17.3.12

{Convidei para jantar} Chefs e cozinheiros

Convidei para jantar Chefs e Cozinheiros

"Convidei para jantar". E eles vieram. Chefs e cozinheiros. Vindos daqui e d'além mar. Visitaram a casa de quem os convidou e foram servidos dos mais deliciosos petiscos. As histórias ficam para ser contadas pela voz e à mesa de cada uma destas refeições especiais. Querem conhecê-los melhor e saber o que foi o jantar?

A Ana, mentora deste projecto, começou por convidar para a sua Padaria Julia Child. Num festa de muita conversa "com café e champanhe em honra da Rainha de Sabá e do seu bolo". A escolha recaiu sobre o Queen of Sheba cake, o bolo de chocolate e amêndoas que Julia Child dizia ser o seu preferido.
E como nenhuma edição dedicada a Chefs e cozinheiros pode terminar se o seu adorado, a Ana convidou ainda o Chef Heston Blumental, a quem num jantar cheio de livros antigos serviu Galinha em Potagem à Francesa.
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A Ginja recebeu em sua casa, no Ananás e Hortelã um convidado especial chamado Anthony Bourdain para um jantar de família em que o petisco de eleição foram umas excelentes pataniscas de bacalhau. O conhecido chef e apresentador do programa No reservations nunca mais as esqueceu.
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A Su convidou para a sua Suvelle Cuisine a mais especial de todos os chefs numa sentida homenagem: a sua Mãe serviu-se de uma Tarte de Cogumelos Cremosos em Massa Filo que lhe terá certamente arrancado um sorriso.
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A Marmita abriu a porta a um chef britânico com o coração em Itália. Jamie Oliver jantou um risotto de polvo e coentros num compromisso entre o mar Português e o arroz italiano, depois de um périplo pela horta lá de casa.
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A Pammy organizou no seu Menu Verde um jantar especial para o cozinhador João Carlos Silva, a quem serviu a sua deliciosa e bonita Sopa de peixe, inspirando tranquilidade e fazendo a festa com amor.
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No Frango do Campo há sol, calor e um convite para almoçar que o Chef Chakall aceitou sem pestanejar. Tinha um salteado de porco com legumes e uma mesa colorida à espera para uma refeição em que se falou de tudo.
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A Babette fez uma bonita Bebinca, um doce indiano, para o Mestre João Ribeiro, o famoso Chef de cozinha do Hotel Aviz, autor de um dos livros de culinária mais cativante e precioso da sua biblioteca.
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A Alice recebeu na sua Cozinha Maravilha uma convidada especial. Sophie Dahl apareceu para um chá e uma fatia de bolo de limão acabado de sair do forno e ficou para jantar um salteado de legumes com um toque oriental.
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No seu blogue O Bolo da Tia Rosa, a Mané convidou para um jantar leve uma grande Senhora da Culinária Portuguesa: Maria de Lourdes Modesto comeu e apreciou um delicioso creme de abóbora com hortelã e requeijão.
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A Manuela na sua Cozinha é a Cores recebeu o chef que revolucionou as suas sopas. Henrique Sa Pessoa chegou para uma Sopa de courgettes e pêra rocha que à mistura com bom vinho e boa conversa o fez esquecer a sobremesa.
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Na Oficina das Papitas, a Maria convidou para um Fettuccine all'Alfredo o próprio chef Alfredo di Lelio. O convidado trouxe um excelente e tentador tiramisú para sobremesa e quis saber tudo sobre esta versão do seu famoso prato.
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A Patrícia do blogue food with a meaning convidou Sophie Dahl para jantar e a convidada insistiu em fazer o jantar, uma vez que chegou muito antes da hora. Comeram Sopa de abóbora, bróculos e linguiça e conversaram sobre tudo e sobre nada.
