11.11.19

Bolo de ameixa e framboesa (e 12 anos a cozinhar, fotografar e escrever)

Bolo de ameixa e framboesas

Os dedos das mãos já não chegam para os contar. 12. São doze. Número que se faz de tantos momentos mágicos que escolher é impossível e nem a vida com os seus imperativos os torna menos especiais mesmo se celebrados com enorme atraso. Este blog fez anos no início do mês e continua tão (im)perfeito como no primeiro dia. Se mudou, se todos mudámos, se já ninguém lê e menos cozinham, todos comem e muitos adoram comer. Por isso, enquanto houver vontade, enquanto a curiosidade nos levar, enquanto o final do dia nos encontrar com um sorriso e a certeza de ter valido a pena, havemos de continuar esta conversa.

De olhar no futuro e gula sem fim, espera-se que mais um ano traga festa e bolo, como deve acontecer em todos os aniversários. Com a proverbial chávena de chá, puxem uma cadeira, estão abertas as celebrações!

Bolo de ameixa e framboesas
Bolo de ameixa e framboesas

O bolo, que se faz de festa, não podia ser mais simples e rápido de fazer. E como é bonito e cheio de fruta, quase não conta como sobremesa. As últimas ameixas e uma mão cheia de framboesas esquecidas pintam a base feita de amêndoa e aromatizada com amaretto. Depois de cozido, polvilha-se com açúcar em pó e serve-se acompanhado por crème fraîche. É tudo o que se pode querer quando se completam 12 anos de momentos sempre felizes.

Que seja sempre assim por aqui. Obrigada!

Bolo de ameixa e framboesas
Bolo de ameixa e framboesas

4.11.19

{ Viajar no Prato } Há pizzas para todos no L'Origine

L'Origine, Lisboa

De volta às rotinas num Outono que se instala de mansinho,, não há melhor para alimentar a alma do que viajar no prato. O destino desta feita é a Itália, com o desejo de pizza a ganhar a dianteira. É no L'Órigine que, sem bagagem mas com toda a vontade, nos fazemos à aventura pela cozinha italiana na cidade de Lisboa.

O nosso guia para descobrir os segredos da massa e explorar os encantos dos sabores transalpinos é o chef Roberto Mezzapelle que a partir dos seus dotes de pizzaiolo nos leva até ao detalhe de cada combinação e partilha a emoção de pensar e executar cada prato da carta. Na companhia de um limontejo tónico ficamos à conversa sobre o encontro de Roberto com o chef Chakall do qual nasceu o L'Origine até a mesa nos chamar, por já ser hora de almoço.

L'Origine, Lisboa
L'Origine, Lisboa

Numa casa em que o forno é o coração do projecto, são os pães que iniciam a contenda trazendo à boleia os queijos italianos, as ervas aromáticas e os frutos secos num conjunto harmonioso e cheio de sabor que faz da Burrata com pesto de manjericão e pinhões um prato absolutamente a não perder. Já a foccacia clássica tem tudo o que se pede a um antipasti: é crocante, saborosa e abre ainda mais o apetite para o que aí vem.

Mas um restaurante italiano não se faz só de pizza e os carpaccios oferecem um início de refeição em que a discussão também passa pelos vinhos italianos que fazem parte da carta do L'Origine. As possíveis combinações com os ingredientes dos carpaccios fazem do salmão laminado, pimenta rosa e azeite de limão, do bacalhau laminado, creme balsâmico de morango, azeite de laranja e limão, sal e pimenta e do carne de boi, parmesão, azeite de limão e balsâmico de vinagre os escolhidos da mesa. Quanto à decisão sobre os vinhos e as pizzas a partilhar, não há consenso. Valha-nos estarmos de acordo quanto a quanto mais italiano melhor!

L'Origine, Lisboa
L'Origine, Lisboa

24.9.19

Em Vila de Frades, na Adega ACV faz-se vinho como os romanos faziam

Adega de Vila de Frades, a fazer vinhos como os romanos

Fugimos do sol do Alentejo e encontramos refúgio para lá das portas da Adega ACV junto às talhas onde repousa o néctar dos deuses. O processo de vinificação que remonta aos romanos chega aos nossos dias inalterado e o resultado deste método natural traduz-se num conjunto de vinhos surpreendentes e com características muito diferentes do habitual. A história da adega escreve-se a partir da vida da família Frade e da sua relação com a produção do vinho de talha, que começa na taberna do avô Frade onde todos paravam para um copo e alguns petiscos em Vila de Frades.

