27.2.15

Salada de batata doce e nozes fritas

Salada de batata doce, queijo de cabra e nozes fritas

Na esperança de dias maiores e dias melhores, sento-me para escrever esta meia-dúzia de linhas. É sobre a luz e a vontade de rotinas diferentes que anseio e é sobre o desejo de uma nova estação (que se vai materializando) que suspiro. Os sinais parecem apontar para a chegada de um novo começo e eu mal posso esperar. São os meus narcisos, pequeninos e amarelos, que anunciam a Primavera. Sem calendário nem relógio são os vasos na varanda que me guiam. Confesso-me farta deste Inverno.

Mas enquanto não chegam os vegetais e as frutas da estação que há-de vir é preciso continuar a pensar nos almoços semanais, simples e nutritivos. Esta salada de batata doce, rúcula e queijo de cabra com ervas tem uma única estravagância: umas nozes fritas que mudam a face do prato. E que são imprescíndíveis para manter viva a esperança.

{Dois} narcisos Salada de batata doce, queijo de cabra e nozes fritas

18.2.15

Embrulhos de massa filo e legumes assados

Legumes assados

Mudam-se os desejos, alteram-se as preferências, reorganizam-se os favoritos. Na cozinha, volta-se amíude às memórias dos dias felizes, aos aromas conhecidos e aos sabores de sempre. Mas o tempo e as experiências, às vezes por sorte, outras por vontade expressa, vão moldando o gosto e mudando a face dos pratos. Não imagino a minha cozinha sem ervas frescas ou limões, sem azeite ou especiarias.

Se o sabor dos coentros e do limão ou do azeite me acompanham desde que me lembro, as especiarias são outra história. Ainda me surpreendo com muitos aromas desconhecidos. Mas volto frequentemente para a minha zona de conforto. Fico a pensar na pergunta, repetida de quando em vez, sobre as minhas especiarias preferidas. Apresso-me a dizer "canela". Para de imediato não me ver num mundo sem cominhos ou sem pimenta preta. Caso a escolha tivesse de ser feita, estas são talvez as minhas três especiarias predilectas: canela, cominhos e pimenta preta.

Quais são as vossas?

especiarias Margão Pastinacas e cenouras

Muitos são os estufados e os bolos que não seriam os mesmos sem as especiarias. Mas para mim, são talvez os legumes que melhor incorporam e combinam as potencialidades da canela e dos cominhos. Recentemente a Margão lançou as suas tendências para este ano. Uma espécie de colecção para 2015 onde têm lugar as minhas especiarias preferidas e outras ervas, como o estragão, que raramente uso.

Para um almoço vegetariano ou uma entrada fácil, legumes de inverno como as pastinacas (também chamadas cherovias) encontram-se com as cenouras que já começam a aparecer no mercado. São assadas no forno, com ervas, mel e especiarias, e fazem o recheio com requeijão e sementes de sésamo para uns embrulhos de massa filo.

Embrulhos de legumes assados

11.2.15

Bolinhos de aveia, arroz e café para todas as horas

Bolos de aveia, arroz e café

Das vontades impreteríveis, os vícios são as mais visíveis das quotidianas tentações. É ao café que entrego o desejo diário de conforto e energia e não imagino os dias a começarem sem ele. Devo às mulheres da minha família os rituais em redor da cafeteira, a partilha de conversas no final de cada refeição que nunca ficava completa sem café, mesmo quando não havia bolo. Descobri cedo que prescindia do açúcar, escolha que não lhes consegui passar. Mas para mim o café sempre foi uma bebida solar. A bem do sono e do descanso.

Por culpa da sua má fama, muitas vezes merecida, os descafeinados nunca fizeram parte da minha rotina. E se o meu café preferido pudesse um dia ter uma versão sem cafeína? A proposta tentadora era do domínio do desejo e pareceu improvável durante muito tempo. Até que surgiram os decaffeinatos da Nespresso com a promessa de não se conseguir descobrir a diferença. Assim uma espécie de alter-ego do café original, com as suas característica intactas mas sem a cafeína.

decaf Bolos de aveia, arroz e café

Descobrir as diferenças entre o original e o seu alter-ego é como ir passando por versões mais ou menos semelhantes de algo reconhecível, onde se encontram múltiplos do mesmo ser. Quer porque o essencial se mantém e apenas muda o acessório, quer porque se encontra diferentes facetas da mesma realidade. Lá vou pensando nesta coisa do "outro eu".

