
Que a vida às vezes nos dá limões, já sabemos. Que é preciso juntar água e açúcar para a tornar mais palatável, vamos aprendendo. O que ninguém nos diz é o que fazer com um molho de sálvia de folhas longas e carnudas cuja longevidade não se compadece com usos limitados em receitas favoritas. Do aroma herbáceo com notas de terra que se faz tempero também se cozinha e é ingrediente por direito próprio.
Determinada a transformar em almoço um molho de sálvia recorro a quem sabe destas coisas de ter uma horta. Volto sempre ao meu Kitchen Garden Companion de Stephanie Alexander quando tenho vegetais que precisam de ser usados. Com a sálvia descubro a receita que garante o prato na mesa ao meio de um dia de trabalho e me dá a conhecer uma espécie de "peixinhos da horta" cheios de sabor. Diz a senhora que acha que não há maior alegria do que compartilhar comida, conversa e risos em torno de uma mesa que é uma fritada mista.

Escreve-se como se diz: fritada, de frito ou fritura. E é mista porque leva de tudo um pouco: filetes de pescada, camarão descascado, o resto de uma curgete e, claro, uma dúzia de folhas de sálvia. Cada peça cuidadosamente envolvida no polme e frita com destreza, primeiro as longas folhas ainda com o pé, depois as rodelas de curgete, a seguir o peixe (em pedaços pequenos) e finalmente o camarão.
Para acompanhar, um molho de iogurte, gomos de limão e uma salada de tomate e pesto. Abre-se a cerveja, enche-se os copos e o sol entra na janela. A vida tem dias em que o pouco é sempre muito e um almoço meio petiscada é tudo o que se precisa.
























