27.8.10

Reflexões sobre comida, hortas e hábitos alimentares

Ministry of Food - NO waste

A nossa alimentação tem-se alterado muito ao longo dos anos, fruto de avanços económicos e sociais, evoluções tecnológicas e mudanças culturais. De uma forma ou de outra, cada sociedade tem encontrado maneira de ultrapassar dificuldades, assimilar novos hábitos (nem sempre saudáveis) e reinventar aquilo que comemos todos os dias. Na minha recente passagem por Londres, não pude deixar de ver a exposição Ministry of Food, patente no Imperial War Museum e que mostra o modo como os britânicos responderam à falta de mantimentos durante a 2ª Grande Guerra e aprenderam a ser inventivos e a apreciar a frugalidade na ‘Frente' da cozinha. A partir de filmes, cartazes e reconstituições da época, a exposição é um testemunho do 'Ministério da comida' e das acções que se seguiram ao racionamento dos alimentos mas é também uma reflexão sobre a necessidade de cultivar a nossa própria comida, comer fruta e vegetais da estação e fazer escolhas conscientes enquanto consumidores, reciclar, poupar energia ou planear as refeições para reduzir o desperdício.

Rural London

A tradição dos allotments, similar às nossas hortas, tem sido reanimada com muitos londrinos a investirem o seu tempo nos jardins e terrenos que circundam as comuns casas inglesas. Nós por cá temos cada vez mais projectos de hortas comunitárias mas a cultura da terra, no duplo sentido, tem um longo caminho para andar num país que parece ainda caminhar em sentido contrário no que a esse respeito concerne. Paralelamente a esta discussão surge, como não pode deixar de ser, todo o contexto da sustentabilidade e dos comportamentos associados ao consumo de produtos alimentares, transportes, entre outros. Neste campo, vimos no Design Museum a exposição Sustainable Futures, onde projectos como Changing Habbits nos deixou a pensar... Quem tem os pés grandes e o bum-bum avantajado? ;)

St. James, London

5 comentários:

  1. Se vier a fome, vai ser problemático! Ainda hoje deu no telejornal que vão aprovar e melhorar as hortas comunitárias que existem na capital :)

    ResponderEliminar
  2. Eu acho tão complicado mudar a cabeça das pessoas... Eu tenho um filho de 3 anos, que frequenta uma escolinha super preocupada com a alimentação das crianças e as professoras passam horrores, por que muitos dos alunos nunca comem legumes, frutas e verduras em casa. Aí imagina a dor de cabeça pra oferecer isso na escola.
    Moro em apartamento, meu grande sonho de consumo é uma casa, onde eu pudesse plantar e ter minha horta, enquanto esse dia não chega, tenho meus vasinhos com temperos na varanda.
    :)

    ResponderEliminar
  3. Obrigada pelas reflexões e pelas fotografias. Nós vivemos em Londres 5 anos e tivemos uma casinha com um jardim, onde plantámos ervas aromáticas e tínhamos a companhia de raposas, esquilos, passarinhos e lesmas que "caçavamos" todas as noites à luz de lanterna (chegavam a ser 20 por noite a atacar a hortelã. Apesar de ser uma cidade relativamente cara, há muitas casas com jardim, sobretudo mais longe do centro. Regressando a Lisboa, o que nos custa mais é a dificuldade de encontrar casas acessíveis com jardins. Talvez as hortas comunitárias sejam uma opção para nós. Entretanto, também temos os nossos vasinhos na cozinha :o)

    ResponderEliminar
  4. Suzana,
    tocaste num ponto bastante sensivel. E muito dificil mudar mentalidads se nao houver necessidade para tal. No entanto, como a exposicao que viste mostra, em tempos de guerra, a populacao viu-se obrigada a adaptar a sua cozinha 'a escassez de alimentos.
    Hoje ja muita gente tem consciencia de que, ao continuar a deixar uma pegada ecologica de dinossauro, estamos a brindar os nossos filhos com escassez de alimentos e a desercao de vida.
    O que falta mesmo e carregar no interruptor mental da populacao, pois ja temos o know how de uma cozinha que, com ingredientes pobres, cria receitas ricas em sabor e nutrientes. Basta passarmos a olhar para as receitas das nossas avos e privilegiar o regional e sazonal.

    ResponderEliminar
  5. Suzana,

    O despedício aqui é doloroso, difícil de tolerar. A coisa é tão assustadora que parece que essas pessoas aqui não tem mais nenhuma memória dos dias de guerra e desolação. Parece que essas nações nunca enfrentaram a fome. Por mais que se fale e se defenda o combate ao desperdício parece que é preciso sofrer um pouquinho na pele antes de tomarem consciência, uma grande pena.

    C.

    ResponderEliminar

Obrigada pelo seu comentário!