esperança, uma declaração de intenções pouco baseada em factos: um desejo verbalizado que acompanha os que de cachecol e luvas se aventuram todas as semanas por um mercado de rua cada vez mais movimentado. Em rigor, ninguém espera que de um dia para o outro a temperatura suba e a chuva se vá de embora. Entre os cogumelos e os cestos de amêndoas, nozes e avelãs, umas hastes de um vermelho intenso prendem-me o olhar. Avanço em passo de corrida não vá alguém antecipar-se (ou talvez porque bem no fundo não acredito nos meus olhos). Ruibarbo! Vermelhas e longilíneas hastes do fruto do desejo ali ao alcance da mão. Agarro meia dúzia de talos e coloco no cesto enquanto olho em volta. As outras pessoas não demonstram qualquer interesse na minha descoberta e eu faço os possíveis por esconder a emoção. O fruto do desejo é secreto ou não vale a pena, verdade? E quem é que quer saber desta minha paixão? Ninguém, claro.

Ao contrário do que afirma a minha mais secreta convicção, o ruibarbo é um vegetal. Fevereiro é o primeiro mês da estação que se prolonga normalmente até Maio, sendo que o ruibarbo que cresce ao ar livre (e que estará disponível lá mais para a frente) é mais verde que este vermelho criado em estufas e também um pouco menos "doce".

Primeiras flores // Early yellow flowers
Bolo invertido de ruibarbo // Upside down Rhubarb Cake

3.2.11

Trifle de frutos silvestres e uma reflexão sobre a autoria das receitas

Trifle de mascarpone e morangos

A questão das receitas retiradas daqui e dali não é nova. Quem escreve e publica receitas deve seguir um código de conduta para que a autoria e atribuição de receitas seja clara, com a indicação explícita quando se trata de uma adaptação e a citação de fontes. É uma questão de honestidade intelectual e de respeito pelos autores. Num excelente artigo sobre o assunto, David Lebovitz enuncia algumas regras a propósito da atribuição de receitas que podem servir como orientação: 1) quando se modifica a receita de alguém deve indicar-se "adaptado de"; 2) quando se altera a receita substancialmente, pode não se indicar a fonte mas se for similar a uma receita publicada, deve indicar-se "inspirada em" e 3) quando se muda mais de três ingredientes, a receita pode ser publicada como própria desde que as técnicas de confecção não sejam iguais. Em caso de dúvida nada como indicar a fonte, seja adaptado, inspirado ou só levemente relacionado com. Digo eu. Porque é mais fácil e, como diz a minha amiga Moira sobre o mesmo assunto, "é mais bonito".

Dou por mim a olhar para a receita que publico hoje. Fica entre um trifle e um tiramisu e tem mil e uma versões possíveis naquilo que a Nigella chama um trifle anglo-italiano e que outros apelidam de tiramisu de frutos vermelhos. A minha opção por trifle para esta versão é justificada simplesmente por uma convicção de que um tiramisu leva sempre café e um trifle leva sempre fruta. O critério é frágil mas explica a minha lógica de pensamento. As diferenças entre um tiramisu e um trifle são relativas. Já as suas parecenças são por demais evidentes: um e outro são compostos por camadas de palitos ou bolo, cobertos com um creme e finalizados com cacau ou com um elemento crocante. Um é italiano e o outro tipicamente britânico. Esta é a minha versão. Inspirada nas receitas acima mencionadas, fruto dos ingredientes existentes em casa e de um desejo de uma sobremesa colorida.

Céus de Fevereiro // February skies
Trifle de mascarpone e morangos

14.1.11

Crostata de maçã e baunilha ou o elogio da sazonalidade

Crostata

Sazonalidade. A palavra mágica que promete uma atitude mais ecológica e uns trocos a mais na carteira. Significa apenas seguir as estações e aceitar aquilo que a terra dá quando faz frio ou calor. Habituámo-nos a ter todo o ano alface, tomate ou morangos... Se são locais, cultivados em estufas é no sabor que a maior diferença pode ser sentida. Se vêm do outro lado do mundo, chegam com muitos quilómetros e dias, semanas depois de terem sido colhidos. Woody Allen diz que não come ostras porque gosta da sua comida morta. Eu gosto da minha fresca. Cozinhar e comer de acordo com o mês do ano. O Inverno é tempo de uma produção menos variada, os seus vegetais e frutos são menos esfusiantes na cor, menos atrevidos no sabor, mas igualmente especiais. Não me imagino a viver sem pêras ou a nunca mais comer couve. E nada bate a combinação de batata doce e abóbora que apenas as temperaturas baixas parecem completar.

