7.3.19

{ Ingrediente Secreto } Fregola com legumes assados e atum

Fregola com legumes assados e atum

Fruto do acesso mais fácil a outras cozinhas e outros pratos, descobrir novos sabores, novas texturas ou novas combinações é cada vez menos comum. E de repente há algo diferente que se cruza no dia-a-dia previsível e adiciona graça à mesa. Fica contente a cozinheira que mal pode esperar para experimentar o ingrediente descoberto e alargar as suas utilizações e satisfeitos os comensais que, curiosos, querem saber tudo sobre as bolinhas imperfeitas que lhes chegam ao prato. Venham daí conhecer a fregola!

A fregola é uma pasta proveniente da Sardenha que é feita com semolina e água. A sua textura é diferente do cuscuz devido ao seu tamanho e, como é torrada, possui um sabor pronunciado de frutos secos. Utiliza-se em receitas mais tradicionais de massa mas também em saladas ou sopas, como acompanhamento ou como ingrediente principal.

Fregola com legumes assados e atum
Fregola com legumes assados e atum

A paleta de sabores desta receita é muito "italiana", com o manjericão e o vinagre balsâmico a dar o mote, mas é a passagem do tomate-cereja, da curgete e da cebola pelo forno que confere mais sabor ao conjunto. O processo torna também muito fácil finalizar o prato e servir com rapidez e pouco esforço. Como sempre, a qualidade dos legumes usados e do atum escolhido é essencial para o resultado final.

Porque é importante manter a curiosidade sobre o que comemos, experimentar ingredientes menos usuais permite muitas vezes encontrar soluções simples e deliciosas para refeições rápidas durante a semana. A fregola é um desses ingredientes secretos. Não deixem de provar!

Fregola com legumes assados e atum
Fregola com legumes assados e atum

26.2.19

À descoberta de Trás-os-Montes com os Vinhos Cistus

Vinhos Cistus, Quinta do Vale da Perdiz

Fazer vinho é mais do que transformar as uvas em néctar. É também escrever uma história que se faz de pessoas, paisagem e conhecimento. Com o coração na região do Douro, os vinhos Cistus são produzidos pela Quinta do Vale da Perdiz — Sociedade Agrícola a partir das castas tradicionais da região e a sua expressão mostra um perfil diferenciado em função das características da sua geografia e da visão dos seus mentores, com António Fernandes, filho do fundador, a conduzir a tradição familiar.

Com condições especiais para produzir Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz ou Tinta Barroca nas suas quintas em Torre de Moncorvo, são os tintos que mais dizem ao enólogo Manuel Angel Areal pela excelência dos vinhos que o terroir oferece. Escolhas feitas para ir ao encontro da cumplicidade entre António e Manuel Angel, que se pode medir nas palavras que ambos encontram para responder às perguntas e que trazem sempre mais uma história partilhada nos longos anos em que se conhecem e trabalham juntos. Com ironia e novo sorriso cúmplice trocado entre os dois, a harmonização enogastronómica dos vinhos Cistus começa com um branco de 2011!

Vinhos Cistus, Quinta do Vale da Perdiz
Vinhos Cistus, Quinta do Vale da Perdiz

14.2.19

{ Festival Terras Sem Sombra } Música sacra, pão artesanal e o caminho dos peixes do rio na Vidigueira

Terras Sem Sombra, Vidigueira

Uma região inteira para explorar e descobrir à boleia de um festival de música sacra, património cultural e biodiversidade. É esta a proposta do Terras Sem Sombra, que na sua 15ª edição com o mote "Sobre a Terra, sobre o Mar — Viagem e Viagens na Música (séculos XV-XXI)" propõe conhecer o Alentejo, de Vidigueira até Sines. Das igrejas que recebem os concertos às paisagens abertas sobre a planície, há ainda os saberes, os gestos e os sabores que fazem da cultura alentejana um lugar de pessoas. Nelas o festival centra a sua força agregadora e junta gente de dentro e de fora, com vontade de desfrutar da música e saber mais sobre o território.

