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11.12.19

{ Ingrediente Secreto } Salada de Alcachofras de Jerusalém e Maçã

Salada de Alcachofras de Jerusalém e Maçã

Acelera-se a vida, um dia a seguir ao outro, até que se vê espreitar o final do ano. Dezembro chega sempre de surpresa e vai-se como se nunca fosse suficiente. Se há corrida que já se espera mas nunca se abrevia é a da azáfama das festas. Entre jantares, almoços, só um café ou apenas o abraço, sofre a rotina de todos os dias que se vê mudada ou esquecida até que o ano novo se apresente.

Do mercado que se faz de Inverno e de cores mais esbatidas, trazemos um saquinho de alcachofras de Jerusalém. Também lhe chamam topinambo, consoante a herança seja anglo-saxónicas ou francófona. São pequenas formas tubulares com protuberâncias que trazem sempre terra e que sabem a nozes.

Salada de Alcachofras de Jerusalém e Maçã
Salada de Alcachofras de Jerusalém e Maçã

A salada de hoje usa as alcachofras de Jerusalém em crú e combina com o doce da maçã e os sabores fortes das nozes. Os rebentos de rúcula são mais para agradar aos olhos que ao palato mas a sua presença oferece o ligeiro amargor que faltava. O mais difícil é não deixar o cérebro em roda livre quando a mandolina faz o seu papel e resistir ao impulso de roubar mais uma noz.

Servida ao almoço na companhia (boa) de uma tarte de cogumelos restaura a esperança que os dias do mês hão-de ser capazes de albergar todos os afazeres já planeados. Bom apetite!

Salada de Alcachofras de Jerusalém e Maçã

14.2.14

Salada de aipo e cenoura para um almoço de mini-hambúrgueres

Salada de aipo e cenoura

Os nossos almoços durante a semana são quase sempre feitos de comidas rápidas. Comida de tacho e saladas quentes são as opções de Inverno mais frequentes. Mas às vezes há dias diferentes. Uma espécie de celebração sem nada de especial para comemorar. Celebra-se o dia de hoje, o sol fugidio que faz a sua aparição ou a mera possibilidade de almoçar a dois. Hambúrgueres cá em casa são sinónimo de festa, para grande alegria do carnívoro de serviço, que é fã confesso.

Descubro no frigorífico uma raíz de aipo. O sabor forte e característico do aipo numa textura que se presta a muitas utilizações. Desta feita, ralado numa salada de inspiração francesa. Aipo, cenoura e salsa com crème fraîche. O melhor dos acompanhamentos para uns mini-hambúrgueres muito diferentes.

Salada de aipo e cenoura raíz de aipo Mini-hamburgers com salada de aipo e cenoura

O hambúrger prefeito é uma combinação de ingredientes e técnica que têm de conjugar-se para um bom resultado. Escolher o tipo de carne, acertar nas proporções correctas, picar em condições óptimas. Demasiadas variáveis. Não me atrevo a fazê-los em casa. Os mais delicados mini-hambúrgueres da Hamburguesa Nostra, destinados a uma degustação de sabores variados, têm o tamanho certo para mim. Gosto do mexicano com feijão preto e um travo picante e do com tomilho e alecrim. Já da parte da minha cara metade é a textura e os diferentes temperos do porco ibérico e dos 4 queijos que lhe iluminam o sorriso. Prometo trazer-lhe, na minha próxima visita ao El Corte Inglès, o tamanho normal. Por mim, os mini são uma perfeição. Rápidos de cozinhar e tão diferentes uns dos outros, trazem no prato uma promessa de partilha.

E assim se faz um almoço de semana a dois num dia em que, dizem, se deve comemorar (com) o nosso Amor.