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Na sua Confeitaria, a Cristina serviu uma fatia generosa de Bolo Piña-Colada e uma história a Maria de Lourdes Modesto.
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A Carla no seu blogue De Cozinha em Cozinha passando pela Minha recebeu para jantar duas senhoras que sempre a fizeram sonhar com os seus livros: Joanne Harris e Fran Warde chegaram para um saboroso jantar de Galinha assada com batatinha, legumes assados e arroz de frutos secos, onde se trocaram histórias e receitas em amena cavaqueira.
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A Vera convidou Jamie Oliver e anunciou-lhe E hoje para jantar temos... Carne de Porco à Alentejana, um prato típico português, com cheiro de mar. Depois do jantar foram ouvir ouvir a Naifa e gozar a música.
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No seu Acre e Doce, a Ilídia cozinhou uma refeição minimalista para um convidado muito especial. O senhor Mark Bittman, consagrado colaborador do New York Times conhecido como 'O Minimalista' jantou um Caldo de peixe à moda do Pico e bebeu numa tigela o caldo em que o peixe é cozido.
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A Susana no seu blogue Belina da Ilha recebeu Jamie Oliver com uma Pizza up side down de salmão fumado, depois de o levar numa visita pela bonita horta onde os legumes e as ervas aromáticas crescem felizes em Angra do Heroísmo, nos Açores.
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Na sua panela sem (de)pressão, a Guida soube sempre quem ia convidar para jantar. O chef Hélio Loureiro foi recebido com um embrulho de massa filo recheado com pato, cogumelos, passas de figo e chouriço de Quiaios e acompanha com couves de bruxelas e bacon tostado, compradas no mercado das Caldas da Rainha. Uma refeição especial.
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A Ana Rita, no seu blogue Bembons, convidou para um Serão Bem Disposto Nigella Lawson. Uma fatia (ou várias) de um Bolo 7Up para um chá de Erva Cidreira e um passeio pelo Alentejo e pela hospitalidade portuguesa.
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A Moira pensou longamente em quem convidaria para uma Tertúlia de Sabores mas foi em conversa com Fátima Moura que decidiu. Uma magnífica Empada de Alheira, Espinafres e Cogumelos para receber Maria de Lourdes Modesto em singela retribuição pelo seu trabalho em prol da Cozinha Portuguesa.
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My Measuring Cups é o blogue da Mea em que ela convida o Chef Curtis Stone para uma refeição simples. Um prato de frango estufado com esparguete cuja receita passou de geração em geração foi prontamente apreciado em boa companhia.
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No Olhapim há Receitas do Alentejo e Apontamentos sobre gastronomia e uma simpático convite que tenho de agradecer pessoalmente. É que o Olhapim convidou-me para um chá em que houve Amêndoas de Páscoa com especiarias [ Gengibre, cacau e canela ]. Obrigada!
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A Sofia convidou Tessa Kiros No reino da Prússia e o resultado foi uma refeição com as crianças e os adultos a regalarem-se com frango de churrasco, um arroz de couve frisada e uma salada de alface, tomate e cebola, temperada com azeite, sal e oregãos.
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A Manuela no seu Cravo e Canela - Uma cozinha no Brasil recebeu Jamie Oliver em pleno Alentejo. O chef britânico adorou tudo (claro!), especialmente o um jantar de lebre com feijão e cominhos e nunca se esquecerá da sobremesa: Sericaia!
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Um enorme e caloroso obrigada a todos por este conjunto espantoso de participações!