Que vegetais e frutos comer em Janeiro? Beterraba, brócolos, couve, abóbora, batatas e nabos (entre outros) e limões, clementinas, maçãs, laranjas, pêras e romãs, só para referir alguns. Em sopas e saladas, à dentada ou em tartes e bolos. A minha escolha para utilizar maçãs é uma crostata, uma tarte italiana feita com pasta frolla e recheada com compota de fruta.

Crostata de maçã e baunilha

Crostata de maçã e baunilha

Faz uma tarte grande ou 6 pequenas

Massa "Pasta frolla"
Adaptado de Pelegrino Artusi, Science in the Kitchen and the Art of Eating Well

100g açúcar superfino
235g farinha
pitada de sal
115g] manteiga sem sal, fria e cortada em cubos
raspa de metade de um limão pequeno
1 ovo grande + 1 gema, batidos

Numa tigela, coloque a farinha peneirada, o açúcar e o sal. Com a ponta dos dedos ou utilizando duas facas vá misturando a manteiga (em pequenos cubos) com a farinha e o açúcar até obter uma textura semelhante a migalhas. Faça uma cova ao centro e deite os ovos batidos (reserve cerca de uma colher de sopa para pincelar a massa - guarde tapado no frigorífico). Adicione a raspa de limão e com um garfo incorpore o líquido nos sólidos até começar a agregar. Com as mãos enfarinhadas, amasse brevemente até formar uma bola. Cubra com película e leve ao frio pelo menos duas horas ou de um dia para o outro.

Compota de maçã e baunilha

6 maçãs (cerca de 900g), descascadas e em cubos (usei maçãs vermelhas)
125ml sumo de maçã
3 colheres (sopa) açúcar, ou mais a gosto
1 pau de canela
1 colher (sopa) sumo de limão
1 vagem de baunilha, aberta longitudinalmente e as sementes raspadas

Leve todos os ingredientes ao lume num tacho. Deixe ferver em lume brando cerca de 45 minutos, mexendo ocasionalmente. Retire a canela e a vagem de baunilha. Bata com a colher de pau até obter uma compota homogénea (ou use um esmagador de batatas).

Para rechear a crostata necessita de cerca de 600g de compota. Guarde a compota que restar e sirva com panquecas ou waffles.

Pré-aqueça o forno a 180ºC. Retire a pasta frolla do frigorífico e corte ¼ da massa para as tiras que irão cobrir a crostata. Reserve esta massa no frio enquanto prepara a base.
COm um rolo da massa, estenda a massa entre duas folhas de papel vegetal até obter uma espessura de cerca de 5mm. (Se a massa estiver muito fria, aguarde alguns minutos) Retire o papel vegetal da massa. Enrole-a no rolo e desenrole sobre a tarteira, previamente preparada. Corte o excesso e pique a massa com um garfo.
Retire a restante massa e forme tiras, que irá entrelaçar sobre a compota para formar o topo da crostata. Recheie a base com a compota e disponha as tiras, alternando para estas cruzarem. Use o ovo reservado para pincelar as tiras. Leve a tarte ao forno 25-30 minutos ou até a massa estar dourada. Deixe arrefecer completamente antes de partir e servir. Polvilhe com açúcar em pó.

30.12.10

Um livro bonito, um autor especial e o seu crumble de ameixas

Crumble de ameixas // Plum Crumble

2011 já se avista. Fazem-se balanços, reflecte-se sobre o ano que passou e escolhem-se recordações. Tenho a firme convicção de que as listas e os 'top 10' valem o que valem. E os meus são apenas indicativos de estados de alma e de uma cornucópia de vontades na curva de um instante. Nada que valha a pena teorizar ou analisar com minúcia de maior.

Talvez se recordem dos meus livros favoritos de 2010. Ou talvez mantenham um vislumbre das minhas escolhas de 2008. Em comum, um senhor chamado Nigel Slater. Sempre recorrente nas minhas deambulações, receitas e leituras, o homem que diz não ser um chef mas apenas um cozinheiro tem as ameixas como fruta de eleição. E faz os livros mais bonitos. A minha muito singela homenagem vem na forma de um crumble e traz votos de Feliz Ano Novo.

