4.12.18

No Eleven a vista (também) é servida com o almoço

Almoço com vista —

Caminha-se pelo jardim até à porta aberta do restaurante Eleven, onde o chef Joachim Koerper faz a sua magia. Nada nos prepara para a vista que da sala nos mostra uma cidade à espera de ser apreciada. Enquanto o almoço é servido há uma Lisboa que se desdobra até ao rio que se faz de luz sem fim e uma calma aparente. É difícil desviar os olhos das amplas janelas emolduradas de verde e prestar atenção ao interior, bonito e sereno, com múltiplos foco de interesse.

Do lado de dentro, é a mesa que finalmente capta a atenção quando o menu é apresentado. O bussiness lunch está disponível nos dias de semana e traz um conjunto de duas propostas à escolha para a entrada e para o prato principal, com amuse bouche e sobremesa a completar menu. Com a inclusão de pratos vegetarianos, mais leves e igualmente cuidados, alarga-se o leque de opções e de razões para ir até ao Eleven ao almoço.

Eleven, um almoço com vista
Almoço com vista —
Almoço com vista —

1.12.18

Favoritos de Natal #1 — Sardinhas

Sardinhada

Bem-vindo, Dezembro. Qual estrela que anuncia a chegada do Natal, com o início do último mês do ano começa a azáfama da época festiva. Entre recordações das pessoas mais próximas do coração, balanços de um ano que avança para o seu término e o planeamento das festas fica um sem fim de afazeres. Os presentes que mais dizem a quem tem na gastronomia uma paixão são aqueles que apelam aos sentidos, fazem o cérebro funcionar em torno da comida e mantêm o estômago saciado.

Afinal o que é que se oferece no Natal? Dou por mim a pensar em sardinhas.

Das escolhas estranhas que marcam uma espécie de advento gastronómico os pequenos peixes prateados que se fazem sinónimo do país são apenas a primeira. De comer, de cozinhar ou apenas de olhar, aqui fica a lista das sardinhas mais cobiçadas aqui pelo blog.

azevinho

24.11.18

{ Harmonização } 3 vinhos para 3 pratos num almoço de amigos

Casa do Vinho: que vinho escolher?

Que vinho escolher e como harmonizar os sabores dos pratos que fazem parte do menu para um almoço descansado com amigos? As possibilidades são infinitas mas basta seguir critérios simples para conseguir combinações bem sucedidas. O desafio foi feito pela Casa do Vinho a partir da selecção de 3 vinhos da região do Douro e do Vinho do Porto, composta por um branco, um tinto e um Tawny 10 anos: que servir como entrada, prato principal e sobremesa para seis comensais bem dispostos.

Uma mesa cheia de pessoas felizes é a melhor das compensações para quem cozinha. Receber amigos em casa não tem de ser difícil nem caro. As receitas podem ser preparadas com antecedência, optando por pratos coloridos, saborosos e de confecção simples.

Casa do Vinho: que vinho escolher?
Casa do Vinho: que vinho escolher?

Com a mesa posta e as garrafas no frio, a entrada não podia ser mais descomplicada: o Vila Real DOC Premium 2017 chega ao copo na companhia de bolachas de aveia com patê de sardinha e tomate seco, que pode ser preparado horas antes e se faz num abrir e fechar de olhos. Este é um vinho especialmente curioso, recomendado pela Maria João Almeida para o Lidl, e a sua composição com Malvasia fina, Viosinho e Gouveia traduz bem a região de onde é proveniente. Fruta presente, acidez que baste e muita boca para um branco que se bebe enquanto se finaliza o prato principal e se põe a conversa em dia.

Já de copo na mão dão-se os últimos toques da cataplana de polvo e batata-doce que, quando chega à mesa, causa sempre furor. Há qualquer coisa de mágico quando se abre a tampa e por entre o vapor se descortina a colorida mistura de ingredientes e aromas mil. E porque os sabores são intensos nada como harmonizar com um tinto com personalidade como o Espirito do Côa Reserva 2016, da responsabilidade do enólogo Rui Roboredo Madeira. Com o Douro Superior como casa, as castas Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca dão corpo a um tinto seco onde a fruta madura e as especiarias estão presentes para um casamento feliz com o doce da cataplana.