Mini-hamburguers Mini-hamburguers

4.3.11

Romanesco e cenouras, um salteado de legumes e uma reflexão

Salteado de romanesco e cenouras // Romanesco Carrot Stir-fry

Numa breve passagem pelas estantes da livraria, há um livrinho que me chama a atenção: Saber Comer, As 64 Regras de Ouro de Michael Pollan. O autor é conceituado e conhecido. Assim como a minha mania de deambular entre livros e de me fixar neles. Se apenas seis palavras pudessem resumir tudo o que há para dizer em termos de alimentação saudável são as proferidas por Pollan neste livro: "Coma comida. Coma pouco. Sobretudo vegetais." Fácil, não? Não. Óbvio? Sim. Mas as mentalidades são difíceis de mudar. Comemos cada vez mais alimentos processados. Porque é rápido. Porque é fácil. Comemos muito mais do que precisamos e comemos erradamente no que à proporção entre frutas, vegetais, cereais e carne (ou peixe) diz respeito. Calorias à parte, uma das regras mais interessantes é a que se refere ao consumo de proteína animal. "Trate a carne como ingrediente extra para ocasiões especiais". Considerado um provocador nalgumas das suas afirmações, Pollan aponta um dos maiores problemas da dieta actual de milhões de pessoas nas sociedades ocidentais: ingerimos demasiada proteína animal. Cá em casa temos procurado alterar hábitos e, para além das questões de qualidade e proveniência da carne que consumimos, temos de facto reduzido a quantidade.

A discussão sobre o recente aumento no preço dos alimentos (e a previsão que a subida se mantenha) assim como a enorme alteração que isso provoca no preço final das frutas e legumes tem sido frequente na página do facebook do blogue. Não deixa de ser interessante que estando o assunto na ordem do dia, tal não sirva para começar uma verdadeira reflexão sobre a produção de carne em Portugal (importamos quase um quarto da carne que comemos) e a necessidade de comer melhor. E comer melhor passa por comer mais frutas e legumes e menos proteína animal.

Salteado de romanesco e cenouras // Romanesco Carrot Stir-fry

Um prato colorido pela presença de vegetais não tem de ser sensaborão. A forma como se confeccionam os legumes é importante para preservar a sua qualidade nutritiva e para reforçar o seu sabor. As cores e as texturas diferentes tornam tudo menos aborrecido. É por isso que a procura de ingredientes diferentes pode ser muito compensadora. Ou pelo menos é o que o verde vibrante do romanesco me suscita quando por debaixo dos brócolos pequeninos surge, no fundo da caixa, uma meia dúzia de pequenas cabeças.

Também chamado couve-flor romana, o romanesco é da família dos brócolos e, claro, da couve-flor. Tem uma cor fabulosa mas muitas pessoas não gostam particularmente do seu sabor, à semelhança da couve-flor. Um cuidado particular é não cozer excessivamente o romanesco. Os seus floretes quando separados precisam apenas de pouco mais de um par de minutos em água a ferver. O romanesco pode ser encontrados nos mercados. Comprei o meu no Mercado do Príncipe Real.

Salteado de romanesco e cenouras // Romanesco Carrot Stir-fry

31.1.11

Assado de Domingo: Vegetais no forno com bacon

Legumes assados // Roasted veggies

O Inverno não tem sido meigo comigo e eu confesso-me farta de frio e chuva. Nada que altere o inexorável sentido da meteorologia, que não cede a rogos nem a lágrimas (ou à falta delas) e que não tem piedade. A minha má vontade com o tempo frio é recente e resulta de vários meses de mazelas, achaques e pequenas doenças que a frustração atribui às temperaturas baixas. Traduz-se num número exagerado de bules de chá fumegante, crumbles acabados de sair do forno e nas incontornáveis sopas. E, aqui e ali, numa pontinha de mau feitio. Os vegetais de Inverno são mais um convite a ligar o forno. Cherovias, cenouras e batata-doce fazem o acompanhamento de mais um assado de Domingo.

Assado de domingo // Sunday Roast

Assar legumes é uma maneira de acentuar o seu sabor natural e permitir que estes ganhem uma textura que doutro modo não teriam. Esta receita pode ser feita com os vegetais disponíveis, por exemplo batatas, funcho, beterrabas ou nabos, e servir como refeição ou como acompanhamento para as mais diversas carnes. O assado de Domingo (como outros) é cá em casa muitas vezes de aves, desta feita de perú. A acompanhar cherovias (também chamadas pastinacas), cenouras e batata-doce com um toquezinho de cominhos.

