Mostrar mensagens com a etiqueta Arroz. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Arroz. Mostrar todas as mensagens

14.10.22

Que vinho servir com paella?

Que arroz para paella?

A tradição de cozinhar arroz em largos recipientes de metal com duas pegas que chega da vizinha Espanha tem cada vez mais aficcionados entre os que têm na paella valenciana um prato predilecto, seja pela crosta estaladiça que se forma no fundo, pelo colorido dos vegetais ou pelos aroma mágico do açafrão. Vegetariana, de marisco ou negra graças à tinta de choco utilizada, a paella oferece aos amantes dos pratos de arroz texturas muito particulares e combinações de ingredientes por vezes inusitadas e menos tradicionais. E a questão na hora de servir é que vinho escolher para acompanhar a refeição?

Se à carne (de frango, coelho ou porco) se juntam leguminosas como feijão, legumes como o feijão verde ou ainda enchidos e uma base de tomate e pimentos, o resultado pede um vinho à altura. Um tinto jovem e frutado, por exemplo um vinho alentejano da casta Aragonês, para equilibrar os sabores fortes e trazer frescura; ou um branco com mais corpo, como um Verdelho açoriano, capaz de ombrear com o prato. Já a paella de marisco (com lulas, camarão e amêijoas) é normalmente mais suave e terá num rosé com boa acidez a melhor das companhias, podendo também optar-se por um espumante meio-seco que faça realçar os seus sabores mais delicados.

Da receita que faz parte da história resta sobretudo uma ideia e a base, quase sempre confeccionada com arroz bomba, a que se somam inúmeras versões mais ou menos comuns. Talvez a mais surpreendente seja a paella negra com a sua cor profunda e misteriosa que esconde algum marisco e vem por vezes com um pouco de aïoli, um molho de maionese com alho que contrasta em cor e sabor no prato. No copo necessitam-se aromas mais pronunciados e algum doce para harmonizar. Sugere-se um Moscatel Roxo Rosé para a mais bonita das paletas de cor à mesa e um conjunto de aromas muito especial. 

Saúde!

Esta receita foi publicada originalmente no Blog do Enólogo Continente.

Paella

13.11.17

Arroz doce negro (com manga) para um pequeno-almoço diferente

Arroz negro com manga

Hábitos e rotinas de largos anos são difíceis de alterar. O pequeno-almoço é uma das mais importantes refeições do dia e cá em casa é coisa levada muito a sério, com mesa posta de véspera e tempo extra para nos sentarmos a comer. Horários, vontades ou simples preguiça são pretexto para as imprescindíveis torradas, queijo e compota que acompanham o café da manhã desde sempre. Nos últimos anos fizemos da fruta indispensável no começo de todos os dias, com a estação a ditar se comemos morangos ou maçãs, kiwis ou pêras.

Não fosse a curiosidade e o desejo permanente de experimentar novas possibilidades e havia sossego por aqui. Assim, lá se vão introduzindo mudanças aqui e ali na procura do que nos preenche o estômago e a alma para dias longos de trabalho ou lazer.

trepadeira Arroz negro com manga

E se fizéssemos arroz doce preto? Habituado a décadas de perguntas como esta, a minha cara metade não vacila. Como de costume, abuso da boa vontade de quem raramente recusa experimentar coisas novas. Podia ser o nosso pequeno-almoço, com manga? Nariz torcido e ar abnegado, lá aceita trocar os pratos rasos por taças e as facas por colheres. Solarengo na cor e cremoso q.b. este arroz bonito foi luz maior para entrar no novo horário e aceitar os dias com menos horas de sol. E se não garantimos comê-lo todas as semanas, pode voltar à nossa mesa sempre que queira.

São servidos?

Arroz negro com manga

4.5.17

Tarte de cogumelos em massa de arroz (e uma cerveja feliz)

Tarte de cogumelos e arroz (para uma cerveja)

Escolhe-se a bebida em função do que vamos comer ou o contrário? A pergunta parece decalcada da recorrente inquirição aos músicos sobre o que vem primeiro, se a melodia, se a letra. Esgares e expressões de tédio quando se trata de explicar, uma e outra vez, que... depende. Confesso que a ditadura do prato determina muitas vezes o que acompanha no copo, ao sabor dos desejos dos comensais e da inspiração do momento, com o meu cara-metade a demonstrar amiúde o seu grande amor pela cerveja.

