Sexta-feira, 23 de Maio de 2008

Lemon Curd gelado com Iogurte

Lemon Curd Frozen Yogurt

Se a vida te dá limões faz... mojitos, tartes merengadas, lemon curd ou limão confitado. No meu caso, não é a vida mas o limoeiro dos meus pais que me faz inventar utilizações para infindáveis limões, lustrosos e docinhos. Sorte a minha que adoro citrinos. Quaisquer citrinos. Tangerinas, laranjas, toranjas, clementinas, limas, limões... o que vier. Mas se eu só pudesse ficar com um citrino para o resto da vida, a escolha seria feita sem quaisquer exitações: venham os limões!! Sou uma lemon girl, porque o doce nunca é tão doce sem o limão. ;)

Desde que a minha cozinha virou uma Choux Factory e todos os livros e revistas da Donna Hay saltaram da minha estante tenho andado - com pouca surpresa - numa de receitas da Donna. Esta é uma receita fácil e refrescante para uma Primavera que teima em não se manifestar! :( Rain, rain go way, just come back another day...

Lemon Curd gelado com Iogurte
Adaptado de Donna Hay's Magazine, Issue 35

(A receita original é para 8. Usei 1/4 que deu 2 boas taças individuais)

1 chávena leite(240 ml)
1 chávena (220 grs) açucar
1/4 chávena (25 grs) farinha milho
1/2 chávena leite, extra (120 ml)
160 grs manteiga sem sal, em cubos
2/3 chávena sumo limão (160 ml)
2 colheres sopa raspa limão
6 gemas (usei 2 pequenas)
1 kg iogurte baunilha
1/3 chávena (50 grs) icing sugar, peneirado

Coloca-se o leite e o açucar numa caçarola em lume brando e mexe-se até o açucar dissolver. Mistura-se a farinha de milho com o leite extra numa tigela. Adiciona-se à mistura anterior e leva-se ao lume por 2 minutos ou até engrossar. Adiciona-se a manteiga e mexe-se até esta derreter e a mistura estar homogénea. Acrescenta-se o sumo de limão e as gemas e deixa-se cozer, mexendo continuamente por 2-3 minutos. Deixa-se arrefecer.

Coloca-se o iogurte com o icing sugar numa tigela e mexe-se para este se dissolver. Põem-se 2 colheres de sopa da mistura de iogurte numa taça ou copo. Cobre-se com 2 colheres de sopa de lemon curd e 2 colheres de sopa da mistura de iogurte. Repete-se quantas vezes for necessário. Congela-se por 3-4 horas ou até solidificar. Faz 8 doses.


O meu lemon curd ficou demasiado espesso. Sugiro um mais líquido que permita espalhar e ficar em camadas em vez de, como o meu, ficar aos bocados...

Lemon Curd Frozen Yogurt

Sugar High Friday Citrus, mais informação em The Domestic Goddess e todas as receitas em Tartelette.

Quarta-feira, 21 de Maio de 2008

Profiteroles com Creme de Maracujá

Passionfruit Cream Profiteroles

Não faço segredo da minha admiração pela Donna Hay, pelos livros, pela revista e sobretudo pelo conceito subjacente às receitas e ao cuidado colocado na produção. Também já mencionei o Hay, Hay it's Donna Day, um evento que celebra a comida da dita senhora e em que já participei de outras vezes. O que não vos disse foi que o meu clafoutis de bacon e figos foi escolhido de entre muitos ! Como quem ganha, escolhe o tema seguinte resolvi que era altura de me aventurar na massa de choux... Serenidade - a coisa não é difícil como parece. ;)

Choux é uma massa que é cozida duas vezes, feita de manteiga, ovos, farinha e água ou leite e usada para fazer profiteroles, croquembouches, eclairs, French crullers, beignets, e gougères.