Legumes assados // Roasted veggies

11.10.10

Caponata, presunto e dias felizes

Caponata

A vida leva-nos a muitos sítios. A minha nunca me levou a terras italianas. Não calhou. E por muitos e largos anos, eu tive um livro de cozinha italiana que não explorei devidamente. Até agora. Comi um antipasto com a minha amiga M. numa recente incursão num restaurante italiano preparado à base de berinjela, tomates, aipo, alcaparras e outros ingredientes. Decidi e comuniquei: vou fazer caponata em casa. Esta receita é um prato vegetariano da região da Sicília em Itália que me lembra sempre o muito francês ratatouille. A mistura dos vegetais e o perfume do manjericão parece sintetizar na perfeição a filosofia da cozinha italiana, o gosto pelos ingredientes e o colorido do prato. A caponata siciliana pode ser servida como acompanhamento - contorni - ou como refeição, acompanhada de presunto ou queijo peccorino. A receita que se segue é uma mistura de várias sendo que a caponata pode ser feita no tacho ou no forno e utilizar diferentes combinações de ingredientes.

Caponata

Caponata Siciliana

4 a 6 porções

4 berinjelas pequenas
2 cebolas grandes, cortadas em fatias finas
3 ramos de aipo, cortados em pedaços
400g tomates maduros, sem pele (cerca de 5 ou 1 lata)
1 colher (chá) de açúcar
4 filetes de anchova
50g de azeitonas verdes (sem caroço), picadas
1 colher (sopa) de alcaparras
3 colheres (sopa) de vinagre de vinho tinto
4 colheres (sopa) de azeite extra virgem
1 colher (sopa) de passas
folhinhas de manjericão fresco

Corte as berinjelas em fatias e grelhe num grelhador antiaderente. Vire ao fim de 2-3 minutos. Pincele com azeite e tempere generosamente com sal e pimenta. Reserve e repita até grelhar todas as fatias. Parta cada fatia ao meio ou em quatro. Numa caçarola larga, aqueça o azeite e frite as cebolas (até estarem translúcidas) e acrescente o aipo. Junte as anchovas e mexa até estarem incorporadas. Adicione os tomates, as azeitonas e as alcaparras. Tempere com sal e pimenta. Cozinhe por cerca de 5 minutos. Junte as berinjelas e deixe cozinhar por mais 10-15 minutos, mexendo ocasionalmente. Adicione o açúcar, as passas e o vinagre. Deixe cozinhar por mais 3-4 minutos. Disponha as folhas de manjericão e sirva com presunto e pão.

12.4.10

Comida para uma meteorologia incerta

Spicy sweet potato chips

Spring is not the best of seasons.
Cold and flu are two good reasons;
wind and rain and other sorrow,
warm today and cold tomorrow.

O autor é desconhecido e o estilo quase pueril. Os versos traduzidos em português são tudo menos o elogio da Primavera, que parece por agora encher-nos os dias de sol e sorrisos e mangas curtas. Diz o poeta que duas das razões para a Primavera não ser a melhor das estações são as constipações e as gripes, a juntar à chuva e ao vento e outras tristezas. Avisa ainda que se hoje está quente, amanhã está frio [com as previsões meteorológicas a confirmar]. Fico radiante com os dias luminosos e o verde e branco das árvores em flor e a perspectiva de frutos no Verão... e as flores do meu tomilho! Tal não me impede de ligar o forno, fazer comida para uma meteorologia incerta e, pelo sim pelo não, levar um casaco na mala. Nada como gozar o momento e estar preparado para der e vier!

Estas chips de batata doce são um pedido antigo do Provador que a cada compra de batata doce sonhava alto com palitos largos a dourar no forno...