Das questões mais repetidas cá em casa é o que vamos beber ao almoço. Num dos últimos fim-de-semana, escolhemos em uníssono uma cerveja Dois Corvos. A Creature IPA tem um rótulo bonito e original e vem com a promessa de ser uma cerveja feliz. Por nós, ficámos também do lado solar com a sua companhia à mesa e a combinação com a tarte de cogumelos. Muito gastronómica, são as notas cítricas que primeiro chegam que melhor par fazem com a fatia que espera no prato ao lado das cenouras. Depois vem todo o frutado e finalmente o registo pouco amargo que a torna perfeita para a ocasião.

Tarte de cogumelos e arroz (para uma cerveja)

Da receita de hoje fica a descberta de uma alternativa fácil às bases de tarte feitas de farinha e gordura. O arroz integral é o ingrediente que assume protagonismo e com um pouco de queijo e ovo para ligar cobre a tarteira que há-de receber o recheio de cogumelos que passaram previamente na frigideira. Com o tempo às caretas, entre o sol aberto e a chuva prometida, é ligar o forno e fazer esta tarde. Sem complicações, é garantia de refeição completa com a vantagem de ser uma proposta vegetariana. O cebolinho não é essencial mas torna tudo mais bonito e as flores que agora despontam são comestíveis. E deliciosas!

Com a cerveja perfeita a acompanhar, deixo-vos mais uma ideia para almoços sem esforço e com total sabor.

Tarte de cogumelos e arroz (para uma cerveja) Tarte de cogumelos e arroz (para uma cerveja)

9.3.17

Pimentos recheados com queijo da ilha e uma conversa sobre culpa

Pimentos recheados

Começo o dia a ler sobre o assunto. Oiço de passagem na televisão que agora é que é e vão salvar o mundo. Abro mensagens onde só se fala deles. Espreito o meu instagram e lá estão. São super alimentos, comidas do bem, planos detox, promessas de salvação ou expiação de toda a culpa. Repitam comigo: não há alimentos maus e não existe comida do demónio. Existem dietas alimentares que servem cada um diferentemente e se adequam (ou não) às características e necessidades de cada pessoa. São compromissos a longo prazo que devem proporcionar uma vida física e mental equilibrada, que representam os nossos valores e se traduzem num corpo onde nos sentimos confortáveis. É só isso.

E depois há a culpa. Os pratos sem culpa e as receitas culpadas de todos os males da humanidade. Repitam novamente (e até ficar gravado): não há alimentos maus. O que há é escolhas desajustadas e hábitos alimentares que não são saudáveis. O meu mantra? Diversidade, equilíbrio e bom senso (e muitos quilómetros andados). Gordura, hidratos de carbono e até o esporádico açúcar, tudo com conta, peso e medida. Não como doces processados, não há sobremesa todos os dias mas quando como aproveito cada migalha. De culpa não tenho nem resquício.

primavera Pimentos recheados

A receita de hoje tem queijo e arroz, tem azeite e passas, tem gorduras, hidratos e açúcares. E também tem meia-dúzia de vegetais diferentes. Tem ainda uma paleta de cores vibrantes, tem cru e cozinhado, estaladiço e cremoso. Só não tem culpa que ainda não seja Primavera!

Estes pimentos recheados de espinafres e tomate, com queijo da ilha, são uma refeição vegetariana ou podem servir como acompanhamento para carne grelhada. E são muito fáceis de preparar. Não há desculpa para não fazer.

31.3.16

Arroz selvagem frito (com abóbora e cogumelos)

Arroz selvagem frito (com abóbora e cogumelos)

O último dia do mês de Março faz-se de sol às caretas e uma indecisão sobre o que vestir. Na cozinha continuam ainda a imperar as cores da estação que agora termina com as maçãs a dominar na fruteira e uma bóbora a espreitar por entre as batatas-doce. Há-de haver um dia em que este cenário muda mas ainda não é hoje.