Crumble de ameixas // Plum Crumble

Crumble de ameixas
Adaptado de Nigel Slater, Tender, volume II

6 porções individuais

8-10 ameixas vermelhas (cerca de 700g)
4 colheres (sopa) açúcar
2 colheres (sopa) manteiga

para o crumble:
100g manteiga
150g farinha
50g amêndoa ralada (ou fatiada)
75g açúcar

Pré-aqueça o forno a 200ºC. Coloque as ameixas sem caroço numa pequena caçarola, polvilhe com o açúcar e distribua a manteiga em pequenos pedaços. Junte 1 ou 2 colheres de água se a fruta não estiver madura e leve ao lume por 2 minutos ou até a fruta começar a amolecer. Verta para uma forma de ir ao forno.

Faça o crumble, desfazendo a manteiga (fria) na farinha com as pontas dos dedos. Junte o açúcar e a amêndoa. Deite 1 ou 2 colheres de água sobre esta mistura e mexa com um garfo (esta operação permitirá que a crosta a formar tenha uma textura mais fofa). Cubra a fruta com esta mistura e coza no forno durante 30-35 minutos ou até o crumble estar dourado.

Sirva morno, com gelado, natas ou iogurte grego (como eu).

Feliz 2011! // Happy 2011!

7.10.10

Tarte de figos e amoras e uma ode aos frutos

Tarte de figos e amoras // Fig Blackberry Tart

A mudança de estação é muito visível nos diferentes frutos que vão surgindo. As cestas cheias de maçãs fazem-me sorrir e quase me esqueço dos frutos de verão que nos últimos meses trouxeram colorido aos nossos dias e um travo ácido e doce à sobremesa. Esta é uma tarte de transição. Um compromisso entre os sabores dos frutos de tempo mais quente e as cores mais quebradas e suaves de um Outono que promete. São os últimos figos e um punhado de amoras. É uma alegria em forma de tarte. Uma passagem para as maçãs (ainda acompanhadas por framboesas) e um desejo em forma de chávena de chá.

Maçãs e framboesas // Apples and raspberries

Tarte de figos e amoras
Adaptado ligeiramente de Nigel Slater, Tender - volume II

Serve 4 porções pequenas

150g farinha
90g manteiga sem sal gelada
35g açúcar em pó (icing sugar), extra para polvilhar
1 gema de ovo
1-2 colheres sopa água gelada

para o recheio:
125g amoras
8 figos pequenos, cortados grosseiramente ou ao meio no caso dos mais pequenos
2 colheres sopa compota de amoras (ou de frutos vermelhos)
40g avelãs raladas
1 colher sopa sumo limão
1 colher chá açúcar

Coloque a farinha e o açúcar numa tigela larga e junte a manteiga. Com uma faca vá cortanto a manteiga e misturando, até obter uma mistura semelhante a migalhas. Junte a gema e 1 colher sopa de água e junte com a faca até a massa começar a agregar. Com as mãos forme uma bola sem amassar. Cubra com película e refrigere por 30 minutos.

Pré-aqueça o forno a 180ºC. Para o recheio, aqueça a compota até ficar líquida. Misture as amoras e os figos e as avelãs. Retire a massa do frio e, entre duas folhas de papel vegetal, estenda-a até obter um círculo com um diâmetro de cerca de 25cm. Esta massa não pode ser estendida muito fina e deve ser tratada com cuidado. Com o rolo da massa, transfira para uma forma (de 20-22cm diâmetro) pincelada com manteiga. Deixe o rebordo da massa para fora da forma. Verta o recheio para o centro e polvilhe com o açucar. Dobre a massa para cima do recheio, sem sobrepor completamente (o recheio deve ficar visível ao centro). Leve ao forno por 35-40 minutos ou até a massa estar dourada. Sirva morna, polvilhada com açúcar em pó.

nota: As quantidades dos ingredientes para a massa correspondem a 2/3 da receita original. O Sr. Nigel Slater sugere 4 tartes individuais pelo que necessita de mais massa. O meu recheio foi feito à medida dos ingredientes que eu tinha em casa, nomeadamente uma quantidade de amoras muito inferior ao original (250g) e apenas metade da compota que o original utiliza. Embora eu tenha feito esta tarte numa forma de cerâmica, suspeito que ela ficará igualmente bem em versão galette num tabuleiro.

Tarte de figos e amoras // Fig Blackberry Tart

18.8.10

Uma tarte baklava de figos

figos // figs

Rumo ao Sul como se lá houvesse outro sol. Se o Sul fosse um lugar havia de estar repleto de verde, ter uma porta sem campainha (daquelas que escondem segredos) e escrever-se de mar e sal. É no Sul que crescem as árvores do meu paraíso, as que dão frutos verdes ou negros, que se abrem para um interior de mistérios, sob a promessa de açúcar sem fim. São os figos da minha vontade. vício último de quem não morre nem mata por doce. Todo o ser tem o seu ponto fraco, contraditório, inexplicável. O meu começa e acaba num prato de figos.

