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11.12.19

{ Ingrediente Secreto } Salada de Alcachofras de Jerusalém e Maçã

Salada de Alcachofras de Jerusalém e Maçã

Acelera-se a vida, um dia a seguir ao outro, até que se vê espreitar o final do ano. Dezembro chega sempre de surpresa e vai-se como se nunca fosse suficiente. Se há corrida que já se espera mas nunca se abrevia é a da azáfama das festas. Entre jantares, almoços, só um café ou apenas o abraço, sofre a rotina de todos os dias que se vê mudada ou esquecida até que o ano novo se apresente.

Do mercado que se faz de Inverno e de cores mais esbatidas, trazemos um saquinho de alcachofras de Jerusalém. Também lhe chamam topinambo, consoante a herança seja anglo-saxónicas ou francófona. São pequenas formas tubulares com protuberâncias que trazem sempre terra e que sabem a nozes.

Salada de Alcachofras de Jerusalém e Maçã
Salada de Alcachofras de Jerusalém e Maçã

A salada de hoje usa as alcachofras de Jerusalém em crú e combina com o doce da maçã e os sabores fortes das nozes. Os rebentos de rúcula são mais para agradar aos olhos que ao palato mas a sua presença oferece o ligeiro amargor que faltava. O mais difícil é não deixar o cérebro em roda livre quando a mandolina faz o seu papel e resistir ao impulso de roubar mais uma noz.

Servida ao almoço na companhia (boa) de uma tarte de cogumelos restaura a esperança que os dias do mês hão-de ser capazes de albergar todos os afazeres já planeados. Bom apetite!

Salada de Alcachofras de Jerusalém e Maçã

29.3.16

Salteado de brócolos e alcachofras de Jerusalém

Salteado de brócolos e alcachofras de Jerusalém

Entre a emoção do que está para vir e a constatação do que ainda temos fica uma imensa vontade de mudar de agulha. Seguir na direcção da nova estação parece uma realidade inevitável à espera de acontecer. Em ânsias pela chegada das favas e das ervilhas, dos morangos e dos alperces, lá me vou consolando com as últimas alcachofras de Jerusalém e os (ainda) deliciosos brócolos.

Blue skies / Smiling at me / Nothing but blue skies / Do I see... É a voz doce de Ella Fitzgerald que oiço ao ouvido, uma voz que desliza fácil e que de repente rosna, em ameaça contida. Os mesmos sentimentos ambivalentes de dias que ora são lindos e prometedores, ora se fecham em mil rabanadas de vento e todas as gradações de cinzento.

Spring Series (I) Salteado de brócolos e alcachofras de Jerusalém

Um tacho com água e o cesto pronto para cozer ao vapor alcachofras de Jerusalém, previamente escovadas com atenção redobrada. Nem resquícios da terra sempre presente entre as rugas e saliências que as caracterizam. Depois os brócolos e o almoço fica quase pronto. É na frigideira com alho e umas ervinhas que se cozinha a magia final, finalizada com cajús torrados e coentros polvilhados.

Se temos de esperar pela Primavera que seja de barriga cheia. E com a esperança pintada em céus azuis e promessas de dias bonitos.

Spring Series (II)

31.10.14

Salada de alcachofras de Jerusalém, nozes e queijo de cabra

Salada de Outono

Este é o Outono do nosso contentamento. Faz sol e o ar é fresco. No horizonte vislumbra-se um desejo de novos começos com a mais bonita luz a emoldurar. Enquanto assim for, ponho a rabugice em espera e alegro-me com a mudança de cor à minha volta e a chegada dos frutos e vegetais da estação.

Descubro no fundo de uma caixa uma mão cheia delas. São as primeiras do ano a chegar ao mercado e a anunciar o Outono. Enrugadas e feias, enchem-me de felicidade na antecipação da descoberta de novas combinações. Nem são de Jerusalém, nem alcachofras. Dizem-se também tupinambos e a sua aparência é menos que prometedora. Quem vê caras não vê corações. Nem sabor. Hão-de ser o nosso almoço.

Salada de Outono

Celebra-se assim o Outono num prato de alcachofras de Jerusalém, nozes e queijo de cabra assentes em rúcola e cebola roxa. No entretanto as folhas mudam de cor e caem, cobrindo o chão a toda a volta. É tempo de passar à acção, com o meio-dia a aproximar-se a passos largos. Ainda são as saladas que me preenchem a vontade. Podem ser mais robustas que as que lembram o Verão mas ainda precisam de frescura e alguma cor. São comidas a dois numa cozinha silenciosa e cheia de sol.

Adoro o Outono!

Salada de Outono Salada de Outono

4.12.12

Salada morna de alcachofras de Jerusalém

Alcachofras de Jerusalém

Dos confins da terra para o prato. Quem és tu? Enrugada e estranha, com nuances de rosa e castanho. Uma beleza alternativa. Chamam-lhe muitas coisas. Tupinambo. Alcachofra de Jerusalém. Quando um nome pode encerrar mil promessas e muito mistério. A que sabes tu? Entre uma alcachofra (daí o nome) e nozes torradas, com um toque de doce.

Salteadas na frigideira, em sopa ou cruas em salada. Fica a vontade que sejam, ao almoço, acompanhamento para umas almôndegas de perú, limão e tomilho e uns restos de couve. São elas a estrela do prato.

Alcachofras de Jerusalém

Decido fazer as primeiras alcachofras de Jerusalém do ano com bacon e alho e uns salpicos de salsa. Começa por ser só um acompanhamento. Demasiado como tal, sugiro como salada morna e refeição, talvez a par com rúcula ou agrião. Há-de ser para a próxima.

Assim elas apareçam de novo. Como o sol de Inverno.

Alcachofras de Jerusalém
Alcachofras de Jerusalém

10.2.11

Creme de alcachofras de Jerusalém e avelãs e uma dupla descoberta

Creme de alcachofras de Jerusalém e avelãs

Encanto-me com pouco: um sorriso, uma tarde de sol, um vaso de alecrim, um ingrediente novo. Sonho acordada com as possibilidades que um mundo novo encerra. Aguardo ansiosamente pelo momento em que, chegada a casa, posso provar, explorar, experimentar. Arrasto comigo um conformado Provador, cuja emoção é consideravelmente menor que a minha mas que compensa em abnegação o que lhe falta em espírito de aventura. É que isto de nunca se saber o que o prato nos reserva não é pêra doce.

As minhas rotinas levam-me ao mercado todas as manhãs de sábado e durante a semana a uma ou outra passagem no Brio, o supermercado biológico de bairro onde faço compras. Numa dessas passagens encontrei alcachofras de Jerusalém, que conhecia sobretudo através das palavras de Nigel Slater e do seu tratado sobre os vegetais, o livro Tender - volume I. A alcachofra de Jerusalém (Helianthus tuberosus) é também conhecida como tupinambor (provavelmente do francês topinambour) e pouco ou nada tem a ver com as alcachofras comuns (à excepção de algumas semelhanças no sabor). O que fazer então com alcachofras de Jerusalém? Sabendo da minha aquisição, a minha amiga Valentina enviou-me uma receita de Diana Henry, uma autora que eu desconhecia e que me cativou de imediato. Uma dupla e agradável descoberta!

Alcachofras de Jerusalém Creme de alcachofras de Jerusalém e avelãs