Profiteroles com Creme de Maracujá
Adaptado de Donna Hay's magazine, Issue 35

1 chávena água (240 ml)
100 grs manteiga sem sal
¾ cup (112 ½ grs) farinha (acrescentei mais 2 colheres de sopa bem cheias)
5 ovos

1/3 chávena sumo limão (80 ml)
2 chávenas (450 grs) icing sugar

creme de maracujá
2 chávenas natas frescas, batidas (480 ml)
2/3 chávena polpa maracujá (150 ml)
1/3 cup (50 grs) icing sugar

Pré-aquecer o forno a 180ºC. Colocar a água e a manteiga num tacho em lume forte até ferver. Adicionar a farinha (peneirada) e mexer com uma colher de pau. Levar a lume fraco, mexendo sempre, até a mistura despegar dos lados do tacho. Retira-se do lume e coloca-se numa tigela. Bate-se com a batedeira eléctrica (com as varas para massa), adicionando gradualmente os ovos (um a um) até a massa estar homogénea. Deita-se a massa num saco de pasteleiro com um bico liso de 12mm e num tabuleiro com papel vegetal fazem-se bolas de 2 cm com bastante espaço entre si. Coze-se durante 15-20 minutos (os meus levaram mais de 20) ou até estarem inchados e dourados. Arrefecem sobre uma grelha metálica.

Para o creme de maracujá, misturar as natas batidas (com umas gotinhas de limão) en chantilly com a polpa de maracujá e o açucar. Reserva-se. Junta-se o sumo de limão com o açucar. Recheiam-se os profiteroles com o creme de maracujá e terminam-se com o icing de limão. Faz 45 (fiz maiores, deu 30).

****

A massa de choux é na verdade uma das mais fáceis de fazer de entre as massas francesas e muito versátil. Existem algumas dicas que podem facilitar o processo. Podem ser consultadas (em inglês) aqui ou colocadas por email à minha pessoa. ;) Os interessados podem, claro, participar no evento, as normas estão aqui.

Passionfruit Cream Profiteroles

Quarta-feira, 14 de Maio de 2008

Cogumelos Recheados em Boa Companhia



"o que é isto? Isto é o almoço, coração... Oh vá lá, o que é que isto tem? Fazemos assim, tu adivinhas e eu dou-te um presente. És mesmo melga! Com prazer. Temos negócio? Sim claro, como se eu alguma vez fosse adivinhar tudo o que esta coisa tem..."

O meu adorado marido (aka O Provador) é uma boca santa, gosta de quase tudo e fica contente com comidas simples, mas não se nega a experimentar novas receitas. O Provador perfeito, portanto. Mas às vezes a coisa descamba e é preciso estômago para aguentar o meu espírito criativo em ebulição!! Por sorte desta vez não foi o caso.

Cogumelos recheados nunca falham! E a combinação com polenta grelhada e tomates cherry assados deu um almoço de semana perfeito. Sim, às vezes temos a sorte de poder almoçar juntos durante a semana e em casa. Para tal, é preciso que os planetas se alinhem, os eléctricos andem e que um de nós dê uma corrida antes do almoço e outro o faça a seguir à refeição. Mas e apesar da relativa confusão não pode saber melhor!

Cogumelos Recheados com Roquefort e Ameixa sobre Polenta com Tomilho grelhada e Tomates Cherry Assados
Para 2

Para a polenta
1/3 chávena (cerca 80 grs) polenta rápida
1 e 1/2 chávenas (cerca 325ml) água a ferver
1/3 chávena queijo Parmesão, ralado
1 colher chá manteiga
1 colher sopa tomilho fresco, só as folhinhas
sal
1 colher sopa azeite

Polvilha-se a polenta sobre a água a ferver com uma pitada de sal, numa frigideira anti-aderente. Mexe-se em lume brando por um par de minutos, até espessar. Retira-se do lume e junta-se o Parmesão, a manteiga e o tomilho. Deita-se a polenta numa forma rectangular e deixa-se arrefecer (cerca de 10 minutos). Corta-se a polenta em triângulos ou quadrados. Grelha-se numa frigideira anti-aderente com o azeite, 3-4 minutos de cada lado até estar dourada. Serve-se quente, com os cogumelos recheados em cima.

Para os cogumelos recheados
6-8 cogumelos frescos grandes (ou 2 Portobello)
6-8 ameixas secas, sem caroço
2-3 colheres sopa queijo Roquefort
6-8 colheres chá queijo Mozzarella, ralado
Sal e pimenta preta moída na altura

Aquece-se o forno a 175ºC. Limpam-se os cogumelos com papel absorvente húmido. Com cuidado retiram-se os pés (podem ser utilizados em guisados ou sopas). Colocam-se os cogumelos num prato de ir ao forno com a concavidade para cima. Temperam-se com sal e pimenta. Coloca-se uma ameixa em cada um e com uma colher pequena, enche-se com um pouco de queijo Roquefort. Polvilha-se cada um com Mozzarella ralado, pressionando ligeiramente para o recheio se unir e não cair. Vai ao forno por 10-15 minutos ou até que os cogumelos se apresentem cozinhados e os queijos completamente derretidos.