Não vejo qualquer necessidade de acrescentar o que quer que seja a um par de figos docinhos. São perfeitos mornos, abertos ao meio com dedos ansiosos. No entanto abro uma excepção ao creme de mascarpone da minha amiga Pipoka e à combinação de Baklava para a base de uma tarte que o Provador apelidou de delícia escandalosa de figos.

tarte baklava figos // Baklava Fig Tart

Tarte Baklava de Figos

Faz 4 tartes individuais ou 1 tarte grande

para a base (adaptado de Frescos Sabores, Michele Cranston)

4 folhas massa filo
2 colheres sopa manteiga derretida
30g (½ chávena) amêndoas laminadas
30g (½ chávena) nozes picadas
2 colheres sopa mel
1 colher chá raspa de limão
2 colheres sopa açúcar amarelo
1 colher chá canela moída

Pré-aqueça o forno a 180ºC. Misture a amêndoa, noz, mel, açúcar, raspa de limão e canela numa tigela pequena. Unte uma tarteira rectangular com manteiga. Coloque uma folha de massa filo e pincele com manteiga. Polvilhe com a mistura de nozes e mel. Repita a operação com as restantes folhas de massa filo, terminando com uma folha de massa. Leve ao fono durante 15 minutos até estar bem dourado.

para o creme de mascarpone (adaptado apartir da receita no Three Fat Ladies)

125g iogurte grego
1 chávena de mascarpone (cerca de 225 g)
¼ chávena de açúcar
1 ½ colher de chá de raspa de limão

Misture todos os ingredientes numa tigela, até obter uma massa homogénea.

Para finalizar a tarte, coloque o recheio na tarteira apenas quando a massa estiver completamente fria. Disponha os figos aos quartos. Usei 8 figos grandes, mas a quantidade de figos pode ser a que se quiser.

tarte baklava figos // Baklava Fig Tart

2.7.10

Clafoutis de cerejas para um aniversário

cerejas // cherries

Apesar das escassas centenas de metros na cidade grande que separam os nossos locais de trabalho, podia acontecer nunca nos termos encontrado. Bastava aos planetas nunca terem alinhado e podia uma de nós nunca ter começado um blogue de culinária. Culpa da blogosfera e de uns cortantes de bolachas e somamos horas felizes e dias memoráveis, quase sempre escritos a uma mesa, de copo na mão e língua afiada. Descobrimos que ambas temos gatas brancas e pretas com o mesmo nome e caras-metade que sofrem pelo mesmo clube. Passeamos de braço dado e trocamos gargalhadas. Fazemos compras. Partilhamos com outras criaturas como nós (vocês sabem quem são) momentos preciosos que sem o Three Fat Ladies nunca teriam acontecido. Porque há acasos felizes e os amigos são como as cerejas, este clafoutis é para ti, minha querida Pipoka!

*Este é um clafoutis clássico. Embora seja comum encontrar versões com diferentes frutos e mesmo clafoutis salgados, o original é feito com cerejas. Talvez porque reúne a essência desta receita, este é o meu favorito. Deve servir-se morno, polvilhado de açucar. Partilhado é ainda melhor.

clafoutis

Clafoutis de cerejas

4 ramequins individuais

300g cerejas, lavadas e sem pé
2 ovos grandes
80g açúcar refinado
200ml leite gordo
1 colher chá extracto baunilha
75g farinha, peneirada
20g manteiga com sal + extra para as formas
açúcar em pó para polvilhar

Pré-aqueça o forno a 180ºC. Pincele 4 formas de ir ao forno com manteiga. Distribua as cerejas pelas formas de forma igual. Derreta a manteiga e reserve até arrefecer. Bata os ovos com o açúcar até obter uma mistura esbranquiçada. Junte a baunilha e o leite mexendo até incorporar todos os ingredientes. Deite a farinha aos poucos e bata até obter uma mistura homogénea. Adicione a manteiga e mexa. Cuidadosamente, divida a massa pelas 4 formas. Leve ao forno durante 15-20 minutos ou até a massa estar dourada.

clafoutis

Sirva morno, polvilhado com o açúcar em pó.

notas: esta receita não é muito doce. Caso se queira, a quantidade de açúcar pode ser ligeiramente aumentada, a gosto. Para fazer um prato grande, duplique a receita.

