7.9.18

Celebrando o Verão no Areal Beach Bar by Chakall

Areal Beach Bar, Lourinhã

Talvez possa mudar o mês mas o espírito do Verão veio para ficar. Enquanto houver dias de sol, haverá praia. Na Lourinhã, o Areal Beach Bar by Chakall serve o mar português com um toque da alma argentina e das suas tradições gastronómicas, que se cruzam com os produtos da região. Esse compromisso com os sabores do Oeste estão bem presentes nos recheios de pêra rocha e de abóbora com aguardente local que fazem felizes os veraneantes mais gulosos a cada dentada. E que se há praia queremos bolas de Berlim!

O espaço ali mesmo à entrada da praia é a menina dos olhos de Silvina Lopez, a irmã do chef Chakall, que comanda a sala sempre com um sorriso. Os surfistas que chegam, os amigos que vêm beber um copo depois de um mergulho e quem vem para jantar junto à praia, para todos há locais especialmente pensados para a melhor experiência, entre o varandim e a sala VIP. Também a oferta se adapta às vontades e desejos de cada um, com uma carta inclusiva onde se encontram propostas tradicionais a par de opções para todas as escolhas alimentares.

Areal Beach Bar, Lourinhã

Num dia às caretas, o almoço começou alegre com um colorido hummus de beterraba e legumes crus e um Cao Cao de Gambas, prato que faz uso de um ingrediente estrela - a batata doce de um produtor local mesmo ao lado do restaurante, numa boa combinação com cebola roxa crocante, coentros e lima. Já a Salada Phuket chega colorida com abacate, frango com caril, queijo feta, tâmaras e molho vinagrette de mel, para deleite de quem gosta de doce e salgado em dose certa e pretende uma refeição leve.

Mas são umas maravilhosas Empanadas Argentinas, servidas com molho chimichurri, que teimam em não sair da memória. Qualquer passagem pelo Areal Beach Bar deve sempre começar com estes embrulhos estaladiços recheados de carne, mesmo se os pratos de grelhados (igualmente recomendáveis) nos esperam mais à frente na refeição.

Areal Beach Bar, Lourinhã

14.8.18

Salada de Verão (meloa, chouriço e requeijão de cabra)

Salada de meloa, choriço e requeijão de cabra

A nossa mesa espelha sempre o momento, seja fazendo uso dos ingredientes da estação, seja pela escolha de receitas que vão ao encontro do espírito presente. Com as férias no horizonte e o mar à nossa espera queremos pratos fáceis e coloridos, plenos de sabor e capazes de nos alimentar até à próxima refeição ou que possam ser partilhados com amigos, à boleia de um copo de vinho e muita conversa perdida, num piquenique ou em almoços despreocupados.

Dos pequenos/grandes prazeres da vida, comer com companhia e uma vista privilegiada talvez seja dos menos valorizados. O retorno, contudo, vale cada segundo em que o olhar se prende nos pormenores das flores de lavanda que mexem com o vento ao fundo do canteiro, da borboleta que esvoaça do lado esquerdo e da água que não mexe junto à janela. Pudesse eu deixar de pensar na combinação de texturas, cores e sabores do prato à minha frente e tudo seria ainda mais idílico.

Salada de meloa, choriço e requeijão de cabra
Salada de meloa, choriço e requeijão de cabra

Porque Verão pede saladas e a fruta este ano tem sido excelente, não há razão para não fazer da meloa ingrediente principal do almoço. Desta feita a cor que predomina é o laranja, graças à variedade cantaloupe mas a receita resulta igualmente com outra meloa. Do tomate cereja vêm os tons de amarelo, vermelho e castanho e há ainda a cebola roxa e o pepino marinado e umas folhas de manjericão. O segredo da receita está na combinação entre as rodelas fitinhas de chouriço e o sabor único do requeijão de cabra, num equilíbrio entre o doce e o ácido que é perfeito!

Esta Salada de Verão pode servir como entrada para um jantar mais formal mas a sua verdadeira natureza cumpre-se numa saladeira grande onde cada um se serve, com uma fatia de bom pão e uma fatia extra de requeijão de cabra. Almoçamos?

Salada de meloa, choriço e requeijão de cabra

3.8.18

Vinhos Verdes para beber em Agosto (e uma ode ao Alvarinho e ao Loureiro)

Verde que te quero verde - Vinhos

Verde que te quero verde. Não é cor mas tempo que dá aos Vinhos Verdes a sua alma e lhes confere um perfil único. Talvez a história não lhes preste (ainda) a devida atenção e os diferentes vinhos sejam olhados como se fossem idênticos, o que não pode estar mais longe da verdade. De características muito próprias graças a castas como o conhecido Alvarinho e o Loureiro, entre outras, é nos aromas florais e furtados que se desenvolve o leque de descritores que melhor traduzem algumas das uvas brancas mais emblemáticas destes vinhos.