Sweet potato chips + Thyme flowers

Chips de batata doce no forno

2 porções

4 batatas doce médias, descascadas e cortadas em palitos largos
sal refinado, cominhos, pimentão doce e gengibre moído, a gosto (cerca de 1/3 colher chá cada)
1 colher sopa azeite
flor de sal para finalizar

Pré-aqueça o forno a 200ºC. Misture as especiarias e o sal com o azeite numa tigela larga. Junte a batata em palitos e mexa até a mistura envolver a batata. Disponha os palitos (sem sobrepor) num tabuleiro de ir ao forno. Asse 25-30 minutos até estarem douradas e estaladiças. Vire os palitos a meio do tempo de forno. Polvilhe com flor de sal e sirva quente.

11.3.10

Uma salada de arroz [selvagem]

Wild Rice Salad

O arroz selvagem não é, na realidade, arroz. Eu acho sempre que a melhor maneira de dar estas notícias é ir directo ao assunto, sem preâmbulos nem introduções. Aquilo a que chamamos arroz selvagem é efectivamente a semente de uma planta da família das gramíneas, a que pertencem o trigo ou o arroz. Consome-se e comercializa-se já misturado com arroz, por a sua textura e sabor serem demasiado fortes a solo. Eu por mim confesso-me fã.

Salada de arroz selvagem com amendoins
Adaptado de Patricia Cornwell e Marlene Brown, Food to Die For - Secrets from Kay Scarpetta's Kitchen

4 doses, como acompanhamento

½ chávena arroz selvagem (cerca de 80g)
500 ml caldo de frango (ou de legumes)
1½ colheres sopa azeite
1 pimento verde grande, picado
½ chávena amendoins, picados grosseiramente
1 cebolinha verde, picada finamente

molho:
1½ colheres vinagre arroz (ou de cidra)
1 colher sopa azeite
½ colher sopa óleo de sésamo
½ dente alho, muito picadinho
sal e pimenta preta, moída na altura

alface para servir

Lave o arroz selvagem e coza no caldo até estar macio (siga as instruções do pacote quanto aos tempos de cozedura). Aqueça o azeite numa frigideira larga e aloure o pimento, 2-3 minutos. Adicione os amendoins e a cebolinha e mexa durante um par de minutos, até os amendoins começzrem a ficar dourados. Retire do lume. Adicione o arroz cozido e mexa para envolver.

Para o molho, use um frasco com tampa, coloque todos os ingredientes e agite até emulsionar. Tempere a salada e sirva sobre folhas de alface.

1.3.10

Há meses assim...

Cabbage Gratin

... que não têm fim. Fevereiro foi um mês longo. Os seus 28 dias estenderam-se noite adentro. Tantas foram as horas para além da conta que... deixei de contar. O que é que fiz durante este mês? Sentei-me e li. E depois escrevi, escrevi, escrevi. Entre o fim de um semestre e o começo de outro ficam inúmeras chávenas de chá e café. A cozinha entrou em serviços mínimos. Vivemos de sopa e pão e cozinhados alheios. De tanto que havia para fazer fica a impressão de ter feito muito pouco: um ou outro prato daqueles que se fazem com um olho aberto e a cabeça noutro sítio e o incontornável pão. Entre a clausura e a reclusão, a reflexão e a coacção há sempre o pão - terapia última, remédio para (quase) todos os males. E ainda houve tempo para um delicioso lanche com as amigas larocas. E eis que sei que Fevereiro foi prorrogado. O prazo para a entrega do meu trabalho, não o mês - esse volta para o ano. Continuo portanto a escrever.

[No entretanto perco-me de amores por este senhor. Ele não sabe, nem desconfia que carrego todas as noites o mais lindo dos livros e assisto extasiada aos episódios de Simple Suppers como se de uma novela se tratasse.]

Tender

Gratinado de couve e queijo
Adaptado de Nigel Slater, Tender

4 doses, como acompanhamento

500 ml leite
30 g manteiga
30 g farinha
1 folha louro
2 cravinhos
pitada de noz moscada
100 ml natas
100 g queijo ralado* (usei queijo da ilha)
1 couve média (usei lombarda)
pão ralado q.b.