28.5.10

A obsessão do momento ou uma panna cotta de maracujá

Passionfruit panna cotta // Panna cotta de maracujá

Eu pertenço a uma família de teimosos. É uma evidência. Uma mera constatação. Entre a obstinação e a casmurrice fica um mundo de vontades próprias em que o , o aqui e o agora se manifestam em decisões de uma vida ou na urgência de uma sobremesa para o almoço de Domingo. A sobremesa, the one and only, aquela que me preenche os sonhos e me ocupa os minutos livres: a panna cotta. Eu podia gostar de panna cotta com moderação, podia fazer uma de vez em quando e descansadamente apreciar todas as outras possibilidades. Podia. Se não fosse teimosa. E como tal, faço uma e depois outra, desenformo, mantenho na forma. Junto gelatina e experimento agar-agar. Uso as minhas cobaias (leia-se: família) até à exaustão. Desconfio que se houver outra panna cotta no cardápio vamos ter problemas...

Passionfruit panna cotta // Panna cotta de maracujá

Panna cotta de maracujá
Adaptado ligeiramente a partir de Laura Zavan, Panna cotta, da Marabout.

4 porções individuais

200ml natas
200ml leite meio gordo
100ml sumo maracujá (use a polpa de 2 maracujás, passe por um passador e junte água até perfazer a quantidade necessária)
1 e 1/2 colher de sopa custard powder (Ramazzotti)
1/2 vagem de baunilha, cortada ao meio e as sementes raspadas
50g açucar granulado

Aqueça as natas num tacho. Misture o custard powder com o açucar numa tigela e dissolva com o leite. Retire do lume. Adicione a vagem e sementes de baunilha às natas e a mistura de custard. Junte o sumo de maracujá. Leve ao lume e mexa com uma vara de arames até engrossar. Retire a vagem de baunilha. Deite a mistura em potes de iogurte e refrigere até estar firme (no mínimo, 1 hora).

Para a gelatina:
2 maracujás + 1 para decorar
2 folhas de gelatina

Coloque as folhas de gelatina numa taça com água fria. Abra os maracujás, retire a polpa, passe por um passador e junte um pouco de água. Aqueça ligeiramente. Retire do lume. Escorra as folhas de gelatina, junte ao sumo de maracujá e mexa até dissolver. Deite sobre a camada (já firme). Refrigere 2 horas. Para servir abra o maracujá reservado. Divida a polpa pelos 4 potes.

30.4.10

Consolo às colheradas

Apple Cinnamon Steamed Pudding

A cozinha Britânica tem os seus detractores. Sem a sofisticação e o detalhe da sua vizinha gaulesa ou a exuberância da colorida cozinha italiana, a comida tipicamente britânica é muitas vezes considerada "sensaborona" e pouco imaginativa. Numa palavra, boring. Eu por mim aprecio a simplicidade de alguns pratos e tendo a procurar nos tradicionais puddings uma nota doce que conforte as ocasionais tristezas e alivie as tensões acumuladas: um crumble morno, uma taça de custard ou uma colherada bem servida de um pudding cozido ao vapor. E o sol volta a brilhar. Já para não falar de como o final de uma refeição se ilumina quando se desenforma o pudim e entre bocas cheias de doce, se reatam as conversas e se consola o coração. E a aparência não podia ser mais retro!

A butter based version of steamed pudding

Pudim de maçã e especiarias
Adaptado livremente de BBC Good Food

350g maçãs, descascadas e fatiadas
200g açucar granulado
½ colher chá canela moída
½ colher chá gengibre
125g manteiga sem sal
umas gotas extracto baunilha
2 ovos médios, ligeiramente batidos
175g farinha com fermento

Coza as maçãs fatiadas com 75g de açucar e as especiarias por 2-3 minutos até a fruta começar a amolecer. Remova do lume e reserve.
Pincele com manteiga uma taça à prova de calor de cerca de 900ml de capacidade. Bata a manteiga e o açucar restante até obter uma massa fofa. Junte o extracto e os ovos, um pouco de cada vez, batendo entre as adições. Peneire a farinha e envolva na massa.
Coloque a fruta no fundo da taça, deite a massa por cima e alise a superfície com uma espátula.
Pincele com manteiga um pedaço de papel vegetal ligeiramente maior que o topo da taça. Faça uma prega ao centro e coloque sobre a taça, apertando para este se ajustar à forma. Repita com papel de alumínio e ate os dois com um fio. Coloque a taça dentro de uma panela com 3-4 cm água quase a ferver. (Eu uso um estrado de metal para cozer ao vapor no fundo da panela) Tape e coza durante 75-90 minutos, verificando regularmente que a água não seca. Retire da panela e remova a cobertura (com cuidado, o vapor queima!). Inverta o pudim num prato de servir e cuidadosamente retire a taça. Sirva com crème fraîche, natas batidas ou iogurte grego.