Para os tomates assados

8-12 tomates Cherry
pitada de sal
1 colher de sopa azeite

Colocam-se os tomates num prato fundo de ir ao forno. Temperam-se com uma pitada de sal e regam-se com o azeite. Assam-se por 10-15 minutos, até estarem quebrados e sumarentos. (Prepare os tomates primeiro para os poder levar ao forno ao mesmo tempo que os cogumelos)

Para servir, colocam-se os cogumelos recheados sobre as fatias de polenta grelhadas. Juntam-se os tomates assados ao lado e acompanha-se com uma salada de folhas verdes. Utiliza-se o sumo dos tomates para temperar a salada. Serve-se quente.

Stuffed Mushrooms

Outras receitas:
Muffins de Ervas com Recheio

Quarta-feira, 7 de Maio de 2008

Go Bananas!



Bananas a estragarem-se na fruteira. Nada de diferente de outras fruteiras onde misteriosamente se verifica um súbito excesso de amarelinhas a tender para o preto, muito, muito pouco sexys. Tão pouco sexys que fica a dúvida quanto ao fim anunciado... bolo ou balde (do lixo)? Tenho uma receita de bolo de banana infalível que de quando em vez sai do caderno e salva as pobres da sina indesejável. É uma receita feita a partir de outras a que fui juntando ou retirando um ou outro ingrediente. Ao invés, dos americanos banana bread, cheira-me que tem qualquer coisa de africano, este bolo de banana...



Bolo de Banana

Faz 1 tabuleiro grande ou 2 tabuleiros pequenos (pode fazer-se 1/2 receita)

6 ovos
2/3 chávena natas (150 ml)
2/3 chávena manteiga sem sal, derretida e arrefecida (cerca 100 grs)
1/4 chávena azeite (50 ml)
1/2 chávena açucar amarelo
1 chávena açucar mascavado escuro (medido sem apertar)
1 e 1/2 farinha, peneirada
1 colher chá fermento em pó
1/2 colher chá canela
pitada de noz moscada
1 banana grande ou 2 médias picadas + 2 médias, fatiadas
3 colheres sopa caramelo líquido

Batem-se os ovos inteiros com os açucares por 2 minutos ou até o açucar mascavado se dissolver. Adiciona-se a manteiga, as natas e o azeite, misturando tudo até a mistura estar homogénea. Aos poucos, envolve-se a farinha, peneirada com o fermento e as especiarias. Junta-se a banana picada e mistura-se sem bater.

Num tabuleiro, pincela-se o caramelo no fundo e nas laterais e dispõem-se as fatias de banana. Deita-se a massa, devagar para não mexer a banana e leva-se ao forno a 180ºC por 35-40 minutos ou até estar cozido. Retira-se do forno e deixa-se arrefecer ligeiramente antes de desenformar. Fica delicioso com gelado.

Sugestões:
Tarte de Marmelo

Segunda-feira, 5 de Maio de 2008

Saladas para que vos quero!



A meteorologia representa um tema fácil, que usamos quando não temos assunto e já não sabemos de que falar com estranhos ou mesmo (pouco) conhecidos. Se chove pouco ou muito, se o sol se recusa a aparecer ou se o calor não se suporta, se isto já não é o que era e o tempo está definitivamente louco... Quem não fala sobre o estado do tempo? Falamos, quase sempre insatisfeitos, da estação do ano que não passa, da próxima que não chega, do Inverno que este ano não há meio de se ir embora e da Primavera que teima em não assentar nesta parte do mundo. A minha cozinha não vive especialmente do frio ou do calor lá fora, mas como tento comprar e usar produtos da estação, os arranjos e as adaptações ao que há fazem parte do caminho. E depois eu tenho desejos. Tenho, pois! Tenho desejos de espetadas de peixe temperadas com o cheiro a maresia, apetece-me comer figos e ando a sonhar com doce de tomate... Ai, o que uma mulher confessa! Mas no entretanto e enquanto não chega Agosto, aqui fica uma saladinha (já prometida anteriormente) e que 'cheira' já aos dias de Primavera.