Aqueça o leite com o louro e o cravinho até quase ferver. Retire do lume e reserve.
Derreta a manteiga numa frigideira e junte a farinha, mexendo sempre. Junte o leite aos poucos e continue a mexer. (Se formar grumos use uma vara de arames e se necessário passe o molho por um passador.) tempere com sal e pimente e uma pitada de noz moscada.
Pré-aqueça o forno a 180ºC. Ferva a água numa panela grande. Corte a couve ao meio e em fatias grossas. Coloque-a na água a ferver por 1 minuto ou 2 e escorra. Num prato de forno, disponha a couve numa camada única. Deite o molho e polvilhe com pão ralado. Leve ao forno por 45 minutos ou até estar dourado.

* O NIgel Slater aconselha o uso de um queijo com sabor vincado. Na receita original Cornish Yarg.

Esta é uma receita que pode acompanhar pratos de carne ou ser servida por si só como prato principal, com pão estaladiço. O Provador achou o sabor do queijo um tudo nada pungente demais. Eu por mim gostei.

Cabbage Gratin

29.1.10

[4 por 6] Peixe para o almoço!

Esta é mais uma tentativa de trazer ao 4 por 6 uma sugestão de peixe, que por ser um ingrediente mais caro coloca um maior desafio em termos de orçamento. Que o nome pomposo e a ocupar duas linhas não vos impeça de experimentar este prato: é muito fácil de confeccionar. E o acompanhamento é perfeito com o peixe mas pode ser servido com carne ou numa refeição vegetariana. Para terminar (ou para começar) a refeição, fica uma sopa de batata doce e abóbora assada.

Pumpkin Sweet Potato Soup

Sopa de batata doce e abóbora assada
Adaptado ligeiramente desta receita

1 colher sopa manteiga
1 cebola grande, picada grosseiramente
250g abóbora assada
2 batatas doces (350g)
1 colher chá coentros moídos
1 litro caldo legumes
sal e pimenta preta

Numa panela, aqueça a manteiga. Junte a cebola e deixe fervilhar até estar translúcida. Adicione a batata doce, em pequenos cubos, a abóbora assada e os coentros moídos. Deixe alourar 2 minutos e acrescente o caldo. Tape e ferva 15 minutos. Tempere com sal e pimenta preta. Triture até obter um creme espesso e homogéneo.

Parmesan-crusted white fish + braised potatoes with peas

Peixe em crosta de Parmesão + Batatas braseadas com ervilhas
Adaptado de Bill Granger, Bill's Food

4 pessoas


75g (1 chávena) pão ralado (acabado de ralar, se possível)
45g (½ chávena) Parmesão ralado
sal e pimenta preta
2 ovos pequenos (ou 1 grande)
125g (1 chávena) farinha
2 filetes grandes, cortados ao meio (cerca 600g)
1 colher sopa azeite
25g manteiga

Numa tigela larga, misture o pão ralado, o parmesão e o sal e pimenta preta acabada de moer. Num prato fundo, bata o ovo ligeiramente. Passe cada filete pela farinha, em seguida pelo ovo e finalmente na mistura de pão ralado. Aqueça o azeite numa frigideira de fundo grosso. Cozinhe cada filete 2 minutos de cada lado, até estarem dourados e estaladiços. (Faça 2 filetes de cada vez)

Sirva com batatas braseadas com ervilhas.

8 batatas pequenas, descascadas e cozidas em água com sal (mas ainda rijas)
1 colher sopa azeite
1 cebola grande, finamente fatiada
150g (1 chávena) ervilhas
250ml (1 chávena) caldo de frango (ou legumes)
15g manteiga
sal e pimenta preta
salsa picada, para servir

Parta as batatas (cozidas) em rodelas. Aqueça o azeite numa frigideira e adicione a cebola. Deixe alourar, sem queimar. Junte as ervilhas e mexa bem. Acrescente o caldo e deixe ferver até reduzir (5 minutos). Adicione as batatas e ferva 2 minutos. Retire do lume, junte a manteiga, sal e pimenta e mexa. Sirva com salsa picada.

Parmesan-crushed white fish

Dica de poupança: O pão ralado pode ser feito com pão que sobra, torrado e ralado no processador. Custa virtualmente zero €!