Nota: A consistência é mais próxima de um bolo molhado do que do nosso pudim de ovos, daí a necessidade de servir com iogurte (que foi o que fiz) ou natas. Imagino que com o bom tempo que se avizinha o gelado de baunilha seja o par perfeito.

20.1.10

Uma dádiva dos deuses

Vanilla Pear Cake

A delicadeza de uma pêra não tem igual. Razão tinha Homero que se referia a elas como uma 'dádiva dos deuses'. É o singelo testemunho de um fruto sem pretensões - a cor indistinta, a textura meio granulada, a firmeza ao toque, o orgulhoso pedúnculo a apontar o céu... O que eu adoro pêras!

Este foi o bolo com que celebrámos o aniversário (oficioso) da minha mãe, que faz anos duas vezes por ano e ainda assim conta sempre menos anos que no aniversário anterior! A receita é de um livro bonito e de um senhor (improvável chef) chamado Bill Granger, cujos pratos sabem sempre a verão ou não fosse ele australiano. O bolo, esse, corre o risco de ser repetido à exaustão. É delicioso.

Vanilla Pear Cake

Bolo de Baunilha e Pêras
Adaptado de Bill Granger, Bill's Food

6-8 pessoas

80 g manteiga sem sal
185 g (3/4 chávena) açucar superfino
1 ovo
1 colher chá extracto baunilha
Raspa 1 limão
185 ml (3/4 chávena) natas
165 g (1 1/3 chávenas) farinha
2 colheres chá fermento em pó
Pitada de sal
4 pêras pequenas, ou 2 grandes
20 g manteiga sem sal, derretida
60 g (1/4 chávena) açucar não refinado (ou mascavado)

Pré-aqueça o forno a 180°C. Bata a manteiga com o açucar até obter uma textura fofa e leve. Adicione o ovo, a baunilha e a raspa de limão e bata por um minuto. Acrescente as natas, envolvendo tudo. Peneire a farinha, o fermento em pó e o sal. Misture com cuidado.

Use uma forma de 24 cm. Deite a massa e alise a superfície com uma espátula. Descasque as pêras e arranje sobre a massa em círculos concêntricos. Pincele as pêras com a manteiga e polvilhe com o açucar. Leve ao forno por 50 minutos a 1 hora ou até o bolo estar cozido e as pêras douradas.

A receita original sugere custard como acompanhamento. Eu servi com iogurte grego e mel.

4.12.09

[4 por 6] Comida de tacho, risotto e dióspiros

As nossas refeições mudam muito em função da altura do ano, da temperatura e dos produtos em estação. Por estes dias, é a comida de tacho a marcar pontos. São panelas de leguminosas cozidas e o conforto de sopas e arroz fumegante. A sugestão de hoje do 4 por 6 é um risotto de castanhas e feijão encarnado: substancial, saboroso e reconfortante.

Chestnut Risotto with Red Beans

Risotto de castanhas e feijão encarnado

(para 4 pessoas)

1 colher sopa azeite
100 gr bacon, em cubos
1 colher sopa tomilho (só folhinhas) + extra para servir
200 gr castanhas (sem casca nem pele), picadas grosseiramente*
100 gr arroz arbório
750 ml caldo de legumes
400 gr feijão encarnado, cozido
2 colheres sopa natas + 50 ml leite
parmesão ralado (1/4 chávena) para servir

*Asse as castanhas por 15 minutos no forno a 200ºC com sal. Não esqueça de fazer um corte em cada uma antes de assar. Descasque ainda quentes. Pode congelar em sacos fechados.

Chestnut Risotto with Red Beans

Coloque o azeite numa caçarola larga de fundo grosso. Junte o bacon e o tomilho e aloure durante 2 minutos. Adicione as castanhas e o arroz e mexa até este apresentar um aparência translúcida. Comece a deitar o caldo (quente), uma concha de cada vez, mexendo sempre. Deve demorar cerca de 15 minutos até absorver todo o caldo e o arroz estar cozido. Junte o feijão e mexa. Acrescente as natas e o leite depois da última concha de caldo e deixe fervilhar e reduzir ligeiramente. Rectifique o sal se necessário. Sirva de imediato com o parmesão ralado e folhinhas de tomilho.

Para a sobremesa, escolha uma fruta da época: dióspiros.

Persimmons

Dica de poupança: O arroz para risotto (arborio, carnaroli e vialone) tem uma característica específica: liberta amido abundantemente quando preparado com caldo. Por serem variedades importadas, são caras. Substitua por arroz carolino, para resultados aproximados.