Salada de Abacate e Camarão com Maçã e Radicchio

Para 2

1 abacate médio, maduro, aberto ao meio
1/2 maçã Granny Smith
2 colheres sopa cebola roxa, picadinha
1 colher sopa sumo limão
sal e pimenta
6 ovos codorniz, cozidos
1/2 chávena Radicchio, picado
Alface misturada, q.b. para dois pratos
8 camarões grandes, cozidos e descascados (guardar o caldo para outras receitas)

Mistura-se a maçã picada com o radicchio e a cebola. Partem-se 2 camarões em pedaços pequenos e junta-se à mistura anterior, assim como os ovos de codorniz em metades. Tempera-se com sal e pimenta. Envolve-se com cuidado. No prato de servir, coloca-se cada metade do abacate sobre uma cama de alfaces e espalha-se o sumo de limão no interior da concavidade onde estava o caroço (para não oxidar). Enche-se cada uma das concavidades com a mistura de maçã. Coloca-se uma colherada de molho no topo e dispõem-se 3 camarões sobre cada um. Distribui-se a mistura restante em volta do abacate. Junta-se mais molho a gosto. Serve-se de imediato.


Molho Holandês

1 gema de ovo
1 colher sopa limão
1/2 colher chá sal
50 grs manteiga sem sal

Num processador (ou num shaker), bate-se a gema com o limão e o sal até emulsionar. Derrete-se a manteiga até ferver (mas sem queimar - é necessário que a temperatura seja elevada para espessar o molho e cozer a gema). Junta-se ao preparado anterior e bate-se de novo. Este molho deve ser mantido refrigerado antes de usar.

Quarta-feira, 30 de Abril de 2008

Cheesecake Pops



Abril foi um mês cheio. Cheio de trabalho, de novos projectos, de amigos, de jogos de ténis, de sol e chuva, de planos de viagem e de encontros para recordar. Abril foi o mês em que corri de um lado para o outro como uma barata tonta, chegando inevitavelmente atrasada e saindo cedo, dormindo pouco e rabujando muito. Abril foi o mês em que finalmente coloquei caras nas belas amizades que fiz graças a este blog e a quem agradeço o carinho com que me têm mimado (vocês sabem quem são, sintam-se mimadas de volta).

Abril foi o mês em que me levantei às 8 da madrugada num sábado e fiz Cheesecake Pops com um olho aberto e outro fechado. A receita é do desafio de Abril dos Daring Bakers e é uma receita de cheesecake a manter. O original pode ser encontrado nos blogs da Deborah e da Elle que escolheram a receita do livro Sticky, Chewy, Messy, Gooey de Jill O’Connor.




Cheesecake Pops
(1/2 receita)

20 unidades

600 grs queijo em creme (tipo Philadelphia)
1 chávena açucar
2 colheres sopa farinha trigo
pitada de sal
3 ovos médios
1 gema
1 colher chá extracto baunilha
50ml natas

150 grs chocolate à escolha, preto, de leite, branco (usei chocolate Lindt 70% nuns e chocolate de leite com amêndoas noutros)
1 colher sopa óleo vegetal (usei óleo de amendoim)

Avelãs, confetti, coco ralado ou qualquer decoração à escolha.

Aquece-se o forno a 160ºC. Põe-se água a ferver, suficiente para encher até meio um tabuleiro onde caiba a forma onde se vai cozer o cheesecake.

Numa tigela, bate-se o queijo com o açucar, a farinha e o sal. Adicionam-se os ovos e a gema, um de cada vez, batendo entre cada adição. Junta-se o extracto de baunilha e as natas.

Unta-se uma forma com manteiga e deita-se a massa. Coloca-se no tabuleiro e leva-se ao forno por 35-45 minutos em banho-maria, até estar firme e dourado.

Retira-se do forno e deixa-se arrefecer. Cobre-se com película e leva-se ao frigorífico durante 3 horas ou de um dia para o outro.

Quando o cheesecake estiver firme, fazem-se bolas e colocam-se sobre uma folha de papel vegetal. (Pode usar-se uma colher de gelado ou usar as mãos, untando ligeiramente as mesmas com óleo para não agarrar) Insere-se um pauzinho em cada bola (usei espetadas de cocktail) e levam-se ao congelador para gelarem durante 1 – 2 horas.

Quando os cheesecake pops estiverem congelados e prontos para a cobertura, prepara-se o chocolate. Numa tigela à prova de calor, sobre um tacho com água a ferver, derrete-se o chocolate. Deve ter-se o cuidado da tigela não tocar na água e de não aquecer demasiado o chocolate. Quando este estiver meio derretido, junta-se o óleo e mexe-se até a mistura estar homogénea.

