12.7.18

Mar de Rosas: a felicidade em tons de Rosé

Mar de Rosas, Casal de Santa Maria

A manhã acordou solarenga e a viagem para Colares faz-se serenamente, com a Serra de Sintra no horizonte e o Atlântico ali ao lado. A estrada sinuosa vai acompanhando a linha de costa, desenhando-se por entre o verdejante da paisagem e uma ou outra casa a pontuar o caminho, até chegar às vinhas mais ocidentais da Europa continental. No Casal de Santa Maria faz-se vinho abençoado pela brisa marítima e pelo clima particular da região, com milhares de rosas por companhia. São elas que dão nome ao vinho rosé que marca a chegada de Nicholas Von Bruemmer à quinta. Mar de Rosas é a homenagem singela ao seu avô, cuja visão juntou as vinhas às rosas e lhes deu forma de vinho.

Nascidas do desejo do Barão Bodo Von Bruemmer, as vinhas do Casal de Santa Maria foram plantadas no início deste século quando o fundador da quinta chegou aos 95 anos. Havia de cuidar delas e tornar-se num produtor de vinhos muito especiais nos dez anos seguintes, acompanhando o crescimento de castas como a autóctone Malvasia, o seu famoso Chardonnay ou o excelente Pinot Noir. A localização perfeita, nem sempre fácil para as videiras, deu azo a brancos frescos e vegetais, tintos complexos e um colheita tardia elogiado pela sua particular acidez. Já o bonito rosé de cor salmão, na melhor tradição da Provença, nasce da vontade de Nicholas de fazer um vinho para ombrear com os rosés franceses. Nas suas palavras, um vinho complexo mas que convide à festa e que possa ser partilhado de forma alegre e despreocupada.

Mar de Rosas, Casal de Santa Maria
Mar de Rosas, Casal de Santa Maria

It's never too late é o mote escolhido para o primeiro vinho feito segundo as ideias do novo Barão. Porque nunca é tarde para começar de novo e nunca é tarde para acreditar nos sonhos. A grande mudança na vida de Nicholas Von Bruemmer e da sua mulher Myriam aconteceu no final de 2016 quando, após a morte do Barão Bodo Von Bruemmer aos 105 anos, resolveram mudar-se da Suíça para Colares. No Casal de Santa Maria fizeram a sua casa e apostaram no enoturismo que recebe visitas às vinhas, ao roseiral e à adega e oferece diferentes provas dos seus vinhos.

No dia que fomos conhecer o bonito Mar de Rosas, a natureza brindou-nos com um mar a perder de vista (sem as habituais neblinas) e muitas rosas em floração. Ainda que a meteorologia possa ser peculiar neste canto do paraíso, não há como não morrer de amores pela delicadeza serena da quinta e pela simpatia natural dos seus proprietários. Sobre o vinho que nos traz cá, o sorriso confiante e orgulhoso de Nicholas deixa transparecer a felicidade pelo resultado obtido pela equipa de enologia composta por Jorge Rosa Santos e António Figueiredo. Mas que rosé é este que harmoniza com peixes e mariscos e pede um ambiente festivo?

Mar de Rosas, Casal de Santa Maria
Mar de Rosas, Casal de Santa Maria

2.7.18

{ Escapadinha de fim-de-semana } Entre a serra e o oceano no Dolce CampoReal Lisboa

Dolce Campo Real, Turcifal

Se procurarmos bem os paraísos na terra existem à medida dos desejos de cada um. Para os que esperam sossego e uma paisagem inspiradora, a dois passos de Lisboa, a vista da serra do Socorro adivinha o Atlântico ali ao lado. Entre o campo de golfe e uma região onde o vinho é rei, fica o Dolce CampoReal Lisboa. Em busca de um descanso merecido e de uma aventura gastronómica, fazemos os poucos quilómetros que nos levam ao Turcifal. Ainda que a meteorologia continue incerta, a previsão de um fim-de-semana a dois sem outras preocupações para além de decidir o que comer ao jantar não podia ser mais risonha.

À chegada, uma ginjinha e bolachas cuidadosamente feitas pela chef pasteleira dão-nos as boas-vindas. Com tempo para aproveitar um momento de relaxamento no Mandalay Spa antes do jantar, o espírito de calma instala-se em definitivo.

Dolce Campo Real, Turcifal

O pôr do sol antecipa uma das razões que nos trouxe até ao Dolce CampoReal. No restaurante Grande Escolha o chef Rui Fernandes apresenta uma carta desenhada para oferecer uma experiência de fine dining aos hóspedes do hotel e a outros comensais que vêm apenas jantar.

A cozinha aberta sobre a sala, que é simples e confortável, é a grande atracção. Olhos em permanência nos chefs que preparam os pratos e os finalizam no balcão de passagem onde, à vez, muitos dos clientes passam para captar mais uma fotografia. Indecisos sobre o que escolher, chega à mesa o couvert, composto por diversos pães e manteigas de cabra e de ervas, azeitonas e tremoços marinados. Menos utilizados do que merecem, os tremoços gulosos desaparecem enquanto discutimos o que vamos comer e é bom augúrio encontrá-los num restaurante como o Grande Escolha. Decisões tomadas e estamos prontos para a nossa aventura gastronómica.