O enoturismo recentemente inaugurado é herdeiro dessa tradição familiar, da vontade do pai Alexandre (que estudou enologia para compreender melhor e aprimorar todo o processo) e do filho Sérgio que traz os vinhos até ao seu restaurante O Frade em Lisboa. Com a adega como ponto de partida, seguimos à aventura para saber mais e conhecer os vinhos de talha que se fazem nesta vila alentejana e que perpetuam a herança histórica da região.

Adega de Vila de Frades, a fazer vinhos como os romanos
Adega de Vila de Frades, a fazer vinhos como os romanos
Adega de Vila de Frades, a fazer vinhos como os romanos

A visita à adega começa com a explicação do processo de preparação das talhas e do tratamento das uvas, etapas que são essenciais na definição do vinho que daí irá resultar. A apresentação feita por Alexandre Frade, num compromisso entre rigor técnico e a explicação dos procedimentos, é clara e concisa e as perguntas da audiência permitem adequar a comunicação. Cada questão é respondida até que não restem dúvidas sobre a pesgagem das talhas, as especificidades desta técnica de revestimento e o sistema desenvolvido para optimizar todo o processo de cobertura das enormes talhas com resina de pinheiro (ou pêz).

Entre as grandes talhas e fora do alcance do sol alentejano, começamos a prova dos vinhos de talha da Adega ACV com os brancos. O estágio de quase cinco meses nas talhas antes do engarrafamento confere características muito particulares ao vinho. Também os nomes dados a cada vinho representam uma parte da história da família, como a homenagem à mãe de Sérgio que dá nome ao D. Alice Branco 2016 e D. Alice Branco 2017 ou o 1856 Branco 2016 que deve a denominação à data da talha onde estagiou. Juntamente com o Escolha Branco 2016 compõem o conjunto de quatro vinhos brancos produzidos pela adega e que oferecem uma experiência muito especial a quem os prova. Vivos e com muita personalidade, trazem de forma vincada, os aromas e sabores do método que os produziu e desafiam quem se diz menos apreciador dos vinhos brancos. Também há tintos, mas esses contam outra estória.

Adega de Vila de Frades, a fazer vinhos como os romanos
Adega de Vila de Frades, a fazer vinhos como os romanos

10.9.19

Saladinha de cenouras à Algarvia

Saladinha de cenouras à Algarvia

Sonhos, saudades e o desejo de prolongar as memórias felizes de umas férias a Sul. O Algarve ainda à flor da pele toma a forma dos sabores conhecidos e adorados, repetidos a cada ano, numa espécie de reencontro com velhos amigos.

Peixe, salada e todo o doce da fruta de Verão a celebrar o tempo (curto) de praia. E, contudo, de todas as lembranças são as cenouras, cortadas à rodela e temperadas com o aroma dos cominhos, que mais falta fazem. Talvez não saiba ao mesmo pois faltará sempre o mar e a brisa que o caracteriza, mas colocará um sorriso maior na face de quem ainda não aceitou a mudança de ares.

Saladinha de cenouras à Algarvia
Saladinha de cenouras à Algarvia

Esta receita é servida por todo o Algarve, como entradinha, com pão e azeitonas. Serve o propósito de manter ocupadas as bocas que esperam pelo prato principal e não podia ser mais simples de confeccionar. Os temperos remetem para uma herança do Norte de Africa e a presença dos cominhos fecha a combinação ganhadora com o doce das cenouras.

Bom apetite!

Saladinha de cenouras à Algarvia

4.9.19

{ Verão na Cidade } Petiscar à grande e à japonesa no Miss Jappa

Miss Jappa, Lisboa

Ainda há Verão para celebrar e a cidade oferece tardes longas e noites (quase) tropicais a quem se quiser aventurar. A promessa de viver Lisboa e o tempo quente como se não houvesse um amanhã de trabalho ajuda a voltar às rotinas. Como por magia, seguimos para parte incerta algures no Japão assim que entramos no Miss Jappa para um final de tarde de conversa e petiscos.

As boas-vindas escondem-se num "quantos-queres" de ervilhas com wasabi ou hóstias de camarão, num mix de snacks japoneses. Na mão, para enfrentar temperaturas inclementes, uma Sparkling Lemonade com manjericão e pepino para dar início à conversa. A passagem de testemunho da chef Anna Lins para o sempre seguro chef Rui Santos, é feita com pratos leves e a vontade de manter um trabalho em comum construído ao longo do tempo que dará à chef mais tempo para o projecto Go Natural e a Rui Santos a responsabilidade e o desafio de comandar os destinos de Miss Jappa a partir da estação estival.