Com movimentos rápidos, insere-se o cheesecake pop no chocolate derretido, rodando para cobrir. Opcionalmente, pode neste ponto passar-se cada cheesecake pop por outras coberturas como avelãs ou coco ralado.

Congela-se durante 24 hours, antes de servir. Os cheesecake pops mantêm-se no congelador por 2 semanas cobertos por um saco plástico ou papel de alumínio.

Terça-feira, 22 de Abril de 2008

Clafoutis, parte III



As horas dos dias não me chegam para as encomendas. Nada de novo considerando que é assim desde... bem, desde sempre! Mas ultimamente piorou, não consigo encontrar tempo para tudo o que requer a minha total atenção: família, amigos, alunos, trabalho, cozinha, livros, música... E depois há o ténis, o último dos meus vícios. Não é todos os dias que o jogador n.1 do mundo (aka The Mighty Federer) vem jogar no meu "quintal". De modo que fui ao Estoril, apanhei várias molhas e um escaldão no nariz... Fantástico, não é? Dois pelo preço de um! O bom foi poder passar tempo com amigos que nunca vejo, falar pelos cotovelos (coisa difícil para mim), fazer ziliões de fotografias - o que eu ADORO fotografar outdoors! - e no final o meu favorito ganhou!

Game over. De volta à cozinha. É tempo do novo Hay Hay it’s Donna Day! A Bron, anfitriã do evento este mês escolheu o super tema clafoutis! Como andava para experimentar esta versão de bacon e figos, calhou mesmo bem!

Clafoutis de Bacon e Figos

6 individuais

2 ovos
1/2 chávena leite
1 chavena Parmesão, ralado grosseiramente
1/2 chávena farinha integral
1/4 chávena pistachios, picados
1/2 cebola roxa, fatiada finamente
12 figos secos, abertos ao meio
1/4 chávena Vinho Porto (usei um Tawny)
bacon (cerca de 1 chávena), em cubos
sal e pimenta, a gosto

Aquecer o forno a 180°C.

Põem-se os figos a marinar no Porto pelo menos por 1 hora para hidratar.

Num frigideira anti-aderente, cozinha-se o bacon com um pouco de água até começar a dourar. Adiciona-se os figos (escorridos) e a cebola, mexendo sempre para não pegar. Cozinha-se por 2 minutos. Deita-se o vinho e deixa-se evaporar. Reserva-se.

Numa tigela média, mexem-se os ovos com o Parmesão. Deita-se o leite e mexe-se bem. Adiciona-se a farinha aos poucos, sem deixar de mexer. Tempera-se com sal e pimenta (dependendo se o bacon é muito ou pouco salgado). Divide-se a mistura do bacon pelos 6 pratos individuais de ir ao forno, previamente untados de manteiga e polvilhados com farinha. Deita-se a massa por cima, devagar para não alterar a disposição dos figos. Polvilha-se com os pistachios picados. Leva-se ao forno por 20 minutos ou até estar cozido. Serve-se de imediato, simples ou com uma salada de rúcula.



Outros Clafoutis:
Clafoutis de Requeijão com Tomates Cherry
Clafoutis de Feta com Courgettes

Quarta-feira, 9 de Abril de 2008

Sopa ou tarte?



Eu ia fazer um texto sobre a primavera e o sol do fim de semana e sobre ter andado de tshirt e desencaixotado as memórias dos dias quentes e sobre uma salada de abacate e camarão que é comemoração perfeita para o arranque da nova estação. Ia. Porque depois de duas molhas na segunda e na terça não tenho condições anímicas para tal! E recuso-me a ser enganada pelos laivos de sol de hoje: enquanto da minha janela o rio continuar encoberto, não me deixo enganar por este sol mentiroso. Tenho dito!!

Plano B, portanto. Tenho uma queda por coisas que ficam entre territórios ou como diria a minha mãe que "não são nem carne nem peixe". Neste caso é literalmente assim, uma vez que a receita é vegetariana (ok, puristas - substituam a manteiga por margarina e anulem o mascarpone). A questão que se coloca é: trata-se de uma sopa ou de uma tarte? E porque é que temos de dar nomes às coisas para as tornar parte de categoria reconhecível e reconhecida? É. Também tenho esta mania irritante de dar a resposta na formulação da pergunta... Deixo-vos uma sopa em forma de tarte ou uma tarte com consistência de sopa. Chamem-lhe um nome qualquer. Ficou deliciosa.