Quase a decidir o que fazer para o almoço, num daqueles dias em que rápido, nutritivo e saboroso são palavras de ordem. Assim é este arroz frito, feito sem pensar muito para dar utilidade a meia dúzia de cogumelos e um resto de arroz selvagem que esperam impacientemente no frigorífico.

Arroz selvagem frito (com abóbora e cogumelos)

O arroz frito é um prato de raízes asiáticas a que se associam normalmente sabores frequentes nestas cozinhas. A minha versão usa apenas ervas secas e cebolos tão característicos neste tipo de confecções e junta abóbora e cogumelos para um almoço express na Actifry.

Pode ser utilizado como acompanhamento para carne assada ou servido como refeição com um ovo estrelado. Esta foi a opção vegetariana para o almoço de hoje. São servidos?

Arroz selvagem frito (com abóbora e cogumelos)

26.8.15

Arroz selvagem, curgete e cajús {com halloumi}

Halloumi grelhado, arroz selvagens e cajús

Ficar na cidade grande quando todos partem para sul parece ser mais sina que escolha consciente e assim tem sido nos últimos anos o nosso mês de Agosto. E contudo andar em contra-corrente tem as sua vantagens. Mais sossego, menos correrias e o ambiente favorável para quem precisa de trabalhar com concentração e sem distrações, estudar e escrever. A cozinha acompanha a necessidade de refeições rápidas e a panóplia de frutos e vegetais de Verão que ocupam as bancadas é inspiração instantânea para pratos alegres e nutritivos.

Entre sopas frias, saladas coloridas e fritatas várias programam-se mais uns dias de trabalho afincado. E de barriga cheia é sempre mais fácil encarar a página em branco, respirar fundo e começar a escrever.

Flores no campo Halloumi grelhado, arroz selvagens e cajús

Dos ingredientes que ocupam a despensa cá de casa e que apenas vêem a luz do dia quando, em desespero, o fim da validade se aproxima ou insondáveis desejos me fazem acordar de manhã e decidir fazer arroz selvagem. Amado ou detestado, este é um cereal que pode ser utilizado de diferentes formas. Já o queijo halloumi é um eterno favorito, capaz de apaziguar os apetites do carnívoro de serviço que se rende, uma e outra vez, aos encantos deste queijo cipriota que não derrete quando frito ou grelhado.

Nesta combinação, as cores da curgete verde e do pimento vermelho acompanham os cajús e os coentros, numa mistura de sabores e texturas que fazem desta salada o acompanhamento perfeito para uns filetes de peixe ou talvez um peito de pato. A opção vegetariana e mais leve acrescenta queijo halloumi grelhado para uma refeição completa, capaz de saciar até o mais intrépido dos carnívoros.

São servidos?

Halloumi grelhado, arroz selvagens e cajús

27.5.15

Sushi Fest {ou como fazer sushi}

Sushi Fest, Workshop de Sushi, chef Paulo Morais

Há um sem número de comidas destinadas a sair das mãos experientes de chefs habituados a dominar técnicas e segredos e que parecem vedados aos cozinheiros nas suas cozinhas lá de casa. O sushi é um desses pratos onde a dificuldade inerente aos pequenos rolos afasta até alguns dos mais confiantes e aventureiros. Mas para quem quer aprender nada como ir até à escola e aprender com os melhores mestres. É no School que o chef Paulo Morais nos recebe para um workshop a propósito do Sushi Fest.

O Japão é um país que nos habituamos a visitar a partir do prato. A ideia de um festival onde a música se encontre com a comida numa celebração do sushi, feito com os melhores ingredientes e colocado à disposição dos visitantes, parece ter tudo para ser o programa perfeito para as primeiras noites de Julho. Porque o sushi é sinónimo de cultura japonesa, o Espaço Japão confere a esta festa o enquadramento certo para quem quer conhecer melhor as tradições deste país.

