2.6.21

Encruzado do meu coração: vinhos à prova com um ecrã pelo meio

Encruzado do meu coração

Entre castas tintas e brancas e regiões muito diferentes umas das outras inscreve-se uma cultura do vinho particular que faz de Portugal um bom lugar para quem quer explorar, a partir do copo, um território único e cheio de nuances. Das castas autóctones às castas importadas que encontram condições excelentes para desenvolver as suas características próprias, há um mundo de possibilidades que nunca deixa de surpreender. No coração do país, em pleno Dão, cresce uma casta com mistérios mil que tem encantado enófilos convictos e alguns amadores.

Com o adiamento de inúmeros eventos enogastronómicos e a vontade de continuar a saber mais sobre vinho, o Público organizou uma experiência totalmente digital que trouxe a nossa casa um Portugal à Prova. Munidos de copos e saca-rolhas, caderno e caneta e uma tábua de petiscos, à hora marcada lá nos pusemos à frente do ecrã para ouvir o Manuel Carvalho falar sobre a uva misteriosa e fascinante que é a Encruzado e com ele partilhar ideias sobre os vinhos à prova. Foi um final de tarde bem passado, que nos deixou com vontade de repetir. Venha o próximo!

Encruzado do meu coração

Para a posteridade e para a garrafeira (porque os vinhos Encruzado envelhecem bem), aqui ficam os vinhos provados à boleia de uma conversa e dois ou três petiscos.


Encruzado do meu coração

Quinta dos Roques Encruzado 2019 

Vinho jovem com a fruta bem presente e, característica comum da casta, pouco expressivo no nariz e pouco fragrante no aroma. Essa parcimónia é, aliás, responsável pela austeridade frequentemente associada aos vinhos monovarietais da casta Encruzado, que tende a alterar-se com o tempo e a vontade de melhor os conhecer e descobrir aromas florais e cítricos. Talvez por isso este Quinta dos Roques Encruzado 2019, com alguma madeira, cumpre-se em pleno na boca com o volume e a limpidez de um vinho cheio, muito gastronómico.

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Encruzado do meu coração

Casa de Mouraz Encruzado 2018 

A surpresa chega ao primeiro contacto pela elegância serena de um vinho que oferece uma dimensão aromática mais vigorosa, marcada por notas de alperce e pêssego, sem madeira. Na boca, o Branco Biológico Casa de Mouraz Encruzado 2018 é contido mas harmonioso e é essa característica que mais se retém na memória.  Para o produtor António Pinto Ribeiro trata-se "do equilíbrio em forma de vinho", dotado de frescura, com alguma mineralidade. Faz boa companhia a pratos de peixe e com queijos de pasta mole.   

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Encruzado do meu coração

Casa de Santar, Vinha dos Amores, Encruzado 2016 

Um vinho feito de história e com muita estórias para contar a partir de aromas delicados que vão do alperce seco à laranja cristalizada, com notas de palha e cereais tostados. Suave na boca, com boa acidez e persistência longa, encontra eco nas nozes e alperces secos da nossa tábua. Com o cunho do enólogo Osvaldo Amado, o Casa de Santar, Vila dos Amores, Encruzado 2016 é um vinho com outra idade, a que corresponde maior complexidade e muita elegância. Ganha o coração da enófila de serviço, deixa excelentes memórias e desejos de encontros futuros.   

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Encruzado do meu coração

Ribeiro Santo, Vinha da Neve, Encruzado 2018 

De seu nome Ribeiro Santo, proveniente da vinha mais próxima da Serra da Estrela (e por isso denominada da neve), este vinho (produzido pela Magnum Vinhos) apresenta-se mineral e de aroma fino, com notas de maçã ácida e marcado toque floral. A longevidade é garantida por uma acidez pronunciada que augura bom envelhecimento. O incontornável percurso do enólogo Carlos Lucas nos vinhos brancos e a sua relação com a casta Encruzado escreve-se em forma de Dão, intimamente ligada a uma região onde vinho e gastronomia rimam sempre.   

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