Factura:
bacon (6.89€/Kg) - 0.69€
castanhas (1.99€/Kg) - 0.45€
arroz (1.89€/Kg) - 0.19€
feijão (0.79€/400grs) - 0.79€
natas (0.79€/200ml) - 0.20€ (usei soja)
leite (0.54€/L) - 0.04€
queijo parmesão (€ 4,50€/250grs) - 0.90€

dióspiros (2.99/Kg) - 1.50€

total - 4.76€

Os preços de referência dos ingredientes são do continente. Não foram considerados valores para o azeite e o tomilho. Os valores são, como sempre, apenas indicativos.

17.7.09

4 por 6 - A vez do Clafoutis

Tem sido um mês de Julho muito atarefado e a minha presença por aqui tem sido quase nula. Não queria no entanto deixar de publicar hoje a minha proposta do 4 por 6. Hoje servimos um clafoutis salgado para o almoço e uma sopa de pêssegos para a sobremesa, numa refeição com ar de verão e férias no horizonte. Aos sortudos que se encontram já de "papo para o ar", votos de bom descanso, para os que (como eu) ainda estão a braços com o trabalho, fica uma palavra de ânimo e coragem!

Bacon, tomato & pea Clafoutis

Clafoutis de bacon, tomate cereja e ervilhas

6 ovos
125 ml natas
500 grs batatinhas novas
1 colher sopa azeite
1 cebola grande, picada
6 fatias bacon
1 chávena ervilhas
1/4 chávena salsa, picada
150 grs tomates cereja
sal e pimenta

Pré-aqueça o forno a 180°C.

Coza as batatas, cortadas ao meio, em água com sal, cerca de 5 minutos. Escorra e reserve. Aloure ligeiramente a cebola com o azeite numa frigideira larga. Adicione o bacon em pedaços grandes e deixe fritar até estar estaladiço. Coloque as batatas, a mistura de cebola e bacon num prato de ir ao forno. Distribua as ervilhas e os tomates (cortados ao meio) de modo uniforme.

Numa tigela média, bata os ovos com as natas, até a mistura se apresentar homogénea. Junte a salsa e tempere com sal e pimenta. Deite a massa cuidadosamente sobre os restantes ingredientes. Leve ao forno por 25 minutes ou até estar completamente cozido. Sirva imediatamente, com uma salada verde.

Bacon, tomato & pea Clafoutis

Pêssegos em Vinho Tinto

4 pêssegos grandes, cortados ao meio, sem caroço
2-4 colheres de sopa açucar amarelo
200 ml vinho tinto
1 pau canela

Leve o açucar, o vinho e a canela ao lume numa caçarola. Deixe ferver cerca de 10 minutos, até ficar com um xarope grosso. Adicione os pêssegos e ferva 2 minutos virando ocasionalmente. Deixe arrefecer completamente.

Peaches with red wine

Dica de poupança: A utilização do forno para a preparação das refeições pode de facto encarecê-las. Para uma utilização sustentável, sugere-se que o forno seja utilizado para confeccionar mais do que um prato. Eu, por exemplo, faço pão, um bolo e asso vegetais ou outro prato de forno (por esta ordem) de seguida. Outra possibilidade é comparar o preço da energia eléctrica (caso o forno seja eléctrico) e optar por um contador bi-horário se tal for vantajoso. Deste modo, devem guardar-se as refeições no forno para o fim de semana, quando a energia é mais barata.

Factura:
batata (0.76€/Kg) - 0.38€
tomate (0.99 €/250grs) - 0.59€
cebola - 0.30€
bacon (6.95€/Kg) - 1.22€
natas (0.59 un. 200 ml) - 0.44€
ervilhas (0,99€/Kg) 0.35€
ovos (1,64/12 un.) - 0.82€

pêssegos (0.98€/Kg) - 0.60€
vinho tinto (1.99€/garrafa) - 0.54€

total - 5.24€

Os preços de referência das batatas, tomate, bacon, natas, ervilhas, ovos e vinho tintoo são do continente. Os pêssegos são muito mais baratos nas frutarias de bairro. As cebolas comprei no Brio, são biológicas e também mais baratas! Não foram considerados valores para a salsa, azeite, açucar e do sal e da pimenta. Os valores são, naturalmente, apenas indicativos.

Mais sugestões de 4 por 6 nas minhas parceiras de aventura: Mariana, Pipoka, Laranjinha, Elvira e Marizé.

