23.1.19

{ Convento do Espinheiro } Um Alentejo diferente à mesa do Divinus

Convento do Espinheiro, Divinus

A estrada serpenteia por um Alentejo em tons de verde que se abre à nossa frente e nos conduz até ao Convento do Espinheiro. As oliveiras que guardam a entrada, antes e depois do arco que nos dá as boas-vindas, prometem histórias do lugar que albergou reis e rainhas. O tempo fica suspenso quando avançamos pelas grandes salas da entrada, atravessamos os corredores com tectos trabalhados e nos dirigimos ao restaurante Divinus.

Sob o comando seguro do chef Hugo Silva, a cozinha combina as técnicas clássicas com os ingredientes locais, a história do lugar e um rigor e atenção ao detalhe responsável pelos pratos bonitos que dão início ao almoço. Da carta de Inverno fazem parte alguns pratos assinatura e novas explorações em torno de um proposta sempre cuidada.

Convento do Espinheiro, Divinus
Convento do Espinheiro, Divinus

Como amuse-bouche, uma curiosa combinação de Lagostins com aipo, maçã e couve pak-choi pensada para ser comida de uma vez e que resulta correcta na harmonização com o Espumante Bruto com a chancela do Convento do Espinheiro. Para começo de refeição, a entrada que conta a história de um ingrediente esquecido chega em forma de umas Vieiras salteadas com escursioneira, couve de bruxelas, amêndoa e cacau (imagem inicial) e lembra um vegetal que, fazendo parte do espólio hortícola da região, praticamente deixou de ser cultivado: a escurcioneira recebe a devida atenção num prato onde cada componente funciona de modo simples, complementando os restantes.

Convento do Espinheiro, Divinus
Convento do Espinheiro, Divinus



Ainda no domínio das entradas, Foie gras salteado com chips de alcachofras, avelã torrada e creme de tupinambo é outro exemplo da visão clássica que caracteriza as propostas do chef Hugo Silva, onde os ingredientes e texturas se harmonizam com facilidade aparente. Parte importante da experiência no Divinus é o serviço de vinhos, competente e criterioso, com as escolhas a oferecerem harmonizações bem conseguidas. Para os passos seguintes do almoço foi escolhido um Branco Rubrica 2017, elegante e frutado, capaz de ombrear com os sabores complexos da Raia assada com puré de couve-flor caramelizada, morilles, cebolo e acelgas.

Convento do Espinheiro, Divinus

Com a conversa a fluir livremente na mesa faz-se a transição entre o peixe e a carne com um excelente Sorbet de Abóbora e Mascarpone, amêndoas cobertas e amoras. Sendo pratos cujo objectivo é limpar o palato e permitir uma nova etapa do menu, são um indicador preciso das características do chef. Preparados para novo desafio, a paisagem muda também no copo com a Edição especial, exclusiva do Convento do Espinheiro, da colheita de 2012, um Tinto produzido na Adega do Monte da Comenda Grande em Arraiolos.

Convento do Espinheiro, Divinus
Convento do Espinheiro, Divinus

Esta é uma harmonização especialmente bem sucedida, com o lote de Trincadeira e Cabernet Sauvignon que dá corpo ao vinho, a permitir uma combinação ganhadora com a Presa de porco preto grelhada, texturas batata-doce e couve coração. A fazer jus aos ingredientes do Montado e aos sabores da planície alentejana, este é um prato para os amantes de carne e de propostas mais intensas. Por esta altura, já a braços com uma refeição longa, a vontade era mais de provar o prato mas as texturas de batata-doce, viventes, faziam voltar uma e outra vez para mais uma garfada.

Convento do Espinheiro, Divinus
Convento do Espinheiro, Divinus

Se o estômago pedia clemência, a curiosidade sobre as sobremesas não podia ser maior. Desde logo porque a primeira prometia pelo título nova homenagem aos sabores invernais: Marmelo, romã e queijo fresco demonstrou ser também boa companhia para o vinho tinto servido anteriormente. Leve e fresca, a conjugação de queijo fresco com a romã abre de novo as papilas gustativas. A escolha vínica para as sobremesas é um interessante vinho fortificado da Herdade da Fonte Coberta 2013 e que assume o seu verdadeiro potencial com a chegada à mesa das Texturas de chocolate e framboesa. Enganadoramente simples, a sobremesa que fecha o nosso almoço traz um quenelle perfeito do melhor sorbet de cacau a acompanhar uma densa e intensa fatia de chocolate em diferentes formas e texturas. Fica o testemunho de uma refeição memorável num lugar muito especial!

Convento do Espinheiro, Divinus


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Divinus — Convento do Espinheiro Historic Hotel & Spa
Convento do Espinheiro, Évora

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