Factura:
abóbora (0.98€/Kg) - 0.25€
batata doce (0.99 €/Kg) - 0.35€
cebolas (0.39€/Kg) - 0.10€

filetes peixe-galo (5.99 €/600gr) - 3.59€
Parmesão (0.99 €/90gr) - 0.49€
farinha (0,57€/Kg) - 0.09€
ovos (1,64/12 un.) - 0.16€
azeite (2.99€/garrafa) - 0.20€

batatas (0.53 €/Kg) - 0.27€
cebolas (0.39€/Kg) - 0.12€
ervilhas (0.49 €/400gr) - 0.18€

total - 5.80€

Os preços de referência são do continente. Não foram considerados valores para o pão ralado, a manteiga, a salsa e do sal e da pimenta. Os valores são, como sempre, indicativos.

11.1.10

Foi por ela

Brussels Sprouts

Foi por ela que eu me enfeito de agasalhos
em vez daquela manga curta colorida
se vais sair minha nação dos cabeçalhos
ainda a tiritar de frio acometida
mas o calor que era dantes também farta
e esvai-se o tropical sentido na lapela
foi por ela que eu vesti fato e gravata
que o sol até nem me faz falta foi por ela


Podia esta música de Fausto ser escrita para ser cantada pelo Provador de cada vez que é arrastado para destinos gelados ou para (raras) celebrações que pedem fato e gravata. Ou de cada vez que o almoço é pescada ou lulas. E embora da letra da música façam parte Madrid, Paris, Bruxelas, ninguém falou em couves... O Fausto escreveu esta música para uma ela que não eu e o Provador, que tem boa boca, diz que não gosta de couves de Bruxelas.

Brussels Sprouts

Couves de Bruxelas salteadas
Ligeiramente adaptado de Heidi Swanson, 101 Cookbooks

2 porções, como acompanhamento

18-20 couves de Bruxelas (frescas), cortadas ao meio
1 dente alho pequeno, picado finamente
1 colher sopa azeite
flor de sal e pimenta preta moída na altura

Aqueça o azeite numa frigideira de fundo grosso. Adicione o alho e mexa a frigideira por forma a este dourar, sem queimar. Acrescente as couves, tempere com flor de sal e pimenta e deixe cozinhar tapada em lume fraco, durante 5-7 minutos. Retire a tampa, verifique com a ponta de uma faca se as couvinhas estão cozidas e levante o lume para caramelizar ligeiramente. Sirva de imediato.

{Moral da história: as couves acompanharam um salmão e o Provador gostou. Claro}

18.12.09

[4 por 6] Estufado de pescada para aquecer os dias

Se alguma dúvida existia de que os dias de Inverno haviam de chegar, ela ficou desfeita nesta última semana. Confesso-me friorenta e mal humorada em dias cinzentos e húmidos... Trago hoje uma sugestão do 4 por 6 de fácil preparação e que faz do peixe o actor principal. O acompanhamento é perfeito para o prato e para o tempo que faz lá fora: puré de batata!

Pescada no Tacho

Pescada no Tacho

4 postas pescada
1 cebola grande
3 dentes alho
1/2 pimento verde, às tiras
4 tomates pequenos em lata (380 gr)
50 ml azeite
50 ml vinho branco
sumo 1 limão pequeno
1 folha louro

Arranje e tempere as postas de pescada com o sumo de limão, sal e pimenta, e deixe a marinar durante 1 hora.

Corte a cebola em rodelas finas e pique finamente os dentes de alho. Coloque o azeite numa caçarola com tampa e adicione a cebola e o alho. Junte o tomate, a folha de louro e as tiras de pimento. Junte também o vinho branco e deixe reduzir um pouco. Junte as postas de pescada e deixe cozinhar 25 minutos (aproximadamente).

Sirva com puré de batata.