Música

Na primeira paragem do extenso programa (26 de Janeiro a 7 de Julho), as vozes brilhantes que compõem The Spelman College Glee Club fazem sua a Igreja Matriz de São Cucufate em Vila de Frades para um momento de música no feminino, com um repertório que nos leva até ao país convidado do festival em 2019, os Estados Unidos da América. Vindo da Geórgia, este grupo de vozes é composto integralmente por jovens mulheres negras e a música que delas emana em forma de canção faz do concerto de abertura uma experiência mística, fruto também do espaço sagrado onde nos encontramos.

Terras Sem Sombra, Vidigueira
Terras Sem Sombra, Vidigueira

Património Cultural

Parte importante do espólio imaterial que caracteriza Vidigueira, para além do azeite e do vinho, é a sua produção artesanal de pão. Da cozinha alentejana fazem parte, aliás, inúmeras receitas que fazem do pão ingrediente estrela e meio de sustento das gentes. As conhecidas migas com carne de alguidar são um exemplo da transformação do pão em alimento de textura distinta e a sopa de cação tem nas fatias finas de pão da véspera acompanhamento essencial ao caldo aromatizado com alho e coentros.

Com o olhar sempre presente de Vasco da Gama, a nossa viagem pelo pão começa no Museu Municipal de Vidigueira e no seu núcleo etnográfico. Depois de acompanhar a história da moagem, dos cereais e do fabrico, seguimos para as padarias para pôr a mão na massa e ouvir de viva voz os padeiros e "Conhecer o ciclo do Pão: Teoria, Poesia e Prática".

Terras Sem Sombra, Vidigueira
Terras Sem Sombra, Vidigueira

11.2.19

Bolo de nozes e marmelada

Casa do Vinho: que vinho escolher?

Como termina a refeição perfeita num fim-de-semana cinzento? Com um cálice de vinho do Porto na mão e uma fatia, generosa, de bolo no prato. Porque nem só de aparência se faz uma receita cinco estrelas, é preciso que o sabor esteja à altura das expectativas e a textura dê que fazer a quem mastiga. Depois é só juntar uns pózinhos de pirlimpimpim e acompanhar com uma colherada de natas batidas.

As memórias das taças e pratos de marmelada a secar fazem parte do cenário. Quando o tempo frio se vai prolongando é a essas reservas de doce que recorremos, mesmo quando o plano é fazer um bolo que sirva de sobremesa para o almoço.

marmelos
Casa do Vinho: que vinho escolher?

Marmelada e nozes. A combinação é própria dos meses mais frios, com os ingredientes a oferecerem complementaridade um ao outro e a garantir satisfação a cada dentada. A receita é fácil e rápida de executar e tem a vantagem de não conter qualquer gordura. Por isso o bolo é fofo e leve e fica muito especial quando é servido com natas batidas, envolvidas delicadamente em marmelada.

Boa semana!

Casa do Vinho: que vinho escolher?
nozes

4.2.19

Há cozido no Grande Almoço de Domingo do Panorama

Grande Almoço de Domingo, Panorama, Sheraton Lisboa

Haja uma mesa grande, a família reunida e o almoço será servido. É assim todos os Domingos no Panorama, o restaurante com vista espectacular sobre a cidade que ocupa o 16º andar do Sheraton Lisboa. Faz sol num dia de Inverno frio quando subimos para desfrutar de uma refeição sem pressas, com muita conversa prometida e um prato tradicional no menu.

Nos primeiros Domingos de cada mês há cozido alentejano. Já sentados, à boleia de um copo de Clericot de vinho rosé e sem querer saber do relógio, estamos preparados para apreciar a comida e desfrutar do ambiente e da vista.

Grande Almoço de Domingo, Panorama, Sheraton Lisboa
Grande Almoço de Domingo, Panorama, Sheraton Lisboa

Para início de almoço, há na saca de pão (de tecido às florzinhas cor-de-rosa) um conjunto de pães feitos na casa que podem ser provados com as diferentes manteigas, os molhos (Pico de galo ou Verde picante) e os Patés (Azeitona, Atum, Sapateira e Pickles caseiros). Na memória fica a Bola de carne e o Pão de queijo de cabra que, sem precisarem de companhia, são a forma perfeita para começar.