Sushi Fest, Workshop de Sushi, chef Paulo Morais Sushi Fest, Workshop de Sushi, chef Paulo Morais

Entre prospectos do que há-de ser o Sushi Fest pomos mãos à obra, seguindo as indicações do chef Paulo Morais, enquanto ficamos a conhecer os principais ingredientes necessários à confecção do sushi e vamos espalhando o arroz, colocando o recheio e enrolando os rolos. Depois de na minha primeira vez a coisa não ter corrido muito bem, e apesar de tudo, os meus rolos até ficaram direitinhos! De forma mais ou menos desajeitada pode dizer-se que a prova é superada por todos os "alunos". Ou não estivessemos no School.

Para quem se queira aventurar em casa fica a receita para norimaki e uramaki. Para os amantes do sushi que preferem confiar na sabedoria do chef Daniel Rente e dos chefs Paulo Morais e Anna Lins é só esperar por Julho.

Sushi Fest, Workshop de Sushi, chef Paulo Morais

O Sushi Fest tem lugar a 2, 3 e 4 de Julho em Oeiras e os bilhetes podem ser comprados com desconto até 31 de Maio.

24.3.15

Arroz doce de amêndoa {com framboesas}

Arroz doce com amêndoas e framboesas

Eu não sei fazer arroz doce. É o meu karma. Por simples que os processos sejam, por melhor que a preparação se faça, o meu arroz doce nunca chega aos calcanhares do que comi feito pela minha avó ou do arroz doce branco da minha mãe que faz sempre parte das férias na praia. Há um desencontro que não se entende entre mim e um tacho fumegante de arroz a cozer e a promessa de conforto. Como sou teimosa faço uma e outra vez e outra ainda. Mudo o tipo de arroz, o leite utilizado, os temperos, mudo o tacho e o fogão. Frequentemente com resultados pouco mais que razoáveis.

A versão de hoje surpreendeu os comensais. É branca e alva e tem a textura fofa e os sabores intensos de um gelado mais do que de um arroz doce. E não tem lactose. As framboesas são um piscar de olho à nova estação e à mudança de frutos e vegetais que se avizinha. Tragam uma colher, há uma taça à espera.

a primavera 2015 Arroz doce com amêndoas e framboesas

17.5.13

Pilaf de espargos e ervilhas com molho de iogurte e feta

Pilaf de espargos e ervilhas

Espargos, tingidos com azul ultramarino e uma cor rosada a escorrer das suas cabeças, finamente pontilhadas de lilás e azul, por meio de uma série de mudanças imperceptíveis nos seus pés brancos, ainda um pouco manchados pela terra do seu canteiro: uma beleza de arco-íris que não era deste mundo.

Marcel Proust, o amante de espargos.

Os últimos espargos são uma das despedidas mais difíceis. Voltam para o ano, eu sei. Até lá, ficam as lembranças das sopas, tartes e saladas que cruzaram a mesa da nossa cozinha nas últimas semanas. E as palavras sábias de quem compreende a nossa tristeza de os ver partir. Valha-nos que as favas e as ervilhas ainda se encontram. Que as alcachofras vieram para ficar. E que os mirtilos ainda agora chegaram.

Ervilhas frescas // Fresh Peas Molho de iogurte e queijo feta

Tenho a convicção que os espargos devem ser celebrados. Como Proust, parecem-me sempre meio etéreos. Como se viessem de longe. Como se a sua fosse uma existência de outro universo.

Não há nada como os primeiros espargos na banca do mercado a receber a nova estação e todos os outros vegetais e frutas que caracterizam a Primavera. Mas a sua vigência é curta. A única possibilidade é aproveitá-los até ao limite enquanto vão aparecendo, na companhia das favas e ervilhas frescas e dos cebolos novos.

Num pilaf rápido, cheio de sabor.