6 doses individuais

1 cebola grande, picada
2 dentes alho, picados
1 cenoura grande, ralada
6 cogumelos médios, laminados
1 chávena milho
1 chávena feijões de soja (congelados)
2 colheres sopa azeite
1/2 chávena vinho branco (boa qualidade)
1 folha louro
1 colher chá tomilho (só as folhinhas)
1 colher sopa manteiga
1 colher sopa farinha (bem cheia)
1 chávena leite
1-2 chávenas caldo de legumes
2 colheres sopa mascarpone
1 ovo batido, para pincelar
noz moscada
sal e pimenta
6 quadrados de massa folhada (ou outra a gosto, imagino que a filo devidamente barrada com manteiga não fique mal)

Numa frigideira de fundo grosso, aquecer 1 colher de azeite e saltear ligeiramente um dente de alho picado. Adicionar os cogumelos laminados e deixar cozinhar por 2 minutos, mexendo ocasionalmente. Juntar o vinho branco e o tomilho. Deixar evaporar o líquido, cerca de 6 minutos. Temperar com sal e pimenta. Retirar da frigideira e reservar.

Colocar o restante azeite com a cebola e o outro alho com a folha de louro na frigideira (não é necessário lavar) e alourar por 1-2 minutos. Juntar a cenoura e a soja com uma chávena de caldo e deixar cozinhar. Verificar se é necessário acrescentar mais caldo, até a soja e a cenoura estarem quase cozidas (não cozer demasiado, 4-5 minutos). Acrescentar o milho e os cogumelos. Retirar a folha de louro e temperar com sal e pimenta a gosto. Peneirar a farinha sobre os legumes, mexendo sempre. Temperar com noz moscada. Juntar a manteiga e o leite aos poucos. Mexer 2 minutos, até engrossar o caldo. Retirar do lume e juntar o queijo mascarpone.

Dividir por 6 ramequins. Cobrir com a massa folhada, de forma a tapar completamente o topo de cada um, com decoração a gosto. As minhas florzinhas não são mais do que chaminés - cada ramequim deve ter uma ou um pequeno furinho. Pincelar com o ovo batido. Levar ao forno a 180ºC por 30 minutos ou até a massa estar dourada e cozida.

Aguentam bem no frigorífico por 2 dias ou podem ser congeladas já com a massa (neste caso, não usar massa congelada) num recipiente fechado ou cobertas com película e colocadas num saco fechado. Pincelar com ovo depois de retirar do congelador e levar ao forno a cozer. Consumir no prazo máximo de 2 meses.

Quinta-feira, 3 de Abril de 2008

O Bolo de Festa Perfeito



Já falei nos Daring Bakers por aqui. O conceito é simples: um grupo de blogueiros que todos os meses fazem a mesma receita (escolhida por um anfitrião), com as inovações que considerem interessantes sem alterar a receita original. A minha primeira experiência foi uma Lemon Meringue Tart que resultou num desastre e depois um French Bread da Julia Child com uma receita de 10 páginas!!! Percebe-se porque é que nunca se proporcionou colocar nenhuma das receitas aqui em português! Este mês a receita escolhida foi The Perfect Party Cake, da Dorie Greenspan, com honras de tradução.

Desde que o desafio foi lançado no início do mês, andei com uma música dos The Divine Comedy na cabeça. Não que tenha a ver mas enfim...

Give me your love
And I'll give you the perfect lovesong
With a divine Beatles bassline
And a big old Beach Boys sound


Como tal, dêem-me a vossa atenção e dar-vos-ei o Bolo Perfeito! ;)



The Perfect Party Cake
Adaptado de Baking From My Home To Yours de Dorie Greenspan


Para o bolo

2 1/4 chávenas farinha para bolos com fermento
1 colher sopa fermento em pó
½ colher chá sal
1 ¼ chávenas de leite ou buttermilk (usei buttermilk - para cada chávena de leite adicionar uma colher de sopa de sumo de limao. Deixar descansar por 10 minutos antes de utilizar)
4 claras ovos (grandes)
1 ½ chávenas açucar
2 colheres chá raspa de limão (não usei, aromatizei com 2 colheres sopa de lavanda)
8 colheres sopa manteiga sem sal, à temperatura ambiente
½ colher chá extracto limão (não usei)

