27.3.18

Losar, a celebrar o ano novo n'Os Tibetanos

Os Tibetanos (ou como celebrar o Losar)

O ano novo tibetano começa no dia exacto em que a lua determina o início de um ciclo pronto a estrear. Para os tibetanos, o Losar mistura práticas sagradas e seculares, com orações e danças num clima de festa que dura três dias e marca um tempo de purificação e renovação. Este ano a celebração teve lugar a 16 de Fevereiro e n'Os Tibetanos o sol recebe-nos engalanado e com roupagem colorida, com a energia positiva e auspiciosa a fluir pelo espaço. Na mesa, esperam pelos convidados uma chávena de chá e um prato de bolinhos bonitos chamados khapse, cada um contendo uma frase inspiradora.

O restaurante que há 40 anos foi o primeiro vegetariano em Lisboa partilha casa na rua do Salitre com o Templo e a escola budista, que inclui o centro de Yoga e Meditação Yoguini Gompa no 1º andar. Juntos pela filosofia de vida e pelo caminho desenhado na visão de um mundo melhor, os tibetanos não seguem uma dieta vegetariana embora o desejo de respeito pelo meio envolvente leve naturalmente a essa escolha.

Os Tibetanos (ou como celebrar o Losar)
Os Tibetanos (ou como celebrar o Losar)

Na viagem que aceitei fazer até ao Oriente fui acompanhada pelo Pedro e pelo Paulo Bengala, sócio d'Os Tibetanos, que nos levou numa conversa acompanhada de almoço. Por lá encontrámos entradas que fazem da técnica dos pastéis recheados uma nova dimensão de sabor: entre o rebordo enrolado dos Sha Paklé (com seitan e vegetais) e o crocante dos afamados Triângulos de queijo, fico viciada em Ting Momos. Esta espécie de pão tibetano pode ser cozido no vapor e vem acompanhado com queijo e molho (não muito) picante, oferecendo a cada dentada uma textura muito curiosa.

Feita de muitas referências, esta é uma cozinha que expressa mais a forma de estar da cozinheira que lhe dá voz e não procura classificações: Phuntsok Dolma serve uma combinação de sabores do seu Tibete e múltiplas referências ocidentais. Depois das entradas, espera-nos novas descobertas quando os pratos começam a chegar.

Os Tibetanos (ou como celebrar o Losar)
Os Tibetanos (ou como celebrar o Losar)
Os Tibetanos (ou como celebrar o Losar)



Cor, textura e sabor. A promessa de seguir a sazonalidade no que aos vegetais diz respeito está patente nos diferentes acompanhamentos que vêm com os pratos principais. Sem desprimor do bom caril de tofu, volto uma e outra vez ao puré de beterraba que o acompanha, na esperança que a conversa distraia os meus companheiros de refeição e estes não reparem. Fica na retina o Shab tra de seitan (que iludiu a minha lente), onde todas as teclas são tocadas com a presença da proteína, mais que suficiente para as necessidades diárias, e todos os vegetais do final de Inverno e início de Primavera. E como qualquer visita aos Tibetanos não deve deixar de fora da mesa os Momos vegetarianos, os típicos pastelinhos criteriosamente formados são cozidos no vapor e recheados com legumes. Certa de ter comido mais que a minha parte, lá vou tirando mais um, hipotecando a sobremesa. Sem ser capaz de comer outra garfada e de coração cheio e cérebro contente, prometo voltar para a diz-que-mais-do-que-maravilhosa tarde de requeijão e papaia antes do Losar do ano que vem. É tão bom dizer até já!

Os Tibetanos (ou como celebrar o Losar)
Os Tibetanos (ou como celebrar o Losar)
Os Tibetanos (ou como celebrar o Losar)

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Os Tibetanos
Rua do Salitre, 117
Lisboa


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