Das Entradinhas Variadas, cortados ali mesmo junto à mesa, fazem parte o Presunto do Montado e o Salmão gravadlax servido com guarnição. Escolhemos blinis, sour cream e alcaparras para o excelente salmão e degustámos o presunto ao natural. Ali ao lado, a Tábua de Antipasto oferecia queijos diversos, bolinhas de alheira e de queijo, juntamente com as saladas de vegetais (tomate cereja com azeite, cebola roxa e orégão ou rúcula, espinafres e espargos) e a sempre bem-vinda salada de grão com bacalhau.

Grande Almoço de Domingo, Panorama, Sheraton Lisboa
Grande Almoço de Domingo, Panorama, Sheraton Lisboa
Grande Almoço de Domingo, Panorama, Sheraton Lisboa

Sem darmos pelo tempo passar, lá fomos petiscando até chegar o prato principal: um cozido com aromas do Alentejo, legumes biológicos e todo o cuidado na confecção e apresentação.

23.1.19

{ Convento do Espinheiro } Um Alentejo diferente à mesa do Divinus

Convento do Espinheiro, Divinus

A estrada serpenteia por um Alentejo em tons de verde que se abre à nossa frente e nos conduz até ao Convento do Espinheiro. As oliveiras que guardam a entrada, antes e depois do arco que nos dá as boas-vindas, prometem histórias do lugar que albergou reis e rainhas. O tempo fica suspenso quando avançamos pelas grandes salas da entrada, atravessamos os corredores com tectos trabalhados e nos dirigimos ao restaurante Divinus.

Sob o comando seguro do chef Hugo Silva, a cozinha combina as técnicas clássicas com os ingredientes locais, a história do lugar e um rigor e atenção ao detalhe responsável pelos pratos bonitos que dão início ao almoço. Da carta de Inverno fazem parte alguns pratos assinatura e novas explorações em torno de um proposta sempre cuidada.

Convento do Espinheiro, Divinus
Convento do Espinheiro, Divinus

Como amuse-bouche, uma curiosa combinação de Lagostins com aipo, maçã e couve pak-choi pensada para ser comida de uma vez e que resulta correcta na harmonização com o Espumante Bruto com a chancela do Convento do Espinheiro. Para começo de refeição, a entrada que conta a história de um ingrediente esquecido chega em forma de umas Vieiras salteadas com escursioneira, couve de bruxelas, amêndoa e cacau (imagem inicial) e lembra um vegetal que, fazendo parte do espólio hortícola da região, praticamente deixou de ser cultivado: a escurcioneira recebe a devida atenção num prato onde cada componente funciona de modo simples, complementando os restantes.

Convento do Espinheiro, Divinus
Convento do Espinheiro, Divinus

17.1.19

Sopa de lentilhas e tomate assado

Sopa de Lentilhas e tomate assado

Começa-se de novo quando o calendário vira e um ano pronto a estrear nos chega às mãos. O que fazer dele (e com ele) é a questão que se coloca a cada Janeiro que se inicia. As minhas resoluções são parcas em detalhe e começam sempre no eterno retorno de um prato de sopa. Não há melhor conselheiro ou maior aliado quando procuramos organizar as ideias que o processo mágico de transformar simples vegetais em combustível para corpo e alma.

Entre panelas fumegantes e o forno ligado, as tardes de Inverno tornam-se mais positivas. A escolha recai nas lentilhas e a inspiração para a sopa que há-de ser refeição vem de uma das minhas autoras preferidas. Tem tudo o que se espera de um prato principal, completo e saciante, e a simplicidade de uma sopa, que se come de tigela na mão. Que 2019 vos permita conforto e plenitude em cada gesto!

Sopa de Lentilhas e tomate assado