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6.9.17

Cachorro vietnamita para refeições frescas

Cachorro vietnamita

Setembro, nono mês do calendário. Não fosses meu, por mais um aniversário inscrito nos planetas para todo sempre, e não gostava de ti. A energia no ar é contraditória e eu, como muitos, lá vou agarrando o melhor destes dias, entre férias que se esfumam nas promessas de retorno rápido e um tempo novo feito de recomeços. Cara alegre e fé no futuro e tudo fica melhor. Ajuda se no prato as cores estivais se mantiverem e as refeições forem frescas e alegres, qual prolongamento de dias passados.

Podes fazer pão para cachorros? Pergunto sem olhar, com a cabeça enviada num dossier. Sobrolho franzido do padeiro cá de casa e uma interjeição que me obriga a repetir a pergunta, com algum contexto à mistura. Quero fazer cachorros vietnamitas com salsichas de perú. Duplo sobrolho e uma prega extra na testa. Cachorro vietnamita? Isso é o quê?

Cachorro vietnamita

Bánh mì é a palavra vietnamita para "pão". Não tivessem os franceses chegado à Indochina e o seu amor por baguetes não teria sido inscrito na cultura culinária do Vietname e não teríamos uma sandes que combina todos os sabores desta cozinha. Pickles rápidos e muitos vegetais crús, numa mistura de cores e texturas, que faz uso quase sempre de um paté de carne. Em rigor, os vietnamitas não têm nada parecido com um cachorro mas o hábito de comer na rua e a permanente procura de comida portável bem que pode cruzar tradições e dar lugar a um híbrido: uma "espécie" de cachorro.

Fácil de fazer e muito fresca, esta receita é a forma perfeita de prolongar o Verão. Podem utilizar-se pães de cachorro ou, como fazem os vietnamitas, uma baguete estaladiça. Depois é só fazer os pickles de cenoura e pepino e montar a peça final. Deixo ainda a receita de pães de cachorro (que também são óptimos para hambúrgueres), cortesia do meu padeiro de fim-de-semana. Bom apetite!

era uma vez uma árvore Cachorro vietnamita

2.3.17

Lombinho chinês, fácil e no ponto

Lombinho chinês

A falta de tempo está sempre na ordem do dia e é argumento para muito do que deixamos de fazer. Mas cozinhar requer apenas organização, alguns minutos e a ajuda preciosa da tecnologia. Na minha cozinha entra de vez enquando um novo ajudante que se torna indispensável por fazer dos dias lugares mais simples. Desde o início do ano, o meu novo grelhador OptiGrill assumiu lugar de destaque e tem tornado os nossos almoços mais calmos e descontraídos.

A ganhar ficou o carnívoro de serviço que se tornou fã da carne no ponto, independentemente do tipo de prato, já que o sensor de espessura assegura a confecção escolhida (mal, médio ou bem passada) à temperatura ideal e a carne sai na perfeição. A minha predilecção por legumes não ficou esquecida e o OptiGrill tem-me permitido fazer pratos vegetarianos ou com queijo. Tenho ainda de aventurar-me nas frutas e nas massas, nas sandes e no peixe e habituar-me ao sinal sonoro e às diferentes cores do indicador luminoso. Os nossos almoços prometem!

Optigrill, o novo ajudante

A receita de hoje faz uso de um corte de carne que raramente cozinho. O lombinho de porco pede um tempero que puxe os sabores e uma confecção num ponto médio, para não secar. Aqui são os aromas da cozinha chinesa que fazem as honras da casa, com o molho de soja, o mel, o molho de ostra e o vinho de arroz chinês a darem uma ajuda ao meu sempre adorado gengibre. Porque a marinada tem açúcares, a carne vai caramelizar. O molho reduzido acrescenta sabor depois de fatiado o lombinho e não requer mais que arroz branco e brócolos como acompanhamento.

Da inspiração asiática à mesa não demora mais de meia-hora, com a devida preparação e apenas um pouco de planeamento. Fácil e no ponto, enquanto a carne cozinha, faz-se o arroz e os vegetais (que podem ser cozidos ao vapor), reduz-se o molho, fatia-se o cebolo e já está.

