24.11.22

Cogumelos no prato e vinho no copo

Cogumelos Marron

Com a chegada do Outono vêm os dias mais frescos e as noites onde já sente uma certa humidade: estão reunidas as condições perfeitas para que os cogumelos selvagens comecem a surgir. Dos vários ingredientes, talvez sejam estes fungos de sabor intenso a melhor companhia para os vinhos mais especiais, os vintage e aqueles que guardamos para partilhar em momentos únicos. As características dos diferentes cogumelos fazem deles seres muito particulares, seja pela forma, cor ou aroma que trazem ao prato: pedem vinhos mais ou menos encorpados e uma ou outra bolha também não será mal vista.

Grandes e pequenos, claros ou escuros, os cogumelos possuem na nota umami o “gosto saboroso e agradável” que os torna amigos dos tintos. São os vinhos com personalidade mais vincada que trazem à harmonização outra elevação. Experimente servir Portobello recheados com queijo com um Cabernet Sauvignon e se se tratar de um risotto feito a partir da versão desidratada dos cogumelos Porcini (Boletos) abra um tinto da Bairrada e não se arrependerá. Para os pratos mais delicados, onde ao sabor dos cogumelos se juntam outros vegetais e massa, há ainda a opção por um rosé seco, ou um espumante rosé, para celebrar os dias bonitos da nova estação.

Frequentemente acompanhados por natas e ovos quando preparados em sopa ou tartes, os cogumelos picados ou triturados casam bem com vinhos feitos a partir da casta Chardonnay ou, melhor ainda, um copo de Encruzado do Dão. Já os elegantes Enoki, com as suas hastes brancas, estaladiços em tempura, pedem um pouco mais de acidez e não dizem que não um branco atlântico, vindo dos Açores. Porque os cogumelos podem integrar inúmeros pratos vale a pena experimentar os vinhos preferidos e ir afinando combinações. Em caso de dúvida persistente, abra um espumante bruto, sirva em copos bonitos e tudo dará certo!

Esta receita foi publicada originalmente no Blog do Enólogo Continente.

Cogumelos Portobello

8.11.22

Em Alenquer, a codorniz é rainha nesta quinzena gastronómica

Quinzena Gastronomica da Codorniz, Alenquer

No espaço geográfico em que o oceano e a serra encontram um ponto de encontro, desenha-se um território onde a mesa tem especial importância e o sector da alimentação e do vinho constroem propostas inovadoras e distintivas. Produto endógeno de Alenquer, na quinzena de 1 a 15 de Novembro pode ser degustado em 31 restaurantes do concelho que apresentam pratos à base de codorniz, harmonizados com vinhos da Região Oeste. No copo e no prato, é no espaço do restaurante que se celebra esta ave, numa iniciativa promovida pela Câmara Municipal de Alenquer. O objectivo é explorar a versatilidade da codorniz e desafiar a criatividade dos chefs, combinando cada receita com a oferta vínica galardoada no VI Concurso de Vinhos de Alenquer, na categoria dos Vinhos Gastronómicos, em particular o Quinta de Vale Mourisco Syrah 2019 seleccionado por melhor se adaptar aos pratos de codorniz. 

Quinzena Gastronomica da Codorniz, Alenquer
Quinzena Gastronomica da Codorniz, Alenquer

Ao alcance de uma visita, que pode ser mais ou menos longa, a quinzena gastronómica da codorniz é um óptimo pretexto para conhecer melhor Alenquer!

5.11.22

Bolo de banana, amendoim e chocolate, 15 anos de aventuras e um blog

Bolo de banana, amendoim e chocolate

Tinha o século (quase) acabado de nascer, há 15 anos o mundo era outro e a blogosfera dava os primeiros passos. Inconsequente, sem destino ou desígnio, feliz e contente, começava este blog em 2007. Centrado na geografia da mesa e dos afectos e orientado para o lado bom da vida, pouco mudou nas coordenadas deste gourmets amadores. Talvez o nosso gosto tenha ficado mais apurado mas a curiosidade mantém-se intacta. Continuamos a querer provar o mundo!

A festa de hoje é feita de aromas quentes e sabores de conforto, traz o Outono no coração e escreve-se em notas de outras latitudes numa combinação de banana, amendoim e chocolate. É servida na mesa da cozinha e celebra cada dia destes 15 anos como se fosse o primeiro. 

Obrigada por nos lerem!

flor de sabugueiro
Bolo de banana, amendoim e chocolate

14.10.22

Que vinho servir com paella?

Que arroz para paella?

A tradição de cozinhar arroz em largos recipientes de metal com duas pegas que chega da vizinha Espanha tem cada vez mais aficcionados entre os que têm na paella valenciana um prato predilecto, seja pela crosta estaladiça que se forma no fundo, pelo colorido dos vegetais ou pelos aroma mágico do açafrão. Vegetariana, de marisco ou negra graças à tinta de choco utilizada, a paella oferece aos amantes dos pratos de arroz texturas muito particulares e combinações de ingredientes por vezes inusitadas e menos tradicionais. E a questão na hora de servir é que vinho escolher para acompanhar a refeição?