Casa do Vinho: que vinho escolher?
Casa do Vinho: que vinho escolher?

Para a sobremesa, uma fatia de bolo de nozes e marmelada (com natas marmoreadas) serve de pretexto para um cálice de Porto Armilar, Tawny 10 anos. Vamos perdendo a tradição (muito recomendável) de beber um Porto no final da refeição e uma ocasião que reúne os amigos deve ser marcada por um final doce. Manter a garrafa de Porto no frio proporciona uma melhor degustação e este Tawny de bonita cor e presença de aromas a nozes e figos secos. Porque o doce nunca amargou, foi a combinação preferida do almoço e a mais repetida!

7.11.18

{ Viajar no Prato } No Chutnify há uma Índia pronta a descobrir

Chutnify, Lisboa

A viagem começa antes de nos sentarmos quando a sala nos recebe directamente no bar e, em jeito de check-in, escolhemos um cocktail que já remete para paragens longínquas. O Chutnify veio de Berlim para Lisboa e a comida promete levar-nos até à Índia, à boleia de especiarias, leite de coco e manga. O ambiente evoca a estética de Bollywood, num compromisso entre o informal e o tradicional, uma versão contemporânea do restaurante indiano onde diferentes gerações marcam encontro. Hoje a promessa é viajar no prato. Partimos para longe nesta refeição porque queremos conhecer melhor a comida da península indiana, os seus sabores e tradições.

Novembro é um mês importante com a celebração do Diwali. É tempo do festival das luzes, um dia de festa para os Hindus, em que se comemora a passagem das trevas para a luz com o início de um novo ano. Ainda a pensar na analogia da claridade, do recomeço sempre necessário a uma vida mais feliz, sentamo-nos por fim. Na mão segue um copo de Oh Kolkata (rum Old Monk, laranja, xarope de canela e limão) — bonito, aromático e muito equilibrado — é a companhia certa para começo de jantar e um brinde.

Chutnify, Lisboa
Chutnify, Lisboa

A curiosidade é grande e queremos provar as famosas dosas, uma espécie de panquecas finas com farinha de arroz e lentilhas moídas, servidas simples ou com recheios diversos. À laia de entrada, a escolha recai sobre uma Cheese Dosa (Crepe salgado feito de lentilhas e arroz recheado de queijo, tomate, pimentos e coentros, acompanhado com chutney de hortelã e de tomate) que apresenta uma textura surpreendente e muito sabor. Parece ter sido pensada para apreciar em conjunto com uma cerveja indiana suave, a deixar o palco todo para a fantástica dosa. Ao nosso lado, um senhor indiano que come sozinho delicia-se com a versão simples, retirando pedaços estalados de um longo "canudo" (esta dosa vem enrolada) e que ocupa metade da mesa. Numa nota mental, fica a vontade de pedi-la numa próxima visita.

Para prato principal, decidimos explorar a oferta de caril que é composta por versões de peixe, carne ou vegetais e com intensidade de picante variáveis. Desta feita são os mais suaves que escolhemos provar: Butter Chicken (Coxas de frango, masala, pimenta e gengibre) e Alleppey Fish (Robalo, leite de coco, mostarda e gengibre). Todos os pratos de caril vêm acompanhados de arroz basmati mas pedimos também Garlic Naan, um Pão indiano com alho. As diferenças de sabor do caril são evidente de um para o outro, não apenas na quantidade e tipo de picante, mas sobretudo na mistura de especiarias usada. Muito curioso é também o modo como o acompanhamento, arroz ou pão, altera a experiência, sendo o naan perfeito com o frango e o arroz basmati essencial ao robalo.

Com a refeição a cumprir todas as expectativas, o prato da noite ainda havia de chegar.