Lombinho chinês Lombinho chinês

10.10.16

Medalhões de pescada asiáticos e um workshop

Workshop Pescanova, Chef Miguel Mesquita

Quanto mais sei sobre comida, mais quero saber. Tenho nos livros e nas experiências refúgios seguros quando preciso de informação ou inspiração mas são as pessoas que mais contribuem para que eu queira saber mais. Novas técnicas, novos sabores e olhares diferentes. E é por isso que gosto de showcookings e, melhor ainda, workshops. Os meus caminhos cruzaram-se com o chef Miguel Mesquita na Academia TimeOut a convite da Pescanova, a propósito de técnicas simples para preparar peixe.

Camarão e massa kadaif, pescada e papelotes e uma mão cheia de aromas asiáticos e está lançado o desafio para o almoço. São as palavras apaixonadas de Miguel Mesquita sobre as propostas que vamos cozinhar que chamam a atenção primeiro. Depois é a explicação clara sobre as razões da escolha dos ingredientes e do modo de preparar as receitas deste workshop. Em boa companhai, entre gargalhadas e boa disposição, lá vamos seguindo as indicações e ouvindo dicas sobre os molhos a servir com a entrada de camarão crocante.

Workshop Pescanova, Chef Miguel Mesquita Workshop Pescanova, Chef Miguel Mesquita Workshop Pescanova, Chef Miguel Mesquita

Para prato principal, os medalhões de pescada esperam ao lado das couves pak choi enquanto o arroz cozido em leite de coco já se faz no fogão. Cozinhar peixe em papelote é uma excelente opção para manter a textura de peixes delicados e é uma técnica muito fácil. Mesmo para quem como eu encontra sempre forma de dobrar mal o papel ou falhar o centro. É só dispor os ingredientes, temperar e colocar no forno ou cozer ao vapor. Os sabores de hoje piscam o olho à Ásia e são especialmente equilibrados como nos explicou a nutricionista Raquel Abrantes: o molho de soja permite substituir a adição de sal, a lima acrescenta um aroma extra e o óleo de sésamo é uma gordura cheia de sabor (a usar com parcimónia).

No final, não podíamos estar mais felizes com os nossos resultados. E porque uma refeição não termina realmente sem uma sobremesa bonita, houve ainda tempo para uma galette de nectarina e frutos vermelhos que era tão bonita quanto deliciosa. Deixo-vos a receita dos medalhões asiáticos, que entretanto já repeti por diversas vezes, e a explicação de como cozinhar em papelote. Aprender uma nova técnica é emocionante e esta é muito simples e os resultados são sempre excelentes.

Workshop Pescanova, Chef Miguel Mesquita

1.7.16

Almôndegas asiáticas de frango (versão rápida)

Almôndegas asiáticas

Viajar no prato é um privilégio ao alcance dos que não conseguem ficar quietos e sonham acordados com novos lugares, aromas nunca sentidos e sabores de outras paragens. Quando o desejo é partir para Oriente e na direcção do sol nascente nada como puxar de dois ou três temperos e seguir à aventura.

Esta semana foi a vontade de explorar as combinações vietnamesas que prevaleceu. Sem muito tempo, o desejo de uma tigela de noodles de arroz, vegetais crús, pickles rápidos e almôndegas com coentros e gengibre fala mais alto. O prato original bun cha, que serve aqui de inspiração, usa carne de porco mas a versão de hoje é feita com aves na Actifry.

Almôndegas asiáticas

O segredo desta receita começa a ser desvendado quando se ignora o elevado número de ingredientes. Na verdade, todos os procedimentos são rápidos e pode deixar-se organizado o jantar (fazendo os pickles previamente) para depois apenas moldar as almôndegas, hidratar os noodles e servir as tigelas com os vegetais crús.

Tradicionalmente este é um prato servido à temperatura ambiente e que todos gostam. Ou não fosse o molho um apelo irresistível ao lado doce de cada um e a conquista de um sabor intenso que combina na perfeição com a massa de arroz e o crocante da alface e a textura dos pickles. Pode polvilhar-se com amendoins torrados para extra "crunch" e malagueta para os amantes do picante.