Para o creme de manteiga
(fiz ½ receita)
1 chávena açucar
4 claras ovos (grandes)
20 colheres sopa manteiga sem sal, à temperatura ambiente
¼ chávena sumo limão (de 2 limões grandes)
1 colher chá extracto baunilha

Para finalizar o bolo

2/3 chávena doce de framboesa (sem graínhas) mexido vigorosamente ou levemente aquecido para liquidificar
cerca de 1 ½ chávenas coco ralado


Para fazer o bolo

Peneirar a farinha, o fermento em pó e o sal. Numa tigela, bater as claras ligeiramente (com um garfo) e juntar o buttermilk.
Noutra tigela, misturar o açucar e a raspa de limão com os dedos até o açucar ganhar a fragância do limão. Adicionar a manteiga e bater a média velocidade por 3 minutos, até a massa estar clarinha. Adicionar o extracto e bater de novo. Envolver a mistura dos ovos e a da farinha alternadamente (3 vezes) até totalmente incorporadas.
Finalmente, bater 2 minutos para assegurar que a massa fica homogénea e com bastante ar. (Passei esta parte, envolvi apenas)
Divide-se a massa por duas formas iguais com cerca de 20cm, untadas e polvilhadas, com papel vegetal no fundo (usei 16 formas de muffins) e alisa-se com uma espátula.
Leva-se ao forno a 180º por 30-35 minutos (os meus levaram 25 minutos) ou até estarem cozidos – inserir um palito no centro e verificar.
Desenformar, colocar os bolos sobre uma grelha durante 5 minutos e retirar o papel vegetal. Deixar arrefecer (os bolos podem ser feitos no dia anterior ou congelados por 2 meses).

Para fazer o creme de manteiga

Colocam-se as claras e o açucar numa tigela (que suporte o calor) sobre um tacho com água a ferver, de forma à tigela não deve tocar a água. Mexer até o açucar se dissolver, cerca de 3 minutos. Com um batedor eléctrico, bater o merengue até arrefecer por 5 minutos. Adicionar a manteiga, aos poucos e bater até estar macio e cremoso e bater por 6-10 minutos. Se durante o processo o creme se separar, continue a bater até voltar a criar consistência e estar homogéneo. Juntar o sumo de limão, aos poucos até estar incorporado e depois o extracto de baunilha. Cobrir com película e reservar.

Finalizar o bolo
Com uma faca afiada, cortar cada bolo em dois. Colocar o fundo do bolo num prato de servir e espalhar 1/3 da geleia. Cobrir com 1/4 do creme de manteiga. Colocar a outra metade e repetir o processo com as restantes camadas, tendo o cuidado de colocar a última camada com o fundo para cima. Utilizar o restante creme para barrar o bolo, no topo e nos lados. Pressionar o coco ralado dos lados e no topo.

Servir à temperatura ambiente. O bolo é melhor no dia mas pode ser guardado, coberto, por 2 dias no frigorífico.

Fiz 16 bolinhos e usei recheios diferentes: creme de manteiga, morangos num xarope de lavanda com morangos simples e natas e mascarpone com geleia de morango e morangos.

Sábado, 29 de Março de 2008

Madeleines au Chocolat



Mais vale tarde que nunca. Evidentemente, constata-se o óbvio! Ando desaparecida desta cozinha, atarefada entre panelas e tachos menos virtuais na cozinha cá de casa, por onde têm passado inúmeros (e sempre benvindos!) elementos da famelga e amigos. Confesso que tenho fotografado pouco e as horas do dia não me têm chegado para os afazeres. Estas madeleines estão "no frasco" há quase um mês e são ainda resquícios da aventura française e de umas formas de silicone compradas em Paris.

Madeleines au Chocolat

18 unidades

100 grs chocolate negro (70% cacau)
4 colheres sopa manteiga sem sal
3 ovos
1/2 chávena açucar
2 colheres sopa mel
2/3 chávena farinha com fermento
sal
icing sugar

Coloca-se o chocolate em pedaços com a manteiga numa tigela (que suporte o calor) sobre um tacho com água a ferver, de forma à tigela não deve tocar a água. Batem-se as gemas com o açucar até a massa estar clarinha e ter duplicado de volume. Junta-se o chocolate e a manteiga, o mel e por fim a farinha, mexendo entre cada ingrediente. Batem-se as claras em castelo com uma pitada de sal e envolvem-se cuidadosamente na massa. Cobre-se com película e mantém-se no frigorífico pelo menos 1 hora, mas preferencialmente de um dia para o outro.