Se à carne (de frango, coelho ou porco) se juntam leguminosas como feijão, legumes como o feijão verde ou ainda enchidos e uma base de tomate e pimentos, o resultado pede um vinho à altura. Um tinto jovem e frutado, por exemplo um vinho alentejano da casta Aragonês, para equilibrar os sabores fortes e trazer frescura; ou um branco com mais corpo, como um Verdelho açoriano, capaz de ombrear com o prato. Já a paella de marisco (com lulas, camarão e amêijoas) é normalmente mais suave e terá num rosé com boa acidez a melhor das companhias, podendo também optar-se por um espumante meio-seco que faça realçar os seus sabores mais delicados.

Da receita que faz parte da história resta sobretudo uma ideia e a base, quase sempre confeccionada com arroz bomba, a que se somam inúmeras versões mais ou menos comuns. Talvez a mais surpreendente seja a paella negra com a sua cor profunda e misteriosa que esconde algum marisco e vem por vezes com um pouco de aïoli, um molho de maionese com alho que contrasta em cor e sabor no prato. No copo necessitam-se aromas mais pronunciados e algum doce para harmonizar. Sugere-se um Moscatel Roxo Rosé para a mais bonita das paletas de cor à mesa e um conjunto de aromas muito especial. 

Saúde!

Esta receita foi publicada originalmente no Blog do Enólogo Continente.

Paella

16.9.22

Sabor ao quadrado: como viajar até Menorca com o queijo Mahón DOP

Apresentação Queijo Máhon-Menorca, Solar dos Presuntos

Paralelepípedos de arestas redondas e cores garridas, do amarelo ao laranja, que ostentam pequenas bandeiras com a denominação Mahón a verde brilhante: são queijos produzidos em Menorca, nas Ilhas Baleares, fruto de uma tradição milenar que se confunde com a história do próprio território e com a paisagem de grande riqueza ecológica. Desde a proveniência do leite de vaca às técnicas ancestrais que lhe dão forma, há um queijo que resulta da cultura gastronómica menorquina construída ao longo do tempo e corresponde a uma Denominação de Origem Protegida (DOP).

O queijo Mahón exibe a sua Denominação de Origem Protegida desde 1985 tendo consolidado o actual nome Mahón-Menorca no final do século XX e que é agora a sua credencial de qualidade, local e internacionalmente. Piedad Lopez Pérez, ao apresentar este produto de características muito particulares, reforça o papel das condições geográficas, climatéricas e humanas na feitura deste queijo, produzido com leite de vacas de raça Frisona, Mahonesa, Menorquina e Parda Alpina, utilizado cru (com a indicação de artesanal) ou pasteurizado e elaborado de acordo com a técnica desenvolvida por muitas gerações de produtores.

A aparência, aroma e sabor do queijo Mahón-Menorca dependem do seu grau de maturação, com certificação de macio (21-60 dias, casca amarela), semi-curado (2-5 meses, casca laranja) e curado (mais de 5 meses). Dos aromas lácteos, textura mole e sabor suave do queijo mais jovem à textura firme e dura e aroma complexo e intenso do curado, passando pelo semi-curado equilibrado e com o bouquet característico do queijo Mahón-Menorca. Piedad Lopez Pérez chama a atenção para o processo laborioso e dedicado que o processo artesanal representa e para as diferenças entre o queijo artesanal e aquele que resulta de um fabrico industrializado.

E como harmonizar cada um destes queijos históricos com vinhos, outros sabores ou no prato? 

Apresentação Queijo Máhon-Menorca, Solar dos Presuntos

26.8.22

Tarte de ricotta, limão e mirtilos (sem forno)

Tarte de ricotta, limão e mirtilos

Dos dias que fazem do Verão e das férias um tempo diferente, em que o relógio perde importância e os feitos do quotidiano se medem em horas de ócio e descanso. Porque toda a gente precisa de um Agosto sossegado, sem pressas e sem história. Basta apenas uma ou outra estória para guardar na memória quando o calendário nos trouxer de novo ao bulício de outros meses do ano.

Para quem não passa sem sobremesa mas não tem qualquer intenção de ligar o forno ou dispor de mais do que alguns minutos para a preparar, esta tarte é a resposta: rápida, fácil e muito saborosa. 

Tarte de ricotta, limão e mirtilos

Mirtilos como opção, pela cor e pelo sabor. Provada, e voltada a aprovar, a combinação de queijo e limão com mirtilos só fica mesmo completa com a presença do cacau e algumas bocas gulosas à volta da mesa. 

Bom final de Agosto e um adeus ás férias, celebrado de prato no colo, colher em punho e boa companhia. Até breve!

Tarte de ricotta, limão e mirtilos