Almôndegas asiáticas

9.10.15

Salteado asiático de cogumelos e massa de ovo

Salteado de cogumelos e pimentos com massa de ovo

Primeiro um, depois outro e outro. Na cidade grande onde o tempo não pára para coisas como a mudança das estações ou os humores dos seus habitantes, as cores mudam sem pedir licença. Entre ventanias, bátegas de água e dias nublados, desenha-se um Outono que queremos seja do nosso contentamento. Olhar em volta e notar as diferenças na paisagem urbana é uma das pequenas maravilhas de todos os dias. O momento mágico em que se dá o aparecimento de cogumelos depois das primeiras chuvas nunca deixa de me surpreender.

Sem prestar atenção ao calendário, os pimentos vermelhos e os (últimos) tomates insistem em dividir o espaço na bancada com os marmelos e as abóboras. São combinação perfeita para os cogumelos shiitake cuja produção em Portugal subiu em flecha nestes últimos anos. Acessíveis nos mercados e supermercados, estes cogumelos remetem para o Japão mas o seu sabor característico adapta-se muito bem a outras influências.

Salteado de cogumelos e pimentos com massa de ovo Salteado de cogumelos e pimentos com massa de ovo

Um dia damos por nós a gostar de ingredientes ou comidas às quais, por desdém ou simples implicação, sempre torcemos o nariz. Cá em casa, descobrimos os caminhos para os supermercados asiáticos e aceitámos há muito os encantos dos sabores que vêm de longe. Molhos diversos, vegetais menos comuns, especiarias mil e o fiel wok.

Na corrida dos almoços de semana, feito em três tempos e outras tantas mexidelas assim se faz esta receita. Da intersecção das estações, o melhor dos verões e o mais promissor dos outonos. Pimentos vermelhos e cogumelos, à boleia de massa de ovo e amendoins torrados. Tragam os pauzinhos, as taças estão servidas.

Salteado de cogumelos e pimentos com massa de ovo

6.3.15

Dim Sum ou a arte da paciência + jiaozi de peixe e camarão

Dim Sum (ou a arte da paciência)

Dim Sum. Só o nome é um convite à viagem. Seja ela para onde for, devemos ter à espera uma terra longínqua e sabores nunca antes provados. Dita e passada de boca em boca, a mensagem é apenas um conjunto de sons que remetem para o prato. Se a língua materna fosse o caminho, a palavra escrita, composta pelos caracteres 点 e 心 significaria literalmente "tocar o coração". E o meu foi, em definitivo, tocado desde a primeira vez que provei dim sum e uns pastéis pequeninos carregados de sabor me atravessaram o palato.

Vinda da China, esta tradição cantonesa está inscrita no ritual diário do chá. Comidos originalmente ao pequeno-almoço, os bolinhos de diferentes formas e feitios apresentam uma grande variedade, doces e salgados, cozidos ao vapor, terminados na chapa ou fritos. Não consigo eleger favoritos. Hoje são os pãezinhos recheados, amanhã os jiaozi, noutro dia a sopa won ton. Gosto de todos mas nunca pensei fazê-los em casa.

Até ter aberto o meu presente de Natal e encontrar uma aula de dim sum com o chef Paulo Morais. Saltos de contentamento a preceder o medo de não ser capaz. É que paciência e altos índices de motricidade fina não fazem parte da minha lista de atributos...

Dim Sum (ou a arte da paciência) Cebolas e cebolos Dim Sum (ou a arte da paciência)

Contei os dias até que a noite da aula chegou. Lá fomos os dois, que isto de aprender coisas novas sozinha nunca tem metade da graça. Perceber a diferença entre as massas de wonton e jiaozi, a farinha de trigo com baixo teor de glúten, os temperos de cada receita, as técnicas de dobragem, o amassar e moldar, o cozer e o fritar... Siu mai, jiaozi, bao zi... Tanta informação que as duas horas previstas se tornaram rapidamente em três e a noite parecia ter apenas começado. A admiração pelo trabalho de Paulo Morais é antiga e este foi mais um dia para ouvir e aprender com o chef.

Tradicionalmente, os dim sum são servidos com um molho feito com molho de soja, vinagre de arroz e gengibre fresco ralado, muito fácil de fazer. Ao contrário de alguns processos de dobragem dos pastéis que são de facto desafiantes. Um dos que me deixaram mais orgulhosa dos meus feitos foi o resultado dos jiaozi, "parentes" das gyozas japonesas, onde as pregas são o segredo a desvendar. Por norma, o seu recheio é de carne ou legumes mas os que fizemos utilizam peixe e camarão. Ficam deliciosos. O desafio é acertar as pregas!