Dolce Campo Real, Turcifal
Dolce Campo Real, Turcifal

5.6.18

Panqueca de grão e beringela (com rebentos de rúcula)

Panqueca de grão e beringela

Bem-vindo, Junho. Todos os anos, entre os desejos de um Verão que chega e um ano lectivo que acaba, desenha-se a mistura perfeita de sentimentos contraditórios. Mais luz, mais horas de claridade, menos tempo para as gozar. Porque os almoços continuam a fazer-se frequentemente de pratos vegetarianos e a necessidade de refeições nutritivas e retemperadoras pede sabores em harmonia, nada como recorrer às leguminosas e aos legumes da estação.

São as frutas que carregam a bandeira gulosa de Junho mas os legumes mudam também e é sempre um prazer voltar a ter beringelas e curgetes para cozinhar. O tomate há-de vir mais tarde e as ervas aromáticas estão mais perto do auge. Talvez seja a vontade de virar a página e escrever novos capítulos de um amor maior pelos vegetais ou apenas a gulodice do costume. A vida é demasiado breve para almoços aborrecidos!

Panqueca de grão e beringela
Panqueca de grão e beringela

Dos livros que me fazem companhia e a que volto uma e outra vez. Este de Nadine Abensur, sem fotografias, nem imagens, faz-me sempre partir para outras paragens em renovadas aventuras vegetarianas. É de lá que vem esta "panqueca" feita no forno, com raízes na farinata italiana, e cobertura de beringela. Fez-se almoço um destes dias em que tirámos do armário as camisolas que são farda por estes dias.

E enquanto não chega o calor, liga-se o forno. Usam-se os rebentos de rúcula que crescem no parapeito da janela da cozinha e engana-se a ânsia de um Verão que não vem com o doce possível de uns tomates cereja. Feliz Junho!

flores
Panqueca de grão e beringela

22.5.18

Da lata para o prato no novo restaurante da Loja das Conservas

Loja das Conservas, Lisboa

As conservas são fruto da paixão pelo mar que sempre marcou a cultura portuguesa e da capacidade de invenção de quem desenvolveu esta forma de preservação. A garantia que peixe chegava à mesa mesmo depois de ter terminado a campanha ou passados muitos meses depois da apanha fez das conservas um alimento popular. A Loja das Conservas reúne no mesmo espaço um conjunto extenso de produtores e uma sem número de latas onde o conteúdo é sempre promessa de mistério. Sardinha, cavala, petinga ou outro qualquer dos pequenos peixes que chega à lata contam uma história que hoje também se escreve com a conserva de moluscos, ovas ou mesmo do fiel amigo para todos os gostos e carteiras.

Se as conservas passaram a ser vistas como um símbolo de Portugal, o seu consumo mudou também. A vontade de provar e utilizar as conservas nas receitas do dia-a-dia fizeram com que a Loja das Conservas também se tornasse restaurante. Ou melhor, no plural, restaurantes! Agora nas lojas da Baixa e do Cais do Sodré também se pode explorar uma ementa que é, exclusivamente, construída em torno das conservas. A variedade e inúmeras possibilidades que se abrem no receituário fazem das Chamuças de Atum com Caril uma daquelas variações com tudo para dar certo. Aromatizadas com laranja e com adição de cenoura, é na massa que se ganha a perfeição destes embrulhos de sabor intenso.

Loja das Conservas, Lisboa
Loja das Conservas, Lisboa
Loja das Conservas, Lisboa

Seguindo os mesmos princípios de reinventar pratos a partir da utilização de conservas, os chefs André Palma e Tiago Neves foram buscar aos enchidos inspiração para a sua Morcela de Sangacho. De cura certa e todos os aromas presentes, a experiência de assar a morcela e comê-la às rodelas é aqui levada ao extremo num prato com muita piada. Para os amantes da tempura, é nas Sardinhas, Picante e Fumada, em Tempura de Limão com Molho de Iogurte e Pepino que se encontra uma utilização nova das conservas com os sabores de sempre. Mas o almoço havia de trazer mais surpresas, entre clássicos e outra pratos muito inovadores.

4.5.18

No Refeitório do Senhor Abel há pizzas para todos

Refeitório do Senhor Abel

Não fosse o Norte continuar no mesmo sítio e quase parecia não estarmos em Lisboa. Marvila tem o encanto de um bairro onde o ontem, o hoje e o amanhã se encontram em amena convivência. A pulular em acção, a cena gastronómica tem terreno fértil para se desenvolver a grande velocidade por entre a herança dos edifícios e a vontade de fazer bem de gente criativa. No Refeitório do Senhor Abel há livros em estantes, poesia nas paredes e um forno que promete as melhores pizzas. A casa onde funcionaram os antigos armazéns Abel Pereira da Fonseca é agora lar de sabores italianos, cocktails originais e energias literárias sob o olhar atento de um dos maiores poetas portugueses.