Espargos // Asparagus

21.9.12

A minha Paella

Paella

Em torno de um tacho largo, encontram-se uma infinidade de ingredientes que poucas vezes se cruzam. Uma espécie de encontro das nações entre carne e peixe, leguminosas e vegetais ou as infindáveis especiarias e o arroz. Uma mistura (quase) explosiva. Cá em casa, sinónimo de uma cozinha na vizinhança e a forma sempre certa de viajar até Espanha.

A minha paella é uma versão mais ou menos costumizada de um prato cuja história lhe permite acrescentar quase tudo o que houver à mão. Sem tomate, com ervilhas e frango. Sem mexilhões mas a piscar o olho ao marisco. Com a mais linda cor a açafrão.

Um tacho para 6, a família em torno da mesa e uma espécie de celebração atrasada de aniversário. Todas as desculpas servem.

Vasos // Pots
Paella

9.4.12

Risotto de abóbora assada com cogumelos

Risotto de abóbora assada com cogumelos // Roasted Squash Risotto with Mushrooms

Todas as águas de Abril são, até à data, pouco mais que meras promessas. Ou bem intencionados processos de fé. Voltam, sim, alguns casacos e camisolas, a acompanhar temperaturas mais baixas. E pratos de comida quente, para afagar gargantas doridas e uma lista interminável de afazeres. Com o calendário a continuar numa imparável cavalgada, ano a fora. Uma "industrialização da esperança", esta coisa de haver uns dias a seguir aos outros até perfazer um ano. Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão, como escreveu Carlos Drummond de Andrade.

Fazer risotto é também um acto de esperança. Espera-se que os minutos a mexer o tacho resultem num prato fumegante de conforto em forma de arroz e pouco mais. Anseia-se pelas colheradas fáceis de combustível para o estômago e energia para o cérebro. Constroi-se a vontade de seguir em frente, quer o calendário queira, quer não. Fazer risotto com arroz integral é abusar da sorte. Mas ou bem que se acredita, ou a coisa não vale a pena. Esperança, em doses industriais, precisa-se! É a história do meu dia-a-dia.

Risotto de abóbora assada com cogumelos // Roasted Squash Risotto with Mushrooms

Nada melhor para celebrar um aniversário que um prato de arroz. Esta é a minha contribuição para a festa da Manuela cujo blogue O Bolo da Tia Rosa completa um ano de aventuras. Parabéns e votos de muitos mais!

27.12.11

{Good Things to Eat} Risotto de beterraba

Risotto de beterraba // Beetroot Risotto

Coisas boas para comer. É aquilo que nos apetece no momento. Uma tigela de sopa a fumegar. O que traz memórias de conforto e dias passados. Fatias de bolo e chá de jasmim. O que nos aquece no Inverno. O que nos refresca no Verão. Um copo de limonada com hortelã. A comida da mãe. Nozes com marmelada. Receitas de todos os dias. Massa com tomate e manjericão. Refeições especiais. Gelado e bolachas salpicadas de açúcar em pó.

Good Things to Eat é um livro sobre boa comida e receitas descomplicadas. O que faz dele um dos meus favoritos de 2011 é a voz única que possui. Lucas Hollweg escreve sobre as comidas que o tornam feliz, que lhe povoam as lembranças e lhe dão conforto. Por isso o livro é dividido em secções peculiares como "coisas para pôr em pão torrado" ou "mexilhões, lulas e outras criaturas" ou capítulos sobre "bagas e cerejas" ou "figos". E na minha perspectiva, alguém que escreve um capítulo inteiro dedicado aos figos só pode ser interessante. Para além disso, e por qualquer razão obscura, há uma pontinha de Nigel Slater que para mim o torna irresistível.

Feliz Natal // Merry Christmas
Risotto de beterraba // Beetroot Risotto

Como se (sub)entende da fotografia que abre esta publicação, o livro tem uma secção dedicada aos risottos e outros arrozes. Este risotto de beterraba tem uma cor vibrante. Como todos os risottos é comida simples e rápida que pode ser tão versátil quanto a imaginação e os ingredientes disponíveis permitirem. A cor pede um prato branco e apetece fotografá-lo para sempre. Mas como o risotto não espera são meia-dúzia de disparos e já está. É uma sugestão para dias preguiçosos que ainda assim não deixa de impressionar.