Dim Sum (ou a arte da paciência) Dim Sum (ou a arte da paciência) Dim Sum (ou a arte da paciência)

27.6.14

A salada asiática do chef Kiko Martins e os vinhos Grão Vasco

Restaurante O Talho, Workshop chef Kiko Martins

São dez da manhã quando entro n'O Talho. Da visão do chef Kiko Martins nasce um conceito peculiar que reúne um restaurante e, como o nome indica, um talho. Nesta área de entrada, a azáfama antes do almoço é feita de clientes que chegam para comprar os conhecidos hamburguéres, a alheira envolta em massa kadaif ou a vitela maronesa. Ali ao lado, o restaurante está ainda à média luz enquanto na cozinha se faz a preparação para os almoços e jantares. Gosto do ambiente sereno e ordenado que marca o começo de mais um dia n'O Talho. O espaço, pensado para ser multidisciplinar, recebe também aulas e workshops com o chef onde a comida e as viagens se encontram com os vinhos. Hoje são as receitas para todos os dias e a harmonização com os vinhos Grão Vasco que ocupam o balcão.

Como cozinhar e que carne escolher para as refeições familiares e que vinho combinar com o prato são perguntas frequentes. Frango, pato, vitela e alheira são os exemplos escolhidos pelo chef Kiko Martins para as suas sugestões de harmonização com o Grão Vasco branco e tinto, a comemorar 50 anos de história.

Restaurante O Talho, Workshop chef Kiko Martins Restaurante O Talho, Workshop chef Kiko Martins

Reunidos à conversa, com um copo de Grão Vasco branco 2013 apresentado pela enóloga Beatriz Cabral de Almeida acompanhamos a confecção de um bife de frango com tomilho e limão e de um cuscuz de curgete e tomate-cereja com manjericão. Um prato feito num piscar de olhos, onde a cor e o sabor do acompanhamento equilibram o conjunto. O vinho que tenho no copo é herdeiro de uma identidade particular e tem o Dão inscrito na sua estrutura e na sua história. Na minha mente, Grão Vasco e Dão são quase sinónimos. É um imaginário feito de cheiros e imagens que me transporta de imediato para norte. O novo rótulo reforça esse sentimento, partilhado por tantos, mantendo na cápsula da garrafa a referência à obra de Vasco Fernandes, São Pedro. É um retorno às origens.

Enquanto ordeno ideias e rabisco notas, o chef Kiko Martins prepara aquele que para mim foi o prato do dia. Uma salada asiática de magret de pato com laranja que há-de fazer os encantos de muitos. A discussão centra-se na harmonização. Branco ou tinto? Com corpo e sabor para ombrear com o Grão Vasco tinto 2010, o pato traz consigo os sabores frescos do gengibre e da hortelã que parecem combinar na perfeição com os aromas cítricos e frutados do branco. Escolha feita e a certeza de um par notável.

Mas o tinto não perde por esperar. A alheira crocante com arroz cremoso de grelos e compota de tomate é candidato a acompanhá-lo com distinção. Este é um prato assinatura que faz parte da carta do restaurante e que também está disponível pronto para ir ao forno na secção do talho. Já o tinha provado numa das minhas visitas anteriores, entre risos e sorrisos a propósito do nome dado ao prato (que se chama o "Sr. Quer Alheira"). A harmonização com o vinho realça a sua versatilidade. Por ser um tinto leve, enquadra o prato sem se sobrepor e completa a refeição. É também essa a intenção ao servir este tinto 2010 com a picanha grelhada e o maravilhosos puré de batata noisette e presunto do Talho. As venturas da manteiga noisette ficam para outro dia mas a memória deste puré não desvanece. Um je-ne-sais-pas-quoi de encantos mil.