Puré de batata

4 batatas grandes (800 gr)
50 gr de manteiga
150 ml leite
sal e pimenta
noz-moscada moída na altura

Coloque as batatas descascadas e em rodelas largas num tacho. Cubra completamente com água. Tempere com sal e leve a cozer. Escorra bem e reduza a puré com um esmagador. Leve de novo ao lume, mexendo continuamente. Adicione a manteiga e, quando esta estiver completamente absorvida, adicione aos poucos o leite quente. Tempere com sal, pimenta e noz-moscada.
Sirva de imediato.

Dica de poupança: Mantenha-se atento aos produtos em fim de prazo de validade geralmente disponibilizados a metade do preço pelos supermercados. Organize as refeições a partir desses produtos e consiga assim uma poupança efectiva em produtos como massa fresca ou queijo, só para dar alguns exemplos.

Factura:
pescada congelada (2.99 €/800gr) - 2.99€
tomate (0.49 €/00gr) - 0.49€
cebolas - 0.30€
azeite (2.99€/garrafa) - 0.20€
vinho branco (1.99€/garrafa) - 0.13€

batatas (0.76€/Kg) - 0.61€
leite (0.54€/L) - 0.14€
manteiga (1,24€/250 grs) 0.50€

maçãs (0.98€/Kg) - 0.61€

total - 5.97€

Os preços de referência são do continente. Não foram considerados valores para o alho, o limão e do sal e da pimenta. Os valores são, como sempre, indicativos.

19.10.09

Beterraba & Companhia

Purple & Green

São beringelas, beterrabas e outros 'b'. É um sorriso aberto em forma de celebração. Uma mão cheia de ruibarbo e faço a festa. Esqueçam as rosas e os caríssimos presentes florais. Não me ofereçam perfumes. Apareçam à minha porta com uma cesta de verdes e púrpura e uns raminhos de hortelã e já conversamos. Provavelmente a uma mesa e de colher em punho.

Roasted Balsamic Beetroot

Beterrabas assadas com vinagre balsâmico
Adaptado de Donna Hay, Issue 45, p. 50

4 pessoas, como acompanhamento

3 beterrabas médias, bem lavadas, sem os topos e cortadas
1/2 chávena (125 ml) caldo legumes (ou carne)
1 colher sopa vinagre balsâmico
2 colheres sopa açucar amarelo

Pré-aqueça o forno a 180ºC. Coloque todos os ingredientes num prato de ir ao forno e mexa bem até as beterrabas estarem envolvidas nos restantes ingredientes. Cubra com papel de alumínio (ou use um prato coberto) e leve ao forno por cerca de 1h ou até as beterrabas estarem macias. Sirva como acompanhamento de carne.

19.6.09

4 por 6 - Menu français!

Se a tecnologia funcionar esta minha participação no 4 por 6 será publicada enquanto eu estou a trabalhar, participando numa conferência em Paris (é um trabalho duro que alguém tem de fazer!). Partilho hoje um menú de inspiração française numa interpretação do muito british crumble e um velouté com o legume menos preferido do Provador: a couve-flor. Bon appétit!

Velouté de Chou-fleur au Mascarpone

Velouté de Chou-fleur au Mascarpone
Ligeiramente adaptado de Sophie Dudemaine, Les Soupes de Sophie

1 colher sopa azeite
400 grs couve-flor
1 cebola pequena, picada
1 nabo pequeno
2 dentes alho, picada
1 l caldo de legumes
75 grs queijo mascarpone
salsa para guarnecer

Aloure a cebola e o alho no azeite com a couve-flor em raminhos e o nabo picado por 5 minutos. Tempere com sal e pimenta e junte o caldo, deixando ferver por 15-20 minutos. Retire do lume e reduza a puré. Adicione o mascarpone e misture bem. Sirva com salsa picada.