Chutnify, Lisboa
Chutnify, Lisboa

1.11.18

Tarte de maçã com crumble de parmesão (e 11 anos a publicar por aqui)

Tarte de maçã e parmesão

Dois dígitos compostos pelo mesmo número. 11. Capicua símbolo da sorte de contar onze anos a escrever sobre o melhor da mesa, em boa companhia e (quase) sempre de copo na mão. São horas e horas passadas a falar de comida, das cozinhas para a sala, apenas metade das passadas a sonhar com novas aventuras. Entre a curiosidade e o desejo fica um caminho feito de descobertas: novos sabores, novos aromas, novos gostos. Ou como diria Brillat-Savarin, a descoberta de um novo prato faz mais pela felicidade da humanidade do que a descoberta de uma estrela. Por muito que se ande de olhos no céu, cá em casa é à mesa que encontramos sempre o norte.

Em onze anos guarda-se o mundo em memórias que devem ser celebradas, sítios, momentos e pessoas cuja marca é indelével e cujo pólo agregador se encontra nestas páginas. E passados tantos dias, semanas e meses continuamos gourmets amadores, gente gulosa de histórias, caçadores de emoções servidas com talher, curiosos guiados pela fome de saber e pela perspectiva de haver sobremesa.

Outono 2018
Tarte de maçã e parmesão

Feita de bolacha, amêndoa e manteiga, tem nas maçãs texturas várias e guarnição. A extravagância está no parmesão que se faz crumble e no millet tufado porque é bonito. É também uma ode ao Outono à boleia de uma chávena de chá, partilhada com quem nos faz feliz.

Obrigada por estarem desse lado. Puxem uma cadeira e provem um pouco desta tarte. Juntem-se a nós porque a vida é infinitamente deliciosa. E que venham mais 11!

Outono 2018
Tarte de maçã e parmesão

31.10.18

Do Chile para o copo, uma viagem pelos vinhos do Novo Mundo

Vinhos Casas Del Bosque, Chile

Ir é o verbo maior da curiosidade. Querer saber, experimentar, sair da zona de conforto do já conhecido, abrir horizontes. É assim de cada vez que um novo olhar se desenha ou uma cultura diferente se apresenta à nossa mesa. Também os vinhos trazem promessas de experiências distintas quando a sua origem lhes confere uma alma particular que chega até nós vinda de outro continente. Das Casas Del Bosque para o nosso copo um pouco do Chile vem em forma líquida, com cores distintas e aromas de outras paragens.

Se cada vinho pede harmonizações particulares, entre o branco e o tinto das Casas Del Bosque procuramos companhia para um Sauvignon Blanc Reserva 2017 que se impõe pela elegância e o Carménère Reserva 2017 que nos dá a conhecer uma casta diferente a pergunta que se coloca é o que servir com cada um.

Vinhos Casas Del Bosque, Chile
Vinhos Casas Del Bosque, Chile

26.9.18

Gelado de requeijão de cabra, limão e pistácios

Gelado de requeijão de cabra e pistácio (com ameixas)

O tempo de guardar a sorveteira ainda não chegou. Diz o calendário que mudou a estação mas o sentimento geral, com temperaturas altas e dias cheios de sol, é que a meteorologia pede comidas e bebidas à sua medida. E mesmo que as rotinas tenham mudado, nada nos impede de aproveitar os fins de tarde com ceús coloridos com que Setembro nos tem brindado.

Com as flores que restam nos jardins e algumas corajosas que estão a despontar, a paisagem está longe de corroborar a vontade de tantos já prontos para dias mais frescos. Por cá celebramos o Outono com gelado. E não podia ser mais fácil!

Gelado de requeijão de cabra e pistácio (com ameixas)
Gelado de requeijão de cabra e pistácio (com ameixas)

A técnica é simples, os procedimentos são rápidos e a textura é perfeita. A diferença é feita pelo ingrediente estrela desta receita: o requeijão de cabra adiciona profundidade de sabor e a combinação com o limão e os pistácios funciona muito bem. Porque o gelado tende a congelar quando fica muito tempo no frio, deve ser retirado uns minutos antes de servir. Depois é só fazer bolas mais ou menos direitinhas e enfeitar para que os olhos também comam.

Votos de um Outono feliz!

Gelado de requeijão de cabra e pistácio (com ameixas)