E do Natal só restam as cores festivas. Vermelho salpicado de verde e branco.

26.1.11

Arroz pilaf de frango, amêndoas e romã e o mistério desvendado

Romã // pomegranate

Uma romã encerra sempre um mistério. Seja porque a sua coroa indicia uma majestosa existência entre Reis, Xás e outros monarcas, seja porque as bagas de um vermelho exultante nos remetem para tesouros repletos de jóias e histórias de mil e uma noites sempre em festa. Há uma promessa de celebração de cada vez que abrimos a casca dura e somos brindados com uma das cores mais espantosas que a natureza pode oferecer. Tanta a emoção que nos basta uma colher e a companhia de iogurte e pistáchios para o mistério ser desvendado. Mas por uma vez o suspense adensa-se. Resolvo que as minhas jóias da coroa merecem ser prato principal. Crocantes e doces, encimam um arroz pilaf de frango e amêndoas abençoado pelos deuses.

O pilaf é um prato oriundo do Médio Oriente, com uma base de arroz ou bulgur, onde podem ser misturados vegetais ou carne e diversas especiarias. A técnica de confecção é simples e implica apenas fritar o arroz ou o bulgur em manteiga ou outra gordura antes de cozer em caldo ou água.

Pilaf

Arroz pilaf de frango, amêndoas e romã
Adaptado ligeiramente a partir de uma receita de Nigella Lawson, Kitchen

Serve 2, como refeição

1 colher (sopa) azeite
1 cebola pequena, picada finamente
1/4 colher (chá) cominhos moídos
1/4 colher (chá) sementes de coentros moídas
1/4 colher (chá) tomilho seco
125g arroz basmati
500ml caldo de frango (ou legumes)
150g frango cozido, desfiado
sal e pimenta preta, moída na altura
2 colheres (sopa) amêndoas laminadas, tostadas na frigideira
1 colher (sopa) salsa picada, para servir
3 colheres (sopa) sementes de romã, para servir

Aqueça o azeite em lume brando, junte a cebola e mexa até esta começar a ficar translúcida (cerca de 5 minutos). Adicione as especiarias e mexa (2-3 minutos). Acrescente o arroz. Com uma espátula, mexa para envolver na mistura de cebola e especiarias e deixe o arroz ficar brilhante. Junte o caldo, mexa e tape. Coza por 15 minutos em lume brando. Adicione a carne e com um garfo misture bem. Deixe por 5 minutos até a carne aquecer e o arroz acabar de cozinhar. Tempere com sal e pimenta. Retire do lume e deite as amêndoas, a salsa e metade da romã. Envolva tudo e polvilhe com a restante romã para servir.

Pilaf

16.4.10

Favas contadas

Broad Beans & Risotto

Eu sou uma criatura de gostos frugais. Palavra. Encanto-me com pequenas coisas e singelas descobertas como este saco de favas a espreitar numa banca do mercado do Princípe Real. Faço o caminho de volta para casa a sonhar com um risotto que terá de esperar por dias mais calmos, por mais tempo e o estado de espírito certo para descascar as minúsculas favas e saborear cada passo do caminho. O dia chega numa quinta-feira de chuvinha e céu nublado. Sento-me, disposta a dedicar a cada vagem toda a minha atenção. É uma espécie de meditação. Sem pressas. O resultado final merece cada minuto. A satisfação é garantida. São favas contadas.

Risotto de favas e bacon

(para 2 pessoas)

1/2 colher sopa azeite
1/2 cebola pequena, picada finamente
1 dente alho, picado muito finamente
4 fatias finas bacon, em pedaços
1 colher sopa folhas hortelã + coentros picados
1/2 chávena arroz arbório
75 ml vinho branco seco
500 ml caldo de frango
1 chávena favas novas
parmesão ou queijo da ilha em lascas, para servir

Aqueça o caldo e coza as favas durante 3 minutos. Retire com uma escumadeira para uma tigela e mantenha o caldo quente. Coloque o azeite numa caçarola larga de fundo grosso, com o alho e a cebola. Junte o bacon e metade das ervas picadas e aloure durante 2 minutos. Adicione o arroz e mexa até este apresentar um aparência translúcida. Deite o vinho e mexa até evaporar. Junte metade das favas. Comece a deitar o caldo (quente), uma concha de cada vez, mexendo sempre. Deve demorar cerca de 10-15 minutos até absorver todo o caldo e o arroz estar cozido. Acrescente as restantes favas. Rectifique o sal se necessário. Sirva de imediato com o queijo e a hortelã e coentros picados que restam.