Neste Verão resolvemos fazer dos Verdes objecto de desejo e abrir horizontes provando alguns brancos da região vinícola que se estende do Atlântico até à Galiza e tem por vizinho o Douro, entre o rio e a montanha. E porque não há como trazer para a mesa os vinhos para os apresentar à comida, fica também a sugestão de harmonizações felizes para cada um.

Feliz Agosto!

Verde que te quero verde - Vinhos

30.7.18

{ Verão na Cidade } Ceviches, causas e muita quinoa no Segundo Muelle

Segundo Muelle, Lisboa

Chega o verão e a cidade grande perde parte dos seus habitantes que rumam ao Sul. Dos encantos de quem tem Lisboa (quase) só para si ressalva-se a possibilidade de viajar no prato e ir conhecer restaurantes com sabores e aromas de outras paragens. Para inaugurar o Verão na Cidade deste ano o primeiro destino é o Perú e é no Segundo Muelle que a cozinha andina nos recebe de braços abertos.

Com o Cais do Sodré ali próximo e o rio por companhia, o restaurante que ocupa a esquina do edifício em frente ao jardim promete levar-nos até ao Pacífico. Se os ceviches se tornaram bandeira da cozinha peruana, aqui também há causas e todos os sabores da comida serrana, à boleia do ingrediente estrela que é a quinoa. E porque não há refeição completa sem um Pisco Sour, o bar ao fundo do restaurante faz magia em copos coloridos para nos manter felizes com as versões especiais de maracujá ou frutos vermelhos.

Segundo Muelle, Lisboa
Segundo Muelle, Lisboa

Tracemos então o plano da nossa viagem. Qualquer visita ao Segundo Muelle não deve fazer-se sem o afamado Cebiche Nikkei, onde cubos de atum e abacate são temperados com os sabores de fusão que caracterizam as influências nipónicas, numa harmonização com o milho peruano e ervilhas-tortas em juliana fina. A viagem pode continuar-se por pratos menos conhecidos e igualmente surpreendentes: aposta certa para quem gosta de texturas suaves é a causa de camarones, feita de puré de batata em camadas, com lima e malagueta e recheada com camarão. Para finalizar em pleno, é recomendável experimentar ainda o Risotto de quinua con lomo saltado. Das sobremesas escolha-se o Suspiro a la Limeña e haja o que houver não é possível partir sem provar a Mousse de Lucuma.

Com o itinerário decidido e prontos para a descoberta, é tempo de apreciar o couvert. Servidas num cesto, as bonitas Chifles são chips de banana pão acompanhadas com um molho picante de Aji Amarillo e pequenos grãos de milho Cancha.

Vamos até ao Perú?

Segundo Muelle, Lisboa
Segundo Muelle, Lisboa

12.7.18

Mar de Rosas: a felicidade em tons de Rosé

Mar de Rosas, Casal de Santa Maria

A manhã acordou solarenga e a viagem para Colares faz-se serenamente, com a Serra de Sintra no horizonte e o Atlântico ali ao lado. A estrada sinuosa vai acompanhando a linha de costa, desenhando-se por entre o verdejante da paisagem e uma ou outra casa a pontuar o caminho, até chegar às vinhas mais ocidentais da Europa continental. No Casal de Santa Maria faz-se vinho abençoado pela brisa marítima e pelo clima particular da região, com milhares de rosas por companhia. São elas que dão nome ao vinho rosé que marca a chegada de Nicholas Von Bruemmer à quinta. Mar de Rosas é a homenagem singela ao seu avô, cuja visão juntou as vinhas às rosas e lhes deu forma de vinho.

Nascidas do desejo do Barão Bodo Von Bruemmer, as vinhas do Casal de Santa Maria foram plantadas no início deste século quando o fundador da quinta chegou aos 95 anos. Havia de cuidar delas e tornar-se num produtor de vinhos muito especiais nos dez anos seguintes, acompanhando o crescimento de castas como a autóctone Malvasia, o seu famoso Chardonnay ou o excelente Pinot Noir. A localização perfeita, nem sempre fácil para as videiras, deu azo a brancos frescos e vegetais, tintos complexos e um colheita tardia elogiado pela sua particular acidez. Já o bonito rosé de cor salmão, na melhor tradição da Provença, nasce da vontade de Nicholas de fazer um vinho para ombrear com os rosés franceses. Nas suas palavras, um vinho complexo mas que convide à festa e que possa ser partilhado de forma alegre e despreocupada.

Mar de Rosas, Casal de Santa Maria
Mar de Rosas, Casal de Santa Maria

It's never too late é o mote escolhido para o primeiro vinho feito segundo as ideias do novo Barão. Porque nunca é tarde para começar de novo e nunca é tarde para acreditar nos sonhos. A grande mudança na vida de Nicholas Von Bruemmer e da sua mulher Myriam aconteceu no final de 2016 quando, após a morte do Barão Bodo Von Bruemmer aos 105 anos, resolveram mudar-se da Suíça para Colares. No Casal de Santa Maria fizeram a sua casa e apostaram no enoturismo que recebe visitas às vinhas, ao roseiral e à adega e oferece diferentes provas dos seus vinhos.