A 3ª edição do projecto "Convidei para jantar" está a partir de hoje na Suvelle Cuisine. Vamos até lá saber qual é o tema que a Su escolheu para este mês?

13.3.12

Galette de alho francês com avelãs

Galette de alho francês com avelãs // Leek Hazelnut Galette

Tenho uma predilecção por sótãos onde vivem muitas décadas. Armazéns da vida. Daqueles onde se guarda o que já não serve, o que nunca serviu ou aquilo que não cabe em mais nenhum sítio. Em casa dos meus pais há um espaço desses. São 4 divisões esconsas onde há de tudo. Livros e cadernos de muitos anos de escola. Sofás, camas e mesas sem lugar. Estantes com caixas e caixinhas. Bonecos e jogos. Numa dessas divisões descansam os brinquedos de duas gerações. É a preferida dos meus queridos sobrinhos, claro. Uma espécie de lugar mágico onde as estórias andam pelas paredes e o tempo pára. Há outra divisão mais pequena onde vive uma banda de jazz em cerâmica. É lá que se guardam os serviços de jantar que nunca foram usados, as estatuetas que perderam a cabeça, terrinas e panelas sem uso. É carinhosamente apelidada de Gruta do Ali Babá e a minha favorita. Vá-se lá saber porquê.

Foi lá que desencantei um robot de cozinha com a ajuda da minha mãe. Deve ter uns 20 anos e nunca foi utilizado. A massa desta galette, feita com avelãs, serviu para o experimentar e há-de ser feita outras vezes.

Galette de alho francês com avelãs // Leek Hazelnut Galette

As tartes e empadas podem ser feitas com massa pré-preparada mas fazê-la em casa é muito fácil, sobretudo com um robot de cozinha. Demora 2 minutos a fazer e apenas necessita de meia-hora no frio para estar pronta. O rácio é simples: metade do peso da(s) farinha(s) em gordura, ovo(s) e água gelada que baste. Uma pitada de sal e um pouco de açúcar em pó se se tratar de uma versão doce et voilá. A minha tarte de hoje é rústica e eu chamo-lhe, à boa tradição francesa, galette.

Uma galette é uma tarte feita sem um tarteira e em que a massa é meio dobrada por cima do recheio. Este pode ser doce ou salgado mas um ou outro são quase sempre ricos em frutas ou legumes. Neste caso, fez-se de alho francês e avelãs com um eco de mostarda. As opções são múltiplas e a massa extra é o bónus.

Galette de alho francês com avelãs // Leek Hazelnut Galette

6.3.12

Um dia na aldeia a fazer pão ou o sabor da amizade

Na aldeia a fazer pão // Bread making in the countryside

O pão é um dos pilares da nossa alimentação e da nossa cultura. Representa todo um conjunto de rituais em torno da mesa, da partilha daquilo que nos é mais caro e da própria natureza humana. O pão é metáfora da vida. Crescemos com a certeza de que toda a gente come pão e que não se pode viver sem ele. Sinónimo de alimento da alma, comida para o estômago e refeição. E contudo muitos nunca puseram a "mão na massa". Nunca acenderam o lume num forno a lenha. Nunca comeram pão quente saído do forno. E deviam porque é uma experiência única.

O convite começa como pretexto para um encontro. Mais ao Sul. Pôr a conversa em dia. Risos ruidosos. Petizes aos saltos, em liberdade. Vamos? Disfrutar a amizade, um Sábado no campo e uma fornada de pão. Pode lá o programa ser melhor.

Na aldeia a fazer pão // Bread making in the countryside

O sabor da amizade servido à mesa. Na aldeia a fazer pão com os amigos. Mas afinal a que sabe a amizade? Sabe ao melhor bolo do mundo, a laranja doce e a peixe grelhado. Sabe a mar e a terra. Sabe a pão com chouriço, quente a queimar a língua, divido por quantos se reúnem em volta do forno. Com o sol a bater nas costas e uma conversada sem fim. Entre a partilha dos saberes e dos sabores.

Foi assim o nosso fim de semana. Resta-nos agradecer a quem com tanto carinho nos recebeu. Obrigada! E contar-vos a história do nosso dia.

Na aldeia a fazer pão // Bread making in the countryside

Seguimos por caminhos novos. Perdemo-nos. Uma e outra vez. Lá nos encontramos. Mas faz-se tarde. Chegamos com o pão já amassado por mãos mais sábias que as nossas. Dedos que avançam sozinhos, com a certeza de quem já fez o mesmo caminho milhares de vezes. Alguidares de barro, tabuleiros de madeira e panos brancos. A massa a levedar. A barriga a dar horas. Almoçamos.