11.3.10

Uma salada de arroz [selvagem]

Wild Rice Salad

O arroz selvagem não é, na realidade, arroz. Eu acho sempre que a melhor maneira de dar estas notícias é ir directo ao assunto, sem preâmbulos nem introduções. Aquilo a que chamamos arroz selvagem é efectivamente a semente de uma planta da família das gramíneas, a que pertencem o trigo ou o arroz. Consome-se e comercializa-se já misturado com arroz, por a sua textura e sabor serem demasiado fortes a solo. Eu por mim confesso-me fã.

Salada de arroz selvagem com amendoins
Adaptado de Patricia Cornwell e Marlene Brown, Food to Die For - Secrets from Kay Scarpetta's Kitchen

4 doses, como acompanhamento

½ chávena arroz selvagem (cerca de 80g)
500 ml caldo de frango (ou de legumes)
1½ colheres sopa azeite
1 pimento verde grande, picado
½ chávena amendoins, picados grosseiramente
1 cebolinha verde, picada finamente

molho:
1½ colheres vinagre arroz (ou de cidra)
1 colher sopa azeite
½ colher sopa óleo de sésamo
½ dente alho, muito picadinho
sal e pimenta preta, moída na altura

alface para servir

Lave o arroz selvagem e coza no caldo até estar macio (siga as instruções do pacote quanto aos tempos de cozedura). Aqueça o azeite numa frigideira larga e aloure o pimento, 2-3 minutos. Adicione os amendoins e a cebolinha e mexa durante um par de minutos, até os amendoins começzrem a ficar dourados. Retire do lume. Adicione o arroz cozido e mexa para envolver.

Para o molho, use um frasco com tampa, coloque todos os ingredientes e agite até emulsionar. Tempere a salada e sirva sobre folhas de alface.

4.12.09

[4 por 6] Comida de tacho, risotto e dióspiros

As nossas refeições mudam muito em função da altura do ano, da temperatura e dos produtos em estação. Por estes dias, é a comida de tacho a marcar pontos. São panelas de leguminosas cozidas e o conforto de sopas e arroz fumegante. A sugestão de hoje do 4 por 6 é um risotto de castanhas e feijão encarnado: substancial, saboroso e reconfortante.

Chestnut Risotto with Red Beans

Risotto de castanhas e feijão encarnado

(para 4 pessoas)

1 colher sopa azeite
100 gr bacon, em cubos
1 colher sopa tomilho (só folhinhas) + extra para servir
200 gr castanhas (sem casca nem pele), picadas grosseiramente*
100 gr arroz arbório
750 ml caldo de legumes
400 gr feijão encarnado, cozido
2 colheres sopa natas + 50 ml leite
parmesão ralado (1/4 chávena) para servir

*Asse as castanhas por 15 minutos no forno a 200ºC com sal. Não esqueça de fazer um corte em cada uma antes de assar. Descasque ainda quentes. Pode congelar em sacos fechados.

Chestnut Risotto with Red Beans

Coloque o azeite numa caçarola larga de fundo grosso. Junte o bacon e o tomilho e aloure durante 2 minutos. Adicione as castanhas e o arroz e mexa até este apresentar um aparência translúcida. Comece a deitar o caldo (quente), uma concha de cada vez, mexendo sempre. Deve demorar cerca de 15 minutos até absorver todo o caldo e o arroz estar cozido. Junte o feijão e mexa. Acrescente as natas e o leite depois da última concha de caldo e deixe fervilhar e reduzir ligeiramente. Rectifique o sal se necessário. Sirva de imediato com o parmesão ralado e folhinhas de tomilho.

