
Diz-se que a perfeição é entediante. Cansa de tamanha falta de pequenos erros e lacunas únicas, mínimas diferenças que são característica do que é alcançável. Mas a sua procura (a da perfeição) conduz muitas vezes a um exercício de busca por algo melhor e esse (o exercício) é quase sempre instrumental para aprender, mudar, progredir. Com vista ao que é perfeito, alcança-se não amiúde qualquer coisa de memorável.
Vem tão rebuscada reflexão a propósito de uma sopa de cenoura e coentros. Feita e comida no início de mais um Janeiro, é resultado da leitura assídua da rubrica de Felicity Cloake, "How to cook the perfect...", no jornal The Guardian. O pressuposto da autora passa por analisar diferentes versões de uma receita, de vários autores, para chegar à (mais) perfeita combinação de ingredientes, processos ou combinações de um prato.
Na vida, que se faz de imperfeições, há momentos de singela perfeição na forma de uma tigela de sopa de cenoura salpicada por um pisto de coentros e meia roda no moinho das pimentas.
Para a história fica a receita, fácil e nutritiva, que se fez luz em dia cinzento e almoço para comensais esfomeados. Como todas as receitas, esta sofreu alterações em função do gosto e da disponibilidade de um ou outro ingrediente: não havia limão e usou-se laranja, passou-se os croutons por falta de tempo e juntou-se pimenta, porque sim.
Ficou (quase) perfeita!




