Com a tarde já chegada, falta acender o lume que aquecerá o forno que há-de cozer o pão. E os pães com chouriço e o pão de torresmos. E os bolos de erva-doce e azeite. E os "Ss". Carregar a lenha. Tomar conta do fogo. Alguém se habilita?

Na aldeia a fazer pão // Bread making in the countryside

28.2.12

Bolo de laranja e sementes de papoila para um aniversário

Bolo de laranja e sementes de papoila // Orange Poppy Seed Cake

As minhas flores de eleição? Papoilas. Nos campos, a anunciar dias felizes. E festas. Aniversários, sorrisos e bolo. Porque se há festa, há bolo. Se há bolo, abrem-se os sorrisos e há alegria para todos. E se o bolo se pode fazer com papoilas, então perfeito. Como se tudo fizesse sentido e as peças se encaixassem por si num puzzle imaginário. Um aniversário, sorrisos, bolo e papoilas. O mundo nos eixos. Laranjas e papoilas para um aniversário.

São Cinco Quartos de Laranja. Nem mais nem menos. A plenitude e mais uns gomos. O querer ser sempre inteiro. E querer ainda mais um pouco. O segredo dos perseverantes e dos sonhadores. Dos que espreitam a vontade pela fechadura e se fazem à mesa. De faca em punho, em busca da primeira fatia. Para comemorar Seis Anos e Uma Receita com Laranja e muitos pratos, viagens e emoções. Parabéns por mais um ano repleto de histórias e sabores, minha querida Laranjinha!

Bolo de laranja e sementes de papoila // Orange Poppy Seed Cake
Bolo de laranja e sementes de papoila // Orange Poppy Seed Cake

A cronologia deste bolo começa na árvore do quintal dos meus pais. Segue por uma combinação de sabores já testada, a fotografia de um bolo de laranja com rodelas no fundo na Jamie Magazine deste mês e a ideia de um bolo de limão só com claras no The Hummingbird Bakery Cookbook. E assim acontece.

Eu usei uma forma de fundo amovível mas talvez não seja necessário. O bolo desenforma-se facilmente e mantém intactas as rodelas de laranja e o açúcar caramelizado. E a calda confere-lhe uma textura agradável, pelo que não deve ser opcional. As gemas que sobram podem ser usadas para fazer orange curd (ver receita a seguir) que acompanha na perfeição cada fatia.

Papoilas // Poppies

24.2.12

Sopa de cenoura e beterraba e uma quase fatalidade

Beterrabas // Beets

Uma mão cheia de beterrabas. O sabor a terra e a cor vibrante são as suas principais características. Os dedos pintados uma promessa para quem as cozinha. Um sonho infantil em forma de sopa. E, no entanto, as beterrabas são mal-amadas. Um olhar de soslaio, desconfiado, é tudo o que repetidamente lhes está destinado. As primeiras impressões não são decisivas. Às vezes são fatais mas não decisivas. Diz Agustina Bessa-Luís e eu concordo. Como sempre, perspicaz e incisiva. O meu amor pelas beterrabas é recente. Lembrei-me da Agustina por causa desta quase fatalidade.

Se puderem dêem uma (segunda) oportunidade às beterrabas. Por via das dúvidas. Não vá a primeira impressão estar errada. E ser-vos fatal.

Sopa de cenoura e beterraba // Carrot Beetroot Soup

Esta sopa surge, como tantas, da necessidade de usar meio molho de beterrabas. Devo ao meu adorado Provador esta vontade recente de incluir mais este vegetal na nossa alimentação diária. É que ele, ao contrário da minha pessoa, sempre soube que gostava de beterraba. A combinação com cenoura reforça os açúcares próprios da beterraba que foi assada e ganhou um sabor caramelizado muito interessante. O iogurte e o cebolinho contrabalançam o doce com um travo mais ácido. Fez-se como almoço de semana, com pão torrado e queijo de cabra.

"Plegaria Muda" de Doris Salcedo
Sopa de cenoura e beterraba // Carrot Beetroot Soup