8.5.09

4 por 6 - Viva a beringela e o gelado!

Chegou o calor e com ele as sugestões do 4 por 6 aparecem compostas por gelados de fruta e refeições ligeiras (mas não muito!) onde o peixe e a carne perdem terreno. Hoje proponho-vos uma Melanzane Parmigiana, um prato vegetariano em que a beringela é raínha e, claro, o inevitável Iogurte gelado de morangos para completar a refeição e brindarmos ao tempo estival!

Melanzane Parmigiana

Melanzane Parmigiana

Ligeiramente adaptado de Olive Magazine, Maio 2009, receita original aqui

4 Pessoas

2 colheres sopa azeite
2 dentes alho, finamente picados
1 lata tomate (780 grs)
1 pau canela
1 pequeno molho manjericão, picado
3 beringelas médias
2 queijos mozzarella, fatiados
uma mão cheia de Parmesão ralado
oregãos secos (opcional)

Melanzane Parmigiana

Pré-aqueça o forno a 180ºC. Deite o azeite e o alho picado numa frigideira e leve a lume médio 2 minutos. Adicione o tomate e o pau de canela e deixe reduzir, cerca de 15 minutos ou até engrossar. Retire do lume, acrescente o manjericão e tempere com sal e pimenta preta a gosto.

Corte as beringelas em fatias de cerca de 1/2cm de espessura. Pincele ambos os lados e grelhe (num grelhador ou numa frigideira anti-aderente) até a beringela estar macia. Repita até todas as fatias estarem grelhadas.

Retire o pau de canela e deite umas colheredas do molho de tomate no fundo de um prato de ir ao forno. Cubra com uma camada de beringelas. Polvilhe com um pouco de parmesão e repita até terminar o molho e as beringelas (3-4 camadas). Termine com a mozzarella em pedaços e polvilhe com oregãos secos (se usar). Leve ao forno por 30-40 minutos ou até estar gratinado.

Sirva com arroz basmati.

Para sobremesa, fica a proposta de um Iogurte Gelado de Morangos, muito fácil de fazer.

Strawberry Frozen Yoghurt

Iogurte Gelado de Morangos

Receita de David Lebovitz aqui

Faz 1 litro

450 grs morangos, lavados e sem pé
130 grs açucar
240 grs iogurte natural
1 colher chá sumo limão
2 colheres vodka ou kirsch (opcional)

Corte os morangos em pedaços pequenos. Deite os morangos numa tigela e misture com o açucar e a vodka ou kirsch (se usar) até o açucar começar a dissolver. Cubra com película e deixe macerar à temperatura durante 2 horas, mexendo de vez em quando.

Transfira os morangos e o seu sumo para um processador ou uma liquidificadora. Adicione o iogurte e o sumo de limão. Pulse repetidamente até a mistura se apresentar cremosa. Se quiser, passe esta mistura por um passador para retirar as sementes dos morangos (eu não o fiz).

Refrigere durante 1 hora, coloque na máquina e proceda de acordo com as instruções do fabricante.

Servi com flocos de maple syrup, mas é óptimo simples.

Dica de poupança: As ervas aromáticas (como as especiarias) são importantes para conferir sabor e textura aos pratos. Se compradas nos supermercados são bastante onerosas se considerarmos que qualquer um pode ter pequenos vasos com manjericão, alecrim, tomilho, hortelã, salva, segurelha, etc. No tempo de crescimento das ervas, estas podem utilizar-se frescas e depois secas para os meses de inverno em que não crescem com a mesma facilidade. É de lembrar que as ervas frescas podem ser adicionadas a qualquer cozinhado, enquanto as secas precisam de tempo (em marinadas ou confecções lentas como assados ou guisados) para desenvolverem o seu sabor. Se não for possível cultivar os ditos vasinhos, sugiro que congelem já lavadas e picadas as ervas excedentes.

Factura:
beringelas (1.99€/Kg) - 1.19€ (considerei 600 grs)
tomate (lata 780grs) - 0.78€
mozzarella (un.) 1.19€
arroz (1.79€/Kg) 0.36€


morangos (1.45€/500grs) - 1.45€
2 iogurtes naturais (0.69€/4un.) - 0.35€
açucar (0.94€/Kg) - 0.13€

total - 5.45€

Os preços de referência dos ingredientes são do continente. Não foram considerados valores para o azeite, alho, Parmesão, sumo de limão e do sal e da pimenta. Os valores são, como sempre, apenas indicativos.

Visitem outras sugestões do 4 por 6 nas cozinhas da Mariana, Pipoka, Laranjinha, Elvira e Marizé.