Crumble à la Ratatouille

Crumble à la ratatouille
Adaptado de Trish Deseine, Les 118 recettes françaises

4 colheres sopa azeite
1 cebola, finamente picada
2 dentes alho, esmagados
1 beringela pequena, em cubos
1 pimento vermelho pequeno, às tiras
1 pimento verde pequeno, às tiras
3 curgetes pequenas, cortadas ao meio e fatiadas
1 kg tomates maduros, pelados
Tomilho e manjericão frescos

Topping
100g manteiga muito fria, em pedaços pequenos
150g farinha (sem fermento)
80g Parmesão, ralado
50g pinhões, tostados
pimenta preta moída na altura

Aloure a cebola e o alho no azeite e adicione a beringela. Quando esta estiver ligeiramente salteada, junte as curgetes e os pimentos e deixe cozinhar 2 minutos. Por fim, acrescente os tomates e as ervas, sal e pimenta e deixe apurar 10-15 minutos.
Enquanto os vegetais cozinham, pré-aqueça o forno a 180ºC e prepare o topping para o crumble. Com as pontas dos dedos, misture a manteiga com a farinha e o parmesão, até que pequenos pedaços se formem. Adicione os pinhões e a pimenta. Quando o ratatouille estiver pronto divida por (4-5) pratos de forno individuais, cubra com o crumble e leve ao forno por 30 minutos ou até estar dourado. Sirva quente ou morno com uma salada de rúcula.

Factura:
couve-flor (1.29€/Kg) - 0.52€
nabo (1.46€/Kg) - 0.15€
mascarpone (2.54€/250grs) - 0.76€

beringela (€ 1,35€/Kg) - 0.40€
curgete (0,99€/Kg) 0.35€
pimentos (0.75€/Kg) - 0.33€
tomate (1.28/Kg) - 1.28€
manteiga (1.19€/250grs) - 0.48€
farinha (0,57€/Kg) - 0.08€
parmesão (0,94€/40grs) - 0,94€

total - 5.29€

Os preços de referência dos ingredientes são do continente. Não foram considerados valores para o azeite, cebola, alho e ervas. Os valores são, como sempre, apenas indicativos.

Outras receitas do 4 por 6 nas cozinhas da Mariana, Pipoka, Laranjinha, Elvira e Marizé.

9.3.08

Clafoutis em amarelo com uma nota de paixão



Lembro-me vivamente de aprender a escrever, das dificuldades em desenhar os 'J's e os 'I's, das pernas enroladas dos 'a's ou das linhas tortas invariavelmente a subir... Em contrapartida, não tenho qualquer memória de aprender a ler. Desde que me conheço que sei ler. Eu sempre li, ninguém me ensinou. Apesar de ter crescido numa casa cheia de livros, não fui especialmente estimulada para ler. Pelo menos não mais do que para a música ou para os desportos de ar livre, para os quais não tenho qualquer queda. Sou uma leitora compulsiva. Quando leio, sou eu e o livro e o mundo não importa. Não tenho fome, frio ou sono. É bastante obsessivo e nem sempre é fácil viver com um ser capaz de se alienar de modo tão eficaz daquilo que o rodeia. Com os anos, o meu amor pelos livros não diminuiu mas aprendi que um livro não substitui tudo. Não surpreende que eu seja viciada em livros de cozinha e em editoras de livros de cozinha, sendo a Marabout, a minha favorita. Desde a escapada parisiense tenho cozinhado bastantes receitas destes livrinhos: madeleines e clafoutis entre outros. Comecemos pelos clafoutis!

Clafoutis de Requeijão com Tomates Cherry
Inspiração de Isabel Brancq-Lepage, Flans, fars et clafoutis, Marabout.

4 ovos
200 ml natas
100 ml leite
100 g requeijão, esmigalhado
50 g farinha, peneirada
1/4 chávena cebolinho, picado
12 tomates Cherry
sal e pimenta

Pre-aquecer o forno a 180°C.

Numa tigela média, bater os ovos com as natas e o requeijão. Adiciona-se a farinha, mexendo continuamente. Acrescenta-se o leite e bate-se até a mistura se apresentar homogénea. Junta-se o cebolinho e tempera-se com sal e pimenta (dependendo do sal do requeijão). Colocam-se os tomates de forma distribuida num prato de ir ao forno, untado e polvilhado. Deita-se a massa cuidadosamente, de modo a não alterar a disposição dos tomates. Vai ao forno por 25 minutes ou até estar completamente cozido. Serve-se imediatamente, como acompanhamento ou com uma salada verde.