Restaurante O Talho, Workshop chef Kiko Martins Restaurante O Talho, Workshop chef Kiko Martins Restaurante O Talho, Workshop chef Kiko Martins

É tempo de passar para a mesa. A abrir os muito falados croquetes de cozido com maionese de chouriço. As carnes do cozido, hortelã e chouriço em forma de fingerfood. Incontornáveis em qualquer passagem pelo Talho, estes croquetes ganham ares de comida de prato pela adição de uma maionese de chouriço que vem em bisnaga. Um piscar de olho de olho à passagem de Kiko Martins pelas cozinhas de Heston Blumenthal. Na escolha do vinho, e por mais que a fritura peça o branco, é no tinto que os sabores fortes do cozido encontram um parceiro à altura.

Nesta experiência, o desafio era combinar os diferentes sabores da cozinha do chef Kiko Martins com a simplicidade elegante dos vinhos Grão Vasco. Com tudo para encaixar na perfeição, algumas escolhas mostraram-se surpreendentes. Como conclusão, se gostei muito do tinto, fiquei perdida de encantos pelo branco. Desconfio que me há-de acompanhar por este Verão, em aventuras de pratos leves e descomplicados.

Restaurante O Talho, Workshop chef Kiko Martins Restaurante O Talho, Workshop chef Kiko Martins Restaurante O Talho, Workshop chef Kiko Martins

8.5.14

{almoço de semana} Salteado de cogumelos e tofu

Cogumelos e tofu, chinese style

Dias maiores, mais sol e sorrisos mais frequentes. Nada que mude os horários e as tarefas de um quotidiano dia de trabalho. Quando os almoços são em casa, não há tempo a perder. Que a tarde aproxima-se sempre a passos demasiado largos e há sempre muito para fazer.

As refeições durante a semana têm de ser rápidas e simples. E já agora nutritivas. O que não equivale a dizer que têm de ser monótonas ou sem sabor. Com a mudança da estação, as sopas começam a ser preteridas, com outros pratos a tomar a dianteira. Se o tempo é curto nada como fazer um salteado, que para ser fiel à técnica vem acompanhado de sabores asiáticos e, neste caso, é vegetariano.

malmequeres Cogumelos e tofu, chinese style

A cozinha asiática está sustentada num equilíbrio de sabores e numa harmonia entre o salgado, o doce, o ácido e o amargo. O princípio dos molhos, marinadas ou outros condimentos é sempre esse. A quantidade de ingredientes é grande mas os processos são simples e rápidos. O que a torna perfeita para dias sem tempo.

Com ou sem pauzinhos, dependendo da destreza do comensal. Comida de tigela para comer em ritmo acelerado, onde os sabores fortes estão garantidos mas onde reina a harmonia. São servidos?

Cogumelos e tofu, chinese style

16.10.13

{World Bread Day} Wraps asiáticos de pato

Crepes de pato

Fazer pão é uma das melhores coisas do mundo. Todos os dias, só às vezes ou em ocasiões especiais. Família, sustento ou terapia, o pão é veículo e espelho da nossa cultura. Não vivo sem o pão alentejano do meu pai e tenho desejos de croissants ou brioche. Sonho amiúde com um pão quase perfeito e volta e meia meto as mãos na massa.

Mas aquilo a que chamamos pão e nos preenche pode ter múltiplas formas. Será o tempo de levedação, o ser feito no forno, o conter leveduras na massa? Então, talvez o meu "pão" de hoje não cumpra os requisitos. Nenhum se verifica. No mundo dos pães achatados que fazem a cultura oriental e asiática abre-se uma nova realidade. Para mim que o amassei e para quem o teve nas mãos enquanto comia, este é um pão por direito próprio.

No dia em que se celebra o World Bread Day (e também o dia da alimentação), trago uns wraps de inspiração asiática. São servidos?

Pepino e cebolo Crepes de pato

5.4.13

Salteado de espinafres e tofu

Salteado de espinafres e tofu // Spinach Tofu Stir-fry

São as estações que ditam aquilo que se come cá em casa. Aceita-se o que a terra dá, quando dá e como dá, com esporádicas excepções e um ou outro devaneio. Despedimo-nos das pêras quando elas acabam, dizemos adeus às alcachofras de Jerusalém e até para o ano ao romanesco. Ansiamos pelas ervilhas e pelas favas, esperamos pelo dia em que valha a pena comer morangos e sorrimos às alcachofras que chegam. Até aqui tudo certo. O problema é quando as estações se baralham. É Primavera mas parece Outono. As sementeiras que deviam estar na rua, esperam em casa ou estão por fazer. Os casacos e as camisolas estendem o seu reinado. O tempo que faz é assunto como nunca, como sempre.