No dia que fomos conhecer o bonito Mar de Rosas, a natureza brindou-nos com um mar a perder de vista (sem as habituais neblinas) e muitas rosas em floração. Ainda que a meteorologia possa ser peculiar neste canto do paraíso, não há como não morrer de amores pela delicadeza serena da quinta e pela simpatia natural dos seus proprietários. Sobre o vinho que nos traz cá, o sorriso confiante e orgulhoso de Nicholas deixa transparecer a felicidade pelo resultado obtido pela equipa de enologia composta por Jorge Rosa Santos e António Figueiredo. Mas que rosé é este que harmoniza com peixes e mariscos e pede um ambiente festivo?

Mar de Rosas, Casal de Santa Maria
Mar de Rosas, Casal de Santa Maria

2.7.18

{ Escapadinha de fim-de-semana } Entre a serra e o oceano no Dolce CampoReal Lisboa

Dolce Campo Real, Turcifal

Se procurarmos bem os paraísos na terra existem à medida dos desejos de cada um. Para os que esperam sossego e uma paisagem inspiradora, a dois passos de Lisboa, a vista da serra do Socorro adivinha o Atlântico ali ao lado. Entre o campo de golfe e uma região onde o vinho é rei, fica o Dolce CampoReal Lisboa. Em busca de um descanso merecido e de uma aventura gastronómica, fazemos os poucos quilómetros que nos levam ao Turcifal. Ainda que a meteorologia continue incerta, a previsão de um fim-de-semana a dois sem outras preocupações para além de decidir o que comer ao jantar não podia ser mais risonha.

À chegada, uma ginjinha e bolachas cuidadosamente feitas pela chef pasteleira dão-nos as boas-vindas. Com tempo para aproveitar um momento de relaxamento no Mandalay Spa antes do jantar, o espírito de calma instala-se em definitivo.

Dolce Campo Real, Turcifal

O pôr do sol antecipa uma das razões que nos trouxe até ao Dolce CampoReal. No restaurante Grande Escolha o chef Rui Fernandes apresenta uma carta desenhada para oferecer uma experiência de fine dining aos hóspedes do hotel e a outros comensais que vêm apenas jantar.

A cozinha aberta sobre a sala, que é simples e confortável, é a grande atracção. Olhos em permanência nos chefs que preparam os pratos e os finalizam no balcão de passagem onde, à vez, muitos dos clientes passam para captar mais uma fotografia. Indecisos sobre o que escolher, chega à mesa o couvert, composto por diversos pães e manteigas de cabra e de ervas, azeitonas e tremoços marinados. Menos utilizados do que merecem, os tremoços gulosos desaparecem enquanto discutimos o que vamos comer e é bom augúrio encontrá-los num restaurante como o Grande Escolha. Decisões tomadas e estamos prontos para a nossa aventura gastronómica.

Dolce Campo Real, Turcifal
Dolce Campo Real, Turcifal

5.6.18

Panqueca de grão e beringela (com rebentos de rúcula)

Panqueca de grão e beringela

Bem-vindo, Junho. Todos os anos, entre os desejos de um Verão que chega e um ano lectivo que acaba, desenha-se a mistura perfeita de sentimentos contraditórios. Mais luz, mais horas de claridade, menos tempo para as gozar. Porque os almoços continuam a fazer-se frequentemente de pratos vegetarianos e a necessidade de refeições nutritivas e retemperadoras pede sabores em harmonia, nada como recorrer às leguminosas e aos legumes da estação.

São as frutas que carregam a bandeira gulosa de Junho mas os legumes mudam também e é sempre um prazer voltar a ter beringelas e curgetes para cozinhar. O tomate há-de vir mais tarde e as ervas aromáticas estão mais perto do auge. Talvez seja a vontade de virar a página e escrever novos capítulos de um amor maior pelos vegetais ou apenas a gulodice do costume. A vida é demasiado breve para almoços aborrecidos!

Panqueca de grão e beringela
Panqueca de grão e beringela

Dos livros que me fazem companhia e a que volto uma e outra vez. Este de Nadine Abensur, sem fotografias, nem imagens, faz-me sempre partir para outras paragens em renovadas aventuras vegetarianas. É de lá que vem esta "panqueca" feita no forno, com raízes na farinata italiana, e cobertura de beringela. Fez-se almoço um destes dias em que tirámos do armário as camisolas que são farda por estes dias.

E enquanto não chega o calor, liga-se o forno. Usam-se os rebentos de rúcula que crescem no parapeito da janela da cozinha e engana-se a ânsia de um Verão que não vem com o doce possível de uns tomates cereja. Feliz Junho!

flores
Panqueca de grão e beringela