Miss Jappa, Lisboa
Miss Jappa, Lisboa

Um conjunto de pratos vindos do street food japonês convida a momentos de lazer à boleia de um cocktail. É o que fazemos, a começar com uma versão bonita de Salada de kinuta saída do sushi bar e que combina 3 peixes e molho de sésamo em rolinhos coloridos onde a quinoa assume o papel principal. É fresco e saboroso e tem tudo o que se pede quando os termómetros passam os 30ºC. Mas a salada encontra competição à altura em sabor e frescura no Espadarte em crosta, com salada de batata e maiowasabi que se partilha a contragosto com a companhia. Serve de consolação o saké que vem servido em pequenos copinhos e desafia os sentidos para uma experiência nova.

Está para chegar o prato mais divertido, que mexe à medida que é transportado para a mesa e fixa a atenção de todos. Chama-se Okonomiyaki e já ganhou lugar de destaque no coração e no estômago de quem tem novo favorito nesta panqueca de couve na chapa com camarão, maionese de tonkatsu e lascas de atum seco. É o prato do momento e promete ser escolhido uma e outra vez. Ou haverá nova surpresa no horizonte?

Miss Jappa, Lisboa
Miss Jappa, Lisboa

17.7.19

No Bago du Vin há vinhos, queijos e enchidos especiais para harmonizar

Bago Du Vin, Intercontinental Cascais

Aproxima-se mais um fim de tarde de Verão luminoso quando entramos no Bago du Vin para uma harmonização enogastronómica. É no winebar do Intercontinental Cascais-Estoril que procuramos as combinações mais afortunadas para as referências seleccionadas de entre os vinhos de produtores escolhidos a dedo e os não menos especiais queijos e enchidos de proveniência igualmente cuidada.

O desafio escreve-se nas linhas do copo que se cruzam com o prato (ou tábua) mas é a vista que primeiro nos rouba o coração. Pudesse o oceano Atlântico ter um cognome e seria escolhido entre o encanto e o feitiço que dele sempre resulta para quem se fixa no azul sem fim.

Bago Du Vin, Intercontinental Cascais
Bago Du Vin, Intercontinental Cascais

Incapaz de desviar o olhar da imensa massa de água a perder de vista, é a chegada à mesa da tábua de queijos e enchidos que desperta a curiosidade dos outros sentidos. O aroma característico dos queijos chama a atenção e abre o apetite para a harmonização que está prestes a iniciar-se mas não cala a curiosidade sobre os conteúdos dos pequenos potes que acompanham a tábua. São molhos de diferentes ingredientes que devem acompanhar cada queijo e que somos convidados a combinar à medida da vontade de cada um. Dos pimentos coloridos com cebola, ao tomate fresco, há ainda a doçura do milho para calibrar o paladar.

O primeiro queijo vem de Alcaria, Fundão: é um Beira Baixa V.O.C. (Vaca, Ovelha, Cabra) cujo sabor, bem presente mas ao mesmo tempo delicado, é indicado para casar com o Arinto de Bucelas, Viúva Quintas 2015, e os seus aromas minerais e cítricos. Ainda de olho na câmara de frio que alberga a charcutaria e os queijos, há um stilton com cranberries que não pára de nos chamar. Incapazes de não o provar, chega à mesa um prato com um desafio complementar. Será ele um par perfeito para os vinhos que hão-de vir?

Bago Du Vin, Intercontinental Cascais
Bago Du Vin, Intercontinental Cascais

28.6.19

{ Ingrediente Secreto } Focaccia de espelta, cebola roxa e azeitonas verdes

Foccacia de Espelta, cebola roxa e azeitonas

Entre a adrenalina da descoberta e o receio do desconhecido corre-se o risco de encontrar novos ingredientes que mudam para sempre a face da nossa alimentação. Cá por casa há muito nos rendemos à espelta, o ingrediente (pouco) secreto da receita de hoje. Por ser da família do trigo, a espelta possui glúten e todas as características inerentes às farinhas que servem o pão nosso de cada dia. É o sabor especial que faz deste um ingrediente que se tornou indispensável na nossa despensa e que surge cada vez mais nos pães, bolos e outras gulosices.

Como tal, e antes que o Verão chegue de malas e bagagens e faça do forno um território fora do alcance, arregaçamos as mangas para amassar uma focaccia.

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Foccacia de Espelta, cebola roxa e azeitonas

A focaccia é um tipo de pão de origem italiana e que é confeccionado com uma massa de hidratação elevada, de consistência húmida e que deve ser manuseada com rapidez e mãos passadas por azeite! Apesar disso é fácil de fazer e faz sempre um brilharete, servida com sopa ou em jeito de aperitivo para entrada de uma refeição informal.

As possibilidades para a "cobertura" são múltiplas e a mais tradicional talvez seja o tomate. A combinação escolhida faz uso do que havia e junta cebola roxa em meias-luas e azeitonas verdes, com umas pitadas de orégãos secos. Fica deliciosa!

Foccacia de Espelta, cebola roxa e azeitonas