Há uma depressão colectiva aligeirada pelo sol periclitante que vai aparecendo. Para desaparecer em seguida. Procuramo-lo desenfreadamente. Dão-se alvíssaras a quem o devolva em definitivo ao céu onde pertence nesta altura do ano. Enquanto isso não acontece, resta-nos seguir junto ao fogão, de colher de pau em riste e com pratos quentes. Durante a semana não há tempo a perder. Simples, rápido, nutritivo e reconfortante. O plus é ser vegetariano. E delicioso.

Como as pequenas flores que nasceram e já partiram. Até para o ano!

crocus
Salteado de espinafres e tofu // Spinach Tofu Stir-fry

Saltear legumes na frigideira ou no wok é uma forma de cozinhar rápida e saborosa. Juntar uma fonte de nutrição adicional como o tofu, frutos secos ou sementes é sempre uma boa ideia para transformar o prato em refeição completa. Importa lembrar que o incremento de sabor que vem das especiarias ou do molho de soja, do mirin ou dos vinagres ajuda a agregar os diferentes ingredientes. E assim, com meia-dúzia de coisas se faz o almoço.


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veja também:
Salteado de tofu, couve roxa e ervilhas tortas
Crepes de legumes salteados

18.3.13

Camarão, tofu e folhas de chá verde para uma celebração

Camarão, tofu e chá verde

As histórias que os pratos contam têm nos ingredientes, nas técnicas, nos aromas, nas texturas e nos sabores as palavras que compõem frases de alegria e satisfação, vindas da boca (às vezes ainda cheia) dos comensais. Comemoram-se datas em que acontece ou aconteceu algo memorável, como pretexto para encontrar a família e os amigos. Na vertigem da vida apressada de sempre, encontram-se razões para parar um pouco e gozar a companhia. Se há um dia do pai é todos os dias. Mas se há uma vontade de celebrar, que seja feita de atenção, do tempo que quase sempre nos escapa e de boa comida.

É que de estômago vazio não há coração que se console!

Mais do que lembrar em dias marcados o que realmente importa todos os dias, vale a pena parar de vez em quando e partilhar apenas um pouco do quotidiano. Puxar uma cadeira e fazer tempo para um par de horas à mesa com as pessoas de que gostamos é o modo último de celebração. Para mim fica completo se for eu cozinhar e se houver conversa e gargalhadas. Quando se tem uma família espalhada de Sul a Norte, são momentos sempre muito aguardados.

Chá verde it by Jugais // Green Tea it by Jugais Camarão, tofu e chá verde

Porque os pretextos para experimentar com novos sabores e sair da zona de conforto são bem-vindos, fiquei a pensar na proposta da it-tea by Jugais: um prato principal de carne ou peixe com chá para comemorar o dia do pai. E do desejo de usar chá verde, nasceu uma viagem de sabores asiáticos, com ingredientes locais e um wok por companhia.

A combinação de camarão e folhas de chá verde conta uma história que remonta à China, onde o prato é ainda hoje um clássico. A lenda diz que o chef do Imperador terá deixado cair algumas folhas de chá verde por engano enquanto refogava camarão e os sabores causaram sensação. Das diferentes receitas que encontrei, retenho de uma receita de Loose Leaf Daily onde se junta laranja e molho de soja. Porque havia tofu para gastar e o camarão não era muito, decido juntá-lo também.

6.5.11

Chop suey de camarão e ervilhas tortas e uns pauzinhos

Chop suey de camarão e ervilhas tortas // Chop Suey

Chop suey significa literalmente miscelânea. Que é como quem diz, grande misturada. Confusão. Uma valente embrulhada. Se a metáfora é perfeita para descrever as últimas semanas deste lado do Paraíso, abre também muitas portas no que ao prato diz respeito. Frango, peixe, vegetais, marisco ou ovos. Apenas um ou todos à mistura. As possibilidades são intermináveis. Com vermicelli (massa de arroz) ou egg noodles (massa de ovo), cozida ou ligeiramente frita. Como se queira. Venha o molho e tudo se resolve. Já comer com pauzinhos, só com paciência de chinês.

Chop suey de camarão e ervilhas tortas // Chop Suey