Aquece-se o forno a 180ºC. Coloca-se uma colher de massa em cada concavidade. Leva-se ao forno por 9 minutos. As madeleines devem ficar pouco cozidas ou estarão muito secas. Retirar do forno e deixar arrefecer 2 minutos antes de retirar das formas e polvilhar com icing sugar.

Quarta-feira, 19 de Março de 2008

Salmão com Couscous de Ervas



Volta não volta, volto ao salmão. A qualidade do peixe é essencial e o salmão fresco bate aos pontos o congelado e aqui incluo mesmo o bom salmão congelado. Este almoço estava delicioso e a única explicação é a qualidade do peixe e o modo como foi transformado em filetes e não em lombos, como é mais corrente. Não fazia couscous há uma eternidade e queria uma forma diferente que combinasse com o salmão salteado brevemente em azeite. Fui folheando o Jamie's Dinners (que aliás tenho usado muito pouco - sorry maninho!) e lá saltou uma receita de salmão com couscous. O pior é que eu não tinha a maioria dos ingredientes: courgette, anchovas, espargos... Lá fiz com o que havia e ao sabor dos acontecimentos. Servi com uma salada de rúcula com vinagre balsâmico.

Salmão com Couscous de Ervas

2 pessoas

2 filetes salmão fresco, sem espinhas (cerca de 350 grs)
2 colheres sopa azeite
100 grs couscous
3 tomates maduros, aos cubos
sumo 1/2 limão
1 colher chá oregãos
1 dente alho picadinho
1/2 chávena coentros picados
sal e pimenta rosa

Numa tigela, deita-se o couscous e junta-se água a ferver até cobrir ligeiramente. Deixa-se hidratar por 5 minutos. Numa frigideira de fundo pesado, salteia-se o salmão no azeite, 2 minutos de cada lado. Tempera-se com sal e pimenta e retira-se da frigideira. Aproveitam-se os sucos do peixe para aquecer o tomate aos cubinhos com o alho e os oregãos, junta-se de imediato o couscous (entretanto solto com o auxílio de um garfo). Deixa-se por 2 minutos até começar a saltear e junta-se o sumo de limão. Rectifica-se o tempero, retira-se do lume, adicionam-se os coentros picados e colocam-se os filetes por cima. Deixa-se tapado por 2 minutos para os sabores se misturarem.




Outras receitas:
Lombos de Salmão Recheados

Segunda-feira, 17 de Março de 2008

Sopa Spicy



Reclamo se chove e se não chove. Reclamo se o dólar está em baixa e se está que não se pode. Reclamo se o inverno veio para ficar e se o verão está para chegar. Reclamo. Reclamo o tempo todo! É a minha natureza. O que é (no mínimo) a desculpa mais esfarrapada que existe, mas tem-me servido e dá aquele ar de inevitabilidade. Porque não quero que as sopas vão embora com o resto do frio que ainda cá anda e arranque definitivamente a época das saladas, aqui fica a minha versão de dahl (sopa indiana bem condimentada). Ah, e normalmente reclamo se está picante e se está demasiado 'branda'. Desta feita estava quase no ponto, só faltava um pouquinho de 'estalo' no travo final.

dahl

4 porções

1 1/2 chávenas lentilhas coral (em crú)
1 cebola média, picada
4 colheres sopa azeite
1 cenoura grande, aos cubinhos
1 colher café açafrão das índias (curcuma)
1/2 colher café cominhos
1/2 colher café gengibre moído
2 tomates grandes maduros (mas firmes), aos cubos
3 chávenas caldo de legumes ou galinha
sal a gosto
1/2 chávena coentros picados

Picar a cebola e alourar em duas colheres de azeite, numa caçarola média. Juntar a cenoura e o açafrão e refogar 2 minutos. Deitar as lentilhas e adicionar o caldo. Deixar cozer por 10 minutos. Numa pequena frigideira, aquecer o restante azeite e deitar os cominhos e o gengibre. Adicionar os tomates aos cubos e deixar apurar por 2 minutos. Rectificar o sal quando as lentilhas estiverem cozidas, juntar os tomates e acrescentar os coentros picados na hora de servir.