Ali ao lado, com uma ligação que dá passagem directa do restaurante, fica o Heterónimo Baar. Homenagem às múltiplas personagens que fazem de Fernando Pessoa o poeta de todas as palavras, neste baar encontra-se um "a" extra para abarcar os heterónimos Bernardo Soares, Álvaro de Campos, Alberto Caeiro e Ricardo Reis. Aqui são os cocktails quem mais manda e não há melhor sítio para começar a pensar no jantar, à boleia de um intemporal Negroni.

Refeitório do Senhor Abel
Refeitório do Senhor Abel

30.4.18

Bacalhau fresco escalfado com cuscuz de favas e pistácios

Bacalhau fresco escalfado com cuscuz de favas e pistácios

Já experimentaram bacalhau fresco? A pergunta em jeito de provocação acompanha o convite para jantar e a resposta não se faz esperar. Ainda que o fiel amigo faça parte da cozinha portuguesa desde sempre, o bacalhau fresco é ainda novo no nosso receituário e suscita muita curiosidade. É à mesa que recebemos os amigos do coração e com eles partilhamos esta novidade. De carne branca e lascas visíveis, a textura e o sabor são muito versáteis e prestam-se a diferentes técnicas de confecção e combinações com outros ingredientes. As novas experiências podem começar!

O desafio para cozinhar bacalhau fresco feito pela Iglo foi aceite sem hesitação. Afinal o best friend forever do bacalhau seco tem argumentos de sobra para fazer parte da nossa mesa e nada como experimentar este peixe numa versão fresca e em receitas distintas. Com os dias primaveris a chegar, as refeições tornam-se mais leves e a cor não pode faltar. É o tempo ideal para saladas coloridas, legumes bonitos e peixe delicado feitos enquanto os convidados bebem um copo e se trocam conversas.

Bacalhau fresco escalfado com cuscuz de favas e pistácios

A tranche de bacalhau fresco Iglo é muito fácil de usar. Trata-se de um filete que pode ser confeccionado de forma tradicional (com farinha e ovo) ou utilizado em cru (em carpaccio, ceviche ou sashimi), à semelhança de outros peixes brancos. Mas a escolha hoje é outra: vamos escalfar o bacalhau fresco. Esta técnica é uma forma simples de cozinhar peixe e é rápida, saborosa e saudável. O segredo é fazer um caldo cheio de sabor, com legumes, especiarias, ervas e um pouco de vinho branco, apagar o lume e deixar o peixe cozer no calor residual. Fica pronto em poucos minutos e nunca falha!

Como acompanhamento, cuscuz: outro ingrediente versátil e que se faz num ápice. O único passo a requerer um pouco mais de empenho são as favas que precisam mesmo de ser descascadas. A promessa de que o prato ficará perfeito é incentivo para a tarefa que se faz sem dificuldade. O prato pode ser servido de duas formas - com o peixe em tranches como está apresentado ou em lascas grandes para tornar ainda mais fácil a partilha. Bom apetite!

Bacalhau fresco escalfado com cuscuz de favas e pistácios Bacalhau fresco escalfado com cuscuz de favas e pistácios

23.4.18

Caçar estrelas no Gourmet Experience Lisboa

Gourmet Experience

São sete andares a pensar no topo. Lá em cima, mais perto do céu e das estrelas, espera por nós o jantar no Gourmet Experience Lisboa. O último piso do El Corte Inglés alberga agora o Club Del Gourmet, dez espaços com produtos escolhidos a dedo e um conjunto de propostas de chefs nacionais e internacionais com conceitos muito distintos. Entre inspirações de longe (que vão do Havai ao México) e mais de perto (com um saltinho à Galiza e ao País Basco), há ainda homenagens sentidas à cozinha portuguesa assinadas por José Avillez e Henrique Sá Pessoa.

Dos terraços já preparados para dias solarengos vê-se a cidade. A vista vem acompanhada da vontade de ficar a olhar o infinito com um copo na mão enquanto não vêm os pratos escolhidos. É que apesar de se poder escolher almoçar ou jantar no espaço de cada um dos restaurantes, também é possível pedir pratos específicos em diferentes conceitos e esperar serenamente que cheguem à mesa no interior ou no exterior. É essa a nossa opção esta noite. Viemos para a experiência total.

Gourmet Experience
Gourmet Experience

Por muito que a noite chame por nós lá fora, seguimos o caminho das bebidas com o primoroso serviço dos Gin Lovers no The G Bar. Cocktails, vinho, cerveja e tudo o que possa brilhar no copo está disponível em permanência. A experiência em torno do gin que chega à mesa é pensada para partilhar mas os verdadeiros apreciadores talvez prefiram embarcar sozinhos na aventura. Aceita uma sangria? Vamos lá começar!