Posta à prova numa noite fria, foi no Feitoria e pela mão do chef João Rodrigues que durante o jantar se discutiu a ideia de alter-ego na cozinha: pratos que parecem ser o mesmo, ingredientes que podem ser cozinhados de diferentes formas, variações em torno de um mesmo elemento e algo que parece que é mas não é. Para a memória, uma certa tangerina, desde logo apresentada como falsa.

Feitoria, Altis Belém

3.2.15

Barriga de porco com pêras e sálvia

Barriga de porco com pêras e sálvia

O frio e a chuva vão fazendo parte dos nossos dias, com o sol sem saber se há-de mostrar-se ou ficar atrás das nuvens. Em Domingos assim, cinzentos e tristonhos, é ligar o forno e planear cozer pão, o bolo para a semana e os infindáveis vegetais de Inverno que hão-de ser comidos à boleia de cereais ou em sopa.

Refeições onde a carne ocupa o lugar central não são frequentes cá em casa. Uma vez por outra há excepções, com os vegetais ou frutos a oferecer acompanhamento perfeito e as ervas aromáticas a combinar novos aromas. Esta semana o Assado de Domingo foi barriga de porco com pêras e sálvia.

sálvia Barriga de porco com pêras e sálvia

Em Fevereiro, a varanda está de despida de verde e apresenta apenas umas hastes de cebolinho encolhido, hortelã à espera de dias mais quentes e um vaso de sálvia ainda viçosa. Não é uma erva aromática que passe muito pelas escolhas que faço. E talvez seja injusto relegá-la sempre para segundo plano, já que o seu aroma é fantástico e o sabor que traz aos pratos até é do nosso agrado.

Porque a sálvia parece sempre sorrir à carne de porco, desta feita fez companhia a pêras e cebolas roxas, numa combinação que funcionou melhor que o esperado.

Barriga de porco com pêras e sálvia

27.1.15

Pudins de sementes de chia e coco e as compras

Pudim de chia e coco (com mirtilos)

O que vai mudando na nossa alimentação ao longo do tempo é tanto fruto das nossas opções como do contexto em que nos inserimos. Hoje podemos discutir mais informadamente os alimentos que comemos e as suas características e ter mais consciência do que nos passa pelo prato e as implicações dessas escolhas. E contudo, parece cada vez mais difícil fugir dos produtos processados, dos vegetais pouco nutritivos (e caros) ou do pão de qualidade discutível. É também fácil embarcar na promessa milagrosa dos "super alimentos" que passam de desconhecidos a essenciais, com o rótulo de saudável mas que não se podem substituir a uma dieta equilibrada e variada.

Os meus hábitos de consumo e o modo como faço as minhas compras também têm mudado muito. Não abdico da ida semanal ao mercado, porque os vegetais e as frutas são uma parte importante da dieta cá de casa, compro a (pouca) carne no talho e o peixe na peixaria e tento sempre que possível comprar local, sazonal e biológico. São escolhas que compenso com o tempo que não passo no supermercado. Há muito que encomendo livros ou café pela internet e a mudança de hábitos nas compras de mercearia aconteceu naturalmente. Foi assim que fiquei a conhecer A Tua Despensa, o supermercado online que é um projecto português, com os mesmos preços em todo o país, promoções e entrega em qualquer parte do território continental. A rapidez ao fazer a encomenda e a facilidade na recepção das compras liberta, no meu caso, as manhãs de Sábado para as idas ao mercado.

A Tua DespensaPudim de chia e coco (com mirtilos)

A conveniência de comprar aos produtores, de estabelecer uma relação de proximidade com as pessoas que nos vendem os produtos ou criar laços com projectos com os quais nos identificamos é essencial para fazer escolhas mais acertadas, mais saudáveis e que são, supreendentemente, muitas vezes mais económicas. Com A Tua Despensa sinto-me especial porque me enviam sempre uma oferta e o contacto é muito próximo e eficiente. Tenho descoberto produtos mais acessíveis como a farinha de arroz ou novos ingredientes como as sementes de chia a preços correctos.

Estes pudins de chia são a primeira experiência com as famosas sementes, que depois das bagas goji ou da quinoa, se assumem como a última descoberta. As suas capacidades gelificantes deixaram-me curiosa e a utilização nesta receita permite criar uma boa textura, com o sabor do coco a sobressair. Com uma compota de fruta rápida e quase sem açúcar são uma boa opção para pequenos-almoços rápidos e saborosos.

A Tua DespensaPudim de chia e coco (com mirtilos)