Para a sobremesa, escolha uma fruta da época: dióspiros.

Persimmons

Dica de poupança: O arroz para risotto (arborio, carnaroli e vialone) tem uma característica específica: liberta amido abundantemente quando preparado com caldo. Por serem variedades importadas, são caras. Substitua por arroz carolino, para resultados aproximados.

Factura:
bacon (6.89€/Kg) - 0.69€
castanhas (1.99€/Kg) - 0.45€
arroz (1.89€/Kg) - 0.19€
feijão (0.79€/400grs) - 0.79€
natas (0.79€/200ml) - 0.20€ (usei soja)
leite (0.54€/L) - 0.04€
queijo parmesão (€ 4,50€/250grs) - 0.90€

dióspiros (2.99/Kg) - 1.50€

total - 4.76€

Os preços de referência dos ingredientes são do continente. Não foram considerados valores para o azeite e o tomilho. Os valores são, como sempre, apenas indicativos.

5.6.09

4 por 6 - E um dia chegou o salmão

Eu sei que tenho andado fugida e a faltar aos meus compromissos, mas aqui fica mais uma sugestão para o 4 por 6. Esta semana fazemos uma refeição de peixe numa receita que atravessou meio mundo e que os Britânicos insistem que é adequada para o pequeno-almoço... Enfim, gostos não se discutem. Para os amantes dos baked beans, aqui fica uma alternativa, para os comensais mais delicados, dá um óptimo almoço. Apresento-vos o Kedegeree. Este é um prato com marcadas influências indianas, que faz parte da cozinha Britânica. Daí o nome estranho e as inusitadas combinações...

Kedegeree

Kedegeree
Ligeiramente adaptado de Jamie's Ministry of Food

4 Porções

4 ovos, cozidos
2 postas salmão fresco (cerca de 400grs)
1 folha louro
250grs arroz basmati
2 colheres sopa azeite
1 cebola média, picada
1 dente alho, picado finamente
1 colher sopa caril em pó
1 malagueta, sem sementes e picada
1 chávena de ervilhas frescas ou congeladas
sumo de 1 limão
coentros picados (opcional)

Coza os ovos e o salmão com as folhas de louro e sal por 9 minutos. Transfira os ovos para uma tigela de água fria, descasque e reserve. Retire as espinhas e a pele do peixe e reserve.

Num outro tacho com água e sal, coza o arroz basmati de acordo com as instruções (cerca de 11 minutos ou até o arroz estar cozido mas ainda rijo). Escorra e reserve.

Deite o azeite numa frigideira larga e cozinhe a cebola até estar macia (2 minutos). Junte o caril, a malagueta e o alho e mexa constantemente. Adicione as ervilhas e cozinhe mais 2 minutos. Junte o arroz e envolva o peixe. Retire do lume, acrecente os ovos em quartos e polvilhe com coentros.

Regue com sumo de limão e sirva com iogurte (opcional).

Esta refeição termina com cerejas, que acabaram também em bolo.

Cherry Muffins

Dica de poupança: O peixe à posta ou inteiro fica sempre mais em conta que em filetes e para receitas como esta ou lasanha, por exemplo, não faz qualquer diferença, para além de que o peixe com pele é sempre mais saboroso.

Factura:
salmão (6.90€/Kg) - 2.76€
arroz basmati (€ 1,69€/Kg) - 0.43€
ervilhas (0,99€/Kg) 0.35€
coentros (0.99€/molho) - 0.33€
ovos (1,64/12 un.) - 0.55€

cerejas (1.80€/Kg) - 0.72€ (400grs)

total - 5.14€

Os preços de referência dos ingredientes são do continente, à excepção das cerejas. Não foram considerados valores para o limão, azeite, cebol, alho, caril e malagueta. Os valores são, como sempre, apenas indicativos.

Outros capítulos do 4 por 6 nas cozinhas da Mariana, Pipoka, Laranjinha, Elvira e Marizé.